quinta-feira, 21 de junho de 2012

Os PIGS




Felizmente Ronaldo soube atacar a bola e rematar imparavelmente de cabeça sem haver Cech que valesse aos checos. Estamos nas meias-finais do EURO2012! Gostaria que aqueles que se vão juntar a Portugal fossem a Itália, Grécia e a eSpanha. Os PIGS. Para enxovalho dos pretenciosos da visão nortocentrica.

Amanhã serei grego! Seremos todos gregos.

Cores da Cidade



Lisboa, Castelo dos Restauradores
 

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Cores da Cidade




Lisboa, Rua do Carmo
  

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Interesses e negligências

A necessidade de água para a manutenção de um campo de golfe é, como se sabe ou deveria saber, uma enormidade. Existem até indicadores comparativos com as necessidades de populações urbanas que mostram, sejam quais forem os disfarces com que se mascaram os interesses, a enormidade do custo - directo ou indirecto - para a grande maioria das instalações. E tão maior quanto maior for o calor e menores os cuidados desde a escolha da localização, do tipo de vegetação, do tipo de relva ao sistema e gestão das regas.


A Lagoa dos Salgados, no Algarve, está seca, o campo de golfe que a envolve está lindo de verde. Diz-se que não há água suficiente - aqui os relvados golfistas são regados com os efluentes de uma ETAR - para as duas coisas. É isto preocupante? Não é só temporário? Não passa daqui a pouco?

Temporário ou não, é importante, muito importante! Porque a Lagoa dos Salgados tem espécies de aves aquáticas que têm ninhos que têm filhotes a nascer que, sem a água que lhes proporcionará alimento, vão morrer. Ou seja: HÁ AVES AQUÁTICAS QUE TÊM ANÚNCIO PRÉVIO DE MORTE PORQUE O SEU LOCAL DE NIDIFICAÇÃO FICOU SEM ÁGUA E PORTANTO SEM ALIMENTO. Água e alimento que existiam antes da prioridade dada à rega do golfe. Razão porque as aves procuraram, como sempre, o local para nidificar. Mas que, para sobreviver, irão embora, abandonando os ninhos de que resultará - anuncia-se - a morte das crias. Sabendo-se que assim será e nada sendo feito em tempo útil, estamos perante uma negligência grave.


Alfaiate, Recurvirostra Avocetta

Na Lagoa dos Salgados existem, entre outras variedades de aves aquáticas, caimões, garças-vermelhas, pernalongas, alfaiates, etc., e os seus filhotes, por falta de água e alimento, vão morrer. Sem reservas: deixa-se morrer a biodiversidade local - óbvio interesse público - em troca do interesse privado da manutenção das receitas de um campo de golfe. E as desculpas, saltando de repartição em repartição, esfarrapam-se em cada explicação.

O interesse sobrepõe-se à decência civilizacional. A negligência desculpa-se no economicismo reinante. De acordo com as notícias, a SPEA - Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves de que sou sócio - prepara-se para apresentar queixa sobre o facto à Comissão Europeia. Não havendo possibilidade de impôr medida mais rápida e útil na resolução do problema, faz muito bem!

terça-feira, 5 de junho de 2012

Estou de acordo

Diminuir salários não é uma política, é uma urgência.
António Borges, dos jornais
Estou de acordo. Absolutamente.

Tão absolutamente que proponho desde já a aplicação da Lei de Pareto e seus derivados para resolver a nova distribuição.



Não será difícil: os 20% dos excelentes vital few que ganham fortunas mensais passam a vencer salário igual ao Primeiro-Ministro, deixando, simpaticamente, em paz os 80% dos trivial many que tendo já uma vida inteira para se preocuparem, ficariam muito agradados e muito agradecidos com esta forma de ajuda solidária e desprendida.


_________________________________
Na margem e a propósito da Desigualdade
...the way we responded to the crisis, with the bottom going down and the top seemingly protected, inevitabily brought this issue [the inequality] to the fore.
Joseph Stiglitz, economista, Prémio Nobel in Time, June 11, 2012.

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Cores da Cidade





foto telemóvel
Lisboa, Cais do Sodré

sábado, 2 de junho de 2012

A vista desarmada





sábado, 26 de maio de 2012

O fotógrafo Jorge Barros

O Jorge Barros é fotografo. Excelente fotógrafo, aliás.

Há umas dezenas de anos estivemos juntos no projecto Resposta, revista cultural e desse tempo guardo ainda as belíssimas fotografias a preto-e-branco que publicamos e então me ofereceu. E continuo atento, aprendendo sempre, à sua forma de fotografar Portugal.

A antiga revista Atlantis da TAP e na altura da EXPO'98 publicou um texto meu, A Praça de Comércio, Uma Praça de Receber, a que a sua visão fotográfica do Terreiro do Paço deu uma chamada de atenção muito especial. Sortes! Foi mais notado do que seria habitual...


Na Sociedade Portuguesa de Autores - SPA - está agora uma sua exposição a que deu o nome de aproximações e que aproxima a visão do continente português das ilhas dos Açores. Para quem gostar de fotografia, paisagem - e há duas paisagens construídas, uma da beirã Piodão, outra da ilha do Corvo, que se aproximam particularmente na regra da ocupação volumétrica e de que gosto muito - ou retrato social, a visita é obrigatória.

Como ele, também gosto muito dos Açores e gosto também muito do seu último livro, As ilhas desconhecidas - capa aqui ilustrada - que, naturalmente, recomendo. Numa edição muito cuidada, o fotógrafo-autor, com o espírito, o espanto, o amor, a técnica, o gosto e a sua interpretação de hoje, ilustra a impressiva descrição que Raul Brandão faz das ilhas açoreanas e madeirenses. A ver e a ler.

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Cores da Cidade


Lisboa, Chiado


terça-feira, 15 de maio de 2012

Sobreposiçoes





Lisboa, S. Mamede


sábado, 12 de maio de 2012

Santa vidinha






Bernardo Sassetti (1970/2012)

Bernardo Sassetti, pianista e compositor, era um excelente músico - que coisa esta de ter que se utilizar o passado para um miúdo de quarenta e poucos anos... Não é justo, que tristeza!

Embora familiares - relacionava-nos a irmã do meu bisavô, Maria dos Prazeres, que foi casada com Sidónio Pais - conheci-o já nas coisas do jazz, provavelmente no Hot. Deve ter começado com os habituais avisos do Paulo Gil: "é pá, anda aí um puto pianista, o Bernardo Sassetti, bom pra diante (e abanava com certeza as mãos, com a cabeça já meia de esguela e os olhos a brilhar).Tens que ouvir." ...

E gostei de o ouvir, gostei do ar, do talento, do sentido de humor. E lembro-me de que gostei muito da música que soube compôr para o filme do Mário Barroso baseado no O Milagre segundo Salomé de José Rodrigues Miguéis.

Ao longo destes anos fui ouvindo a sua música, gostando mais de umas alturas e menos de outras. Mas reconhecendo-lhe sempre um talento notável.

Percebi das notícias que nos surpreenderam que caiu de uma arriba por causa de algum ângulo fotográfico que procurava - no silêncio que me prendeu ouvi a voz da Ana quase gritada no fundo da memória: tem cuidado, não te chegues mais ... ainda cais. A fotografia... o nosso mundo isolado - nada mais parece existir - no espaço limitado da objectiva

Que se pode fazer a uma perda irrecuperável? Ouvir-lhe a música e guardar-lhe respeito.

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Simpatia financeira







Cores da cidade





foto telemóvel
Lisboa, S. Mamede


terça-feira, 8 de maio de 2012

Cores da cidade


Foto telemóvel
Lisboa, Rato





Cores da cidade



Foto de telemóvel
Lisboa, S. Mamede


segunda-feira, 7 de maio de 2012

É justo? Tem futuro?




O meu Pai ensinou-nos - e o meu filho lembra-o muitas vezes - que se é preciso mudar alguma coisa, o momento da mudança é agora!

Encontrei o mesmo conceito no lema da campanha do novo Presidente francês, François Hollande: Le changement c'est maintenant . A que juntou dois princípios - da justiça e da juventude - que enquadrarão a sua política: é justo? tem futuro?

A política da França vai mudar, a política da Europa vai mudar, a vida dos europeus vai melhorar!

Merkozy acabou. A esperança numa condição de vida decente ganha espaço. Hoje, 6 de Maio, é o primeiro dia da mudança.

domingo, 6 de maio de 2012

Ventos do Interesse

O irritante - no sentido indignante - da corrente explosiva que mistura - para se dar ares de pés no tempo - conservadorismo com neoliberalismo é a prepotência com que nos retiram da história e do percurso que reconhecemos das coisas. Como nos entendem por ignorantes apresentam-se, emproados, como descobridores do caminho que a nossa estupidez e ganância colectivas se mostraram incapazes, tão pouco, de vislumbrar. Salvadores da pátria, de nós e do mundo não hesitam em impôr os seus interesses como a regra civilizacional mais salvatícia.

Ouvi em directo a maratona presidencial francesa e pude assistir ao manual mais actualizado dos truques do neoliberalismo que nos é imposto. Cuja primeira regra se cumpre na pomposidade da chamada à colação de conceitos que ninguém rejeita. Conceito com o seu quê de universalidade e que, sem definição do contexto de aplicação, não passa de treta demagógica. Mas que serve, qual receita-milagre, para fazer passar a ideia que assim são obrigatoriamente as coisas, que assim deverão ser e que qualquer outra formulação é estúpida, disparatada e, obviamente, atentória do bem-estar colectivo.

Bem enquadrado nos interesses dos mais poderosos o sr. Sarkozy, em close-up de olhar cúmplice, proclama a universalidade: "temos que aligeirar os custos do trabalho!" Claro! mas alguém tem dúvidas sobre essa necessidade? E para esse aligeirar maioritária e preocupadamente aceite, que propõe o sr. Sarkozy? Mais inovação, maior criatividade nas relações da cadeia de valor, melhores circuitos de distribuição, menos margens e menores desperdícios nas etapas de produção, melhor estrutura da composição de custos, etc.etc.? Não! O sr. Sarkozy com a pesporrência de um iluminado que maravilha a nossa vida, informa a solução: "sempre que houver acordo entre empresário e seus trabalhadores, esse acordo sobrepor-se-á à lei geral existente."

Pronto! na maestria do golpe o sr. Sarkozy torpedeia o Estado de Direito, ignora a história civilizacional da construção das relações dos direitos de trabalho, marimba-se para o desequilíbrio das imposições e dá mãos largas a uma brutal autorização do abuso da condição de necessidade. Um fartote ... no melhor interesse das normalidades neoliberais.

sábado, 5 de maio de 2012

Muito agradecidos



foto telemóvel c/flash
fachada de supermercado, Lisboa

terça-feira, 1 de maio de 2012

Dia do Trabalhador

O 1º de Maio é o Dia do Trabalhador.



1º Maio 1976
Os portugueses estão preocupados, naturalmente e cada vez mais, com o número de desempregados que todos os dias parece aumentar para números insustentáveis. E temem, neste contínuo de desesperança, que a sua vez esteja para breve.

A inversão da situação é o desafio essencial que se coloca ao país - sem que haja quem possa esconder-se atrás da situação ou por achar que faz o melhor que pode. Na actual situação o melhor que é possível, não basta!

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Sobreposições



JPBessa
Foto de telemóvel
Lisboa, Campolide
 A aleatoriedade, funcionalidade e dimensão dos volumes apaga o historicismo pacóvio e cria uma marca urbana relevante no percurso automóvel que a aproxima.

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Miguel Portas (1958-2012)

Lembro Miguel Portas, os valores de esquerda, o combate, a lucidez e a enorme coragem com que enfrentou o destino. Trabalhei juntamente com ele ao tempo de Jorge Sampaio na CM de Lisboa - e desse tempo lembro, para além dos trabalhos do programa da candidatura, o pormenor de ter sido ele o maior responsável por se ter realizado o primeiro grande concerto musical em Portugal: Rolling Stones em Alvalade, 1990. E de ter jogado futebol com ele à baliza num reconciliador Lisboa-Porto municipal.

À família, ao Pai - enorme e muito sentido abraço meu caro Nuno - à Mãe - que tem a simpatia de visitar este Finisterra - ao irmão Paulo, as minhas profundas condolências.

quarta-feira, 25 de abril de 2012

25 de Abril sempre!





segunda-feira, 23 de abril de 2012

Dario Fernandes (1935-2012)

Jacinto Luís
Faleceu o Dario Fernandes. Professor excelente da área da Educação Física, era pessoa de princípios e valores, determinado a fazer de cada um de nós um Cidadão exemplar. Era um Homem de Excelência. De Carácter. Tão excelente que lhe foi atribuído o grau honorífico de ex-aluno. Mas mais do que isso: era considerado (e não é nada fácil sê-lo...) por todos nós, seus antigos alunos, como um dos nossos - um genuíno Menino da Luz. Durante a sua vida colegial de muitos anos passada entre os claustros e o ginásio do Colégio Militar foi sempre um companheiro atento e solidário. Capaz de ouvir e ajudar. E de, na altura devida, nos transmitir a confiança necessária. E como voámos então...

Sob o seu comando e orientação fiz parte de uma Classe Especial de Ginástica. De excelência, claro! E da qual guardo - sempre que nos encontramos uns com os outros, recordá-mo-lo - excelentes memórias.

Até sempre, Dario! Zacatrás!

sábado, 21 de abril de 2012

Sabedorias aplicáveis

Do Público de ontem:
"O juiz não é nomeado para fazer favores com a justiça, mas para julgar segundo as leis."
Platão (-427/-347), filósofo grego


De Sonia Sotomayor (1954/--), primeira mulher juiza do Supremo Tribunal dos Estados Unidos e nomeada pelo Presidente Obama:
"A tarefa de um juiz não é fazer a lei, é aplicar a lei."

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Adaptações

"L'architettura é una macchina fotografica della cultura: é in parte scienza e in parte senzo della vitta.",
Francisco de Assis Cabrero, 1972


JPBessa
foto de telemóvel
Lisboa, Lapa
 
O telhado duplo trazido por Mardel* talhado a corte de naifa em adaptação portuguesa.

  *Carlos Mardel (Pozsony, Hungria, 1696 - Lisboa, 1763) foi um dos principais projectistas da reconstrução pombalina após o Terramoto de 1755

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Tempos que ficam



"[...] e o primo Dinis que andava no Colégio Militar. Nunca largava a farda e mostrava-se por toda a parte como um princípe antigo. Não entrava em brincadeiras e ninguém sabia se lhe agradava alguma coisa neste mundo."

Agustina Bessa-Luís, Dentes de Rato, 1987

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Missão terminada





O Instituto do Desporto de Portugal, I. P. desapareceu. Fundido com o Instituto Português da Juventude passou as suas competências tradicionais para o novo organismo, o IPDJ, I.P. - Instituto Português do Desporto e da Juventude.

Com esta fusão, a minha missão de Vice-Presidente do IDP terminou.

Ficarei com boas memórias - de pessoas, de profissionais capazes, de excelentes trabalhos em situações nada fáceis, de capacidades de superação de inúmeras dificuldades. Mais, muitas vezes, do que se possa pensar.

Gostaria assim que, apesar da alteração, não se viesse a perder - como acontece em muitas mudanças - o profundo saber, experiência e conhecimento construídos ao longo de muitos anos que existe no "6º andar" - Departamento de Instalações Desportivas - da Infante Santo e do qual tenho directo conhecimento.

Embora nem sempre reconhecido e bem utilizado em trabalhos de responsabilidade interna nos últimos anos, muito do saber deste Departamento é fundamental para que as instalações desportivas sejam adequadamente dimensionadas, tenham os equipamentos necessários, sirvam as modalidades desportivas com segurança e conforto para os atletas e tenham custos de construção e utilização aceitáveis. O trabalho invisível de apoio a promotores e projectistas tem permitido que as instalações desportivas espalhadas pelo país tenham melhorado substancialmente e garantido uma importante melhoria na relação custo/benefício de diferentes instalações construídas. Trabalho que constitui um valor que não pode ser desperdiçado e cuja utilização os tempos correntes exigem - na construção, na recuperação e reabilitação ou na adaptação. Os tempos não estão para desperdícios e são profissionalmente exigentes. O "6º andar" tem as qualidades necessárias.

sexta-feira, 30 de março de 2012

Experiência...

Almanaque Bertrand, 1908

quarta-feira, 21 de março de 2012

A lição de Siza



Álvaro Siza por Bottelho (Carlos Botelho, Chaves,1964)

"O tempo é o arquitecto maior. E quem corta a voz do tempo só faz obra menor."

in Conferências Construtores do Mundo, EPUL, Lisboa, Teatro S.Luís, 20/3/2012


domingo, 18 de março de 2012

António Leitão (1960/2012)

Faleceu o António Leitão. Foi um grande atleta - medalha de bronze nos 5.000 metros dos Jogos Olímpicos de 1984, Los Angeles - e era um bom amigo. A última vez que estive com ele mostrava como sempre o optimismo e a persistência dos fundistas vencedores na luta que travava. Até sempre, António!

Notícias da Nina

foto telemóvel Ana Coucello
A Nina da Ria Formosa está - mesmo se ainda sujeita a alguma vigilância médica - óptima. Em casa, como se vê, sobe por tudo quanto é lado, em acrobacias notáveis. E sempre que pode desafia os gatos mais velhos para lutas e correrias. Não para.

quarta-feira, 14 de março de 2012

Mais férias, mais buracos

A senhora suiça a dizer para a televisão:
Não quero aumentar as semanas de férias porque se aumentámos as férias vão diminuir os empregos e nós não queremos isso.
Abençoada... está preocupada com o desemprego. Mais férias, mais buracos e uma adivinha: :mais ou menos queijo?

terça-feira, 6 de março de 2012

Gatos



Quando regressar, ele vai ver,
ele vai ver quando chegar.
Vai ficar a saber
que isto não é coisa que se faça a um gato.
Caminhar-se-á em direcção a ele
como que contrariado,
devagarinho,
com patas amuadas.
E nada de saltos ou mios. Pelo menos ao princípio.
Gato num apartamento vazio
Wislawa Szymborska
(Tradução de Manuel António Pina)

Os gatos cá de casa são piores. Viram as costas, afastam-se, mostram-se autosuficientes e não nos falam durante dias. Ignoram-nos. Como se a casa continuasse vazia. São uns pontos.

quinta-feira, 1 de março de 2012

Frankfurt




Foto de telemóvel - Raul Bessa
 Aeroporto de Frankfurt preparado para responder às consequências da greve dos controladores aéreos.

Pendurado na crise?





Linha de Cascais - foto de telemóvel tirada do interior do carro


domingo, 26 de fevereiro de 2012

Único de passo certo

Qual é o meu filho?! Aquele único que vai com o passo certo!, apontou em resposta a vaidosa mamã, tão orgulhosa da individualidade única do seu menino - o único que ia de passo certo no meio de um batalhão de incapazes.

Lembro-me sempre disto cada vez que ouço notícias sobre a crise - a sensação com que fico é a de que vamos todos de passo desacertado e uns rapazes, cheios de razões, é que sabem da rota certa.

Fica-me apenas a dúvida e para a qual não encontro (tenho uma, claro!) resposta: quem ganha com isto?

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Porque gosto de Futre

Contou, mais ou menos assim, Rui Costa no Futrebol: no intervalo de um jogo contra a Suiça, Carlos Queirós discursava a táctica, Paulo Futre levantou-se e disse: dêem-me a bola e eu arraso com eles!

Assim se desequilibram desportos colectivos e se enchem as medidas da bancada. Foi bom tê-lo visto jogar.


segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Sinais de cultura






domingo, 19 de fevereiro de 2012

Sete






Sete vidas têm os meus gatos
Sete anos faz a Maria
Fiz assim este desenho
Para comemorar o teu dia

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Deriva moralista

"Na verdade, já nos distantes anos 30, Max Weber denunciava, na classe política do seu tempo, os perigos de uma ética da convicção, cega ás consequências dos seus fins."

André Barata, professor da Universidade da Beira Interior

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Espacialidade

"Não sei porque é que não há um treinador de futebol arquitecto! Há uma questão de espacialidade no futebol; uma questão de táctica."   Tiago Mota Saraiva, arquitecto in J.A. 243
E treinador de rugby arquitecto? Serve?!

sábado, 28 de janeiro de 2012

Em preparação...










domingo, 22 de janeiro de 2012

Estupidez à solta





Numa sentença de Tribunal sobre julgamento de um caso de violação escreveu-se assim:

"agarrar a cabeça (ou os cabelos) de uma mulher, obrigando-a a fazer sexo oral, e empurrá-la contra um sofá para realizar a cópula não constituiram actos susceptíveis de serem enquadrados como violentos" in Semanada de Manuel Falcão no W do Jornal de Negócios, 20/JAN/2012

A pérola e o particular conceito de violência pertence à assinatura de uma juíza-desembargadora, Eduarda Lobo.

Se o enquadramento não é de violência será - pergunto, embora, por mero temor reverencial, sem levantar sequer o dedo - enquadrável numa sofisticada submissão involuntária? Ou só em coisa nenhuma?

Que escola frequentaram? Que livros leram? Que vida percorreram?

Atento estava Cipolla  quando avisava que "o estúpido é o tipo de pessoa mais perigosa que existe". Porque pode surgir onde menos se espera e causa danos arbitrariamente...

Questão de caracter

A joelhada seguida de pisão que o português "merengue" Pepe aplicou a Messi, não tendo qualquer justificação e violando as normas éticas desportivas, lembrou-me um conceito de Heywood Broun (1888-1939), jornalista americano que hoje dá nome a um prémio jornalístico* destinado a reportagens que tenham alterado injustiças. Dizia assim:
"O desporto não constrói o carácter. Revela-o"
O gesto de Pepe revelou o seu carácter - as desculpas que apresentou confirmaram o exposto. A repetição não ajuda e a fotografia ficou péssima.
*Heywood Brown Award patrocinado pelo The Newspaper Guild

sábado, 21 de janeiro de 2012

Acordo para o cair do pano






O fio por cima da estátua do Camões já lá está e só encontro uma explicação: fazer cair o pano sobre a língua portuguesa.

Que outra coisa poderia ser em tempos de imposição do Acordo Ortográfico?

Acordo?! que vantagens temos na sua utilização? O que ganhamos - para além da confusão - com o assunto? Qual é o interesse? Entendermo-nos pior?

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Melhor Entusiasmo 2011






Entusiasmados com a própria importância, a bifelândia do Londres 2012 estendeu-se ao comprido.

Tudo tão formidável, tudo tão sustentável, tudo tão... que até julgaram ter esticado os lugares disponíveis e dobraram um estádio, multiplicando por dois - de dez mil para vinte mil - a venda dos bilhetes para algumas sessões da Natação Sincronizada.

Grande Festa!

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Melhor Profecia 2011


Charters de chineses!

Paulo Futre - enorme jogador de futebol - foi o profeta do ano. Avisou da chegada de charters de chineses.

Acertou de tal maneira que hoje já comandam a Electricidade (ex) de Portugal.

[lembro sempre, no gabinete de um dos seus fundadores e segundo presidente - meu Pai - de dois mapas que mostravam a diferença entre a cobertura eléctrica de Portugal, antes e depois. Antes, da responsabilidade dos privados; depois, da responsabilidade da empresa nacionalizada - num uns risquitos, noutro uma mancha, a marcar a diferença entre o interesse e o direito. Sei que, porque a enorme aposta era a de garantir electricidade a todos, não iria gostar deste pretendido - dos muitos prestados - último serviço à República.]

Inteligente, vivo, com excelente sentido de humor, Futre marca golos, agora de graça - passe a suposição da factura de algumas...

Futre a continuar assim, continuará também a encher-nos com a alegria que os adeptos tinham no estádio de tanto jogo... e os charters de chineses continuarão a vir com vistas para a Europa. Enorme profecia!

Melhor Musical 2011

Álvaro Siza canta Beatles


Siza sings from últimas reportagens on Vimeo.

Film by Fernando Guerra

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Melhor prémio 2011

Se houve prémio bem atribuído no ano de 2011 esse foi o Prémio Pessoa a Eduardo Lourenço.

Erudito de grande cultura – enorme capacidade para articular coisas aparentemente distintas – humanista, conhecedor como ninguém de Portugal – dos seus mitos, das suas profundezas – Eduardo Lourenço é ainda a nossa maior referência para quem quer conhecer Pessoa e a sua obra.

Melhor decisão não poderia haver: Pessoa a quem é de Pessoa!

Para além de tudo o mais, Eduardo Lourenço tem um notável sentido de humor. O que faz dele um intelectual próximo de qualquer humano. Juntos, podemos sempre rir, aliviando as tensões que a proximidade com a sabedoria sempre cria.

Há anos, dias antes do Mundial de Itália em futebol, encontrámo-nos num congresso em Nápoles. Em dia mais maçador propôs-me : e se fossemos apanhar um barco até Capri e dessemos uma volta pela ilha? Melhor acordo não poderia ter e lá fomos a caminho da travessia.

O mar estava picadito, o barco bamboleava e viemos para o convés para apanhar ar. Já enjoado como uma pescada, encostado à amurada, chamando pelo gregório, olha-me e, pesaroso, lança-me: e sou eu filho de um país de marinheiros …

[como também gosto de lembrar - para que haja uma noção mais clara da amplitude da dimensão da formação colegial – Eduardo Lourenço é, como eu, antigo aluno do Colégio Militar.]

Disse equidade?

Um mal nunca vem só - sendo Portugal o país mais desigual da Europa é também* o país europeu, entre os mais afectados pela crise, onde as políticas aplicadas de 2009 a 2011 mais prejuízos criaram aos mais pobres. Na ordem da perda de 9% do seu rendimento disponível contra os meros 3% de perda dos mais ricos. Somos formidáveis...a equidade é uma treta e os pobres que paguem a crise.
*The distributional efects of austerity measures: a comparasion of six EU countries, Comisão Europeia

domingo, 1 de janeiro de 2012

2012: Boas Entradas




desenho iPad
  

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Cartaz resistente

Há dias um amigo meu ésseémiéssizou-me assim: "Estou no Hot. O teu cartaz resistiu ao incêndio. Incrível!"

Respondi-lhe que é para isso que se desenha, para resistir a desventuras.

(não sei se foi a sorte dos deuses ou se, pura e simplesmente, alguém tinha outro exemplar de um cartaz feito há bons trinta anos...)

Para memória - não vá o diabo tecê-las - aqui deixo a imagem do cartaz.

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Senhor da Pedra ao entardecer


Senhor da Pedra, Miramar, foto telemóvel

domingo, 25 de dezembro de 2011

Dias de Inverno

Miramar (41º4'1"N, 8º39'25"O). Na praia a 25 de Dezembro

sábado, 24 de dezembro de 2011

NATAL 2011

Foto de telemóvel
Mesmo que seja desfocado, mesmo que a visão não seja a mais apetecível, BOM NATAL!

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Prémio Secil Arquitectura 2010: da realidade à poesia

[razões que só as nuvens electrónicas conhecem atiraram este texto para sítios improváveis – é o terceiro e daí a razão do fora de tempo mas o dito merece este tempo.]

Começou assim a entrega dos Prémio Secil de Arquitectura 2010:

“As dificuldades que sentimos têm uma explicação primeira numa situação que só raramente conseguimos superar: os bens e serviços que todos produzimos, para vender aos portugueses e no estrangeiro, têm um valor médio muito baixo em comparação com os países nossos potenciais clientes e fornecedores.


É isso o que realmente significa a afirmação, incessantemente repetida, de que temos uma produtividade muito baixa. Não quer dizer que trabalhemos pouco, mas que o valor da nossa produção não é considerado suficientemente competitivo por parte de milhões dos seus potenciais consumidores.”
Pedro Queiroz Pereira, Presidente da Secil

Solução? exigência de qualidade e de inovação – razão, aliás, principal do prémio como nos disse.

Depois Miguel Figueira – o traço, a inteligência e a cultura do novo Montemor-o-Velho e presidente do Júri do Prémio Secil Universidades Arquitectura - preocupou-se com a nossa necessária aprendizagem de voar na maior dificuldade de o fazermos sem asas, lembrando apenas que “será a necessidade que vos vai ensinar!”



 Chegada a vez do vencedor deste 2010, Eduardo Souto de Moura, chegaram também os poetas.

Escolhido pela pintora Paula Rego para a sua Casa das Histórias de Cascais, Eduardo Souto de Moura lembrou a poesia dos livros de cabeceira ao falar da métrica e do rigor enquanto traço comum da arquitectura e poesia. E citou:
“Só a palavra exacta tem utilidade pública” de Eugénio de Andrade para justificar o rigor de cada traço.

Acrescentando Oscar Wilde sobre o esforço do tempo ponderado e reflectido exigido pelo trabalho: “O que fiz de manhã? Coloquei uma vírgula. À tarde? Retirarei a vírgula”
Tudo dito em duas frases correspondendo ao tudo escrito no desenho das duas chaminés que simbolizam o lugar das estórias.

[porque houve atraso deu para ler, a propósito do tema lançado por Queiroz Pereira, o embaixador da Argentina, Jorge Faurie, que assim disse marcado pela experiência recente: “Não há produtos com valor acrescentado tal que seja imprescindível comprar a Portugal. Fora do Mercado em euros Portugal tornou-se caro, sobretudo quando é possível encontrar mais barato com qualidade semelhante ou até superior.”]

A arquitectura portuguesa do Prémio Secil marcou a noite: definindo qualidade e mostrando inovação. E assim vive no Mundo.
fotos de telemóvel

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Desigualdade


Time, Agosto 2011
Os dados agora divulgados pela OCDE sobre a desigualdade onde Portugal faz uma péssima figura só são surpresa para os desatentos. Ao lê-los, lembrei-me de duas coisas: uma, de um livro de António Barreto publicado antes do 25 de Abril que então li e que caracterizava Portugal como um país dual, tal a diferença entre ricos e pobres - diferença que, aliás, se mantém com as mesmas características (20% dos mais ricos ganham seis vezes mais do que 20% dos mais pobres); outra, a de um recorte mais recente datado de Agosto que guardei e que traduzia os trabalhos preliminares deste relatório onde Portugal já era apresentado com o pior lugar europeu com valores do índice de Gini (0,353) próximos dos agora apresentados. E de pouco valerá, para quem pertence ao mundo de baixo, o facto de Portugal contrariar a tendência de aumento de fosso - ele é tão grande que levará vidas na aproximação...

Sabe-se: a diferença de rendimentos, a desigualdade entre os que têm muito e os que têm (terão?) muito pouco, é responsável pela falta de qualidade de vida como o demonstra o vídeo que deixo. Mas é tão evidente a sua responsabilidade na diferença dos resultados da vida que, num documento de trabalho intitulado "Endividamento e Desigualdades" realizado em Dezembro do ano passado e a pedido do Fundo Monetário Mundial (FMI), Michael Kumhof e Roman Rancière escreveram: 
"Restabelecer a igualdade redistribuindo os rendimentos dos ricos pelos pobres, não agradaria só aos Robin dos Bosques do mundo inteiro; poderia também poupar à economia mundial uma nova crise de grandes proporções"
Nos quinze minutos da TEDTalks, Richard Wilkinson - o investigador britânico co-autor, com Kate Pickett, de "O Espirito da Igualdade" - dá uma maior dimensão a esta ideia.


Desigualdade, o verdadeiro inimigo.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Falar Claro

"Public information should be made public. This public means presenting, designing and structuring this information so that it is acessible, available, understandable and free." Richard Saul Wurman in Understanding USA
Falar e escrever em português claro e entendível é uma obrigação de quem tem a função de comunicar com os outros portugueses. Como sejam todos aqueles que devem ser publicamente compreendidos.

Percebendo os portugueses que devem - por ser um seu direito - exigir compreender. Exigindo que a linguagem técnico-especializada seja apenas para técnicos especialistas e que a linguagem destinada às cidadãs e cidadãos tenha a cidadania da compreensão.

Neste campo da comunicação a proposta da Sandra Fisher-Martins, uma militante do falar claro que pode ser vista no vídeo, é um bom princípio: falar e escrever como se fosse para a própria avó. Iniciando pelo mais importante, com frases curtas e palavras simples.

Para que não haja dúvidas - nem receios - sobre as vantagens da simplicidade e clareza, Sandra Fisher-Martins cita Einstein: "se não o consegues explicar de forma simples é porque não o compreendes suficientemente."

Pois é: o pretenciosismo de falar com palavras de libra desnecessárias, do uso também desnecessário de expressões estrangeiras não passa de um disfarce de ignorância. Dando-se ares.

Falar claro torna a vida mais fácil, alarga o acesso a oportunidades, permite compreensões e decisões mais adequadas, estabelece uma relação social menos estratificada. Enfim, alarga o direito de cidadania à visão republicana da sobreposição do direito ao privilégio.

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