sábado, 8 de outubro de 2011

Steve Jobs, 1955-2011


"Muitas vezes as pessoas não sabem aquilo que querem até lhes mostrarmos" 
a partir da criação de Jonathan Mak
 Com os i a minha vida, o meu dia-a-dia, ficou mais fácil. Os de muita gente ficaram mais fáceis. O Mundo ficou diferente - e todos acabámos por beneficiar da sua capacidade de inovar e integrar. Pessoalmente, agradeço-lhe o que me tem proporcionado. A sua memória fica connosco, a sua influência marcará o futuro de gerações.

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Conquistas da Nina


A cama que a Nina se arranjou 


















...deixa-se enrolar nas brincadeiras...
 Nina está cada vez melhor e já conquistou o Knight que, com uma paciência de irmão mais velho lhe atura todas as tropelias - que não são poucas...não pára, morde-o, salta por cima dele, dá-lhe patadas e ele na sua superioridade negra deixa enrolar nas brincadeiras, corre corredor fora, mostrando-lhe, volta-não-volta e sempre com uma calma desconcertante, que ele é mais velho e quer respeitinho.São muito engraçados juntos.

Uma acelerada, não tem travões, diz a Ana e quase pede desculpa ao Knight pelo abuso que é obrigá-lo a aturá-la.


...mais velho e quer respeitinho
Quem não acha grande graça a esta agitação é o Percy - o mais velho da casa que, com aquele ar calimério dos momentos graves de não vá o mundo cair-lhe cabeça abaixo, não está interessado em quaisquer negociações. Olha distante, mostra a sua capacidade de bufo, deixa-se ficar ou retira-se com ar de desprezo pelo pingente - e para mostrar o desagrado, grunhe à Ana para, se ela lhe fala carinhosamente, lhe piscar os olhos a seguir. E mostra ao Knight que ele é o principal da casa...

Os dois feitios diferentes do Percy e Knight mostram-se em cada passo da presença da Nina: curioso o Knight, mal ela se afasta, vai ver qual a nova aventura, qual o esconderijo onde ela lhe prepara o assalto; desconfiado e cuidadoso o Percy mostra pretender que não quer proximidades - que está bem mas à distância - nada de abusos...

Assim parece: a Nina está em grande, recuperou totalmente.

Agora é aturar-lhe as brincadeiras... e ouvir os ralhetes que a Ana lhe dá e os miados roucos do Knight a chama-lá.
[fotos da Ana e minhas de telemóvel]   

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

A resiliente ganhou

A Nina parece que recuperou totalmente - aumentou substancialmente de peso e tem uma actividade que roça o hiper. Foi de novo à veterinária que se mostrou muito optimista, achando que é possível começar a apresentá-la ao Percy ao Knight.

E aqui começa a agitação maior. Bufos a definir hierarquias, mostras de domínio territorial. Enfim, gestos a mostrar quem é quem, quem manda. E a Ana, com paciência de Job, vai-os apresentando, trás a Nina na transportadora até à sala e procura que se vejam, tentando sempre garantir que não haverá mal maior. Vai deixando objectos com cheiro dela para habituar. E fala com o Percy - que nem sempre lhe acha graça ao discurso, mostrando-se mesmo irritado - a explicar-lhe que não haverá perda de privilégios. O Knight, menos preocupado, deixa -se levar pela curiosidade e continua a a espreitar a novidade sempre que pode. Depois destas visitas a Nina é trazida de novo para os seus aposentos e o sossego nota-se: o cansaço da descida da adrenalina ganha e dorme num dos seus lugares favoritos - já criou alguns...

A Nina mostra-se cada vez mais viva e atrevida. E muito curiosa. Já se entretém com caçadas a tudo que lhe parece um terrível  inimigo.

Enfim, parece que com a sua notável resiliência, ultrapassou definitivamente o início de vida difícil que teve. Agora é assistir ao crescimento e divertir-mo-nos com as fases de criação de relações com o Percy e o Knight.

O capítulo da dúvida mostra-se encerrado.

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

De novo a Nina

O atento Knight
foto telemóvel jpb
Com o apoio - e o mimo - da Ana e a constante atenção do Knight, a Nina tem-se aguentado na sua recuperação estipulada para trinta dias a antibiótico. Nos dias de bem-estar vive alegremente, salta - e como saltam os gatos (esta minorca salta para cima de objectos com 4/5 vezes o tamanho dela...) - trepa pelo cilindro de cordas onde se equilibra esbracejando por comida.

Ás vezes tem recaídas - aparentes, porque se trata apenas de mudança de comida. Alterada a ração, come alarvemente, pede mais e depois - ao colo da Ana, claro! - arrota como um bébé. E corre, salta, finta, esconde-se... não pára!

Mas continua isolada numa sala e sem poder, até que se saibam mais resultados de análises (um parasita que as pulgas lhe terão deixado, diz-se...) contactar com os outros gatos.

O Percy e o Knight andam naturalmente perturbados - ambos já perceberam a existência da Nina - mas não percebem porque não têm direito aos movimentos de sempre. E a casa tem uma agitação que não é comum  - como se não bastassem as trasmissões directas a desoras do Mundial de Rugby - e que não garante o sossego habitual. O que aumenta preocupações...

Habilidades circenses
foto telemóvel Ana
O Percy mostrou a sua segurança - nada costume - e quando viu a Nina através do vidro, bufou-lhe, deu meia-volta e, de rabo no ar - ufano, mesmo - voltou para a sala, deitou-se e dormiu. O Knight, não - farta-se de aproveitar cada momento para ver a Nina através do vidro da porta e mostra-se muito interessado.

Começa a faltar-nos paciência para manter a quarentena da Nina mas temos que garantir um mínimo de regras de segurança em relação ao Percy e Knight.  Amanhã nova visita ao veterinário para ver o que dizem novas análises - tenho bastante curiosidade em saber a opinião veterinária sobre o seu aspecto. Aparentemente parece curada, aparentemente parece capaz de enfrentar a vida apenas com os nossos cuidados normais. Mas as aparências...

Mas que a meNINA é resiliente, é! E uma querida. E mostra-nos mais uma vez a excelência deste notáveis animais. Uns companheiros - umas vezes tão sossegados e dependentes como outras de uma independência invulgar, muito senhores dos seus bigodes e capazes das maiores e mais notáveis habilidades felinas. E sempre, sempre, alheios a qualquer ordem, mas dando sempre mostras de uma enorme confiança nos seus cuidadores.


Percy a garantir companhia
foto telemóvel jpb










[o Percy dorme todo esticado com parte do corpo em cima do computador onde escrevo - e se o tiro, volta.]  


domingo, 11 de setembro de 2011

Novas da Nina da Ria Formosa

Não tem sido fácil o princípio de vida da pequena Nina da Ria Formosa.

Já tínhamos percebido que a lesão no ombro, deslocado ou mesmo partido, não era mais do que o resultado da selvajaria de ter sido agarrada pela perna e lançada para longe. No dia seguinte à volta do refúgio de Olhão a Nina apareceu com um febrão de 40º - vírus eventualmente apanhado de gatos mais velhos, pensámos - e voltámos à veterinária Sarah. Mais antibiótico, mais injecções. Medicada dormiu aos cuidados da Ana mas de manhã ardia de novo em febre. Comia mal e bebia pouco e a drª Sarah propôs-se ficar com ela durante a noite para a colocar a soro e a monitorizar – ela e o namorado, gente boa, foram-se revezando na vigília. Pelo telefone íamos sabendo das reacções. e de manhã fomos informados que a febre tinha, finalmente, cedido e diminuído. Fomos buscá-la para, em carros diferentes do Percy e Knight, a trazermos para Lisboa.

Rearranjo das coisas cá em casa com a Nina num quarto isolada e as desconfianças dos outros dois que não percebiam a redução do espaço. No entanto a febre da Nina não baixava e continuava a comer pouco. O antibiótico, cuspia-o. Voltámos ao veterinário de quem somos clientes habituais. Mais antibiótico, mais injecções e a Nina, com todo o stress da cena, a cair redonda de sono na marquesa do consultório enquanto se anotavam os conselhos.

Nos momentos em que se sente melhor a Nina é um desassossego: salta, brinca, fala, sobe – com habilidade rara – ao tronco de corda para se equilibrar, em actividade circense, na diminuta plataforma. Aconchega-se no colo da Ana, trepa-a e olha curiosa para todo o lado. Esperta menina. Sempre de enorme simpatia e a mostrar-se agradecida, dá-nos esperança de que haverá de recuperar. Resiliente, a menina. Uma lutadora. Uma sobrevivente. Depois de tudo o que passou, não se abandona.

Nesses momentos a nossa esperança aumenta. Mas depois vem de novo o ciclo do aumento da febre e de não comer. A Ana, nas experiências que vai fazendo, lembrou-se de lhe fazer uma canja: como qualquer miúdo começou por comer a carne do frango e só depois o arroz. E comeu uma pratada. A coisa compunha-se, a Nina melhorava, a febre descia. Mas ainda não era altura para distracções.

Ontem, sábado, estava de novo caída, com o nariz seco, sem querer comer. Fomos ao Hospital Veterinário da Estefânia – durante a noite já tínhamos feito uma consulta telefónica – e passámos lá uma boa parte da tarde (só vi o último quarto-de-hora do Benfica…) – em análises, injecções, mais isto, mais aquilo. A Nina portou-se, apesar de alguns gritos de dor, como um heroína, aguentou com tudo. Ela é, aliás, muito lutadora, não está para desistências, reage sempre e sempre que pode dá nota da vontade de viver – não nos deixa desanimar.

Hoje o dia começou melhor. A Nina estava bem disposta – os remédios para o estômago fizeram o seu trabalho e a anemia detectada começou a diminuir – subia por onde podia e não tinha febre. Conforme combinado voltámos ao Hospital para controlo. Tudo parece estar no caminho da melhoria. A Ana vai-lhe dando todo o ânimo que pode e a pequeNINA gata parece compreender e mostra-se agradecida. É uma querida! E tremenda lutadora. Vai sobreviver.

[Acrescento]

11/9 – ainda hoje, apesar de dez anos depois e do distanciamento que as imagens televisivas permitem, não consigo deixar de ter uma profunda revolta de indignação perante o fanatismo gratuito que provocou a queda das torres e a morte de pessoas alheias às pretensas questões. Nada – religião, política, seja o que for – justifica a estupidez da decisão dos alqueidas.

[Cippolli tem toda a razão quando avisa que um estúpido é muito mais perigoso que um bandido.]

sábado, 3 de setembro de 2011

Aventuras da Nina da Ria Formosa

Nina da Ria Formosa

À saída da praia, no limite da Ria Formosa mais próximo de Manta Rota, ouvimos miados que traduziam uma enorme ansiedade senão mesmo desespero. No meio das plantas aquáticas próximas de um caneiro encontrámos um gatito de poucas semanas de vida. Miando sempre, deixou-se apanhar com facilidade. Esperámos, uma boa meia-hora, pela possibilidade de resposta da mãe enquanto os movimentos do gatinho traduziam uma demonstração evidente de fome.

De resposta, nada. Era óbvio: fora, de acordo com os costumes locais, abandonado – o Percy que trouxemos há anos cá para casa também tinha sido abandonado – mas em local de impossível sobrevivência (se é que não escapou a um afogamento colectivo…). Ele há gentes…etc. e tal é o primeiro pensamento de repúdio e revolta – fazendo-nos esquecer que em parte alguma, escola incluída, existe qualquer preocupação para ensinar os princípios básicos para lidar com os animais que, como cães e gatos, nos são mais próximos. Nomeadamente no que diz respeito a cuidados elementares e necessidades de esterilizações… e assim nascem aos magotes com os resultados que se conhecem de abandonos, mortes por afogamento, transmissão de doenças, etc., etc.
Com uma caixa improvisada com coisas que sempre há nas malas de um carro em tempo de férias, resolvemos trazê-lo connosco – com dois gatarrões em casa a sua colocação não iria ser fácil… mas haveríamos de encontrar solução.















Meia-dúzia de telefonemas depois, a Ana conseguiu estabelecer uma rede que nos levou até à presidente de uma associação de defesa dos direitos dos animais em Tavira que nos indicou um abrigo de Olhão pertencente à ADAPO e capaz de o receber. Achamos melhor consultar um veterinário e deram-nos o contacto de uma veterinária irlandesa – dr.ª Sarah – que vive na área do Vale da Asseca. Novo telefonema e apareceu, sem qualquer problema, de imediato: eram dez da noite.

E foi então que percebemos que o gatinho era uma gata!

A drª Sarah em acção














Depois de algumas injecções, de tentar perceber o que poderia impedi-la de mexer bem uma pata, conseguimos instalá-la. Estava morta de fome, comeu tudo o que lhe demos e foi alimentada de quatro em quatro horas.

Conforme o combinado fomos, no dia seguinte, levá-la à associação de Olhão onde ficaria até aparecer alguém que a adoptasse. A viagem correu bem e, percebi, a ligação com a Ana era cada vez maior. Não sem alguma tristeza, deixámo-la na associação, deixando também o seu nome: Nina da Ria Formosa. E a esperança que a sua resiliência lhe permitisse a adaptação necessária à sobrevivência no meio de uma trintena de gatos, todos eles, comparativamente, enormes.

A Ana estava inconformada. Apesar da boa vontade evidente – por tão pequenina a coordenadora do abrigo levou-a para sua casa nessa noite - da preocupação em garantir meios de sobrevivência aos gatos, o local estava sobrelotado para a dimensão das instalações. Passou o resto do dia a fazer telefonemas, procurando entre amigos e conhecidos quem poderia ficar com a Nina. Encontrada guarida, voltámos a Olhão para a buscar.

Na volta, novo encontro e nova consulta com a dr.ª Sarah – só fala inglês (por enquanto diz ela). Detectado um surto de febre, mais injecções e mais pastilhas, melhor conhecimento da lesão na pata e aí está a Nina, de novo instalada em melhores condições, à espera que a levemos para Lisboa enquanto que o Percy e o Knight se mostram desconfiados com algum esquecimento a que ficaram sujeitos nestes três dias.

Nota: Numa ironia sobre impossibilidades, Desmond Morris deu como exemplo a improvável (ou até ridícula) relação gatos/jogadores de rugby. Claramente Morris não sabe nada de rugby e não terá grandes conhecimentos sobre estes felinos da nossa proximidade.
fotos jpb de telemóvel




domingo, 28 de agosto de 2011

Coisas de verão

Constatação
em Portugal não há ricos
Evidências
ir à praia sem dar um mergulho no mar é desperdíçar tempo
         corolário
se não é para dar um mergulho não se vai à praia
Certezas
pode-se olhar para o mar com qualquer tempo

sábado, 13 de agosto de 2011

Melros satisfeitos

Pelo ar com que os meus gatos estão a ir à varanda – majestáticos, cauda no ar, olhar a disfarçar intenções – percebi logo que alguma coisa tinha mudado. Os melros do logradouro do meu quarteirão andam satisfeitos da vida, cantam mais e chamam-se mais vezes. Sabedores de que já não podem mais ser caçados – eles e os meus gatos sabem bem, uns e outros, que o ar de caçadores e caçados não passa, entre eles, de um faz-de-conta para manter aparências: ninguém caçará ninguém – uns porque não voam, outros porque têm o cuidado de pousar a boa distância de segurança – os melros, agora passados à categoria de ex-condenados à morte, mostram-nos a sua satisfação.

Como sócio da SPEA lembro e agradeço o excelente trabalho que a Sociedade fez na denúncia da prepotente estupidez de permitir a abertura da caça aos melros (ver o que então escrevi) e – tenho obrigação disso – agradeço também ao actual Secretário de Estado, Daniel Campelo, a inteligência de os (nos) ter ouvido.

Nota: o uso do possessivo é um mero costume de linguagem. Dos gatos, a Ana e eu, somos apenas cuidadores como temos definido nos Bilhete de Identificação de Gato de Estimação de cada um deles; do quarteirão somos algumas dezenas – no mínimo – que desfrutamos da vista e gozamos do canto dos melros também residentes.

domingo, 31 de julho de 2011

Rico mais rico

A minoria dos portugueses mais ricos ficou, de acordo com o que podemos ler e ouvir na comunicação social, ainda mais rico, numa demonstração prática da Lei de Pareto - vinte por cento ficam com tudo e oitenta por cento pagam-no. E assim será sempre se não forem encontradas formas de regulação eficientes e que possam encontrar outra aplicação de Pareto que garanta a descoberta de vinte por cento de coisas que possam impôr uma distribuição de riqueza mais equitativa.

Porque, pelo caminho desta coisa dos ricos continuarem cada vez mais ricos, só há uma certeza: nós ficaremos cada vez pior e com pobres cada vez mais pobres. Assim reza a lei do equilíbrio da crise: todos mais pobres e ricos muito mais ricos. E a tese de Pareto, por optimista, desfaz-se numa proporção de cauda cada vez mais longa.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Arquitecturas

irmãos Aires Mateus, Centro de Artes de Sines

domingo, 24 de julho de 2011

A solidariedade é não permitir

A extrema-direita é extrema-direita! É violência, intolerância, racismo, imposição, liquidação de direitos e valores civilizacionais e tudo o mais que a História nos ensina.

Julgar que existe essa coisa de extrema direita mais pacífica ou mais política é, ignorando as lições da História, ignorar a sua génese - o porquê da sua existência - e deixar-se ficar pela ingenuidade de julgar impossível aquilo que nunca seríamos capazes. A distracção sobre a extrema-direita e seus derivados tem consequências graves. Muito graves. A democracia, os valores humanistas que nos formam e a memória da História que nos construiu, não podem dar-se a esse luxo. Porque acordar tarde de mais pode ser muito perigoso.

A única solidariedade possível com os noruegueses assassinados - neste momento de expressão de todas as mágoas - é garantir que a nossa Europa não permitirá qualquer outra repetição. Em nenhuma circunstância.

O ovo da Serpente

 ASleisSÃOtãoCOMPLEXASqueSÃOoOVOdaSERPENTE
Paulo Morais

Ou seja e como é óbvio: se pretendemos alterar alguma coisa neste país – nomeadamente se pretendemos combater a corrupção - é obrigatório começar por alterar as leis e o seu emaranhado.

sexta-feira, 22 de julho de 2011

leisLeisleis

Produção Legislativa em Portugal é "terceiro mundista".

A frase fez título do Jornal de Negócios que se baseia no conceito citado de um especialista em direito administrativo.

E se assim é definida por um especialista a produção das leis com que vivemos, vejam bem como se sentirá o comum dos cidadãos quando tem de se confrontar profissionalmente com este emaranhado... eu torço-me!

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Primeira medalha olímpica Londres 2012

O José Carlos Cruz e o filho António – meu sobrinho – ganharam, juntamente com a Inês Guedes e o Miguel Santos, o concurso internacional de ideias para um Posto de Informação dos Jogos Olímpicos de Londres de 2012 na Trafalgar Square.

Partindo do conceito dos anéis olímpicos tiraram partido da diferença dos planos da praça para com uma ligeira inclinação mostrar as cinco cores – cada uma representa um continente - e estabelecer, com subtileza, o clima concordante com o fim em vista. Um excelente ponto de partida para relacionar a escala dos espaços circulares protegidos – será uma construção efémera – com a marcante escala envolvente. Fazendo-se notar sem interferir.

A fusão espacial conseguida com o recurso ao aço polido que constrói os elementos circulares confunde o aqui e o ali num ambiente que – dada a festa olímpica – se pretende feérico mas, como todo o domínio british classic que se preza, sem perder a compostura. Muito interessante, inteligente e culto e mais uma vez a demonstração do excelente nível internacional da arquitectura portuguesa.

[não resisto: há dias fui jantar ao restaurante Darwin na Fundação Champalimaud e de novo dei por mim a pensar: com a qualidade da arquitectura portuguesa qual a necessidade de procurar um estrangeiro que, nada mostrando compreender do espírito do lugar, parece aí ter colocado um edifício que tinha outro local por destino?…]

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Sanfermines

Nos encierros de San Fermín os Miura correm sempre ao domingo: porque são nobres e há muita gente – cerca de 3500 para oitocentos metros de corrida entre o curral de Santo Domingo e a Monumental de Pamplona.
Durante uma semana todos os dias às locais 7 da manhã estala o foguete e os seis touros lançam-se na corrida acompanhados pelos mansos que os enquadram. Na frente, ao lado, atrás, os corredores – gente de todas as idades e de ambos os sexos que quer experimentar a sensação de correr à frente de um touro. Tem consciência que pode morrer? é a pergunta dos panfletos que distribuem por toda a cidade – e podem. Mas as calles estão cheias, tão cheias nalguns dias que não se percebe como correm sem ver os touros, escondidos atrás da mole de gente aos encontrões para fugir às pontas das hastes.

À medida que as ruas se vão enchendo e que as guardianas – mãe e filha que durante o ano têm a figura do santo no vestíbulo de sua casa – colocam a estátua no nicho tradicional da cuesta de Santo Domingo, uma tranquila tensão marca o tempo dos três cânticos que lhe pedem protecção.

Há, na suspensão do tempo, um misto de loucura e fé, de crença, em cada manhã da feira. E a crescente tensão, de tão tranquila parece não deixar outra hipótese que não seja a obrigação de estar ali e esperar que a sorte das coisas nos proteja – que Deus nos guarde parecem traduzir os mais conhecedores. Os outros, capazes de todo o disparate, alienados no ambiente envolvente, nem percebem que precisam de protecção – San Fermín, sem olhar a quem, distribui passes do seu capotino permitindo as tangentes milimétricas num toureio miraculoso.

Nem se compreende como não há mais feridos, mortes até: são encontrões na procura dos huecos – intervalos entre as cabeças dos touros - quedas em montóns, pisotóns, cornadas, numa corrida espectacular, de grande emoción, com as velocidades garantidas pela equipa de pastores – o recorde 2011 foi de 2 minutos e onze segundos de curral a curral para toda a manada – e que não permite distracções: De mozos (as) a touros. Durante a corrida é o silêncio dos comentadores televisivos, o silêncio dos momentos graves com os mozos corredores, no centro da rua, a safarem, porque se fazem à atenção dos touros, os que, cozidos às paredes, nem sonham o alvo que podem ser.

Mas há quem saiba muito, correndo na frente dos touros, adequando a velocidade, usando o jornal para controlar, saindo no tempo de deixar o percurso a outro – qué bién, ouve-se - fazendo corridas que vão durar nas memórias.

No final, a televisão dá a estatística dos feridos – o quê e onde. Antes da largada apresentam-nos as estatísticas das outras passagens do ferro por Pamplona: melhor e pior tempo, média de cornadas e de feridos por corrida. E claro, pesos e nomes de cada touro. Tudo organizado num suporte dedicado e orgulhoso das suas festas de San Fermín.

Em Pamplona toda a organização se subordina à menorização do risco. Há regras a cumprir e truques de segurança – nem o lenço nem a cinta devem ser presos de tal maneira que um corno possa prender e arrastar o corredor. As festas de Pamplona têm um rigoroso ritual, tudo tem uma ordem e um protocolo: os vereadores municipais fazem o percurso a garantir que tudo está conforme; polícias municipais impõem a ordem da ocupação dos espaços já limpos pelas equipas de serviço da sujidade dos delírios nocturnos; no hospital tudo está a postos para receber feridos que fazem a primeira triagem na própria rua ou nos diversos postos espalhados ao longo do percurso. Os fotógrafos ocupam, com máquinas a disparar por controlo remoto, os lugares – com a curva Mercaderes à frente - que garantam as fotografias que vão viajar pelo mundo a mostrar a diferença deste espaço de risco gratuito mas de festa. De enorme festa!

Nas casas com varandas os alugadores tomam o pequeno-almoço com os moradores e veem o encierro na privilegiada posição de se assustarem apenas com o perigo dos outros.

O vermelho domina sobre o branco da vestimenta tradicional – embora haja camisolas de clubes de futebol ou rugby – e o espírito de Hemingway tem presença permanente.

Menos grave do que se esperava é o alívio final de cada encierro. Durante uma semana Pamplona não dorme nem descansa, vive. E despede-se num mar vermelho a encher a praça do Município e a cantar Pobre de mí, pobre de mí, que se han acabado las fiestas de San Fermín. Na certeza que Ya falta menos.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Do murro

O literal murro no estômago só pode vir de um amigo: porque nos pusemos a jeito, porque o deixámos chegar próximo.

A minha avó, galesa, celta a quem a cultura anglo-saxónica deu um enorme pragmatismo, disse-nos um dia: never trust a friend. No chocado Ó avó… ainda não tínhamos percebido que apenas nos ensinava a vida. Que o perigo vem sempre dos traidores em quem confiámos.

Hoje e por aí, parece que houve quem acordasse para esta realidade (foram surpreendidos pelos amigos… queriam ser próximos, puseram-se a jeito e na troca … pum!). Porque é assim:

as gentes dos interesses não se prendem com amigos

Fora do Tempo: há Amigos, mas são outra coisa: procuram-se de candeia.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Saber dizer

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Lixo?!

domingo, 3 de julho de 2011

Os trabalhos do Gonçalo Byrne

Ouvi o Gonçalo Byrne na conferência da Fundação Arpad Szenes-Vieira da Silva integrada no ciclo Do Conceito à Obra - uma organização da Estratégia Urbana sob a batuta do Nuno Sampaio.

Foi muito interessante e uma excelente lição sobre aquilo que eu entendo – ou seja: no significado que lhe dou – por espírito do lugar: sistema complexo de ligação de elementos tangíveis e intangíveis de um local e que admite e impõe a interpretação pessoal qualificada (dois arquitectos diferentes interpretam e desenham de forma diferente o mesmo programa para um mesmo local). Como exemplo a valer a conferência, o recente trabalho para o espaço mágico, misterioso e pousado na água de Veneza.

Aí, Byrne foi descobrir – num processo cultural de grande perspicácia analítica – uma síntese notavelmente contemporânea – lembrei-me da frase já aqui citada do italiano Francesco Dal Co a propósito da intervenção de Souto Moura em Portalegre - de elementos localmente relacionáveis pela vida quotidiana veneziana.

Pela primeira vez há a possibilidade de existir um edifício em Veneza sem o cumprimento regulamentar de telha na cobertura – porque a cobertura torna-se num espaço de passeio, num jardim, com jogos de terraços para deixar deslizar o olhar sobre o híbrido jogo dos telhados venezianos, permitindo fazer descobrir ao visitante aquilo que é previlégio particular dos iniciados.

Corto Maltese nas telhas de Veneza - Hugo Pratt
Disse-lhe no fim: Hugo Pratt iria gostar e deixaria Corto Maltese – como já o havia feito telhas fora - passear nesses teus jardins entre o suspenso e o suportado e a percorrerem o espírito dos espaços de ligação que articulam os acessos nos interiores dos edifícios.

Que esta arquitectura ganhe o edifício.

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Nós também...

Alexandre Quintanilha
Nós também...

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