A coisa não anda boa. E todos os dias aparece mais a alguém a contribuir para o somatório da confusão e do disparate. O senso foi dar uma volta e os quinze minutos warholianos parecem ser a mais importante preocupação dos enfatuados ditadores de interesses.
Na suas Leis Fundamentais da Estupidez Humana, Carlo Cipolla avisa, na construção da Primeira Lei Fundamental, que: “Sempre e inevitavelmente, cada um de nós subestima o número de indivíduos estúpidos em circulação.”. Está visto: tenho a sensação que o país se tornou num laboratório experimental de demonstração da tese.
Há dias, e cito da primeira página do Jornal de Negócios, o sr. Monteiro de Barros veio dizer que “o poder económico está de cócoras perante o poder político”. Pois claro! No entanto, a vida diz-nos o contrário. Como mostra a crise, os sub-prime ou Portugal subordinado aos ditames do poderio económico-financeiro, a imposição das gloriosas agências de rating ou a Islândia e as dificuldades que irá ter por não aceitar um abuso do poderoso império bancário – que por acaso começaram, apoiaram e ganharam que se fartaram, económica e financeiramente – embora com as perdas inerentes mas compensadoras (menos, também aqui, é mais).
Curiosamente as cócoras em Portugal produziram um país onde as desigualdades de rendimento atingem a vergonha – veja-se a posição portuguesa no gráfico que André Barata trouxe, a propósito da relação confiança/rendimentos, para o blogue da SEDES.
As notícias são ao contrário. Com vantagens óbvias para os interesses – nas margens, no crédito e, até, na opulência de um novo regime de castas económicas. Quem pode, pode, quem não pode, vê passar…
Num artigo recente de uma revista internacional alguém se indignava, perguntando: até posso admitir que alguém possa ganhar vinte vezes mais do que outros, mas duzentas ou trezentas vezes? E de quantos trezentos temos sabido na base dessa ideia absurda que se não for assim se irão embora – pois que vão!, dizia outro no mail recebido – ficamos com menos gestores geniais… faremos o mesmo e gastaremos menos.
Numa sociedade democrática de direito manda a política, não o interesse ou o privilégio. Em recente artigo publicado no New York Times, Robert Fishman, co-editor do “The Year of the Euro: The Cultural, Social and Political Import of Europe’s Common Currrency”, depois de tecer diversas considerações sobre o que considera um ataque indiscriminado, abusivo e arbitrário das forças de um mercado sem regulação por razões que irão da pura miopia aos preconceitos ideológicos, avisa: “Only elected governments and their leaders can ensure that this crisis does not end up undermining democratic processes. So far they seem to have left everithing up to the vagaries of bond markets and rating agencies.”
E é claro, a cabeça de pernas para o ar garante vantagens – aos economicamente poderosos, naturalmente. E desvantagens ao viver democrático.
sexta-feira, 15 de abril de 2011
domingo, 10 de abril de 2011
quinta-feira, 7 de abril de 2011
Na Luz, à Benfica!
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Campeões 2009/2011 foto telemóvel |
Foi o contrário da indignidade do apagão e da rega.
Hoje, na Luz, foi o Benfica e os seus valores.
Domingo passado um(ns) qual(is)quer energúmeno(s) mostraram ignorar o porquê de há anos irmos ao estádio. Com o mesmo interesse. Com o apoio de sempre.
Por nada perceberem da cultura de valores que nos junta e associa, fizeram de uma derrota uma vergonha. Valha-nos, sem que lhes sirva de desculpa, a excelência desta vitória.
quarta-feira, 6 de abril de 2011
Importam-se?!
1. Tranquilizar os mercados, como veio um senhor banqueiro dizer da acção absolutamente necessária, traduz-se em mais pobres ficarem mais pobres e os ricos ficarem, no mínimo, na mesma. É isto o receituário do pensamento liberal … e não augura nada de bom.
2. Um jornalista económico disse, num programa televisivo e explicando o desastre actual, qualquer coisa parecida com isto: o dinheiro é sempre o mesmo e só dá para a rotação do todo quando acreditamos no faz-de-conta de que se multiplica. E terminou deixando no ar a pergunta exacta que garante a confiança: Por favor, não perguntem onde está o dinheiro. O óbvio do virtual e da forma de fé que faz a transe do capitalismo.
3. Um senhor deputado saltou-me na pantalha para me informar que devia passar a olhar para os deputados pelo mérito, pelo seu trabalho e esforço. Erro profundo. Não quero saber disso para nada: do tempo que levou a trabalhar, do esforço que fez, do suor que deixou escorrer. Quero saber de outras coisas.
Porque o suor não tem a mínima importância, o resultado sim. Que classificação daríamos a um jogador de futebol de quem se diria após um jogo: correu muito, esforçou-se imenso, trabalhou o tempo todo, falhou três golos e a sua equipa perdeu? Meritória?!
O que exijo a um senhor deputado é que a qualidade do seu trabalho se traduza, em tempo útil, em vantagens e melhorias da qualidade de vida dos portugueses. O tempo, o esforço que fará, não me interessa. O meu contributo financeiro para o seu salário não trata do seu nível de suor, trata da qualidade como resultado do seu trabalho. O mérito mede-se por isso!
2. Um jornalista económico disse, num programa televisivo e explicando o desastre actual, qualquer coisa parecida com isto: o dinheiro é sempre o mesmo e só dá para a rotação do todo quando acreditamos no faz-de-conta de que se multiplica. E terminou deixando no ar a pergunta exacta que garante a confiança: Por favor, não perguntem onde está o dinheiro. O óbvio do virtual e da forma de fé que faz a transe do capitalismo.
3. Um senhor deputado saltou-me na pantalha para me informar que devia passar a olhar para os deputados pelo mérito, pelo seu trabalho e esforço. Erro profundo. Não quero saber disso para nada: do tempo que levou a trabalhar, do esforço que fez, do suor que deixou escorrer. Quero saber de outras coisas.
Porque o suor não tem a mínima importância, o resultado sim. Que classificação daríamos a um jogador de futebol de quem se diria após um jogo: correu muito, esforçou-se imenso, trabalhou o tempo todo, falhou três golos e a sua equipa perdeu? Meritória?!
O que exijo a um senhor deputado é que a qualidade do seu trabalho se traduza, em tempo útil, em vantagens e melhorias da qualidade de vida dos portugueses. O tempo, o esforço que fará, não me interessa. O meu contributo financeiro para o seu salário não trata do seu nível de suor, trata da qualidade como resultado do seu trabalho. O mérito mede-se por isso!
quinta-feira, 31 de março de 2011
Prémio Pritzker 2011 para Eduardo Souto Moura
Quando as três equipas do futebol nacional – Porto, Benfica e Braga – se qualificaram para a continuação das provas europeias, não faltou gente também qualificada – assim género futebol a actividade exportadora de excelência – que não chamasse a atenção para o facto de o futebol português se estar a portar melhor do que o país. Mostrando-se exemplo de sucesso. A copiar.
Faltou dizer, claro, que eram apenas como o país, conseguiam resultados ficando a dever… quer dizer elevando a sua dívida soberana e sem mostrarem perceber como a irão abater.
Exemplo, portanto, um pouco pífio.
Exemplo para o país, este sim e a pedir meças às melhores razões, está na Arquitectura Portuguesa!
Num país de 10 milhões, dois portugueses foram galardoados com o Prémio de Arquitectura mais importante do mundo: o Prémio Pritzker.
Apesar de, com a sujeição a uma lei que os tornava uma espécie de simpáticos e tolerados proscritos – o famigerado 73/73 e que só viu o seu fim em 2009 – e que colocou a produção de arquitectos limitada a uns 5% da construção nacional, a Arquitectura Portuguesa tem-se portado melhor do que o país: tem obra no estrangeiro, ganha concursos internacionais e agora junta ao Pritzker de Álvaro Siza, recebido em 1992, o de 2011 para Eduardo Souto Moura… e faço ideia da alegria que os dois mostraram quando se encontraram num abraço de laureados.
Souto Moura, excelente premiado, lembrou, solidariamente, os jovens arquitectos à rasca. À rasca porque não há trabalho e o que há paga-se - quando se paga - tarde e a más horas.
Resta a emigração…
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Estádio de Braga, desenho de Souto Moura |
...abençoado Portugal...
domingo, 27 de março de 2011
Importam-se?
Primeiro pedido: aprendi História de Portugal pela visão do Estado Novo que os apaniguados do sr. Oliveira Salazar definiram em volta da propaganda do sr. António Ferro. Decorei coisas espantosas, cheias de heroicidades, cheias de super e suaves heróis cuja missão era civilizar (definir o bem ao mundo) e fazendo dos outros palermas. Mais tarde estudei eu a História de Portugal e pude perceber a aldrabice em que me tinham forçado a acreditar. Por isso - por conhecer a nossa história - agradeço que não me venham com as mentiras grandiloquentes do heróico passado e da nossa capacidade heróica de isto e heróica daquilo para vender uma qualquer solução da treta. Nas nossas crises vivemos como pudemos, não lhes demos nenhum heróico pontapé e, na sua enorme maioria, recebemos ajudas que nos garantiram algum norte. Sejam sérios – não somos nenhuns superes - e para heroicidades eleiçoeiras já chegam as muitas dificuldades de muitos portugueses. O facto de termos chegado até aqui e de podermos e devermos continuar - parafraseando Medeiros Ferreira - exige a percepção da realidade - a que formámos e a que nos envolve - e a proposta da sua adequada transformação. Não a mistificação e mitificação duma pretensa salvadora glória do passado.
Segundo pedido: agradeço que se mostrem capazes de pôr o cérebro a trabalhar e mostrar um mínimo de pensamento que permita colocar as questões no seu devido contexto e articular soluções capazes e ficazes
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in The Brain |
Terceiro pedido (sendo mais exigência que pedido): façam o favor de tratar as pessoas com respeito – sejam decentes para com os portugueses e não nos tratem como se fossemos um bando de estúpidos imbecis. Agradecemos portanto que acabem com a retórica pretensiosa, interesseira e florentina e se mostrem intelectualmente sérios e respeitosos. Decentes e dignos.
Nota: o espectáculo na Assembleia da República foi deplorável e a Democracia
e o respeito pelos eleitores não merecem isso.
e o respeito pelos eleitores não merecem isso.
quarta-feira, 23 de março de 2011
Retorno do Presidente
O demissionário presidente da Federação Portuguesa de Atletismo, Fernando Mota, aceitou continuar no lugar. Depois do que disse e fez, deveria voltar sem perder a face?
O ponto fundamental é que a maior prejudicada desta estória, Sara Moreira, afirmou - e era a única que o poderia fazer com legitimidade - que Mota deveria continuar no lugar porque a sua demissão não lhe alteraria os prejuízos da situação. Assim aconteceu.
Ficará a decência da tomada de posição de Fernando Mota e a sua demonstração - que se espera deixe memória - de respeito pelo primado dos atletas.
O ponto fundamental é que a maior prejudicada desta estória, Sara Moreira, afirmou - e era a única que o poderia fazer com legitimidade - que Mota deveria continuar no lugar porque a sua demissão não lhe alteraria os prejuízos da situação. Assim aconteceu.
Ficará a decência da tomada de posição de Fernando Mota e a sua demonstração - que se espera deixe memória - de respeito pelo primado dos atletas.
segunda-feira, 21 de março de 2011
quinta-feira, 17 de março de 2011
sexta-feira, 11 de março de 2011
Demissão do Presidente
O presidente da Federação Portuguesa de Atletismo, Fernando Mota, demitiu-se do cargo porque a organização que então dirigia cometeu o erro de inscrever a atleta Sara Moreira em prova errada nos Europeus de Pista Coberta. O erro não é de somenos pois Sara Moreira era tida como potencial candidata a uma das medalhas em disputa, havendo até boas previsões para a medalha de ouro. O facto de prejudicar uma desportista candidata a medalhas, coloca o erro num outro plano.
A troca de provas retirou qualquer possibilidade competitiva real à atleta e pode ter-lhe provocado perdas – de uma possível bolsa oficial a possíveis patrocínios – que se podem designar por lucros cessantes. Quer dizer: não ficou em causa apenas prestígio – o que já tem enorme importância num desportista - mas houve também possíveis prejuízos económicos não negligenciáveis.
Ao demitir-se, Fernando Mota, num gesto de grande dignidade e numa atitude muito rara no meio do dirigismo, colocou na ordem do dia um valor fundamental do desporto: o atleta está em primeiro lugar.
… Dando a devida proporção à atitude.
A troca de provas retirou qualquer possibilidade competitiva real à atleta e pode ter-lhe provocado perdas – de uma possível bolsa oficial a possíveis patrocínios – que se podem designar por lucros cessantes. Quer dizer: não ficou em causa apenas prestígio – o que já tem enorme importância num desportista - mas houve também possíveis prejuízos económicos não negligenciáveis.
Ao demitir-se, Fernando Mota, num gesto de grande dignidade e numa atitude muito rara no meio do dirigismo, colocou na ordem do dia um valor fundamental do desporto: o atleta está em primeiro lugar.
… Dando a devida proporção à atitude.
domingo, 6 de março de 2011
Obras de Siza Monumentos Nacionais
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Casa de Chá da Boa Nova (1958/63) - Leça da Palmeira |
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Piscina das Marés (1961/66) - Leça da Palmeira |
Duas obras de Álvaro Siza à distância de um olhar - a Casa de Chá da Boa Nova (concluída em 1963) e a Piscina das Marés (concluída em 1966), ambas em Leça da Palmeira, Matosinhos - são, desde a semana passada, Monumentos Nacionais. O que é bom e por diversas razões:
Fico muito contente.
- porque são obras de Arquitectura Contemporânea - o que traduz uma abordagem culta do conceito de monumento;
- porque garante que as exigências de manutenção e preservação das obras serão cumpridas, possibilitando assim a sua fruição, tempos fora, em condições dignas;
- porque é sempre muito agradável ver que duas das excelentes obras de um amigo que admiro e por quem tenho profundo respeito pessoal e profissional possam ser consideradas Monumentos Nacionais - traduzindo, para além do mais, demonstração de respeito cultural das suas próprias gentes. O que é significativo.
Créditos Fotográficos: Wikipédia
quinta-feira, 3 de março de 2011
Uma Visão Poética
Vi há dias a curta-metragem de Manuel Oliveira – “Painéis de S. Vicente de Fora, Uma visão poética”. Infelizmente numa cópia em muito mau estado – questões de falta de maquinaria no MNAA – que só permitia ter um visãozita da coisa formal para quem tivesse memória das cores reais da pintura. Percebi a maestria do tratamento – tenho curiosidade para ver uma cópia decente – e também a interpretação que propõe a visão poética. Filmado com câmara fixa e em campo e contracampo, os figurantes são chamados ao lado de cá por S. Vicente e, revendo-se no retrato, ouvem-lhe a explicação textual. O encontro de católicos, judeus e mouros a que se junta, á fidalguia presente, a figura do pobre (designação para a figura do painel da relíquia) representam a capacidade portuguesa do encontro a quem a mão do santo impõe o final da guerra numa visão humanista e pacificadora.
Não sendo aquilo que penso representarem os painéis é uma interpretação – uma visão como lhe prefere o autor – com a qual, mesmo que possa sobrepor desejo à realidade, se pode conviver.
Uns dias depois voltei ao Museu para ouvir a conferência de António Valdemar sobre "Os Painéis: Polémica, Tragédia, Comédia". Estórias divertidas do quase ao murro na Brasileira ao diz-que-disse carregado de mistério, história e os nomes dos que foram dando à excelente pintura todo o mistério que carrega, passaram durante o tempo da conferência. Interessante também a interpretação do conferencista das razões das interpretações sobre o significado do políptico: há, propõe, uma relação directa de cada interpretação, de cada forma de ver e de adjectivar, com os acontecimentos da História do Portugal contemporâneo. À República em 1910, a Sidónio em 1917, ao início da Ditadura em 1925, à exposição do Mundo Português em 1940, ao fim da guerra em 45, à candidatura de Delgado em 58, às Comemorações do Infante D. Henrique de 60, ao 25 de Abril de 74, correspondem propostas e interpretações diversas e adequadas a cada momento histórico.
No final a pedra de choque atirada pelo conferencista sobre o longo mistério da mais excelente pintura do património português: Decorridos 100 anos… o que ficou?
Mistério, dir-se-á.
sábado, 26 de fevereiro de 2011
quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011
Um nojo!
O futebol estava desinteressante, fartei-me do jogo e passeei na televisão, parei na SIC – alguma palavra me terá chamado a atenção... fiquei no programa “ Abuso Sexual de Menores”. Fiquei enojado! revoltado!
Como é possível?! A justiça superior de Portugal – o último reduto da liberdade, da decência, da responsabilidade – mete nojo! e os doutos, na satisfação abusadora dos seus poderes, falam de cátedra e lançam teses. Sem vergonha. Sem coisicima nenhuma que não o luxo da própria importância. Quem é que se lembra de considerar que 9 anos de tortura possam ser considerados atenuantes para o torturador?
O problema dos poderes mais que poder é que nunca detectam a estupidez que atingem. O potencial de uma pessoa estúpida, diz Cipolla, deriva da posição de poder e autoridade que ocupa na sociedade e, sabe-se pela 5ª lei fundamental, que o estúpido é o tipo de pessoa mais perigoso que existe. E é, por isso, muito perigoso deixar que as coisas da justiça continuem como estão. Que sejam um poder mais que poder…
O abuso sexual de crianças é um acto ignóbil. Mais do que um abuso é um crime. De uma cobardia extrema que não merece perdão. Estou indignado! nunca julguei que, quase quarenta anos depois do encontro da cidadania responsável, fosse possível, no meu país, esta farsa de justiça. Não sei como podemos andar na rua de cabeça levantada… porque quando os tribunais diminuem responsabilidades e admitem rebuscar factores de justificação é o Estado que o está a permitir. O meu Estado! E isto é brutal abuso do poder pela estupidez humana. Porque o abuso sexual de crianças é um crime e o meu Estado não pode ser o seu cúmplice.
Estou indignado com a indignação que me fazem viver – e gostei muito pouco de muita da desculpabilização que ouvi.
O que se passa nas questões da justiça relacionadas com o abuso sexual de menores é uma vergonha sem nome. De vómitos! Um nojo!
Como é possível?! A justiça superior de Portugal – o último reduto da liberdade, da decência, da responsabilidade – mete nojo! e os doutos, na satisfação abusadora dos seus poderes, falam de cátedra e lançam teses. Sem vergonha. Sem coisicima nenhuma que não o luxo da própria importância. Quem é que se lembra de considerar que 9 anos de tortura possam ser considerados atenuantes para o torturador?
O problema dos poderes mais que poder é que nunca detectam a estupidez que atingem. O potencial de uma pessoa estúpida, diz Cipolla, deriva da posição de poder e autoridade que ocupa na sociedade e, sabe-se pela 5ª lei fundamental, que o estúpido é o tipo de pessoa mais perigoso que existe. E é, por isso, muito perigoso deixar que as coisas da justiça continuem como estão. Que sejam um poder mais que poder…
O abuso sexual de crianças é um acto ignóbil. Mais do que um abuso é um crime. De uma cobardia extrema que não merece perdão. Estou indignado! nunca julguei que, quase quarenta anos depois do encontro da cidadania responsável, fosse possível, no meu país, esta farsa de justiça. Não sei como podemos andar na rua de cabeça levantada… porque quando os tribunais diminuem responsabilidades e admitem rebuscar factores de justificação é o Estado que o está a permitir. O meu Estado! E isto é brutal abuso do poder pela estupidez humana. Porque o abuso sexual de crianças é um crime e o meu Estado não pode ser o seu cúmplice.
Estou indignado com a indignação que me fazem viver – e gostei muito pouco de muita da desculpabilização que ouvi.
O que se passa nas questões da justiça relacionadas com o abuso sexual de menores é uma vergonha sem nome. De vómitos! Um nojo!
segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011
Assassinos de baleias postos a andar
Os Sea Shepherd mandaram os assassinos de baleias japoneses para casa.
É uma boa vitória mas não permite distrações - desta vez foram-se embora ( a Greenpeace pensa porque os armazéns japoneses estão atolhados de carne de baleia) mas vão voltar na próxima campanha.
A comunidade internacional não pode continuar a enterrar a cabeça na areia. Nós também não.
Contra as 1004 baleias assassinadas no ano anterior (608 na Antártida), esta época só conseguiram liquidar 170. Para justificar a mortandade servem-se dum hipócrita fins científicos - conceito que não difere do utilizado por muitos pulhas da humanidade na tentativa de justificar as suas atrocidades.
A comunidade internacional não pode continuar a enterrar a cabeça na areia. Nós também não.
sábado, 12 de fevereiro de 2011
sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011
Moniz Pereira
Moniz Pereira faz 90 anos. Foi com ele que descobrimos que portugueses podiam ser campeões olímpicos - Carlos Lopes - ou recordistas mundiais - Fernando Mamede. E tudo porque insistiu que a questão estava no treino, porque insistiu que o treino teria que ser trabalho, porque insistiu que os portugueses seriam campeões se tivessem as mesmas disponibilidades horárias que os outros. Porque sabia."o menino deu-me trabalho para ir fazer uma porcaria dessas?!"Que foi nesse instante, recorda, que percebeu a importância de ganhar e que, "só se poderia ganhar com muito trabalho, com muito sacrifício..."
A lição ficou estudada para o resto da vida. Um abraço
Comer ao anoitecer
Os meus gatos, que se irritam com a abstracção das regras dos relógios que marcam o que querem e se desligam do anoitecer, exigiram - com enorme entusiasmo, mesmo com palmas - que citasse neste blogue o seu novo herói, o presidente russo, Dmitri Medvedev. Aqui fica a citação em honra destes dois amigalhaços:
"As pobres vacas, e outros animais domésticos, nada sabem sobre a mudança da hora e não compreendem por que é que tratam deles a uma hora diferente."
quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011
segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011
domingo, 6 de fevereiro de 2011
quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011
Público não se mede privado
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| “Uma secretária é um sítio perigoso para analisar o mundo” John Le Carré foto de telemóvel |
Nada mais fácil do que afirmar, na pompa e circunstância dos acólitos, o fecho das áreas do sector público que, afirma-se, têm prejuízos crónicos. Parecem sempre bem estes aleluias ao sector privado e dão ar de preocupação pelo povo que, dobrado pela obrigação, alimenta esses prejuízos permanentes. Mas nem sempre aquilo que parece é: as actividades do sector público medem-se por outros conceitos que não o proveito e o custo – medem-se pelo serviço que prestam, pelo valor do serviço que prestam e pela qualidade que lhe transmitem. Cito Henry Mintzberg* cuja obra responde pelo peso das suas ideias e que já, no ”Managing Government, Governing Management” publicado na Harvard Business Review de Maio-Junho de 1996, avisava:
E deixo, ainda de Mintzberg, o desafio:“Muitas actividades estão no sector público precisamente por problemas de medição: se tudo fosse assim tão cristalino e cada benefício tão facilmente atribuível, essas actividades há muito que estariam no sector privado.”
“O que se deve medir na Administração Pública: a eficiência da missão.”
E isto nada tem a ver com a redução da medição a lucros e prejuízos. Exige outro nível de visão e percepção.
* Setembro 1939, Montreal, professor universitário, diversos artigos e livros publicados.
terça-feira, 1 de fevereiro de 2011
Saber ajuda
Nem tudo o que se sabe é retirado dos manuais de gestão. E ele sabe.
" Os adeptos são tratados como clientes e consumidores e não como irmãos de sangue [...]."
"Por vezes o mal está onde não se vê."
José Eduardo, segundo A Bola, na apresentação do seu plano para o futebol leonino
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