Pese embora alguma desvalorização do problema, o Secretário do Desporto de Espanha, Jaime Lissavetsky, acabou por reconhecer - não nos esqueçamos que perdemos [os Jogos Olímpicos de 2016 em] Madrid por causa do doping - a importância da luta contra o doping de acordo com os padrões internacionais vigentes.
Ou seja, a questão que relaciona o futebol português e a ADOP tão referida pela criação de má imagem à candidatura luso-espanhola ao Mundial de Futebol coloca-se rigorosamente nos antípodas do que alguns ilustres pretendem fazer crer: o rigor do combate anti-doping, longe de criar problemas, só marca pontos na cena desportiva internacional.
Mostrar mensagens com a etiqueta Mundial. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Mundial. Mostrar todas as mensagens
segunda-feira, 11 de outubro de 2010
domingo, 18 de julho de 2010
Se o Mundial de Futebol fosse de Rugby...
… o Gana teria ido à meia-final do Mundial e o Uruguai teria ido para casa mais cedo. Se fosse rugby também não haveria assembleias de mandar vir a envolver o árbitro cada vez que fosse marcada uma falta com paragem do jogo. Se fosse rugby tão pouco se ganharia alguma coisa com as ditas faltas inteligentes feitas a meio-campo para cortar a vantagem do adversário. Se fosse rugby qualquer agressão não detectada pelo árbitro levaria ao castigo do prevaricador pelas entidades que superintendem à modalidade. Se fosse rugby, as bolas entradas na baliza seriam golos e o aproveitamento do fora-de-jogo deixaria de ser possível.
O Gana teria passado porque, se fosse rugby, a falta do uruguaio Suarez – defendendo sobre a linha de golo com as mãos – daria um golo de penalidade; não haveria assembleias porque, a cada mandar vir, o local da falta avançaria 10 metros no terreno; nada se ganharia com faltas inteligentes porque iria haver cartão amarelo com saída do faltoso por 10 minutos, marcação de falta com conquista de terreno e de novo direito á posse da bola; os golos eram golos e os fora-de-jogo seriam fora-de-jogo porque haveria recurso imediato às novas tecnologias que informariam árbitros e espectadores da realidade dos factos.
Ou seja: existe uma enorme diferença entre o entendimento do jogo de rugby e o jogo de futebol. No primeiro, toda a construção do sistema de leis do jogo tem por objectivo jogar de acordo com a lei, dando oportunidades idênticas a ambas as equipas; no segundo, a construção do sistema de leis do jogo permite o recurso constante à sua subversão e – pode-se mesmo dizê-lo – incentiva-o, permitindo vantagens ao dissimulador.
Se fosse rugby, o futebol era um jogo mais interessante com menos fanatismo e dando maior protagonismo aos melhores jogadores.
Se fosse rugby não seria possível pensar-se – como alguém anda por aí a pensar – que o jogador expulso deve ser substituído. Porquê? Porque diminuiria a violência, dizem. Com certeza. Principalmente porque seria possível montar uma equipa com o objectivo de baixar o pau sobre o mais perigoso adversário…
Se fosse rugby, os golos entrados seriam golos e os golos marcados em fora-de-jogo seriam anulados.
O Gana teria passado porque, se fosse rugby, a falta do uruguaio Suarez – defendendo sobre a linha de golo com as mãos – daria um golo de penalidade; não haveria assembleias porque, a cada mandar vir, o local da falta avançaria 10 metros no terreno; nada se ganharia com faltas inteligentes porque iria haver cartão amarelo com saída do faltoso por 10 minutos, marcação de falta com conquista de terreno e de novo direito á posse da bola; os golos eram golos e os fora-de-jogo seriam fora-de-jogo porque haveria recurso imediato às novas tecnologias que informariam árbitros e espectadores da realidade dos factos.
Ou seja: existe uma enorme diferença entre o entendimento do jogo de rugby e o jogo de futebol. No primeiro, toda a construção do sistema de leis do jogo tem por objectivo jogar de acordo com a lei, dando oportunidades idênticas a ambas as equipas; no segundo, a construção do sistema de leis do jogo permite o recurso constante à sua subversão e – pode-se mesmo dizê-lo – incentiva-o, permitindo vantagens ao dissimulador.
Se fosse rugby, o futebol era um jogo mais interessante com menos fanatismo e dando maior protagonismo aos melhores jogadores.
Se fosse rugby não seria possível pensar-se – como alguém anda por aí a pensar – que o jogador expulso deve ser substituído. Porquê? Porque diminuiria a violência, dizem. Com certeza. Principalmente porque seria possível montar uma equipa com o objectivo de baixar o pau sobre o mais perigoso adversário…
Se fosse rugby, os golos entrados seriam golos e os golos marcados em fora-de-jogo seriam anulados.
segunda-feira, 12 de julho de 2010
Espanha campeã mundial
A Espanha ganhou o Mundial de futebol e confesso que gostei. Para além da afinidade ibérica, aquele futebol agrada-me - embora goste mais da acutilância da sua forma na expressão do Barcelona. A equipa espanhola jogou mais, foi melhor e mereceu ganhar o jogo - até porque a Holanda, sendo embora uma também boa equipa, recorreu com demasiada intensidade - para resistir e disfarçar fraquezas - ao baixar de pau.
Curioso é que o grande vencedor futebolístico deste Mundial é Johan Cruyfft, o holandês genial que encorporava a representação da laranja mecânica e que, como treinador, deu ao Barcelona - de que é Presidente Honorário - os princípios da dimensão futebolística que tem hoje.
Sempre gostei de Cruyfft - foi um prazer vê-lo jogar e quando o vi como treinador passei a ter em atenção o seu trabalho. Aprendi bastante com ele: conceitos e métodos. Não o conhecendo pessoalmente de lado algum tenho, enquanto treinador, afinidades comuns - para além de termos nascido no mesmo dia...
A vizinha Espanha ganhou o Campeonato do Mundo sem vedetas, apostando no colectivo, no espírito de equipa, na capacidade do todo se superiorizar à soma das partes - não seria altura de aprendermos alguma coisa com eles? Afinal, estão aqui mesmo ao lado...
Curioso é que o grande vencedor futebolístico deste Mundial é Johan Cruyfft, o holandês genial que encorporava a representação da laranja mecânica e que, como treinador, deu ao Barcelona - de que é Presidente Honorário - os princípios da dimensão futebolística que tem hoje.
Sempre gostei de Cruyfft - foi um prazer vê-lo jogar e quando o vi como treinador passei a ter em atenção o seu trabalho. Aprendi bastante com ele: conceitos e métodos. Não o conhecendo pessoalmente de lado algum tenho, enquanto treinador, afinidades comuns - para além de termos nascido no mesmo dia...
A vizinha Espanha ganhou o Campeonato do Mundo sem vedetas, apostando no colectivo, no espírito de equipa, na capacidade do todo se superiorizar à soma das partes - não seria altura de aprendermos alguma coisa com eles? Afinal, estão aqui mesmo ao lado...
(ET: e a vitória espanhola dará uma outra dimensão à candidatura mista ao Mundial de 2018)
(ET2: esta vitória da Espanha aumentou-me o amargo de boca que me ficou do EURO 2004)
(ET2: esta vitória da Espanha aumentou-me o amargo de boca que me ficou do EURO 2004)
quinta-feira, 8 de julho de 2010
Lições do Mundial
A principal lição que o Mundial da África do Sul nos dá é simples: o colectivo é o mais de uma equipa. Pouco importa o número de vedetas, pouco importam as frases do cheios de vontade, estamos determinados, do queremos vencer etc. e tal. Importante, importante é a capacidade colectiva – a tal que transforma um todo numa soma superior à soma das suas partes. Por uma razão simples e mais do que conhecida – mas muito esquecida: não basta querer, é preciso poder. E poder, nos desportos colectivos, significa, no mínimo, ser capaz de ultrapassar os protagonismos individuais e alinhar um conjunto de normas que se traduzam num espírito de equipa capaz de fazer face aos momentos de pressão e às contrariedades inerentes ao jogo.
Os quatro semi-finalistas do Mundial são equipas que baseiam o seu jogo – as suas capacidades – no colectivo. A Espanha, agora finalista, mostrou-se exemplo maior desse espírito – o golo de Puyol só veio premiar um dos seus mais coerentes seguidores – dando uma enorme lição daquilo que pode hoje ser o Football Association. No Barcelona sempre me admirou a capacidade – claramente aprendida nas suas escolas – do movimento dos jogadores, libertando novas linhas de passe, e da exposição do conceito de que o movimento não termina no momento do passe. E esta Espanha mostra disso – naturalmente – grandes influências. Um gozo para a vista de quem gosta de futebol – e se bem percebi o que me explicaram há anos, um futebol que Mestre Cândido Oliveira não desdenharia.
Os quatro semi-finalistas do Mundial são equipas que baseiam o seu jogo – as suas capacidades – no colectivo. A Espanha, agora finalista, mostrou-se exemplo maior desse espírito – o golo de Puyol só veio premiar um dos seus mais coerentes seguidores – dando uma enorme lição daquilo que pode hoje ser o Football Association. No Barcelona sempre me admirou a capacidade – claramente aprendida nas suas escolas – do movimento dos jogadores, libertando novas linhas de passe, e da exposição do conceito de que o movimento não termina no momento do passe. E esta Espanha mostra disso – naturalmente – grandes influências. Um gozo para a vista de quem gosta de futebol – e se bem percebi o que me explicaram há anos, um futebol que Mestre Cândido Oliveira não desdenharia.
terça-feira, 6 de julho de 2010
Retorno dos ais e dos quase
Ponto prévio: pese embora a tese da minha filha nunca estive muito convencido que a nossa selecção fosse capaz de chegar muito longe. Faltava-lhe liderança e talento para construir um colectivo capaz de ultrapassar os obstáculos de um Campeonato do Mundo. Portanto a minha decepção foi muito reduzida: era o esperado. Mas não deixo de ficar espantado com aqueles que julgam que temos uma das melhores equipas do mundo (dessas, só a de 66 que a TV deixa recordar) .
Desde que vi, no pior vivo que me lembre, o desperdício que representou a derrota contra a Grécia na final do Euro 2004 - era um povo inteiro a empurrar para a vitória - que não tenho grandes ilusões sobre a capacidade futebolística da selecção nacional. Há sempre muita vaidade, muito antes de o serem já o eram, muito convencimento e pouca exigência.
Desta vez a minha ilusão também não era grande. Ainda não tínhamos ganho nada e já eramos campeões. E assim fomos aos saltos, passando pelo play-off, até à África do Sul. Sem grande glória e com o entusiasmo de um 3º lugar no ranking que não consigo entender (no Rugby os pontos do ranking só contam com resultados contra equipas do mesmo nível ou superior, nunca contra os mais fracos).
Como se este estado de espírito - traduzível em atitudes passivas, mais de espera que de procura - não bastasse, a continuidade da entrega da braçadeira de capitão a Cristiano Ronaldo foi um claro e previsível erro de casting. Que contribuiu ainda mais para uma atitude errada e incapaz de transformar um grupo num conjunto superior à soma das suas partes.
Com a visita de Piennar - o grande capitão do XV Springbok que venceu o Mundial de Rugby em 95 e que foi capaz de liderar uma equipa de fracos resultados até então e transformá-la em campeã, sabendo sempre encontrar a palavra justa para puxar os seus companheiros do fundo do poço dos momentos críticos - ainda pensei que alguma coisa se iria alterar. Mas o que disse, a experiência que contou, os aspectos que focou, ou não foram percebidos ou foram dados como menores. A oportunidade perdeu-se, tudo ficou na mesma e o resultado, foi-se.
Como se sabe (ou deveria saber), as palavras não vencem jogos; a atitude, sim.
Desde que vi, no pior vivo que me lembre, o desperdício que representou a derrota contra a Grécia na final do Euro 2004 - era um povo inteiro a empurrar para a vitória - que não tenho grandes ilusões sobre a capacidade futebolística da selecção nacional. Há sempre muita vaidade, muito antes de o serem já o eram, muito convencimento e pouca exigência.
Desta vez a minha ilusão também não era grande. Ainda não tínhamos ganho nada e já eramos campeões. E assim fomos aos saltos, passando pelo play-off, até à África do Sul. Sem grande glória e com o entusiasmo de um 3º lugar no ranking que não consigo entender (no Rugby os pontos do ranking só contam com resultados contra equipas do mesmo nível ou superior, nunca contra os mais fracos).
Como se este estado de espírito - traduzível em atitudes passivas, mais de espera que de procura - não bastasse, a continuidade da entrega da braçadeira de capitão a Cristiano Ronaldo foi um claro e previsível erro de casting. Que contribuiu ainda mais para uma atitude errada e incapaz de transformar um grupo num conjunto superior à soma das suas partes.
Com a visita de Piennar - o grande capitão do XV Springbok que venceu o Mundial de Rugby em 95 e que foi capaz de liderar uma equipa de fracos resultados até então e transformá-la em campeã, sabendo sempre encontrar a palavra justa para puxar os seus companheiros do fundo do poço dos momentos críticos - ainda pensei que alguma coisa se iria alterar. Mas o que disse, a experiência que contou, os aspectos que focou, ou não foram percebidos ou foram dados como menores. A oportunidade perdeu-se, tudo ficou na mesma e o resultado, foi-se.
Como se sabe (ou deveria saber), as palavras não vencem jogos; a atitude, sim.
Em tempo: escrevi este texto depois do jogo contra a Espanha; a sua publicação hoje permitiu condensá-lo e torná-lo de leitura mais simples.
segunda-feira, 28 de junho de 2010
Se fosse Rugby...
Se fosse Rugby, não era possível. Nunca num Mundial ou em qualquer outro jogo importante que seja tevisto por milhões de pessoas. O primeiro golo da Argentina contra o México, em claro fora-de-jogo, teria sido anulado; o golo invisível da Inglaterra teria sido golo mesmo e o jogo teria sido outro. Ver-se-ia na televisão e em poucos segundos – como todos vimos nas repetições.
Há uma regra que norteia a vida dos campeões: cometem-se sempre erros, nunca se repetem os erros. O golo com a mão que permitiu a vergonha francesa neste mundial deveria ser o erro a não repetir. Não foi. Porquê? Apenas porque do alto da sua arrogância os senhores futeboleiros não estão para isso? Ora, ora…
A pergunta é óbvia: como é possível não recorrer às simples tecnologias que evitam estes erros? A resposta é quase sempre idiota e dada com ar enfadado: os erros são normais e fazem parte da festa futebol.
Esta estupidez, sendo demasiada – embora Cipolla, na sua Primeira Lei Fundamental da Estupidez Humana, nos avise que há muito mais estúpidos do que possamos imaginar – terá a sua razão num qualquer interesse. Só pode.
Pode parecer demasiado duro mas, face ao comportamento das altas instâncias fifaenses, a interpretação não pode ser diferente – e são eles mesmos, os responsáveis que a permitem: o futebol é assim porque dá jeito que assim seja. Cujo corolário será: assim, a corrupção pode ajustar-se aos interesses que se jogam.
E se não gostam de ser vistos assim, têm remédio fácil: não permitam, mudem as coisas e tornem o futebol mais limpo. Seguindo regras que garantam a credibilidade das decisões.
Há uma regra que norteia a vida dos campeões: cometem-se sempre erros, nunca se repetem os erros. O golo com a mão que permitiu a vergonha francesa neste mundial deveria ser o erro a não repetir. Não foi. Porquê? Apenas porque do alto da sua arrogância os senhores futeboleiros não estão para isso? Ora, ora…
A pergunta é óbvia: como é possível não recorrer às simples tecnologias que evitam estes erros? A resposta é quase sempre idiota e dada com ar enfadado: os erros são normais e fazem parte da festa futebol.
Esta estupidez, sendo demasiada – embora Cipolla, na sua Primeira Lei Fundamental da Estupidez Humana, nos avise que há muito mais estúpidos do que possamos imaginar – terá a sua razão num qualquer interesse. Só pode.
Pode parecer demasiado duro mas, face ao comportamento das altas instâncias fifaenses, a interpretação não pode ser diferente – e são eles mesmos, os responsáveis que a permitem: o futebol é assim porque dá jeito que assim seja. Cujo corolário será: assim, a corrupção pode ajustar-se aos interesses que se jogam.
E se não gostam de ser vistos assim, têm remédio fácil: não permitam, mudem as coisas e tornem o futebol mais limpo. Seguindo regras que garantam a credibilidade das decisões.
quinta-feira, 24 de junho de 2010
Tese da minha filha
Está descansado, pai. Nós vamos longe: somos bons no meio - só somos maus no início e no fim.
Se ela tiver razão, a final está garantida...
Se ela tiver razão, a final está garantida...
segunda-feira, 21 de junho de 2010
Portugal ganha por 7
Até que enfim! 7-0! Foi bom. Mesmo tratando-se de um adversário de fraco nível, a velocidade que os jogadores imprimiram e que lhes permitiu o número de golos marcados também permite pensar que no jogo contra o Brasil há a obrigação de entrar para ganhar!
quarta-feira, 16 de junho de 2010
Regra d'ouro
Há uma regra de ouro no desporto: não se apresentam queixumes sobre o adversário quando não se conseguiu ganhar! Soa a desculpas de mau pagador. É feio e de mau carácter.
terça-feira, 15 de junho de 2010
O Feeling
A bola vai começar a rolar para nós. Por mim quero a vitória, quero as vitórias, o passar a fase de grupos o ir à meia-final. O ir à final. O ganhar o Mundial.
Arrasar é o lema da minha emoção.
Mas como treinador sei que as coisas não vão lá só com o meu querer. Para chegar longe, para além de jogar acertadamente, é preciso sorte: que as nossas bolas não batam nos postes, que as bolas deles encontrem sempre a trave. E é preciso uma enorme vontade de vencer, uma capacidade invulgar de alterar as coisas que correm mal. Para o que é necessário que o triângulo da equipa – definição de propósitos, alinhamento de perspectivas e sincronização de movimentos – tenha sido, naquilo que é importantíssima tarefa do treinador, capazmente preparado.
Às vezes, há casos.
Lembro-me de ver Figo – no Portugal-Inglaterra do Euro 2000 – a revoltar-se e a impor uma vontade de conquista aos seus companheiros: com um olhar, com dois ou três gestos, com um golo monumental. E o jogo virou-se com a vitória final de 3-2. O líder dentro do campo transformou uma equipa e conseguiu transformar o momento do grupo num espaço colectivo de equipa de soma superior ás suas partes.
Lembro também – e revi-o há dias – o Portugal-Coreia do Norte de 66 com a extraordinária reviravolta na façanha goleadora de Eusébio mas com a liderança do enorme Coluna e a vontade de olho clínico do Alexandre Baptista. Dentro do campo a vontade dos homens e a auto-confiança que transportavam (salvé Otto Glória e Manuel da Luz Afonso!) transformaram a derrota surpreendente numa vitória memorável.
Que marquemos primeiro! Que nunca soframos um golo antes de marcarmos.
Se for assim, poderemos avançar. Se assim não for, morreremos numa praia qualquer próxima ou longe da Boa Esperança. Porquê? Porque nos falta liderança dentro do campo que permita mudar as circunstâncias. Porque não vejo quem transmita a vontade indomável de alterar a contrariedade. Repito-me: que haja a audácia de ir sempre à frente.
Arrasar é o lema da minha emoção.
Mas como treinador sei que as coisas não vão lá só com o meu querer. Para chegar longe, para além de jogar acertadamente, é preciso sorte: que as nossas bolas não batam nos postes, que as bolas deles encontrem sempre a trave. E é preciso uma enorme vontade de vencer, uma capacidade invulgar de alterar as coisas que correm mal. Para o que é necessário que o triângulo da equipa – definição de propósitos, alinhamento de perspectivas e sincronização de movimentos – tenha sido, naquilo que é importantíssima tarefa do treinador, capazmente preparado.
Às vezes, há casos.
Lembro-me de ver Figo – no Portugal-Inglaterra do Euro 2000 – a revoltar-se e a impor uma vontade de conquista aos seus companheiros: com um olhar, com dois ou três gestos, com um golo monumental. E o jogo virou-se com a vitória final de 3-2. O líder dentro do campo transformou uma equipa e conseguiu transformar o momento do grupo num espaço colectivo de equipa de soma superior ás suas partes.
Lembro também – e revi-o há dias – o Portugal-Coreia do Norte de 66 com a extraordinária reviravolta na façanha goleadora de Eusébio mas com a liderança do enorme Coluna e a vontade de olho clínico do Alexandre Baptista. Dentro do campo a vontade dos homens e a auto-confiança que transportavam (salvé Otto Glória e Manuel da Luz Afonso!) transformaram a derrota surpreendente numa vitória memorável.
Que marquemos primeiro! Que nunca soframos um golo antes de marcarmos.
Se for assim, poderemos avançar. Se assim não for, morreremos numa praia qualquer próxima ou longe da Boa Esperança. Porquê? Porque nos falta liderança dentro do campo que permita mudar as circunstâncias. Porque não vejo quem transmita a vontade indomável de alterar a contrariedade. Repito-me: que haja a audácia de ir sempre à frente.
Subscrever:
Mensagens (Atom)
