terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Da mudança à memória do horror

Os serviçais, na pesporrência do disfarce habitual de grandes senhores, aparecem a dar nas vistas para que os senhores que servem os não esqueçam. O senhor Primeiro faz-se conhecedor e atira com o disparate de "o programa é um conto de crianças, não existe", o senhor da Economia,
convencidote de profissão, mostra-se desconcertado no anúncio moralista de "é insólito que a esquerda radical tenha chegado a acordo com a direita nacionalista" numa tentativa canhestra de disfarce da evidência: a mudança que a vitória do Syrisa significa.
Às preocupações dos senhorecos prefiro, obviamente, o aviso do Prémio Nobel, Joseph Stiglitz de que "a Alemanha é o problema, não a Grécia". 
E lembro que hoje, 27 de Janeiro, passam 70 anos sobre a horrorosa descoberta da verdade de Auschwitz, o campo de concentração nazi, onde foram assassinados, humilhados, torturados e aterrorizados mais de um milhão de seres humanos. Aos sobreviventes, as minhas homenagens no respeito que a memória dos que aí sofreram e morreram me merece.

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Os politicamente correctos

“O SILÊNCIO DOS SENSATOS É A MINHA GRANDE PREOCUPAÇÃO”
Martin Luther King
Li no Público de 10/01/2015 na rubrica Cartas à Directora uma carta de um qualquer sensato que vê o mundo ao contrário. Achei que devia responder. Assim fiz e enviei a carta que segue para a Directora do Público. Não foi publicada. Ela lá saberá porquê. Aqui fica:

"Não sou Charlie", pois eu sou!
Ignorando o custo do avanço civilizacional dos caminhos da História que nos trouxeram até à Declaração dos Direitos Humanos, à defesa e exercício da Liberdade e ao domínio da Democracia, JN (Cartas à Directora, 10/01/2015, "Não sou Charlie") pretende, sem o referir mas deixando-o inferido no moralismo de embrulho que lhe mascara o preconceito, que seja a censura a regular o nosso dia-a-dia.
Como resulta à evidência do escrito, JN fará parte do grupo dos "estavam mesmo a pedi-las" onde também se juntam os que entendem serem as mulheres as culpadas das suas próprias violações, as crianças culpadas das violências pedófilas, os judeus culpados dos campos de exterminação nazis e, naturalmente e como defende, os cartunistas do Charlie Hebdo como responsáveis do banditismo cobarde dos fascistas teocráticos. Estavam mesmo a pedi-las...
O autor do "Não sou Charlie" vê o mundo estupidamente ao contrário. O que é um perigo, como nos lembrou Cipolla ao avisar que a pessoa estúpida é o tipo de pessoa mais perigosa que existe."


sábado, 10 de janeiro de 2015

O que é isto? Onde estámos?

A propósito da audição, à porta fechada e na Assembleia da República, do contabilista GES/BES, escreve o Público de 9 de Janeiro:

"Negrão acusou os assessores de serem os autores da "inconfidência", e recebeu do coordenador do PSD, Carlos Abreu Amorim, uma advertência pela acusação infundada. Ainda assim, Negrão exigiu que os assessores presentes desligassem os telemóveis e os computadores."
Sob o mesmo propósito, escreve o jornal i:
"Na audição de ontem, aliás, e após algumas informações terem sido passadas para o exterior, o presidente da comissão parlamentar pediu aos deputados que desligassem os telefones."
De um lado assessores do outro deputados, a mesma causa: "bufar" para o exterior com novas tecnologias o que foi considerado interno; para uma mesma consequência: mando de desligar os telemóveis.
Sem saber se os acusados foram, verdadeiramente, os assessores ou deputados, duas coisas sei: tratava-se de uma audição parlamentar na Assembleia da República e da audição, sem testemunhas exteriores, houve passagem de "contrabando" para o exterior.
O que é isto?! Então os senhores presentes nas salas de audições de porta fechada regem-se por outros interesses que não os da Casa da República? Que gente é esta que admite no seu meio gente que tem por norma servir senhores que não conhecemos? Que raio de ética é esta em que alguém se sente importantíssimo por transmitir aquilo que não deve ou não pode? Com que retorno?
Depois admiram-se que as pessoas achem que os políticos, nomeadamente parlamentares, não passam de uma "canalha" que só está lá para se servir e nunca para servir aquilo com que se comprometeu.
E só há uma forma de limpar esta imagem: um inquérito que defina quem "contrabandeou" o que não devia porque é tempo da marca da decência estar presente em cada gesto dos eleitos da República.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

JE SUIS CHARLIE

Desenho iPad

Minuto de silêncio na Praça do Município de Lisboa  em simultâneo com Paris
foto iPhone  jpb 


Praça dos Restauradores, Lisboa
foto iphone jpb 


quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

JE SUIS CHARLIE


Desenho em iPad

sábado, 3 de janeiro de 2015

A frase de 2014

O Papa Francisco exigiu na cerimónia das Vésperas e Te Deum realizada a 31 de Dezembro de 2014 que:
"É preciso servir os mais fracos e não servirmo-nos deles”

Esta frase, que elejo a "melhor de 2014" porque é justa, clara e interventiva e define uma direcção sem ambiguidades, deveria ser lema - escrito nas paredes dos gabinetes, nos corredores de passagem, nos átrios de entrada - para 2015 para todos aqueles que têm poder de decisão. Seria bom que os emproados dos governantes - os nossos que passam a vida a fazer-se passar por tementes e outros que têm a ver com os nossos - soubessem adequar as suas decisões ao preceito papal e não ao jogo de interesses - tão importante que sou, julgam-se - de que gostam de fazer parte. Portugal, a Europa e o Mundo ficariam melhores.
Ao dizer como disse, o Papa Francisco estabeleceu um patamar onde a dignidade humana tem lugar preferencial, colocando a caridadezinha - essa forma tão ao gosto de nossos governantes e mandantes - fora de qualquer nível decente de intervenção no domínio dos direitos sociais. 

quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

A conivência alarve de um político

O sr. Joaquín Almunia, espanhol, Vice-Presidente da Comissão Europeia e seu Comissário para a Concorrência no mandato de 2010 a 2014 disse, no programa Observatório do Mundo - filme de Arpad Bondy - transmitido pela TVI 24 às 01h16 de 31/12/2014, a propósito das exigências a que obrigaram os contribuintes europeus - falamos principalmente de irlandeses, cipriotas, portugueses, gregos e espanhóis - para a "salvação" do sistema bancário europeu, esta alarvidade:


"We can not be alone telling the truth." 
      (não podemos estar sózinhos a dizer a verdade)


Joaquín Almunia, Observatório do Mundo, TVI24,
filme de Arpad Bondy 

E como alarvidade não fica isolada, riu-se alarvemente da alarvidade que disse.

terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Farto de Coelho? Bom 2015!


sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Natal Bessa, clã Raul


À nossa saúde
foto iPhone

Apesar de faltarem ainda alguns - a necessária divisão por diferentes famílias... -  e de todos os netos e sobrinhos netos - andam a brincar por outros lados - não aparecerem para a fotografia, é uma amostra de 30 no Jantar de Natal dos Bessa, clã Raul, que se juntou, neste 25 de Dezembro de 2014, na Aguda, no restaurante da minha irmã Chica. O perú e acompanhamento estava o habitual - de grande categoria. 

domingo, 21 de dezembro de 2014

Resultado das privatizações

Nota em quadro de madeira


sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

O jogo de interesses


terça-feira, 18 de novembro de 2014

Esquinas da Cidade


Lisboa. foto iPhone

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Muro de Berlim



Tive a possibilidade de assistir em Berlim - com o António Costa e o António Manuel - às primeiras eleições da Alemanha unificada. Com o SPD - Partido Social Democrata Alemão - participamos em reuniões, comícios, distribuição de documentos, panfletos, visitas a isto e áquilo. Principalmente na zona berlinense da RDA e sua periferia e tive então a possibilidade de visitar diversos locais do Muro e, claro!, estive na Porta de Brandemburgo e no mítico Checkpoint Charlie. Conheci o bairro que foi dos agentes da STASI e percebi, pelos diversos locais que visitei, muito do que seria a vida do quotidiano dos alemães de Leste. Hospedaram-nos num hotel utilizado pela nomenklatura do antigo regime - o quarto de banho do quarto tinha o tamanho de um quase ginásio.
Lembrei-me dessa visita nestes 25 anos de comemoração da Queda do Muro de Berlim. E lembro os receios, nomeadamente do líder do SPD, Oskar Lafontaine, do que representaria a unificação das duas Alemanhas e o poderio que, na Europa, poderia representar para além das memórias que poderia ressuscitar. E das suas preocupações sobre os custos de uma reunificação liberal e mal preparada e do seu legado potencialmente perturbador para o equilíbrio europeu.  Levou alguns anos para que percebesse esses receios que, na altura, me pareceram despropositados - o custo não parecia exagerado vistas as vantagens - face à liberdade que se garantia a uma imensa população - com as consequências óbvias nos países satélites dos soviéticos.
Desta viagem guardo excelentes recordações e ainda lembro, quando se falava no retorno da capital a Berlim, a resistência que os membros do SPD faziam pela relação que esse facto poderia estabelecer com a Alemanha hitleriana e responsável pelas atrocidades da II Guerra Mundial. 
A Guerra deixa fantasmas e desconfianças.


sexta-feira, 7 de novembro de 2014

A mixórdia


Cartoon de Rodrigo

A mixórdia que o senhor ministro da defesa tem andado a cozinhar.

terça-feira, 4 de novembro de 2014

Membro Honorário da Ordem dos Arquitectos



foto de Luis Rocha

Por casualidade poucos dias depois da Sessão Evocativa que fizemos ao Vasco Massapina (209/57) fui convidado pelo Conselho Directivo Nacional da Ordem dos Arquitectos para fazer o seu elogio na cerimónia de entrega da distinção de Membro Honorário que, a título póstumo, lhe foi atribuída. No discurso de agradecimento de outro dos distinguidos - Manuel Correia Fernandes, actual Vereador do Urbanismo do Município do Porto - disse palavras muito simpáticas e significativas sobre o Vasco. Como membro (desde 2008) do Conselho Nacional de Delegados da Ordem tive lugar na Mesa da Cerimónia e esta foi a minha intervenção:

"Senhor Presidente da Ordem dos Arquitectos, João Santa-Rita
Senhores Membros Honorários da Ordem dos Arquitectos
Colegas Arquitectas e Arquitectos presentes
Minhas Senhoras e meus Senhores, Isabel, Pedro
Conheci o Vasco Massapina há cinquenta e sete anos e alguns dias mais - foi em Outubro de 1957 na camarata da 1ª companhia do Colégio Militar. Como lembra nas palavras que dedica, como refere, a este "seu amigo de sempre" no seu livro "O Risco do Arquitecto, Interesse Público e Autonomia da Profissão", fomos colegas em vários caminhos e encruzilhadas. E por esses caminhos e encruzilhadas sempre o reconheci como homem de carácter, culto, inteligente, amigo do seu amigo, solidário, camarada, disponível e coerente entre o dizer e o fazer. Um bom amigo de quem tenho saudades, um bom colega de profissão com quem partilhei as paixões que nos fazem Arquitectos.
E é por isso, por ser seu amigo de sempre e ter, com ele, partilhado caminhos e encruzilhadas que me sinto particularmente honrado com a possibilidade que me é dada de fazer o seu elogio nesta sessão de atribuição da distinção de Membro Honorário da Ordem dos Arquitectos.
Arquitecto desde 1972 pela Escola Superior de Belas-Artes de Lisboa, Vasco Massapina é membro nº 648 desta Casa e nº 45 do Colégio de Especialidade de Urbanismo. Foi Presidente do Conselho Directivo Regional Sul da Associação dos Arquitectos Portugueses entre 1993 e 1995 e Vice-Presidente do Conselho Directivo Nacional da Ordem entre 1996 e 1998. Foi ainda membro, com o número 46, da Associação dos Urbanistas Portugueses da qual foi vice-presidente e é Membro Honorário.
Em 1981 fundou com o seu irmão João Vicente, arquitecto, e a mulher, escultora, Isabel Lhansol, o "Atelier Cidade Aberta, Arquitectura, Planeamento e Artes Plásticas" por onde passaram amigos como Jorge Costa Martins, Jorge Kol de Carvalho e Luís Manuel Pereira e que se continuou com os seus filhos arquitectos João e Bárbara e o genro, também arquitecto, Pedro Vaz.
Funcionário público da Direcção Geral dos Serviços de Urbanização desde 1972, atinge em 1992, por concurso e na categoria de "ordenamento do território", a categoria de Conselheiro do Conselho Superior de Obras Públicas e Transportes onde preside à 3ª secção  "Urbanismo e Edifícios". Foi também Vogal do Conselho Consultivo do Instituto Português do Património Arquitectónico, IPPAR, onde, já depois de reformado, continuou, em regime pró-bono, a prestar serviço.
Foi ainda membro do Bureau executivo da Federação Internacional de Urbanismo e Ordenamento do Território e, em representação do Governo português de então, Perito do Comité Consultivo para a Formação no Domínio da Arquitectura na União Europeia. Recebeu a Medalha do Colégio Oficial de Arquitectos de Madrid e foi Académico Correspondente da Academia Nacional de Belas Artes.
Como professor convidado da Faculdade de Arquitectura da Universidade Técnica de Lisboa leccionou de 1997 a 2002 a cadeira de Urbanismo II, deixando aí uma reconhecida marca qualitativa muito própria, 
Integrou ainda a Comissão Executiva dos Banhos de S.Paulo que dirigiu o processo de instalação da sede nacional no edifício dos Banhos de S.Paulo, inaugurada, como nos diz a memória e lembra a placa do átrio de entrada do edifício, em 21 de Novembro de 1994 - passam agora vinte anos.
Deixou, entre outros, dois planos marcantes - o "Plano de Salvaguarda de Beja" e o "Estudo de Preservação e Renovação Urbana de Ponte de Lima" - que, hoje ainda, quando lidos ou estudados proporcionam valiosos ensinamentos na arte de bem fazer.
Se ainda estivesse entre nós, Vasco Massapina - pelo que afirmou e lutou em nome da Arquitectura e dos Arquitectos, pelos valores que defendeu numa vida plena - estaria, posso afirmá-lo com convicção, na primeira-linha desta luta que os Arquitectos hoje travam contra o jogo de interesses, contra a iliteracia e contra a indigência cultural que representam as Propostas de Lei Nº 226/XII e Nº 227/XII que o Governo pretende fazer aprovar.
Estaria o Vasco Massapina, como tantos outros nesta sala e como sempre se mostrou, disponível para dar o seu melhor neste combate que, ultrapassando a mera visão corporativa, se afirma contra o abuso daqueles que confundem arquitectura com construção, desenho com ocupação espacial ou urbano com aglomeração. 
Ao atribuir ao Arquitecto Vasco Massapina a distinção de Membro Honorário da Ordem dos Arquitectos, o Conselho Directivo Nacional da Ordem honra a memória dos que, ao longos dos anos, construíram e pertencem a esta nossa Casa. 

João Paulo Bessa
Ordem dos Arquitectos, 30 de Outubro de 2014"

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Evocação do Vasco Massapina

Foto de Silva Alves
Organizada pela Família e com o apoio da Ordem dos Arquitectos realizou-se na sua Sede dos Banhos de S.Paulo uma Sessão Evocativa do Vasco Massapina (1947-2012). Numa sessão muito participada - Auditório Nuno Teotónio Pereira cheio de Amigos, Arquitectos e Ex-alunos do Colégio Militar - intervieram o Presidente da Ordem dos Arquitectos, João Santa-Rita, Elísio Summavielle, Fernando Pinto, Helena Souto, João Soares, Luis Carvalho, Luis Pedro Cerqueira, Pedro Guimarães, Pedro Vaz - em representação da família - Rui Rasquilho e eu próprio.
Coube-me nesta evocação, o nosso tempo comum com início em 1957 no Colégio Militar. Este foi o meu texto:

Exmas Senhoras e Senhores. Amigos do Vasco
A memória tem uma enorme vantagem: enquanto existe não deixa esquecer. E nós, camaradas do 209 de 1957, colegas do arquitecto Vasco Massapina, amigos do Vasco, não o esqueceremos. Generoso, amigo do seu amigo, diligente, inteligente, culto e disponível temo-lo hoje, como o teremos amanhã, na nossa memória. Com saudade feita de longa amizade.
Conhecemo-nos já vão 57 anos e dez dias...
... nesta camarata da 1ª Companhia onde, no dia da entrada, fazíamos a cama pela primeira vez. Separavam-nos duas, três camas; ficámos na mesma turma. 
Começava assim o ano de "Ratas" numa vida de fardas, de formaturas, de paradas militares. De continências.
Iniciávamos então a construção de uma marca indelével de uma forma de ser, de uma forma de encarar a vida, de uma forma de estar no mundo. De uma solidariedade chamada camaradagem assente em valores tão claros como simples: não deixar ninguém para trás, nunca ser canalha, respeitar os valores da honra, da dignidade e da decência. Olharmo-nos de frente e assumirmos as nossas responsabilidades.
O Vasco sempre gostou de cumprir. E fazia-o de forma inteligente e imaginativa: por "ordem de serviço" éramos obrigados a escrever todas as quartas-feiras para a família. Uma chumbada, uma dor de cabeça na invenção do nada para dizer. Excepto para o Vasco: nas cartas que escrevia relatava os nossos jogos de futebol do campeonato inter-turmas para terminar a missão com um definitivo não tenho mais nada para contar. 
O Vasco gostava de se fardar bem, de aparecer de botas altas de equitação. Sempre impecavelmente alinhado - o Martiniano Gonçalves lembra que gostava de lhe cravar cigarros porque eram os únicos que saíam direitos dos bolsos - tinha uma postura permanente de elegância. Que lhe ficou para a vida.
No Desporto que o Colégio tornava obrigatório: a esgrima, o tiro, a equitação, a ginástica, o atletismo - levando-nos à prática do Pentatlo Moderno de que não conhecíamos existência, o Vasco, como tantos de nós, ainda fazia questão de pertencer às equipas representativas colegiais que disputavam os campeonatos da salazarista Mocidade Portuguesa.
Também gostava muito de cavalos e embora - por evidente estupidez nas prioridades do então responsável - não tenha feito parte da Escolta a Cavalo colegial, montava bem e tinha artes - como mais ninguém, aliás - de conseguir, nas diversas vezes que qualquer castigo o proibia de saída ao fim-de-semana,  o direito a um "cavalo de serviço". E então, com o Francisco Cardoso de Menezes a cronometrar, fazia da pista de atletismo o hipódromo de todos os sonhos.
De mais aulas, de menos aulas, mais formaturas e mais paradas, borgas e desatinos, chegámos ao fim do curso marcado pelo Baile dos Finalistas. Aos próximos avisou: deixem-se de palermices, nada de parvoíces, hoje vem cá a Isabel!
Gostava de fardas o Vasco, pensou em ir para a Marinha - farda azul no inverno, farda branca no verão - mas a Isabel, a caminho das Belas-Artes, levou-o, pelo amor de uma vida e para sorte nossa, a preferir Arquitectura.
Acabado o 7º ano - onde ambos pertencemos, no fundo da hierarquia, ao notável clube dos "furriéis" - o Vasco manteve sempre uma enorme e apaixonada relação com o Colégio e a nossa Associação de Antigos Alunos. Muitas vezes passava lá as manhãs de sábado a ver, orgulhoso, os netos nos treinos do Pentatlo.
Ao desafio do então Director colegial, Raúl Passos, para projectar um novo e complexo pavilhão desportivo que respondesse às actuais necessidades da formação desportiva de excelência, organizámos uma equipa peculiar: só podiam participar profissionais ex-alunos do nosso curso e nossos filhos. A nós juntaram-se o Adão da Fonseca e o Santos Coelho e os nossos filhos, o João Massapina, arquitecto e o Raul Bessa, engenheiro. E com a generosidade que punha em tudo que fazia, ao pró-bono dos projectistas, juntou o serviço do seu gabinete. Projecto que está pronto e à espera da inteligência de melhores dias para ver a primeira pedra.
E dessa sua permanente disponibilidade ainda resultaram, a pedido da nossa Associação, o anteprojecto do Colégio Militar de Timor e a reabilitação do Quartel da Formação para, a exemplo das "meninas de Odivelas", construir o nosso lar social.
Durante anos rimos - como gozávamos com o ar jamesbond de o "risco ser a nossa profissão" - e tivemos, longas, divertidas e interessantes conversas sobre políticas, politiquices, exercício da profissão, arquitecturas, urbanismo e, principalmente, sobre a mútua paixão da Cidade - essa obra-prima da capacidade do ser humano. Sempre disponível para a intervenção cívica e profissional, participamos, juntos, em muita actividade.
Por seu desafio e insistência - "a Ordem precisa da tua experiência", dizia - tenho sido nos últimos anos membro do Conselho Nacional de Delegados desta casa.
Gostaria assim por tudo o que nos liga que nós, camaradas do 209 de 57, trouxéssemos da nossa outra casa que será sempre do Vasco e para esta outra casa onde o Vasco  é membro honorário, a nossa saudação tradicional:
Senhores ex-alunos, de pé!
Pelo 209 de 57, pelo arquitecto Vasco Massapina, pelo nosso amigo Vasco: Zacatráz! Zacatráz! Zacatráz!
Zacatráz! Zacatráz! Zacatráz!
Zacatráz! Zacatráz! Zacatráz!
Ala, Ala! Arriba
Ala, Ala! Arriba
Allez, Allez à votre santé!


  

  


quarta-feira, 8 de outubro de 2014

5 de Outubro

Convidado pelo Presidente fui às Comemorações do Dia da República na Câmara Municipal de Lisboa. Sentado na galeria junto de outros convidados vi chegar o Primeiro-ministro que, passando-nos na frente - literalmente en passant - lançou displicente: Bom dia. Como estão? Não resisti e lancei: Mal!, enquanto que o homem se refugiava na área dos gabinetes. A lata: com ar como se nada fosse, pergunta como se fossemos todos íntimos, como estão?! E com a governação que comanda havíamos de estar como? Bem?!    
Ouvi António Costa, a propósito da necessidade de preservar a memória, exigir a volta dos feriados de 5 de Outubro e 1 de Dezembro. E prometendo que Lisboa continuará a festejar um e outro com festejos adequados. Respondeu-lhe uma enorme salva de palmas - a única da sessão.
Depois falou Cavaco Silva. E por maior respeito republicano que possa ter por um Presidente não posso deixar de lamentar o teor e o tom do seu discurso. Pretensioso e fingido a deixar, no final, uma única e possível questão: E que fez Vossa Excelência com o imenso poder de que tem desfrutado ao longo de anos para evitar os males que nos apresenta como suas preocupações?  Um homem que passou anos no poder como primeiro-ministro e agora como presidente sacode, olímpicamente, a água do capote de culpas próprias para, qual extra-terrestre recém-aterrado, desatar a malhar por tudo quanto representa a sua acção e o seu pensamento político. Quer dizer, o homem mascara-se e rejeita qualquer responsabilidade pela actual situação. Quer como Presidente da República, quer como Primeiro-Ministro. Ou seja: nada tem com isto. Chegou agora...
Quer dizer que o que disse está errado? Nem por isso, mas faltou-lhe a dignidade corajosa de dizer que era parte do estado a que as coisas chegaram - que diabo, Cavaco Silva tem ligações ao poder de maior capacidade decisória durante quase vinte anos nos últimos 34 anos.
Acabada a cerimónia saí com Eduardo Lourenço, cumprimentámos António Costa, e fomos procurar um táxi - uma trabalheira em dia de Maratona - apanhável apenas próximo da Casa dos Bicos. Na volta, já sem a ajuda da sempre estimulante conversa deste camarada do Colégio Militar, perguntei, á vista de uns quantos de passo de corrida pesado, a um polícia: a que horas passaram os primeiros atletas? Ás 11 menos um quarto, respondeu. O relógio marcava 1 menos dez...

De povo, nada. O festejo da República fez-se sem povo. A praça da ovação da República não tinha o povo republicano que a defende. A História, na distração das nossas preocupações, está a perder-se neste jogo de apagamento forçado.

domingo, 7 de setembro de 2014

Inadmissível!

Um desenho repetido a repetir o que se repete
A derrota futebolística de hoje com a Albânia é inadmissível. E deve exigir responsabilidades e explicações. A quem comandou e a quem deu aval.

A Albânia conta muito pouco no mundo do futebol - ocupa o 67º lugar do ranking da FIFA a 704 pontos de Portugal que ocupa o 11º posto. Uma diferença abissal entre uma equipa com pretensões - a nossa - e uma equipa que conseguiu a sua terceira vitória em 43 jogos internacionais - a Albânia.

O que mais incomoda é o ar de formidáveis, de se pensarem supervedetas e serem incapazes - como já se viu no Mundial - de estabelecer as diferenças necessárias dentro do campo, nesse espaço onde as categorias se demonstram. O que incomoda é a mais do que demonstrada incapacidade de cumprir as exigências desportivas de uma modalidade colectiva. O que incomoda ainda é a falta de revolta perante o rame-rame que vamos desenvolvendo como se o direito da derrota pertencesse aos adversários.

Depois segue a conversa do costume sempre incapaz de encarar as coisas de frente. E a frente é esta: não expressamos talento suficiente para pretender uma selecção com pretensões a lugares mundiais de relevo.

E, continuando assim, sem procurar para encontrar, num faz de conta de azares - dos ais e os quase... - será cada vez pior. O mito do futebol português cairá pela base do que começamos a adivinhar no campo e nas secretarias.

Com óbvia pena de quem o gosta de ver bem jogado. 

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Atleta


Atleta, Conceição, Tavira
Nikon D300

terça-feira, 2 de setembro de 2014

Gatos em férias


Nina da Ria Formosa, Knight de Campo de Ourique e Percy Vale D'Asseca em férias

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