sábado, 28 de janeiro de 2012
domingo, 22 de janeiro de 2012
Estupidez à solta
Numa sentença de Tribunal sobre julgamento de um caso de violação escreveu-se assim:
"agarrar a cabeça (ou os cabelos) de uma mulher, obrigando-a a fazer sexo oral, e empurrá-la contra um sofá para realizar a cópula não constituiram actos susceptíveis de serem enquadrados como violentos" in Semanada de Manuel Falcão no W do Jornal de Negócios, 20/JAN/2012
A pérola e o particular conceito de violência pertence à assinatura de uma juíza-desembargadora, Eduarda Lobo.
Se o enquadramento não é de violência será - pergunto, embora, por mero temor reverencial, sem levantar sequer o dedo - enquadrável numa sofisticada submissão involuntária? Ou só em coisa nenhuma?
Que escola frequentaram? Que livros leram? Que vida percorreram?
Atento estava Cipolla quando avisava que "o estúpido é o tipo de pessoa mais perigosa que existe". Porque pode surgir onde menos se espera e causa danos arbitrariamente...
Questão de caracter
"O desporto não constrói o carácter. Revela-o"O gesto de Pepe revelou o seu carácter - as desculpas que apresentou confirmaram o exposto. A repetição não ajuda e a fotografia ficou péssima.
*Heywood Brown Award patrocinado pelo The Newspaper Guild
sábado, 21 de janeiro de 2012
Acordo para o cair do pano
O fio por cima da estátua do Camões já lá está e só encontro uma explicação: fazer cair o pano sobre a língua portuguesa.
Que outra coisa poderia ser em tempos de imposição do Acordo Ortográfico?
Acordo?! que vantagens temos na sua utilização? O que ganhamos - para além da confusão - com o assunto? Qual é o interesse? Entendermo-nos pior?
segunda-feira, 9 de janeiro de 2012
Melhor Entusiasmo 2011
Entusiasmados com a própria importância, a bifelândia do Londres 2012 estendeu-se ao comprido.
Tudo tão formidável, tudo tão sustentável, tudo tão... que até julgaram ter esticado os lugares disponíveis e dobraram um estádio, multiplicando por dois - de dez mil para vinte mil - a venda dos bilhetes para algumas sessões da Natação Sincronizada.
Grande Festa!
sexta-feira, 6 de janeiro de 2012
Melhor Profecia 2011
Paulo Futre - enorme jogador de futebol - foi o profeta do ano. Avisou da chegada de charters de chineses.
[lembro sempre, no gabinete de um dos seus fundadores e segundo presidente - meu Pai - de dois mapas que mostravam a diferença entre a cobertura eléctrica de Portugal, antes e depois. Antes, da responsabilidade dos privados; depois, da responsabilidade da empresa nacionalizada - num uns risquitos, noutro uma mancha, a marcar a diferença entre o interesse e o direito. Sei que, porque a enorme aposta era a de garantir electricidade a todos, não iria gostar deste pretendido - dos muitos prestados - último serviço à República.]
Inteligente, vivo, com excelente sentido de humor, Futre marca golos, agora de graça - passe a suposição da factura de algumas...
Futre a continuar assim, continuará também a encher-nos com a alegria que os adeptos tinham no estádio de tanto jogo... e os charters de chineses continuarão a vir com vistas para a Europa. Enorme profecia!
quarta-feira, 4 de janeiro de 2012
Melhor prémio 2011
Erudito de grande cultura – enorme capacidade para articular coisas aparentemente distintas – humanista, conhecedor como ninguém de Portugal – dos seus mitos, das suas profundezas – Eduardo Lourenço é ainda a nossa maior referência para quem quer conhecer Pessoa e a sua obra.
Melhor decisão não poderia haver: Pessoa a quem é de Pessoa!
Para além de tudo o mais, Eduardo Lourenço tem um notável sentido de humor. O que faz dele um intelectual próximo de qualquer humano. Juntos, podemos sempre rir, aliviando as tensões que a proximidade com a sabedoria sempre cria.
Há anos, dias antes do Mundial de Itália em futebol, encontrámo-nos num congresso em Nápoles. Em dia mais maçador propôs-me : e se fossemos apanhar um barco até Capri e dessemos uma volta pela ilha? Melhor acordo não poderia ter e lá fomos a caminho da travessia.
O mar estava picadito, o barco bamboleava e viemos para o convés para apanhar ar. Já enjoado como uma pescada, encostado à amurada, chamando pelo gregório, olha-me e, pesaroso, lança-me: e sou eu filho de um país de marinheiros …
[como também gosto de lembrar - para que haja uma noção mais clara da amplitude da dimensão da formação colegial – Eduardo Lourenço é, como eu, antigo aluno do Colégio Militar.]
Disse equidade?
Um mal nunca vem só - sendo Portugal o país mais desigual da Europa é também* o país europeu, entre os mais afectados pela crise, onde as políticas aplicadas de 2009 a 2011 mais prejuízos criaram aos mais pobres. Na ordem da perda de 9% do seu rendimento disponível contra os meros 3% de perda dos mais ricos. Somos formidáveis...a equidade é uma treta e os pobres que paguem a crise.
*The distributional efects of austerity measures: a comparasion of six EU countries, Comisão Europeia
domingo, 1 de janeiro de 2012
quinta-feira, 29 de dezembro de 2011
Cartaz resistente
Há dias um amigo meu ésseémiéssizou-me assim: "Estou no Hot. O teu cartaz resistiu ao incêndio. Incrível!"
Respondi-lhe que é para isso que se desenha, para resistir a desventuras.
(não sei se foi a sorte dos deuses ou se, pura e simplesmente, alguém tinha outro exemplar de um cartaz feito há bons trinta anos...)
Para memória - não vá o diabo tecê-las - aqui deixo a imagem do cartaz.
Respondi-lhe que é para isso que se desenha, para resistir a desventuras.
(não sei se foi a sorte dos deuses ou se, pura e simplesmente, alguém tinha outro exemplar de um cartaz feito há bons trinta anos...)
Para memória - não vá o diabo tecê-las - aqui deixo a imagem do cartaz.
segunda-feira, 26 de dezembro de 2011
domingo, 25 de dezembro de 2011
sábado, 24 de dezembro de 2011
NATAL 2011
sexta-feira, 23 de dezembro de 2011
Prémio Secil Arquitectura 2010: da realidade à poesia
[razões que só as nuvens electrónicas conhecem atiraram este texto para sítios improváveis – é o terceiro e daí a razão do fora de tempo mas o dito merece este tempo.]
Começou assim a entrega dos Prémio Secil de Arquitectura 2010:
“As dificuldades que sentimos têm uma explicação primeira numa situação que só raramente conseguimos superar: os bens e serviços que todos produzimos, para vender aos portugueses e no estrangeiro, têm um valor médio muito baixo em comparação com os países nossos potenciais clientes e fornecedores.
É isso o que realmente significa a afirmação, incessantemente repetida, de que temos uma produtividade muito baixa. Não quer dizer que trabalhemos pouco, mas que o valor da nossa produção não é considerado suficientemente competitivo por parte de milhões dos seus potenciais consumidores.”
Solução? exigência de qualidade e de inovação – razão, aliás, principal do prémio como nos disse.
Depois Miguel Figueira – o traço, a inteligência e a cultura do novo Montemor-o-Velho e presidente do Júri do Prémio Secil Universidades Arquitectura - preocupou-se com a nossa necessária aprendizagem de voar na maior dificuldade de o fazermos sem asas, lembrando apenas que “será a necessidade que vos vai ensinar!”
Chegada a vez do vencedor deste 2010, Eduardo Souto de Moura, chegaram também os poetas.
Escolhido pela pintora Paula Rego para a sua Casa das Histórias de Cascais, Eduardo Souto de Moura lembrou a poesia dos livros de cabeceira ao falar da métrica e do rigor enquanto traço comum da arquitectura e poesia. E citou:
Acrescentando Oscar Wilde sobre o esforço do tempo ponderado e reflectido exigido pelo trabalho: “O que fiz de manhã? Coloquei uma vírgula. À tarde? Retirarei a vírgula”
Tudo dito em duas frases correspondendo ao tudo escrito no desenho das duas chaminés que simbolizam o lugar das estórias.
[porque houve atraso deu para ler, a propósito do tema lançado por Queiroz Pereira, o embaixador da Argentina, Jorge Faurie, que assim disse marcado pela experiência recente: “Não há produtos com valor acrescentado tal que seja imprescindível comprar a Portugal. Fora do Mercado em euros Portugal tornou-se caro, sobretudo quando é possível encontrar mais barato com qualidade semelhante ou até superior.”]
A arquitectura portuguesa do Prémio Secil marcou a noite: definindo qualidade e mostrando inovação. E assim vive no Mundo.
Começou assim a entrega dos Prémio Secil de Arquitectura 2010:
“As dificuldades que sentimos têm uma explicação primeira numa situação que só raramente conseguimos superar: os bens e serviços que todos produzimos, para vender aos portugueses e no estrangeiro, têm um valor médio muito baixo em comparação com os países nossos potenciais clientes e fornecedores.
É isso o que realmente significa a afirmação, incessantemente repetida, de que temos uma produtividade muito baixa. Não quer dizer que trabalhemos pouco, mas que o valor da nossa produção não é considerado suficientemente competitivo por parte de milhões dos seus potenciais consumidores.”
Pedro Queiroz Pereira, Presidente da Secil
Solução? exigência de qualidade e de inovação – razão, aliás, principal do prémio como nos disse.
Depois Miguel Figueira – o traço, a inteligência e a cultura do novo Montemor-o-Velho e presidente do Júri do Prémio Secil Universidades Arquitectura - preocupou-se com a nossa necessária aprendizagem de voar na maior dificuldade de o fazermos sem asas, lembrando apenas que “será a necessidade que vos vai ensinar!”
Chegada a vez do vencedor deste 2010, Eduardo Souto de Moura, chegaram também os poetas.
Escolhido pela pintora Paula Rego para a sua Casa das Histórias de Cascais, Eduardo Souto de Moura lembrou a poesia dos livros de cabeceira ao falar da métrica e do rigor enquanto traço comum da arquitectura e poesia. E citou:
“Só a palavra exacta tem utilidade pública” de Eugénio de Andrade para justificar o rigor de cada traço.
Tudo dito em duas frases correspondendo ao tudo escrito no desenho das duas chaminés que simbolizam o lugar das estórias.
[porque houve atraso deu para ler, a propósito do tema lançado por Queiroz Pereira, o embaixador da Argentina, Jorge Faurie, que assim disse marcado pela experiência recente: “Não há produtos com valor acrescentado tal que seja imprescindível comprar a Portugal. Fora do Mercado em euros Portugal tornou-se caro, sobretudo quando é possível encontrar mais barato com qualidade semelhante ou até superior.”]
A arquitectura portuguesa do Prémio Secil marcou a noite: definindo qualidade e mostrando inovação. E assim vive no Mundo.
fotos de telemóvel
terça-feira, 6 de dezembro de 2011
Desigualdade
Os dados agora divulgados pela OCDE sobre a desigualdade onde Portugal faz uma péssima figura só são surpresa para os desatentos. Ao lê-los, lembrei-me de duas coisas: uma, de um livro de António Barreto publicado antes do 25 de Abril que então li e que caracterizava Portugal como um país dual, tal a diferença entre ricos e pobres - diferença que, aliás, se mantém com as mesmas características (20% dos mais ricos ganham seis vezes mais do que 20% dos mais pobres); outra, a de um recorte mais recente datado de Agosto que guardei e que traduzia os trabalhos preliminares deste relatório onde Portugal já era apresentado com o pior lugar europeu com valores do índice de Gini (0,353) próximos dos agora apresentados. E de pouco valerá, para quem pertence ao mundo de baixo, o facto de Portugal contrariar a tendência de aumento de fosso - ele é tão grande que levará vidas na aproximação...
Sabe-se: a diferença de rendimentos, a desigualdade entre os que têm muito e os que têm (terão?) muito pouco, é responsável pela falta de qualidade de vida como o demonstra o vídeo que deixo. Mas é tão evidente a sua responsabilidade na diferença dos resultados da vida que, num documento de trabalho intitulado "Endividamento e Desigualdades" realizado em Dezembro do ano passado e a pedido do Fundo Monetário Mundial (FMI), Michael Kumhof e Roman Rancière escreveram:
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Time, Agosto 2011
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Sabe-se: a diferença de rendimentos, a desigualdade entre os que têm muito e os que têm (terão?) muito pouco, é responsável pela falta de qualidade de vida como o demonstra o vídeo que deixo. Mas é tão evidente a sua responsabilidade na diferença dos resultados da vida que, num documento de trabalho intitulado "Endividamento e Desigualdades" realizado em Dezembro do ano passado e a pedido do Fundo Monetário Mundial (FMI), Michael Kumhof e Roman Rancière escreveram:
Nos quinze minutos da TEDTalks, Richard Wilkinson - o investigador britânico co-autor, com Kate Pickett, de "O Espirito da Igualdade" - dá uma maior dimensão a esta ideia."Restabelecer a igualdade redistribuindo os rendimentos dos ricos pelos pobres, não agradaria só aos Robin dos Bosques do mundo inteiro; poderia também poupar à economia mundial uma nova crise de grandes proporções"
Desigualdade, o verdadeiro inimigo.
segunda-feira, 5 de dezembro de 2011
Falar Claro
Falar e escrever em português claro e entendível é uma obrigação de quem tem a função de comunicar com os outros portugueses. Como sejam todos aqueles que devem ser publicamente compreendidos."Public information should be made public. This public means presenting, designing and structuring this information so that it is acessible, available, understandable and free." Richard Saul Wurman in Understanding USA
Percebendo os portugueses que devem - por ser um seu direito - exigir compreender. Exigindo que a linguagem técnico-especializada seja apenas para técnicos especialistas e que a linguagem destinada às cidadãs e cidadãos tenha a cidadania da compreensão.
Neste campo da comunicação a proposta da Sandra Fisher-Martins, uma militante do falar claro que pode ser vista no vídeo, é um bom princípio: falar e escrever como se fosse para a própria avó. Iniciando pelo mais importante, com frases curtas e palavras simples.
Para que não haja dúvidas - nem receios - sobre as vantagens da simplicidade e clareza, Sandra Fisher-Martins cita Einstein: "se não o consegues explicar de forma simples é porque não o compreendes suficientemente."
Pois é: o pretenciosismo de falar com palavras de libra desnecessárias, do uso também desnecessário de expressões estrangeiras não passa de um disfarce de ignorância. Dando-se ares.
Falar claro torna a vida mais fácil, alarga o acesso a oportunidades, permite compreensões e decisões mais adequadas, estabelece uma relação social menos estratificada. Enfim, alarga o direito de cidadania à visão republicana da sobreposição do direito ao privilégio.
quarta-feira, 30 de novembro de 2011
A História com memória
O rebuscar displicente do sr. João Duque do salazarento "A Bem da Nação", incomodou-me. Menos talvez do que a votação idiota de melhor português, mas incomodou. Pior, irritou-me o ar doutoral da ignorância da História transformada em brejeira e descontextualizada provocação. E reciei, como ainda receio, a sequência no desplante de "tudo pela Nação, nada contra a Nação."
Valeu-me, no mesmo sítio - SIC - e logo de seguida a tê-lo visto, ligeiro, a analisar as dificuldades dos outros neste país de fossos abissais entre uns e outros, ter assistido à entrevista de Mário Soares. Um filme da história, uma lição de convicções, um cofre de memórias. Uma lição de republicanismo, de democracia, de valores humanistas e de direito democrático. De socialismo democrático. Aqui sim, a História na sua grandeza: republicana, laica e socialista.
Com a entrevista por fundo revisitei momentos inesquecíveis da participação que tive no MASP da sua primeira campanha presidencial e que o tornou no primeiro Presidente da Républica civil depois do 25 de Abril. Lembro-me, no dia da sua tomada de posse e ao vê-lo, das escadas de S.Bento, despreocupado do "passo certo" enquanto passava revista às tropas, de ter pensado: nunca mais teremos um Presidente militar. Era o princípio de uma outra República.
Valeu-me, no mesmo sítio - SIC - e logo de seguida a tê-lo visto, ligeiro, a analisar as dificuldades dos outros neste país de fossos abissais entre uns e outros, ter assistido à entrevista de Mário Soares. Um filme da história, uma lição de convicções, um cofre de memórias. Uma lição de republicanismo, de democracia, de valores humanistas e de direito democrático. De socialismo democrático. Aqui sim, a História na sua grandeza: republicana, laica e socialista.
Com a entrevista por fundo revisitei momentos inesquecíveis da participação que tive no MASP da sua primeira campanha presidencial e que o tornou no primeiro Presidente da Républica civil depois do 25 de Abril. Lembro-me, no dia da sua tomada de posse e ao vê-lo, das escadas de S.Bento, despreocupado do "passo certo" enquanto passava revista às tropas, de ter pensado: nunca mais teremos um Presidente militar. Era o princípio de uma outra República.
terça-feira, 29 de novembro de 2011
Diferença que distingue
Gosto de Futebol e, por sorte, já vi grandes jogos em grandes estádios europeus e segui muitos mais. Um deles, com muita pena, que não vi - guardo, para não esquecer a vitória e numa qualquer gaveta cá de casa, o bilhete do meu pai - foi o Benfica-Real Madrid de Amsterdam da final da Taça dos Campeões Europeus.
Mas não fui ao Benfica-Sporting. Porque não gosto do estúpido clima de guerra que destrói um jogo e tenho dificuldade em participar na jiga-joga de escoltas, demoras, incómodos. E conivência. Apesar de gostar que a minha equipa ganhe, pertenço ao mundo do rugby que se viu no último Mundial - camisolas diferentes a admirar a qualidade de uns e outros.
Sobre esta matéria, dos desacatos, das claques, da falta de cultura cívica, poderia falar, até do que penso sobre os mais diversos aspectos que mantêm o estado das coisas inalterável. Por razões que me parecem óbvias não farei os comentários que me apeteceriam. Mas deixo nota.
O Desporto tem a particularidade de exigir a suspensão - durante um período de tempo previamente conhecido - das regras que nos regem o quotidiano para as substituir por outras prévia e comummente acordadas e reconhecidas. Ou seja: aqueles que se encontram no espaço do campo desportivo tem como regimento um outro corpo de regras e comportamentos sem que isso envolva considerações cívicas negativas ou reprováveis.
Mas tudo isto termina no espaço limitado pelas linhas do campo desportivo e no tempo pré-determinado. Para os espectadores, claques ou não, a suspensão que o jogo desportivo exige não existe. Continuam sujeitos às regras, aos direitos e deveres. Às leis que regem o país democrático que somos.
E esta diferença - que parece ser muito difícil de perceber - faz a diferença.
Mas não fui ao Benfica-Sporting. Porque não gosto do estúpido clima de guerra que destrói um jogo e tenho dificuldade em participar na jiga-joga de escoltas, demoras, incómodos. E conivência. Apesar de gostar que a minha equipa ganhe, pertenço ao mundo do rugby que se viu no último Mundial - camisolas diferentes a admirar a qualidade de uns e outros.
Sobre esta matéria, dos desacatos, das claques, da falta de cultura cívica, poderia falar, até do que penso sobre os mais diversos aspectos que mantêm o estado das coisas inalterável. Por razões que me parecem óbvias não farei os comentários que me apeteceriam. Mas deixo nota.
O Desporto tem a particularidade de exigir a suspensão - durante um período de tempo previamente conhecido - das regras que nos regem o quotidiano para as substituir por outras prévia e comummente acordadas e reconhecidas. Ou seja: aqueles que se encontram no espaço do campo desportivo tem como regimento um outro corpo de regras e comportamentos sem que isso envolva considerações cívicas negativas ou reprováveis.
Mas tudo isto termina no espaço limitado pelas linhas do campo desportivo e no tempo pré-determinado. Para os espectadores, claques ou não, a suspensão que o jogo desportivo exige não existe. Continuam sujeitos às regras, aos direitos e deveres. Às leis que regem o país democrático que somos.
E esta diferença - que parece ser muito difícil de perceber - faz a diferença.
segunda-feira, 21 de novembro de 2011
Encontros Imaginários
Os diálogos são notáveis, a articulação - os pontos comuns encontrados pelo Helder - entre diferentes personagens de tempos distantes da História é inteligentemente contada. Vale a pena ir ao bar de A Barraca no Cinearte de Santos na primeira e terceira segundas-feiras e cada mês.
Com a nota que o Hélder me deixou não podia deixar de estar presente. E o Zé do Telhado, reconhecendo-me - em tempos teve que posar para mim a entrar pela janela - veio, simpaticamente, dar-me um colar de ouro. Roubado a uma Viscondessa, pareceu-me ouvi-lo dizer.
No Encontro tudo se passa com o á-vontade de quem parece conhecer-se há muito tempo - como se a pertença à História lhes desse um espaço comum que partilham há séculos.
De Helder Costa já conhecíamos o interesse sobre a História - aqueles "diálogos históricos" na televisão foram a demonstração pública desse interesse. Mas estes Encontros são melhores. Mais inteligentes, mais interessantes, mais dinâmicos. E com uma demonstração de cultura superior. Muito bom. A exigir presença e que, embora a dimensão esteja adequada à situação ao vivo, os diversos Encontros possam ser mostrados de novo com outra dimensão - a da televisão.
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