quarta-feira, 14 de agosto de 2019

O PAÍS É NOSSO!

Este conflito entre motoristas de matérias perigosas e os seus patrões, não cheira bem! De um lado, o sindicato representante dos motoristas comandado por um palavroso interesseiro, demagogo e populista; do outro, a associação patronal que ainda não conseguiu demonstrar quer uma posição decente e não exploradora dos seus contratados quer a disposição de negociar de acordo com as exigências do trabalho que pretende contratar. Ou seja, nem uma nem outra, parecem ser flores que se cheirem quando, por trás de tudo, parecem existir objectivos políticos que se alinham, voluntária ou involuntariamente, na moda do processo ultraliberal e, muito possivelmente, na abertura das perigosas estradas que começamos a ver construir noutros países.

Para além de considerar surpreendente — como foi admitido pela gente do terreno?! — que o vice-presidente de um sindicato de motoristas de matérias perigosas com voz activa, permanente e dita negociadora, não faça a mínima ideia de que trata a condução de pesados, não deixo de me espantar com a série dos politicamente correctos que sem soluções para coisa nenhuma vêm a terreiro “achar que” como se o conflito não tivesse ultrapassado o domínio específico das partes para atingir o país. A que se juntam, aproveitando a possibilidade de 15 minutos de mediática fama, os “estruturados bem-pensantes” que de tanto temerem a queda de qualquer parente na lama, jogam sempre para o lado que sentem o vento soprar. Que é isto e mais aquilo, que é de duvidosa necessidade ir tão longe, que colocam em causa a liberdade dos trabalhadores, que é um ataque aos sindicatos, que estão a gerir — vendo-se ao espelho — a crise de acordo com interesses eleitorais. Sempre com aquele ar de imensa preocupação pelos outros que, no entanto, nunca activamente têm. Ou, se têm, descaindo-se para o paternalístico papel de grandes defensores do seu mundo a preto-e-branco...

No entanto e neste jogo de interesses, os factos são estes: o povo português — e não os patrões dos motoristas — são, de forma indiscriminada e pela segunda vez num espaço de poucos meses, os principais prejudicados. Ou seja, terceiros sem culpas no cartório e que não têm possibilidades de intervenção ou de encontrar soluções, e que, obviamente, não serão os ricos, são as verdadeiras vítimas. E, por isso, faz todo o sentido que o Governo, democraticamente responsável pelo bem-estar do país, venha a terreiro, impondo meios para minorar prejuízos morais e materiais. É também para isto que queremos que exista, para nos garantir a tranquilidade de uma vida. E a chamada dos militares, por muito que custe  aos que em tudo vêem um ataque à dignidade corporativa, é mais do que justificada. Para o que basta ter conhecimento do que significa a actualidade efectiva do conceito de Defesa Nacional.

Porque a realidade é inadmissível: como é que umas poucas centenas de trabalhadores conjuntamente com umas dezenas de empresas paralisam um país?! E porque fizeram de conta, uns e outros, que tinham acordo — a greve terminou, não foi? — para voltarem ao mesmo logo a seguir? Que interesses escondem?

Ninguém pode ter o exagero de poder que lhe permita tomar conta do país. A ninguém pode ser permitido o poder de criar, indiscriminadamente, prejuízos a torto e a direito.

E porque uma paralisação deste género não deve ser possível, é fundamental que daqui se retirem as consequências necessárias para impedir futuras repetições. Estabelecendo princípios que garantam que a ideia de que o mesmo número de camisola servirá a toda a gente, não se repetirá. Definindo conceitos legais que garantam, como sempre defendi, que os sectores estratégicos o país — saúde, electricidade, água, comunicações, combustíveis, etc. — devem estar, preferencialmente, nas mãos do Estado democrático. Para que o seu controlo não seja uma arma de arremesso. E se existirem, como existem, privados nalguns destes sectores, devem ficar sujeitos a leis e regras suficientemente restritivas e claras para que seja impossível o seu uso abusivo. Garantindo, na base de princípios iguais, que para caso diferente as acções e exigências sejam também diferentes. Acabando, de uma vez por todas, com os abusos que a todos prejudicam e garantindo a eficaz protecção a quem trabalha.

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