domingo, 7 de julho de 2013

Sacrossanto Mercado

Um senhor, aparentemente russo e provável habitante do Mónaco, que assina Russian Market e escreve numa rede social que Portugal isto mais aquilo, desastroso para aqui, Gaspar para um lado, Portas para o outro, Albuquerque qualquer coisa, Coelho em tudo.

Enfim, escreveu o que lhe deu na cabeça com a irresponsabilidade do meio e do nulo conhecimento sobre o nosso jardim (ao que parece não terá grandes conhecimentos sobre nenhuns outros...). Acha apenas que não lhe dá jeito - vulgo segurança - comprar português. E que faz o sacrossanto Mercado, esse deus de adoração e preferência dos financeiramente privilegiados, perante tal demonstração de sagacidade? Reage à tontice e mostra-se prejudicial a Portugal. 

Ou seja: essa coisa denominada Mercado que se sobrepõe - por vontade de alguns - às pessoas e à sua vida e, bastas vezes, aos seus direitos, é dominada por coisa nenhuma que tenha um mínimo de racionalidade. Estamos assim no domínio de algo pior do que a sorte e azar de casino, ficando sujeitos à perigosíssima dependênca de uma qualquer estupidez. E os senhorecos vêm falar-me dos Mercados como se fossem coisa séria, fiável e confiável. Com regras. 

Mostrando, apenas e no fundo, que não querem que aprendamos nada com a crise que vivemos e que não reconheçamos o faz-de-conta que representam. Para que o saque, no seu espaço de multiplicação dos pães, continue a ter espaço de ampliação. Tornando muito mais ricos os ricos e mais pobres todos os outros.

Regulação diz-vos alguma coisa ou vamos continuar nas mãos do interesse colector do neo-liberalismo?

Infelizmente, toda esta manipulação de mãos invisíveis tresanda a obediênca estúpida. Gaspar demitiu-se declarando a política prosseguida - por ele próprio - como errada e Coelho como líder incapaz. Portas demitiu-se irrevogavelmente para levar uma sova do partido e voltar rapidinho por troca com rebuçados. O Presidente da República, dizendo mesmo nada a qualquer costume, pretende que julguemos que deu dois puxões de orelhas e meteu os meninos na ordem.

Cipolla tem a razão toda na tese (ver aqui) que defende: existem muito mais estúpidos do que possamos imaginar e são muito mais perigosos do que quaisquer outros. O quod erat demonstrandum está à vista.

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