Na habitual reunião do Panathlon Clube de Lisboa subordinada ao tema “Inovação no Têxtil para o Desporto” aprendi coisas muito interessantes. Como, por exemplo, que as camisolas dos rugbístas Springboks são construídas com uma malha que tem fibras horizontais elásticas e verticais rigídas, isto é, são de largura extensível, adaptando-se às diferentes formas dos corpos, mas não são alteráveis no seu comprimento. Vantagens do modelo: aumenta em muito a dificuldade de agarrar um jogador portador da bola pela camisola. Esta ideia partiu de um pedido de um antigo rugbista internacional escocês que comentou junto de investigadores têxteis: “interessante era uma camisola que não deixasse que a puxássemos...”. E de ideia em ideia a somar aos conhecimento das técnicas necessárias, atingiu-se o modelo pretendido de camisola que e não por acaso, são fabricadas em Portugal. E poucos de nós o sabemos...
Também os calções dos Springboks são adaptados para criar uma vantagem competitiva. De ambos os lados têm um tecido que permite limpar as mãos do suor — as vantagens para o jogo de passes, no passar e receber, são óbvias e o formação, o lançador da bola e o saltador agradecerão mais do que os outros. (na altura perguntei: porque é que os tenistas não usam calções deste tipo? Isso é gente muito especial... foi a resposta).
Fui-me lembrando dos “avanços tecnológicos” que fazíamos nos tempos em que — por óbvia falta de capacidades técnicas —pouco mais podíamos contar do que com a imaginação para procurar vantagens competitivas como substituir o pano dos bolsos dos calções por nylon para, nos dias frios e/ou com chuva, podermos aquecer as mãos. Ou o “roubo” da laca da mãe para deitar na sola dos sapatos e garantir a “presa” necessária para um voleibolista ou ainda e para o mesmo efeito o uso do próprio suor retirado dos braços e testa para molhar as solas de sapatos e assim melhor garantir a necessária “presa” ao piso.
Com o mais que foi dito, ficou uma noção muito clara da contribuição do Desporto para a inovação têxtil. A necessidade de superação e a procura de melhores resultados desportivos é, de facto, responsável por diversas inovações de consequências positivas para o conforto das nossas vidas. De facto e cada vez mais o Desporto não é apenas o espectáculo que passa à nossa frente mas um conjunto de actividades de investigação, de criação, de inovação, de produção e de distribuição que faz dele um espaço de cada vez maior domínio social. E Portugal, com uma enorme e muito espalhada iliteracia desportiva, está, numa contradição de interessante análise, profunda e positivamente integrado neste domínio da têxtil. Coisas...
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domingo, 20 de maio de 2018
segunda-feira, 8 de junho de 2015
PAF
Um balão cheio de nada a juntar às pápas e aos bolos a julgarem que somos todos tolos.
Lata não falta, estórias de encantar também não!
Arrogância e convencimento em barda num projecto ao agrado da finança internacional que, na espada da dívida, tem a garantia do controlo dominador. E eles, pimba! com PAF! E nós POF para que terminem em PUF!
segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014
De pernas pró ar
Ando, desde há tempos, a magicar sobre o porquê do Governo, sempre que pretende atingir um objectivo, lançar acções que produzem sempre o efeito contrário daquilo que dizem pretender. Descobri agora, vendo as fotografias do Coliseu, que as acções são propositadamente para levar ao contrário dos objectivos pretendidos. Num, eventualmente, excesso de transparência, tudo ficou claro no Coliseu.
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| Dos jornais |
Veja-se: no painel do fundo, atrás do senhor que avisa, está escrito Acima de tudo! com ponto de exclamação e tudo. E por baixo - abaixo de tudo? - Portugal. Acima de tudo com exclamação e com Portugal por baixo? Se queriam transmitir a ideia de que os move é Portugal, as suas gentes e o seu bem-estar e condições de vida sustentáveis para todos os portugueses a frase deveria ser ao contrário: Portugal, acima de tudo! Assim, de pernas para o ar em cuidada inversão, na hierarquização pretendida, louva-se a coerência da politica do Governo que o PSD suporta e apoia na pessoa do seu Presidente transformado em Primeiro-ministro: ao contrário.
Ou seja e como imagem de marca: um misto de demonstração de vontade de poder e ignorância para produzir o contrário do que dizem pretender.
sexta-feira, 18 de janeiro de 2013
A quem possa interessar
Fui convidado e aceitei ser o mandatário do Candidato à Presidência do Comité Olímpico de Portugal, dr. José Manuel Constantino, nas eleições que se realizarão até ao final de Março próximo.
segunda-feira, 21 de novembro de 2011
Encontros Imaginários
Os diálogos são notáveis, a articulação - os pontos comuns encontrados pelo Helder - entre diferentes personagens de tempos distantes da História é inteligentemente contada. Vale a pena ir ao bar de A Barraca no Cinearte de Santos na primeira e terceira segundas-feiras e cada mês.
Com a nota que o Hélder me deixou não podia deixar de estar presente. E o Zé do Telhado, reconhecendo-me - em tempos teve que posar para mim a entrar pela janela - veio, simpaticamente, dar-me um colar de ouro. Roubado a uma Viscondessa, pareceu-me ouvi-lo dizer.
No Encontro tudo se passa com o á-vontade de quem parece conhecer-se há muito tempo - como se a pertença à História lhes desse um espaço comum que partilham há séculos.
De Helder Costa já conhecíamos o interesse sobre a História - aqueles "diálogos históricos" na televisão foram a demonstração pública desse interesse. Mas estes Encontros são melhores. Mais inteligentes, mais interessantes, mais dinâmicos. E com uma demonstração de cultura superior. Muito bom. A exigir presença e que, embora a dimensão esteja adequada à situação ao vivo, os diversos Encontros possam ser mostrados de novo com outra dimensão - a da televisão.
sexta-feira, 22 de abril de 2011
quinta-feira, 7 de abril de 2011
Na Luz, à Benfica!
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Campeões 2009/2011 foto telemóvel |
Foi o contrário da indignidade do apagão e da rega.
Hoje, na Luz, foi o Benfica e os seus valores.
Domingo passado um(ns) qual(is)quer energúmeno(s) mostraram ignorar o porquê de há anos irmos ao estádio. Com o mesmo interesse. Com o apoio de sempre.
Por nada perceberem da cultura de valores que nos junta e associa, fizeram de uma derrota uma vergonha. Valha-nos, sem que lhes sirva de desculpa, a excelência desta vitória.
segunda-feira, 31 de janeiro de 2011
Primitivos Portugueses
A exposição do Museu de Arte Antiga, Os Primitivos Portugueses, é imperdível. Exposição da pintura portuguesa da segunda metade do século XV e da primeira de XVI, tem um interesse óbvio: a possibilidade de ver, comparando, obras dispersas; de voltar atrás e à frente e permitir pequenas e interessantes descobertas. Por exemplo: descobrir que os óculos do circuncizador do Circuncisão (1535-1540) de autor desconhecido se repetem – embora com alteração de escala e importância - no rosto de um figurante num outro quadro. Depois é o passeio entre o mais simplório e o complexo, pela passagem por pormenores de ingenuidade temerosa ou divertida, perceber janelas que contam outro quadro, numa visão que nos permite, no meio da enorme maioria de temas religiosos, o encontro, raro, com o notável Homem do Copo de Vinho que - por aquilo que me parecem óbvios motivos da altura – foi atribuído - tal como qualquer pintura que nos fizesse olhar duas vezes, a quem mais poderia ser? - a Nuno Gonçalves. E ver também o retrato da Princesa Santa Joana, filha de D. Afonso V, de autor agora definido como desconhecido, elegante mas mais pobre na planura com que se interpreta. Notáveis na qualidade da sua expressão – quase apenas testemunhal – são os dois rostos – que servem aliás o catálogo da exposição – dos dois observadores da Deposição no Túmulo (1521-1530) de Cristóvão Figueiredo. Mas a exposição tem uma vantagem maior: realizada logo após a Invenção da Glória onde se podiam ver também os Painéis de S. Vicente (1470) atribuídos a Nuno Gonçalves, esta exposição, de subtítulo “O Século de Nuno Gonçalves”, vem aumentar as interrogações sobre aquela que é a mais notável obra pictórica desta exposição. Vistos e revistos vezes sem conta não deixam de surpreender continuamente – abrindo novas e constantes possibilidades interpretativas.
Ir ao MNAA é obrigação. Porque é interessante, divertido e proveitoso. Excelente!
quinta-feira, 6 de janeiro de 2011
BPN
Acho graça a esta malta relacionada com o BPN. De acordo com as definições de Cipolla cabem todos no quadrante “Bandidos” – bandidos mais-que-perfeitos, diria - mas, ao dedo, reagem como virgens ofendidas: para além do aboletamento, ainda nos prejudicam com o abuso. Acho graça ao descaramento… mas incomóda-me o alinhamento dos Ingénuos a quarenta-e-cinco graus e arrecuas.
sábado, 11 de dezembro de 2010
PPP a favor de quem?
Nunca fui adepto das Parcerias Público-Privadas. Nunca compreendi as vantagens de misturar dois conceitos não miscíveis: a prestação obrigatória de um serviço aos cidadãos com a necessidade da obtenção de lucros para responder aos interesses dos accionistas. Aliás sempre pensei que este conjunto, pela lógica do lucro, tende muito mais à redução da qualidade do serviço do que ás vantagens da mítica eficiência privada. Parece-me evidente: as PPP traduzirão mais lucros e não necessariamente melhor serviço.
Há anos, depois de ter participado nas negociações em Bruxelas para a obtenção de verbas para aplicar nas infra-estruturas desportivas – que de zero passaram a 80 milhões – tive que me confrontar, em reuniões para aprovação de regulamentos, com a imposição dos enviados de Bruxelas – um deles português, irritante e cheio de prosápia do centro da civilização contra os pré-históricos da periferia – para aceitação das PPP. Fiz o que pude: disse que não concordava, que me parecia prejudicial aos interesses dos dinheiros públicos, que no Desporto já havia uma espécie, embora mitigada, de PPP, na relação Estado/ Federações de Utilidade Pública Desportiva. Enfim, para que as parcerias fossem aceitáveis seria necessário uma monitorização e controlo tais que garantissem a defesa sem lacunas do interesse público dos projectos. Não serviu para nada: os meus cerca de trinta companheiros alinhavam no modismo PPP, achavam até interessante dar cobertura ao mito de gerir a administração pública como empresas privadas ou acreditavam, com aquele entendimento pio que caracteriza o imobilismo, estar a alinhar Governo e interesse público. Ninguém esteve para se maçar. Na imagem de troglodita fiquei sozinho.
Curioso, hoje tudo é contra as PPP. Nomeadamente a direita que já se esqueceu da defesa que lhes fez. Mas são-no também ex-membros do Tribunal de Contas, ex-ministros, ex-isto e aquilo e até actuais liberais como Luis Campos e Cunha que defende “que há que separar as águas do Estado do sector privado. A mancebia entre o Estado e os negócios conduz a que o Estado fique ao serviço dos interesses económicos.”
Como é que caíram na esparrela?
Há anos, depois de ter participado nas negociações em Bruxelas para a obtenção de verbas para aplicar nas infra-estruturas desportivas – que de zero passaram a 80 milhões – tive que me confrontar, em reuniões para aprovação de regulamentos, com a imposição dos enviados de Bruxelas – um deles português, irritante e cheio de prosápia do centro da civilização contra os pré-históricos da periferia – para aceitação das PPP. Fiz o que pude: disse que não concordava, que me parecia prejudicial aos interesses dos dinheiros públicos, que no Desporto já havia uma espécie, embora mitigada, de PPP, na relação Estado/ Federações de Utilidade Pública Desportiva. Enfim, para que as parcerias fossem aceitáveis seria necessário uma monitorização e controlo tais que garantissem a defesa sem lacunas do interesse público dos projectos. Não serviu para nada: os meus cerca de trinta companheiros alinhavam no modismo PPP, achavam até interessante dar cobertura ao mito de gerir a administração pública como empresas privadas ou acreditavam, com aquele entendimento pio que caracteriza o imobilismo, estar a alinhar Governo e interesse público. Ninguém esteve para se maçar. Na imagem de troglodita fiquei sozinho.
Curioso, hoje tudo é contra as PPP. Nomeadamente a direita que já se esqueceu da defesa que lhes fez. Mas são-no também ex-membros do Tribunal de Contas, ex-ministros, ex-isto e aquilo e até actuais liberais como Luis Campos e Cunha que defende “que há que separar as águas do Estado do sector privado. A mancebia entre o Estado e os negócios conduz a que o Estado fique ao serviço dos interesses económicos.”
Como é que caíram na esparrela?
quinta-feira, 25 de novembro de 2010
Três secos
Há duas características, também essenciais, nos campeões:
- capacidade de aprender com os próprios erros;
- capacidade para não cometer duas vezes o mesmo erro.
Por falta evidente destas capacidades o Benfica saiu da Champions e está com 10 pontos de atraso em relação ao primeiro do campeonato interno.
- capacidade de aprender com os próprios erros;
- capacidade para não cometer duas vezes o mesmo erro.
Por falta evidente destas capacidades o Benfica saiu da Champions e está com 10 pontos de atraso em relação ao primeiro do campeonato interno.
sexta-feira, 19 de novembro de 2010
IMPROVISO
Não há improvisos – nós gostámos, achamos que é uma nossa qualidade particular que nos caracteriza e distingue, mas não passa de uma forma de preguiça, de deixar o tempo correr, de falta de previsão e de incapacidade de antecipação.
Os Óscares – o espectáculo do melhor cinema na visão americana - já nos tinham mostrado que cada um diz o que deve – pensado, escrito, antes. Ensaiado. E com muitas preparações que nunca verão a luz da ribalta.
O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, ao deixar a sua marca no Livro de Honra do Palácio de Belém, copiou a meia-dúzia de linhas da sua mensagem dum cartão que tirou do bolso e que guardou posteriormente. Sem improviso. Pensado e reflectido.
O improviso é para situações imprevisíveis. Deixar que seja o improviso a resolver o previsível representa perca de tempo, de qualidade e abre espaço ao risco desnecessário. Mas o improviso, para que não seja uma imprevisível apanhadela na curva, prepara-se e antecipa-se: como bem sabem desportistas de rendimento ou músicos de jazz.
Os Óscares – o espectáculo do melhor cinema na visão americana - já nos tinham mostrado que cada um diz o que deve – pensado, escrito, antes. Ensaiado. E com muitas preparações que nunca verão a luz da ribalta.
O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, ao deixar a sua marca no Livro de Honra do Palácio de Belém, copiou a meia-dúzia de linhas da sua mensagem dum cartão que tirou do bolso e que guardou posteriormente. Sem improviso. Pensado e reflectido.
O improviso é para situações imprevisíveis. Deixar que seja o improviso a resolver o previsível representa perca de tempo, de qualidade e abre espaço ao risco desnecessário. Mas o improviso, para que não seja uma imprevisível apanhadela na curva, prepara-se e antecipa-se: como bem sabem desportistas de rendimento ou músicos de jazz.
domingo, 24 de outubro de 2010
Nicht habben saken
Não há saco!
Fartam-me cada vez mais estes doutores cheios de diagnósticos, dando-se uma importância desmedida - onde já vão os quinze minutos de fama a que Wharol nos deu direito... Mas não lhes ouço qualquer proposta de solução, qualquer demonstração de capacidade de resolução dos problemas - só queixas e prosápia. E o ar pomposo de conhecedores.
Pergunto com Karl Valentin: e não se pode exterminá-los?
Fartam-me cada vez mais estes doutores cheios de diagnósticos, dando-se uma importância desmedida - onde já vão os quinze minutos de fama a que Wharol nos deu direito... Mas não lhes ouço qualquer proposta de solução, qualquer demonstração de capacidade de resolução dos problemas - só queixas e prosápia. E o ar pomposo de conhecedores.
Pergunto com Karl Valentin: e não se pode exterminá-los?
sexta-feira, 8 de outubro de 2010
Do Desporto à Empresa
Fui recentemente, em companhia do Manuel Pedroso Marques, convidado pela administração da EMEL – a empresa de estacionamento de Lisboa – para ir fazer uma palestra aos seus quadros sobre a construção das equipas, tendo por base a construção das equipas desportivas (Pedroso Marques falou de estratégia). Mostrar pontes entre uma equipa desportiva e uma equipa empresarial, assinalando as vantagens da relação, era o desafio que me era colocado.
O desafio não era simples – a EMEL tem uma espécie de dupla personalidade: por um lado, procura melhorar a qualidade de vida dos lisboetas (é isso que pretende mostrar na sua publicidade); por outro, não é vista como amigável por grande parte dos automobilistas que usam Lisboa – não lhes garante lugares, obriga-os a pagar por eles e multa-os sempre que pode. Comparando, poderia dizer-se que se comportam muitas vezes como Cardoso ao mandar calar a massa associativa benfiquista – desprezando, exagerando relativamente, aqueles que os sustentam.
A questão era portanto mostrar-lhes os princípios que permitem a construção de uma equipa capaz – propósitos definidos, perspectivas alinhadas e movimentos sincronizados – e como é possível aplicá-los às empresas no sentido de melhorar a sua capacidade e produtividade.
Mesmo atendendo às diferenças – numa equipa desportiva é, muitas vezes, a eficácia o factor determinante do sucesso; numa empresa a eficiência ganha uma importância relevante – há muito daquilo que se sabe, utiliza e procura nos desportos colectivos para utilizar nas empresas.
Foi divertido – eu gostei, eles gostaram (ou, porventura apenas por simpatia, assim mostraram).
Muitos dos quadros da EMEL talvez tenham percebido o funcionamento das equipas desportivas – o que, mesmo que não o tenham conseguido relacionar com a aplicação empresarial, pode permitir-lhes compreender melhor as prestações semanais das equipas dos seus clubes… – e que há um domínio na área do desporto que, por ser uma espécie de cadinho social – onde tudo se passa mais depressa e de forma mais intensa – permite ilações pertinentes para a produção empresarial.
A dificuldade do trabalho em equipa – forma complexa de organização onde se relacionam competição e cooperação – reside no facto de ser necessário articular as expectativas individuais e alinhá-las pela perspectiva dos objectos colectivos. Não é fácil mas as grandes equipas fazem-no: garantindo que o todo se torne maior do que a soma das suas partes.
O desafio não era simples – a EMEL tem uma espécie de dupla personalidade: por um lado, procura melhorar a qualidade de vida dos lisboetas (é isso que pretende mostrar na sua publicidade); por outro, não é vista como amigável por grande parte dos automobilistas que usam Lisboa – não lhes garante lugares, obriga-os a pagar por eles e multa-os sempre que pode. Comparando, poderia dizer-se que se comportam muitas vezes como Cardoso ao mandar calar a massa associativa benfiquista – desprezando, exagerando relativamente, aqueles que os sustentam.
A questão era portanto mostrar-lhes os princípios que permitem a construção de uma equipa capaz – propósitos definidos, perspectivas alinhadas e movimentos sincronizados – e como é possível aplicá-los às empresas no sentido de melhorar a sua capacidade e produtividade. Mesmo atendendo às diferenças – numa equipa desportiva é, muitas vezes, a eficácia o factor determinante do sucesso; numa empresa a eficiência ganha uma importância relevante – há muito daquilo que se sabe, utiliza e procura nos desportos colectivos para utilizar nas empresas.
Foi divertido – eu gostei, eles gostaram (ou, porventura apenas por simpatia, assim mostraram).
Muitos dos quadros da EMEL talvez tenham percebido o funcionamento das equipas desportivas – o que, mesmo que não o tenham conseguido relacionar com a aplicação empresarial, pode permitir-lhes compreender melhor as prestações semanais das equipas dos seus clubes… – e que há um domínio na área do desporto que, por ser uma espécie de cadinho social – onde tudo se passa mais depressa e de forma mais intensa – permite ilações pertinentes para a produção empresarial.
A dificuldade do trabalho em equipa – forma complexa de organização onde se relacionam competição e cooperação – reside no facto de ser necessário articular as expectativas individuais e alinhá-las pela perspectiva dos objectos colectivos. Não é fácil mas as grandes equipas fazem-no: garantindo que o todo se torne maior do que a soma das suas partes.
segunda-feira, 27 de setembro de 2010
Respeitinho
Aprendi cedo que "o respeitinho é muito bonito". E só não sigo o conceito quando não quero respeitar - acontece algumas vezes e não alinho muito na ideia de dar a outra face (prefiro, à medida que idade avança, virar as costas...). Mais do que nas relações quotidianas dos círculos habituais - onde haverá uma maior "largueza" nos padrões comportamentais - as relações formais devem garantir um princípio de boa-educação evidente.
E não é isto quer temos visto nos últimos tempos. O que me incomoda e me indigna.
Parece moda: o primeiro-ministro é mentiroso! o ministro tal, mente! Bom, então provem a mentira e exijam a sua demissão; se não forem capazes, calem-se e usem a linguagem devidamente respeitosa que a cultura democrática exije. O fatinho, as risquinhas, a gravatinha, não dão qualquer previlégio - nem sequer de recorrer ao ar pretencioso de professor com fala do alto da burra.
A Democracia - que vive da discussão, do contraditório, da colocação de distintos pontos-de-vista, da troca de ideias- exije comportamentos adequados
Importam-se, portanto, de garantir a Democracia como um espaço decente? ... Para que possam ser respeitados.
E não é isto quer temos visto nos últimos tempos. O que me incomoda e me indigna.
Parece moda: o primeiro-ministro é mentiroso! o ministro tal, mente! Bom, então provem a mentira e exijam a sua demissão; se não forem capazes, calem-se e usem a linguagem devidamente respeitosa que a cultura democrática exije. O fatinho, as risquinhas, a gravatinha, não dão qualquer previlégio - nem sequer de recorrer ao ar pretencioso de professor com fala do alto da burra.
A Democracia - que vive da discussão, do contraditório, da colocação de distintos pontos-de-vista, da troca de ideias- exije comportamentos adequados
Importam-se, portanto, de garantir a Democracia como um espaço decente? ... Para que possam ser respeitados.
terça-feira, 14 de setembro de 2010
Já lá vão 9
O arbitro foi um desastre de prejuízos no jogo de Guimarães, é certo. Mas o Benfica nada fez de especial para ganhar o jogo e de pouco servem (ou servirão) as tiradas bombásticas - somos os melhores - de Jesus. Os jogos ganham-se dentro de campo com a atitude ganhadora adequada, com a velocidade necessária e um espírito de equipa transformador. Paleio pró-mediático, desculpas e vitimização não servem os campeões - não pertencem aliás ao seu mundo. Um campeão sabe que, quando tudo começa a correr mal, retorna às bases e prepara o seu relançamento. É o que fazem as grandes equipas - com orgulho e atitude. Sem paleios.
Nove pontos já se foram e a corrida corre-se agora atrás do prejuízo. Com a meta já muito longe.
Nove pontos já se foram e a corrida corre-se agora atrás do prejuízo. Com a meta já muito longe.
terça-feira, 31 de agosto de 2010
As Tapeçarias de Pastrana
Falhar a visita à exposição das Tapeçarias de Pastrana que se encontram no Museu de Arte Antiga é imperdoável.Pela primeira vez é possível ver as quatro tapeçarias – três sobre a Conquista de Arzila (o Desembarque, o Cerco e o Assalto) e uma sobre a Entrada em Tânger – à distância da comparação. São três peças de armar de 11x4 metros – a sobre Tânger será um pouco menor por perda de um bocado da sua parte superior – a que a possibilidade de ver a um palmo do nariz a alteração do ponto para compreender a definição de texturas e espacialidades, dá um carácter e um gozo muito especial à visita. Como terão ido parar às mãos dos Duques do Infantado é coisa de que nada se sabe – hipóteses apenas: saque da derrota de Toro? nunca terem chegado a Portugal? Quem sabe?
O título da exposição – A Invenção da Glória – é um achado e traduz desde logo a visão crítica (tão pouco comum na tradição do museu) que suporta a leitura pretendida das tapeçarias. Mandadas fazer pelo próprio rei/actor na oficina flamenga de Passchier Grenier em Tournai, expressam verdadeiramente à posteridade a visão de conto heróico do que se pretendeu ter sido a gloriosa campanha. A figura do rei Afonso V e do príncipe João estão ausentes da Entrada em Tânger por se tratar de um acto sem dignidade heróica suficiente. É fascinante a leitura – até mesmo do inverosímil - do amontoado de figuras, do número de barcos, das vestimentas, das armaduras, das construções, das paisagens, das diversas formas de exposição de riqueza que definem as diversas composições. Um espanto de preocupação de imagem futura: que me pensem bem poderia ser a legenda.
Novo mistério na História de Arte portuguesa: sabe-se quem mandou, sabe-se quem realizou, não se sabe porque estão em Espanha – em Guimarães apenas existem cópias – e diz-se saber quem pintou os cartões.
Às tapeçarias – numa expressão quase minimalista - juntam-se outras peças que as contextualizam - dois desenhos representando D. Afonso V (um deles o retrato realizado por Georg von Ehingen – o rei com chapéu de abas largas), uma chave de abóbada (do Convento de S. Francisco de Beja) retratando o rei com uma faca espetada, a cadeira do Convento de Varatojo onde os frades diziam sentar-se o rei, para além dos notáveis Painéis de S. Vicente - também um mistério de interrogações - colocados como habitualmente e de acordo com a visão que terá sido apontada por Almada Negreiros.
A presença dos Painéis – ao contrário da imposição de José de Figueiredo e Reynaldo dos Santos que, após visita à Colegiada de Pastrana e na característica ditadura de posicionamento, decretaram: quem desenhou os Painéis, desenhou o cartão das Tapeçarias – permite perceber, pela forma, pelo traço, pela perspectiva, que não: quem desenhou um, não desenhou outro. E daqui é possível ficar a saber-se que, se foi Nuno Gonçalves, pintor de D. Afonso V, autor dos cartões, não terá sido ele a pintar os Painéis – e vice-versa, claro está!
Nesta relação, a Invenção da Glória pode descobrir-se mais longe.
E se a visão dos painéis for outra? Se o políptico tratar do juramento de D. João II – afirmando o retorno à linha justa do mar abaixo contra o interesse da nobreza no aparente pouco risco e muito ganho que representaria o Norte de África? Se assim for, D. João II (1455/1495), de joelho em terra, jura perante o Livro e os cavaleiros, no painel imediato, juram a sua fidelidade perante o bastão real. No chão – representando a queda - a figuração de Portugal (visão também de Almada) embrulhado na corda de nós dos Bragança – depois de vós, nós – simbolizando uma nova ordem que a limpeza real declara e impõe. Se assim for – e consonante com o desenho de von Ehingen – o homem do chapeirão seria D. Afonso V (1432/1481) e a criança seria D. Manuel (1469/1521), filho adoptivo – e que lhe viria a suceder – de D. João II. Esta interpretação dos Painéis – que me dá algum gozo e que vale o que vale - resolve-me um problema com que sempre convivi mal e para a qual as diferentes explicações (excepto a de dois trípticos) pouco me convencem: a repetição da figura central. E que me dá sempre a sensação de que - neste arranjo que temos visto – faltará outro painel no meio dos actuais.
Várias têm sido as interpretações – com mais ou menos especulação, mais ou menos sentido patrioteiro a bem da nação , mais ou menos elegância ou talento – que este notável conjunto de Painéis tem merecido: que tal garantir que de tempos a tempos – trimestralmente, por exemplo - seria apresentado o arranjo formal de acordo com a análise e justificação dos diversos autores de trabalhos sobre o tema. Ganhávamos todos. O Museu e a invenção incluídos - seria culturalmente divertido.
quarta-feira, 11 de agosto de 2010
Pequenos?! Com 10 milhões?
Os resultados da selecção portuguesa de atletismo nos Europeus de Barcelona não foram nada maus. Quatro medalhas – 20º lugar - com 45 pontos conseguidos a colocar-nos na 10ª posição entre os países presentes e dois recordes nacionais. E se é verdade que ninguém chegou ao ouro, também é verdade que a Naide Gomes saltou tanto como a primeira e o Francis Obikwellu ficou rés-vés o segundo. As medalhas, com estes ou outros actores, mais falhanço ou mais superação foram as esperadas: quatro. Parabéns a atletas e treinadores.
Segui, como pude e através da TV, os campeonatos. E se fui vibrando com algumas provas e resultados também me irritei com a insuportável mania – dita e escrita - da justificação calimera de contentinhos: a prestação portuguesa foi excepcional porque somos pequenos … só 10 milhões… que formidável…
Claro que não somos pequenos. Somos médios quando comparados com os outros países conforme demonstra Manuel Lima numa excelente exposição de evidências – O Síndrome da Pequenez, O Fim de uma desculpa injustificada – no seu blogue shapesofportugal.com e de onde retiro alguns dos seus gráficos. Entre 196 países do Mundo, demonstra, a dimensão de Portugal situa-o na 108ª posição (se for entre os 245 possíveis países, Portugal é o 110º equivalente a médio-grande). Na Europa, Portugal tem o dobro da dimensão da Dinamarca, da Holanda ou da Estónia e vale três vezes a Bélgica.
Portugal país pequeno?! Nem por sombras.
Somos, isso sim, um país periférico que agarrado ainda a laços de herança salazarista - fascismo aldeão e religiosidade vingativa e castradora - ainda hoje nos mantemos num orgulhosamente sós de lições ao mundo que não deixa que a Escola faça, convenientemente, aquilo que deveria: ensinar a ler, escrever, contar, a explicar uma ideia e a compreender o mundo.
Pequenos, não. Apenas periféricos e sem capacidade educativa que nos leve ao salto necessário à aproximação que as novas tecnologias deveriam permitir. E é por sabermos isso que nos excedemos em justificações.
Melhor, para remate, é seguir Agustina Bessa-Luís: Portugal não é coisa para comentar. Ou se gosta ou não se gosta! Ela gosta, diz.
Segui, como pude e através da TV, os campeonatos. E se fui vibrando com algumas provas e resultados também me irritei com a insuportável mania – dita e escrita - da justificação calimera de contentinhos: a prestação portuguesa foi excepcional porque somos pequenos … só 10 milhões… que formidável…
Claro que não somos pequenos. Somos médios quando comparados com os outros países conforme demonstra Manuel Lima numa excelente exposição de evidências – O Síndrome da Pequenez, O Fim de uma desculpa injustificada – no seu blogue shapesofportugal.com e de onde retiro alguns dos seus gráficos. Entre 196 países do Mundo, demonstra, a dimensão de Portugal situa-o na 108ª posição (se for entre os 245 possíveis países, Portugal é o 110º equivalente a médio-grande). Na Europa, Portugal tem o dobro da dimensão da Dinamarca, da Holanda ou da Estónia e vale três vezes a Bélgica.
Em população, Portugal – recorro de novo a Manuel Lima – tem a 75ª posição no mundo e na Europa tem, entre os 45 países, a 13ª posição, ou a 10ª dentro da União Europeia.
Portugal país pequeno?! Nem por sombras.
Somos, isso sim, um país periférico que agarrado ainda a laços de herança salazarista - fascismo aldeão e religiosidade vingativa e castradora - ainda hoje nos mantemos num orgulhosamente sós de lições ao mundo que não deixa que a Escola faça, convenientemente, aquilo que deveria: ensinar a ler, escrever, contar, a explicar uma ideia e a compreender o mundo.
Pequenos, não. Apenas periféricos e sem capacidade educativa que nos leve ao salto necessário à aproximação que as novas tecnologias deveriam permitir. E é por sabermos isso que nos excedemos em justificações.
Melhor, para remate, é seguir Agustina Bessa-Luís: Portugal não é coisa para comentar. Ou se gosta ou não se gosta! Ela gosta, diz.
quinta-feira, 15 de julho de 2010
24
Terminou o 24 de Jack Bauer. Durante anos segui os episódios que pude e gostei sempre daquele esquema simplesmente dramático: defesa patriótica de vale tudo, Presidentes abaixo do nível crítico, tensão torturante, tiro, faca, tecnologias, espionagem, toque e fuga e da fidelíssima O’Brian. O esquema era muito simples e o grande gozo era perceber quando iria entrar em acção a Lei de Murphy* para levar qualquer momento de vantagem à pior das situações. O truque era quase elementar mas suficientemente elaborado para funcionar sempre – mesmo nos últimos episódios de cada série em que o herói se tinha que safar. Série de culto diz-se.
* Lei de Murphy numa das suas expressões: “Se alguma coisa pode correr mal, correrá e da pior maneira possível no pior momento possível.”
sexta-feira, 21 de maio de 2010
O logro percentual
1% é igual a 1%. Mas 1% de 20 é diferente de 1% de 80 - e o 1% sobre ordenados baixos e muito baixos é diferente do 1% sobre ordenados altos e muito altos. Por uma razão simples: para os últimos, as necessidades básicas estão altamente superadas; para os primeiros, a quem sobra sempre mês, as necessidades básicas estão diminuídas. Por isso, falar na repartição por todos, é injusto - mesmo considerando que estão isentas de tributo cerca de um milhão de famílias. Porque se o 1% é igual, o resultado é diferente. Como se sabe facilmente do futebol: marcar golos em 30% de três remates diz-se eficácia; marcá-los em 30% de nove remates diz-se desperdício. O que significa uma enorme diferença.
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