

Uma frase, a negrito, no início da descrição da "missão histórica" a que se propunham as elites republicanas, chamou-me particularmente a atenção: PERANTE UM PÁIS ARCAICO, RURAL E ANALFABETO...
Sessenta anos depois de 1910, pensei, o país estava na mesma. Comparativamente com os outros europeus continuávamos arcaicos, rurais e analfabetos. Sessenta anos de perda de tempo e enorme desperdício pagável com juros infindáveis graças à visão salazarenta e provinciana das elites estadonovistas. Tão assim que me lembro muito bem de o meu Pai - então presidente da EDP - me ter mostrado dois mapas que tinha no seu gabinete e onde estavam desenhadas as linhas de transporte de electricidade: um, quase branco, mostrava a situação antes do 25 de Abril de 74, com a electricidade a chegar a lado nenhum; outro, cheio de linhas a construir manchas, dez anos depois. A clara distinção de perspectivas e o enorme salto do arcaísmo ao desenvolvimento. Um esforço tremendo que já então os ideais da República procuraram promover. Com exito relativo, como se sabe.
Esta exposição permite começar a perceber porquê.