quinta-feira, 25 de julho de 2013

Florista


Florista, S.Mamede, Lisboa, foto em iPhone

quarta-feira, 24 de julho de 2013

A las cinco de la tarde


terça-feira, 23 de julho de 2013

Acabou o 100º Tour de France

Desenhado com dedo em iPad

E agora, acabado o Tour, que posso eu fazer nas tardes de calor? perguntava um telespectador no último dia aos comentadores da Eurosport. Durante três semanas a melhor prova de ciclismo do mundo - essa modalidade que teimam em chamar individual mas que só vive com o colectivo das equipas - mostrou-nos a capacidade de superação destes forçados da estrada, chamando a atenção para o nível de treino necessário à realização da prova. Para os mais cépticos, a conferência de imprensa pós-prova de Froome é elucidativa sobre o seu trabalho e da sua equipa - a SKY - de preparação para a boa prestação na prova - no ano passado o vencedor foi um dos seus, Wiggins, com Froome em segundo - lembrando que o passaporte biológico e os diversos exames antidopagem, para além da possibilidade de guardar os líquidos orgânicos durante os próximos anos, são a garantia necessária da sua "limpeza" e por isso terá, ainda no podium e com convicção, afirmado: eis uma amarela que resistirá à passagem do tempo. Espero bem que assim seja porque quero guardar, sem qualquer azedume, as memórias do que vi.

Para além de todo o fantástico domínio de Froome e das duas vitórias - de se lhe tirar o chapéu - de Rui Costa, ver o Tour pela transmissão televisiva é deliciarmo-nos com magnificas paisagens rurais ou urbanas - há vistas aéreas urbanas soberbas - a que se acrescentam instalações, feitas com os materiais mais inesperados e algumas delas de notável criatividade, comemorativas do centenário e localizados num qualquer espaço livre a que os helicópteros de serviço não deixavam de chamar a atenção.

Nas montanhas, o esforço mata-nos, nas planícies o deslizar cansa-nos, nas descidas - houve quem atingisse 100 quilómetros à hora - a velocidade assusta-nos. O Tour de France é uma das mais interessantes provas desportivas mundiais.

segunda-feira, 22 de julho de 2013

Conclusão após 21 dias

Melhor valera estar quedo
da sabedoria secular

sexta-feira, 19 de julho de 2013

San Fermines 2013



Capote de S.Fermín
Fotos tiradas da Internet
 Os encierros das festas de S. Fermín em Pamplona são um espectáculo que tento não perder, manhã cedo, nas excelentes transmissões directas da TVE. Nas ruas do casco histórico da cidade milhares de pessoas - cada vez mais mulheres - correm com touros e cabresto num percurso tradicional que os leva até aos curros da praça onde serão corridos à tarde. O objectivo não é correr por correr, é correr à frente e na cara do touro e há quem o faça de forma soberba - ao fim de anos a ver já reconheço os históricos - e é notável a forma como, no meio de toda aquela confusão onde não são poucos os que só atrapalham, conseguem manter a frieza e, com um toque de jornal ou de mão nas hastes, conseguem impedir cornadas nos que se deixaram encurralar. E não deixa de admirar, dadas as circunstâncias, o escasso números de feridos que, ao fim e ao cabo, acontecem. Magia do capote de San Fermín, dizem - e, bem vistas as coisas, deve ser verdade. Para isso os três pedidos iniciais e diários de protecção...
O que os touros podem vir a fazer é incontrolável, a reacção dos corredores menos experimentados também, o que nem sempre dá bom resultado. Mas faz parte.
O que já não faz parte é o erro daquilo que é controlável. E foi o que aconteceu no dia 13 de Julho. Por estúpida subserviência  - para deixar entrar uns "policias forales" para a trincheira como se fazia há vinte anos - uma porta foi demasiado e desnecessariamente aberta num espaço de quase dois lado a lado e acabou por tapar metade do espaço de entrada na praça, provocando assim um montón. Corredores a aumentar o monte, abafando os primeiros caídos e - para receio geral - com os touros a chegar e a encontrar, na sua frente, um tampão humano que não os deixavam continuar para a arena. 
Sorte, sorte foi que os touros bateram e ficaram e os cabrestos não tentaram trepar pelo monte humano acima. E alí se ficou, com a cobertura do capote do santo, até que a inteligência voltou: os touros foram levados por dentro da trincheira para entrar na arena um-quarto de volta depois.
Momentos de enorme ansiedade, momentos de pânico de quem tinha que suportar toneladas de peso em cima, momentos de pavor para muitos que viam e nada podiam fazer. O capote de S. Fermín limitou o número de feridos - um apenas com séria gravidade - a vinte e três, a maioria ligeiros. Uma sorte, um alívio.
Na sua tese, Cipolla tinha toda a razão: a estupidez tem péssimas consequências. Mas porque o capote não estará sempre atento - o diabo tece-as - aquelas portas nunca mais se abrirão: ordem definitiva do consejal. 
Mais vale tarde que nunca, diz-se.

sábado, 13 de julho de 2013

Maioral

Nas Galerias da Assembleia da República a malta gritava "Demissão!".

A senhora da Assembleia, qual dona, qual maioral, e num faz-de-conta de boa educação, berrou-lhes: "Façam o favor de se retirar!". Berrou de novo: "Façam o favor de se retirar!". E insistiu berrando outra vez: "Façam o favor de sair!"

Saída a malta, teorizou sobre o medo como se tivesses estado sob imenso perigo e citou a despropósito Simone de Beauvoir: "Não podemos deixar que os nossos carrascos nos criem maus costumes". Carrascos?! Maus costumes?! Ou desnorte de arrependimento pelos berros e do querer, posso e mando desajustado? Nem por isso, não terá sido isso, porque, muito senhora do seu nariz, concluiu que haveria que tomar providências para alterar futuras possibilidades de acesso às Galerias.

Depois do recente discurso do Presidente e desta inútil expressão de autoritarismo da Segunda Figura, a memória trouxe-me a Alexandra Alfa do José Cardoso Pires: "Isto não é um país. É um sítio... e mal frequentado".

Por isso anda tão torto...

quinta-feira, 11 de julho de 2013

Plano A

"Espelho, espelho meu, diz-me se há salvador nacional melhor do que eu?" e o espelho respondeu-lhe com o reflexo de um sorriso de leve satisfação. O homem saiu corredores fora a repetir: "Este é o Plano A! O Plano A!! Vou dar uma lição, uma estalada mesmo, a esse aprendiz e ao pretencioso do outro. Vou passar-lhes uma certidão de óbito disfarçada de alto patrocínio. E tudo vai melhorar para mim: os portugueses que me elegeram e que me andam a fugir, vão perceber que o único salvador sou eu. Que sou o único político que os pode salvar!"

"Coxo?! O Plano A?" interrogou-se quando o espelho lhe chamou a atenção num prolongado psssst. Se o B trata, com o tempo necessário a lição de cura, de despachá-los para eleições, de os colocar a prazo e que se desenrasquem, o que faltará para que o Plano A seja um sucesso, perguntou-se então: "Entalar o PS? Mas não tenho feito outra coisa com a mãozinha que tenho dado ao Governo e os discursos em que lhes arreio forte e feio...que poderei fazer mais?"

Como é sabido, passeios de corredor são sempre bons conselheiros. Rodou, fez a esquina e ouviu-se: "Vou entalá-los...vou exigir-lhes a participação na solução, exigir-lhes um compromisso com os outros... e deixar o resto da esquerda de fora. Para os entalar mais... vão ver os apoiantes a pirarem. Vão ficar à rasca, não vão conseguir explicar aos eleitores porque não participam. Vão perder o pio. E no fim vão ter que ir a eleições..." elaborou quase a rir.

"Estão feitos! Todos!" e até uma gargalhada caiu no reposteiro de disfarce da porta, "Os três nunca mais se vão entender, não vai haver compromisso nenhum, não haverá acordo e eu vou criar um governo de minha incidência que governará acima desta maltosa e que me tratará com o respeito devido. E terá o apoio da troika que me verá como grande salvador dos interesses dos credores e com o apoio dos portugueses que me julgarão o metedor-na-ordem-mor dos líderes dos partidos."

"Sou genialmente o salvador, vou subir na popularidade, vou ficar em grande. Em palmas!"

terça-feira, 9 de julho de 2013

Decência

Leio numa edição do jornal Público e junto aos qualificados de recortes da gaveta que o senhor Ministro da Presidência, Luís Marques Guedes, com certeza com a pomposidade requerida na circunstância do cenário do Poder, declarou, para que, boquiabertos e reconhecidos perante quem sabe, o seguissemos: "O que se exige é responsabilidade para preservação e defesa da estabilidade política."

Acontece, Excelência, que não é nada disso que precisamos, queremos ou exigimos. Saiba Sua Excelência que aquilo que precisamos se diz decência. O que exigimos é DECÊNCIA! Decência apenas, sem palavras de libra, sem efeitos para a plateia. Sem disfarces grandiloquentes. O que exigimos dos políticos não é a responsabilidade pela segurança da sua estabilidade é a responsabilidade empenhada na resolução séria, adequada e eficiente dos problemas que dizem respeito à totalidade dos portugueses de uma forma equitativa, equilibrada e socialmente justa. Como manda a responsabilidade de prestação de serviço público!

Excelência: a estabilidade política é óptima para quem tem - assim, no mínimo, mantém. Mas não para quem viu a sua qualidade de vida e as suas perspectivas de um futuro aceitável desaparecerem. 

Excelência: eleições, numa democracia, não são factor de instabilidade: são eleições!

domingo, 7 de julho de 2013

Sacrossanto Mercado

Um senhor, aparentemente russo e provável habitante do Mónaco, que assina Russian Market e escreve numa rede social que Portugal isto mais aquilo, desastroso para aqui, Gaspar para um lado, Portas para o outro, Albuquerque qualquer coisa, Coelho em tudo.

Enfim, escreveu o que lhe deu na cabeça com a irresponsabilidade do meio e do nulo conhecimento sobre o nosso jardim (ao que parece não terá grandes conhecimentos sobre nenhuns outros...). Acha apenas que não lhe dá jeito - vulgo segurança - comprar português. E que faz o sacrossanto Mercado, esse deus de adoração e preferência dos financeiramente privilegiados, perante tal demonstração de sagacidade? Reage à tontice e mostra-se prejudicial a Portugal. 

Ou seja: essa coisa denominada Mercado que se sobrepõe - por vontade de alguns - às pessoas e à sua vida e, bastas vezes, aos seus direitos, é dominada por coisa nenhuma que tenha um mínimo de racionalidade. Estamos assim no domínio de algo pior do que a sorte e azar de casino, ficando sujeitos à perigosíssima dependênca de uma qualquer estupidez. E os senhorecos vêm falar-me dos Mercados como se fossem coisa séria, fiável e confiável. Com regras. 

Mostrando, apenas e no fundo, que não querem que aprendamos nada com a crise que vivemos e que não reconheçamos o faz-de-conta que representam. Para que o saque, no seu espaço de multiplicação dos pães, continue a ter espaço de ampliação. Tornando muito mais ricos os ricos e mais pobres todos os outros.

Regulação diz-vos alguma coisa ou vamos continuar nas mãos do interesse colector do neo-liberalismo?

Infelizmente, toda esta manipulação de mãos invisíveis tresanda a obediênca estúpida. Gaspar demitiu-se declarando a política prosseguida - por ele próprio - como errada e Coelho como líder incapaz. Portas demitiu-se irrevogavelmente para levar uma sova do partido e voltar rapidinho por troca com rebuçados. O Presidente da República, dizendo mesmo nada a qualquer costume, pretende que julguemos que deu dois puxões de orelhas e meteu os meninos na ordem.

Cipolla tem a razão toda na tese (ver aqui) que defende: existem muito mais estúpidos do que possamos imaginar e são muito mais perigosos do que quaisquer outros. O quod erat demonstrandum está à vista.

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Cidadãos-Arquitectos exemplares

Neste momento de irresponsável jogo de sombras donde, com a permanente falta de comparência do Presidente da República, não prevejo nada de bom - ou de melhoria - para o povo português, o Governo da República fez uma coisa decente: atribuiu aos arquitectos Nuno Teotónio Pereira, Alcino Soutinho e Nuno Portas a Medalha de Mérito Cultural.

Ordem dos Arquitectos, Sala Nuno Teotónio Pereira, foto em iPhone
Homenagem mais do que merecida, na Ordem dos Arquitectos e no dia em que se celebra o aniversário do Estatuto da Ordem dos Arquitectos, a cidadãos-arquitectos que se tornaram exemplos de cidadania e entrega profissional empenhada. Não de hoje mas desde os tempos em a vida não tinha este sopro de ligeireza irresponsável.

Na cerimónia que se traduziu nalguma emoção para quem estava presente e depois de termos ouvido, após a entrega das medalhas e respectivos diplomas, palavras marcantes de Portas e Soutinho, aconteceu o momento porventura mais marcante da cerimónia: a alma republicana de Teotónio Pereira - cego e de cadeira de rodas - impeliu-o a levantar-se e receber de pé a medalha e, ainda de pé, a dirigir-nos algumas palavras com as quais nos quis transmitir a vontade de divisão da sua distinção com quantos com ele tinham trabalhado. Dos mais conhecidos aos mais humildes como referiu. A plateia respondeu com as armas que tinha: com uma ovação de pé!

Ter tido a possibilidade de os ouvir ou ler por diversas vezes, de os conhecer, de, mais do que uma vez, ter tido oportunidade de com qualquer deles conversar sobre razões profissionais, políticas ou culturais foi para mim um enorme previlégio. Com eles aprendi sobre a profissão e sobre a cidadania. 

Qualquer deles influenciou de forma memorável a Arquitectura e a Cidadania Portuguesa. Agraciá-los foi um acto de nobreza do Governo.

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Dará a perdigota com a bota?

"Isto são crimes políticos para salvar o capital financeiro e o sistema bancário",                        Manuel Alegre in SIC Notícias, 26/06/2013, sobre a situação política.

Desenhado a ponta de dedo em iPad

Nunca gostei do falar afectado do homem, do seu uso do Exel, do estilo espertinho que sempre demonstrou. Demitiu-se depois de deixar boa parte da agenda que o motivou - a venda a retalho do país - realizada. E por isso é aplaudido pelos que ganham - esse mundo cujas perspectivas detesto - com a desgraça dos portugueses. Portugueses para quem não acertou uma!  Conversados portanto em termos de competências ou capacidades. Ou da visão de sebenta sobre a realidade. Pronto: o senhor vai-se embora e o senhor primeiro-ministro não tem melhor escolha do que a segunda do mesmo. Como resultado demite-se o chefe do principal partido da coligação porque, pelos vistos e confissão, estava reduzido a papel de embrulho...

"Não me demito!!" diz no trocatintismo da sua inépcia política o senhor primeiro-ministro a olhar-se como herói de banda desenhada embora de pacotilha. E vê mais uns quantos ministros do partido coligado a demitirem-se, partindo. Excelente capacidade de liderança!...

Capacidade de liderança também foi o que não mostrou o senhor Presidente da República. Deram-lhe um poder e ele, a cada dia que passa, faz-se de conta e dá lições públicas de organização política.

Neste escandalo de jogos de escondidas onde os portugueses - as PESSOAS! - nada contam ou são tidos em atenção, este Governo que - como do próprio os próprios disseram - gosta mais de uns portugueses do que de outros, está de malas aviadas. Veremos como o senhor Presidente da República, por quem os portugueses já perderam, por inação própria, muito da consideração devida e da esperança desejada, descalçará a bota.

sexta-feira, 28 de junho de 2013

Alfama nos Santos Populares


Desenhado a dedo em iPhone à espera do serviço encomendado há horas...

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Michelle Larcher de Brito

A Michelle Larcher de Brito - julgo ser assim que gosta de ser conhecida - está de parabéns depois da notável vitória conseguida (6/3-6/4) sobre a terceira tenista do ranking mundial, a campioníssima Maria Sharapova. É um resultado fabuloso, o melhor resultado do ténis português - quem é que já derrotou um nº3 Mundial?

E o jogo foi muito bom - não se pense que a Sharapova estava distraída - com a Michelle a jogar ao ataque, sem medo, correndo os riscos que quem tem pretensões desportivas, tem que correr. E as acelerações e mudanças de angulo fizeram-me, muitas vezes, querer ajudar na frente da televisão. Um jogo e pêras! Com uma elevada percentagem de primeiros-serviços, a confiança foi ganhando corpo e a diferença de 23 centímetros entre as duas jogadoras deixou de existir na relva de Wimbledon. Uma vitória sobre a nº3 Mundial em Wimbledon? Não será esquecível. Parabéns!

E fiquei com a ideia que acabou a menina e teremos agora uma senhora tenista.

sexta-feira, 21 de junho de 2013

Árvores de Tejo ao fundo

Árvores com Tejo ao fundo, Ribeira das Naus, Lisboa. Foto iPhone

sábado, 15 de junho de 2013

Sé de Lisboa


Sé de Lisboa em noite de Santo António por A Barraca, foto em iPhone

domingo, 2 de junho de 2013

Tirem-me deste filme!


Foto em iPhone, Lisboa, 1 de Junho de 2013, jpb

Também quero sair! O realizador - a Troika - é mau; os Directores - a Tríade de Passos, Gaspar e Moedas - na Direcção de Actores, no Guarda-Roupa, no Casting, no que seja, mostram-se incompetentes, meros seguidores e longe de qualquer capacidade criativa. O filme vai acabar mal com custos elevados e sem que fique seja quem for para o ver... O melhor é não o deixar acabar.

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Do Benfica

Do Benfica, não sei que dizer. Há meia-dúzia de dias no Dragão deitaram fora a vantagem que tinham num erro de principiantes a ignorar a experiência e enorme evidência do conceito: quem joga para o empate, perde!

Para mais, com um golo primeiro mais a apetência lhes deu e em vez do, pelo sim, pelo não, princípio do estás é mal enterrado, seguiram o caminho fácil de segurar o resultado. E como quem não arrisca, não petisca, perderam. Azar dissemos na sorte de um remate que saiu na lotaria. Pois, mas fomos nós que não soubemos, marcando, colocar-mo-nos nos abrigos do acaso.

Já na jornada anterior me tinham obrigado a sintetizar num a determinação é a alma dos campeões as razões de uma perda desleixada de pontos. Azar, havia sempre um que aparecia a cortar a trajectória da bola - claro, fazendo o que deviam e nós, lentos, a deixá-los chegar...

Ontem foi mais do mesmo: deitar fora o que estava à vista da vitória. 

Os ingleses quando inventaram - melhor, organizaram - o futebol foram claros na definição dos objectivos do jogo e usaram a palavra goal - objectivo -  para ilustrar a bola dentro da baliza. Ou seja, definindo aquilo que importa. Os brasileiros perceberam depressa, mesmo se dados a recorrer ao samba da bola corrida, de que jogo se tratava: futebol é "minina" no barbante. Golo, dizemos nós sem lhe perceber mais do que o gozo. 

Pouco importa se jogámos mais - quais são os indicadores? porque medida comparamos? - se isto se aquilo, se mais posse de bola, se mais remates fora do rectângulo, se, objectivamente, ao marcar menos golos do que o adversário, perdemos. Mas jogámos bem, não merecíamos. 'Tá bem, abelha...e não consigo perceber a postura de espera por um prolongamento de que não teríamos vantagem evidente.

Em Amsterdam tivemos tudo para ganhar excepto a tal determinação que faz os campeões. E por isso não marcámos os golos que estavam ali a pé de semear. Porque não tivemos a determinação que, no momento da decisão, nos retirasse o medo de falhar e nos atirasse para o remate. Em jogos de nível elevado, raras vezes se perde por azar - perde-se porque não faz o devido e porque se deixa que o adversário o faça. Perde-se porque, no que conta, fomos inferiores. Porque, mesmo marcando, não fizemos o necessário para a vitória: marcar mais golos do que o adversário. 

... por isso perdemos... e porque nada teremos aprendido com os erros anteriores.

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Vasco Massapina

O Vasco Massapina faria hoje 66 anos. Partiu cedo de mais e deixa-nos o vazio da sua amizade. Em memória deixo o texto que escrevi e que foi recentemente publicado no nº 190 da revista ZacatraZ da Associação dos Antigos Alunos do Colégio Militar.
VASCO MASSAPINA, O PESCADA
Pescada. Pescada?! Mas quem se lembraria de pôr esta alcunha a alguém. Porque antes de o ser já o tinha sido? Reincarnações? Não, não me parece e só parece haver uma explicação: era do antecessor. Está visto, a alcunha era do antecessor. Mas o 209 de 1957, o nosso Vasco não se importava com ela, achava-lhe até uma certa graça. E assim ficou, até hoje: Pescada.
Entrámos ambos em 57 para a 1ª do Guedes Florista e ficámos na mesma turma. Na sala de aula, uma carteira nos separava; na camarata, duas, três camas nos separavam. Fizemos a vida sempre próximos: Colégio, Arquitectura, vidas cívicas, confronto de ideias e opiniões, risos e gargalhadas. E indignações várias!
Há pouco tempo deu-me uma carta, encontrada no fundo da gaveta, que escrevera à madrinha sobre as memoráveis futeboladas que fazíamos no pelado da 1ª ou nos gerais. Falava dos golos - deveria ser do tempo em que éramos obrigados a escrever a alguém à quarta-feira - que eu tinha marcado e que, dizia, de outra forma não teríamos chegado à vitória. Terminava com um não tenho mais nada para dizer de missão cumprida. Era assim, cumpridor. Era preciso fazer, fazia-se. Falando dos amigos, a gabá-los.
Nenhum de nós era algum modelo de bom comportamento. A maior diferença estaria, talvez, que o Vasco gostava de fardar-se bem - o Nano lembra que no bolso do sempre elegante blusão nunca faltavam cigarros - e de usar botas altas e, eu, tinha uma razoável indiferença sobre essa componente de atavio castrense. Mas ambos gostávamos de montar e de cavalos. Logo que pude concorri à Escolta e fiquei porque a preocupação de quem mandava era mais a do “estar a cavalo” do que a de comportamento. O Vasco, mais tarde, também concorreu - um outro qualquer exigia, mais do que o “estar a cavalo”, o bom comportamento. E o senhor aluno, o Pescada, o 209, o Massapina, não tinha o Bom a comportamento necessário: não entrou e essa tristeza ficou-lhe pela vida. E só me perdoou porque era meu amigo - em grandes gargalhadas comentava: este gajo foi da Escolta e eu, por mau comportamento, não fui. Já viram isto?
Aventuras colegiais, muitas. Do início até ao posto de Furriéis com que ambos não fomos graduados - no nosso curso éramos um notável grupo de alguns quinze... Saídas nocturnas, cavanços, entrada a salto e assaltos - acho que foi na Física que foi apanhado fora de horas e de autorização.
No dia do Baile dos Finalistas apareceu-me alvoraçado: eh pá! andei por todo o lado à tua procura - tinha ido à Luz ver o Eusébio a enfiar dois na baliza do dr. Maló da Académica - tens que me safar. Que era então? Tens que “segurar” a Paula - morena, volumosa de corpo roliço, irmã da namorada do Gil e flirt recente do Vasco - porque a Isabel também vem. Fiz o que devia e o “caso” ficou-se por ali.
E ficou-se com a Isabel, o amor da sua vida. Desde então até hoje. Acho até que foi por ela que foi cursar Arquitectura - a Isabel foi para Pintura e tudo se passava na mesma escola de Belas-Artes de Lisboa. E acho também, talvez porque ele me tenha dito ou talvez por lhe adivinhar o gosto das fardas, que foi por ela que não foi para a Marinha, vontade a que a própria Mãe não seria alheia. Mas a Isabel levou a melhor.
Lembrava-me sempre - e fazia questão de o lembrar a outros - a homenagem do Menau quando atravessei, fardado e pela última vez, os claustros: levantai-vos que vai ali um homem digno! Achou sempre - e dizia-o - a minha expulsão uma indecência.  Sempre amigo do seu amigo. E preocupado com injustiças. Camarada, fiável, solidário. Sempre!
Na Escola participámos numa greve que o meu curso - eu atrasei um ano graças à expulsão - levou até limite dos exames corridos a zero. Foram meses de RGA, de bota abaixo, de exigências, de “enterro da Escola”. No pós-25 de Abril entrámos na luta contra a existência de “patrões” no Sindicato dos Arquitectos - sindicato é para empregados! Mais tarde ajudou à construção da Associação dos Arquitectos Portugueses onde foi Presidente do Conselho Directivo Regional do Sul e foi ainda Vice-Presidente do Conselho Directivo Nacional da Ordem dos Arquitectos. Por sua causa - precisámos da tua experiência, disse-me a convencer - ainda sou hoje membro dos seus corpos sociais!
Como profissional o Vasco sempre se preocupou com as cidades - lembro-me de uma interessante tese, numa visão inovadora da extensão do conceito cidade e dos seus serviços e como proposta de desenvolvimento urbano - que defendia que o centro de Lisboa se situava no meio do Tejo. E realizou, nessa paixão do construir cidade, dois trabalhos inovadores: o Plano de Beja e o Plano de Ponte de Lima que ainda hoje são lidos como marcos da intervenção urbana portuguesa. E fez também, começando em associação com o Olhos - outro arquitecto “menino da Luz” do nosso curso - a que se juntava a mulher Isabel, muita arquitectura em gabinete próprio a que acrescentou, logo que possível, os filhos também arquitectos - a Bárbara e o João. E sobre isso trocávamos opiniões e chamávamo-nos mutuamente a atenção para coisas relevantes da arte. E o gozo que nos dava acertarmos nas mesmas coisas.
Era do Belenenses e fazia parte daquele pequeno grupo de espectadores que, fielmente, seguia , no estádio, a sua equipa de futebol. Tinha pena da realidade da equipa e de não poder ir com os amigos à bola - dadas as circunstâncias, nenhum de nós se mostrava muito interessado. E ele lá ia, muitas vezes com os netos, a deixar correr a marca pastel no sangue.
Pouco depois de termos ido falar - o meu cunhado Vasco Coucello fez-nos companhia - aos futuros graduados que ficaram agradavelmente admirados com as estórias que nos ouviram, o Raul Passos, então Director do Colégio, desafiou-nos para realizarmos o projecto do novo Pavilhão. Aceitámos e pusemo-nos uma condição: a equipa projectista seria formada com ex-alunos entrados em 57 e com os seus filhos: o Adão da Fonseca, o Santos Coelho, nós os dois e os nossos filhos, o João e o Raul. Formámos uma parceria excelente a que se acrescenta o Nano, então Presidente da Associação, que nos ajudava nas relações entre partes. O Vasco, como sempre, pôs toda a energia, o tempo e o espaço do seu gabinete ao serviço deste projecto para o nosso Colégio. E o projecto - bom, diga-se - aí está, pronto a começar a construir depois das medições e orçamento feitos, entretanto, pela Engenharia Militar.
Com a paixão que punha nas coisas que diziam respeito ao Colégio - passava aqui manhãs de sábado com a desculpa de ver os netos no Pentatlo Moderno - lançou o princípio do projecto de reconversão da Formação para, seguindo o exemplo das Meninas de Odivelas, também criarmos ali o nosso Lar - e conseguiu, passo sempre delicado, a aprovação do IPPAR para as novas volumetrias. A pedido da nossa  Associação ainda fez o anteprojecto para um Colégio Militar em Timor - projecto interessante com réplica contemporânea e adequada dos nossos claustros - e que foi aprovado pelo agora Presidente da Républica timorense ao tempo de Chefe do Estado-Maior General.
Ocupou postos de relevo, foi professor e, entre diversos escritos, deixou-nos um livro com o sugestivo título de “O Risco do Arquitecto, Interesse Público e Autonomia da Profissão” - e como ríamos da ideia de “o risco” ser a nossa profissão. Nesta discussão actual sobre Arquitectura, Arquitectos, Actos Próprios da Profissão, desemprego por falta de projecto ou saídas profissionais, deixou-me um texto, bem recente, a abrir portas para o futuro da profissão. Generoso como sempre. Sem desistências. Amigo para sempre. 
O tempo acabou-se para o Pescada e eu tenho saudades.
João Paulo Bessa (200/57)

Ver aqui outro texto sobre o Vasco

domingo, 5 de maio de 2013

Um disparate provoca mais disparates

Por razões de trabalho tive que ler a Lei 38/2012 de 28 de Agosto, lei antidopagem no Desporto.
No seu Artigo 2º, Definições, podem retirar-se estas pérolas:

l) «Desporto coletivo» a modalidade desportiva em que é permitida a substituição de jogadores no decorrer da competição;

m) «Desporto individual» a modalidade desportiva que não constitua um desporto coletivo;

Não há outra pergunta possível: estão a brincar?! A permissão de substituições define uma modalidade colectiva? Palavra d'honra?

Desta forma compreendo o disparate do Remo e da Canoagem terem sido consideradas como modalidades individuais - nos barcos, na equipa, cada um rema por si, para o lado que lhe apetece e com o ritmo que entender. E por um qualquer milagre dos deuses o barco vai a direito, sincronizado e em boa velocidade...

Como é possível, com estes disparates, termos um Desporto capaz?

Também percebi que, lendo a alínea o), já não há mais "provas desportivas" mas sim "eventos desportivos". Do simples tudo acaba, como numa banda desenhada, no superlativo. Não há nada como acontecências - acontecimento de excelência, um êxito - com anúncio de antes de ser já o era. Assinale-se:

o) «Evento desportivo» a organização que engloba uma série de competições individuais e ou coletivas que se realiza sob a égide da mesma entidade desportiva;

John Le Carré já tinha avisado: "uma secretária é um sítio muito perigoso para analisar o mundo". A secretária dos escribas também e Cipolla tem razão ao avisar-nos que há muito mais estupidez em circulação do que possámos imaginar.

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Futebol

"Futebol são onze de cada lado e no fim ganha a Alemanha",
Gary Lineker

Duas das melhores equipas europeias - Barcelona e Real Madrid - levaram quatro dos alemães do Bayern e do Dortmund. O antigo ponta-de-lança internacional inglês tem toda a razão ... no fim ganham os alemães. No futebol e na crise.

domingo, 21 de abril de 2013

Citação, estória e recomendação

"Não há pior política do que a política do pior."
António Sampaio da Nóvoa, Reitor da Universidade de Lisboa

Estória. No início do mundo o responsável juntou os melhores designers e encomendou-lhes a tarefa: "Meus senhores: estou farto das vossas manias, do vosso comportamento de prima-donas - não quero mais expressões de exagerada personalidade artística como a girafa, o elefante, o hipopótamo, o crocodilo, todos eles falhos de proporções ou até de sentido. Vamos todos ter juízo, deixarmo-nos de artistíces, de cada um a trabalhar para o seu lado e trabalhar em conjunto, consensualmente. Quero que desenhem, em consenso, o cavalo - um animal que seja a expressão da beleza, que seja veloz mas dócil para os humanos, resistente, capaz de andar em todos os terrenos, que seja herbívoro e tenha carácter. Volto a repetir: quero o desenho de um cavalo conseguido por consenso. Ouviram: POR CONSENSO! Têm uma semana."

Quando, uma semana depois, o responsável voltou à sala de design, pediu os desenhos realizados por consenso entre todos os designers contratados. Espantado percebeu o camelo em vez do pedido cavalo.

O consenso tem destas coisas: seja qual for o objectivo nunca se tem a certeza de qual o resultado final.

E andam os governantes a encher a boca de exigências para um consenso...CONSENSO?!

Não brinquem!...

Recomendação.

quarta-feira, 17 de abril de 2013

Sem perdão!

Em homenagem às vítimas das bombas de Boston e com profundo pesar pela morte de Martin Richard, um miúdo de oito anos.

Todas as palavras são poucas e significam pouco para demonstrar o meu repúdio e condenação pelos cobardes de merda que planearam e executaram este atentado. Sem perdão!

Bomba na Maratona de Boston
Desenho a dedo e de memória em iPad

domingo, 14 de abril de 2013

Mal ao mundo

Leio, ouço e não acredito: fecham a Fundação e as obras de Paula Rego desaparecem da Casa das Histórias - projecto de Souto Moura - de Cascais e voltam para Londres.

Pelo que percebo trata-se do resultado de pretendida análise à Fundação que suportava as obras. Obviamente de contas mal feitas - há mais valor para além do dinheiro e a relação custo-benefício não se mede à moeda.

Volto ao mesmo e às lições de Cipolla: a estupidez é um perigo maior do que a bandidagem!

Os quadros de Paula Rego - dispenso-me, pela evidência, de falar do seu valor cultural - desaparecem de Portugal e do nosso acesso por decisões cegas e levianas e disso parece não vir mal ao mundo. Ou que ninguém se importa.

Claro que daí vem mal ao mundo, ao nosso mundo que se vê com horizontes mais fechados. E eu importo-me!



Desenho a dedo iPad

sexta-feira, 12 de abril de 2013

Não somos a Grécia



Parede de Lisboa, foto iPhone JPB
                                                   com enquadramento Polaroid

terça-feira, 9 de abril de 2013

Tratantes

O senhor Aguiar Branco, mesmo se Ministro da Defesa, tomou uma decisão para a qual não é competente nem, tão pouco, mandatado. Por ignorância, convencimento ou vaidade institucional decidiu deitar ao caixote do lixo património nacional, cultural e histórico de mais de duzentos anos. Com o mesmo ar com que os néscios tratam aquilo que não compreendem ou atingem. Sem importância.

A pesporrência do senhor ultrapassa aquilo que é suposto fazer um nomeado governamental: proteger a herança patrimonial que recebeu e garantir-lhe a continuidade futura. Inchado de importância no fato de riscas e gravata saliente decidiu-se pelo disparate de alterar o Colégio Militar, instituição nascida a 3 de Março de 1803 e que a Portugal deu muito mais do que o sr. Ministro sabe ou possa julgar.

Nos velhos claustros perorou um dia, em cerimónia oficial, o investido sr. Ministro:
Em 208 anos de história já passaram por este púlpito dezenas de ministros, primeiros- ministros e chefes de estado. Por este púlpito já passaram dois regimes, três repúblicas e dezenas de governos. Deste púlpito já se disseram centenas de discursos.
Uns glorificando o passado, outros mais pessimistas com o presente, no tempo em que foram ditos, outros optimistas quanto ao futuro que se aproximava.
Mas passaram os regimes, passaram os ministros disseram-se as palavras e o Colégio Militar permaneceu.
Há 208 anos que é assim. Há 208 anos que o Estado Português investe não na instituição em si, porque essas nascem e morrem por decreto, mas nas pessoas. Nos alunos. Por aquilo que podem fazer cá dentro mas sobretudo por tudo aquilo que demonstram ser capazes de fazer lá fora.
Na sua longa história o Colégio Militar sempre fez justiça a esse legado. Os alunos do Colégio Militar absorvem aqui os valores e princípios que o Estado, verdadeiramente soberano e digno do seu povo precisa, hoje mais do que nunca.
Os alunos do Colégio Militar sempre se souberam distinguir. Na defesa da soberania. Na defesa da liberdade e na construção e desenvolvimento do país.
Dos teatros de África às missões internacionais em que hoje estamos empenhados. Da política, à economia ou mesmo na chefia do estado.
Não é seguramente por acaso que esta é a instituição de ensino que mais Chefes de Estado deu ao nosso país.
E é por isso que Estado português investe no Colégio Militar. Para ter ex-alunos do Colégio Militar 
28 de Outubro de 2011 
Quer dizer o sr. Ministro disse o que não percebia e agora também não percebe - para azar nosso de ex-alunos - a contradição da sua assinatura. Provavelmente porque não disse o que disse. E porque não percebe que nós falámos de património, não de saudade.

A decisão do Ministério da Defesa do Governo da República Portuguesa e interpretada pelo ministro Aguiar Branco sobre as instituições de ensino militar, nomeadamente sobre o Colégio Militar do qual fui aluno e que conheço muito bem nas suas virtudes e defeitos, é incompetente, estúpida e irresponsável.

Incompetente porque se baseia em contas mal feitas, comparando o incomparável - esquecendo o elementar aprendido na primária de não somar castanhas com bananas - e não mostrando a mínima ideia de como realizar qualquer composição de custos. A visão é economicista, primária e, ignorando as diversas formas de ultrapassar um problema criado por exterioridades ao próprio Colégio, desvaloriza as óbvias mais-valias que uma administração mais objectiva e melhor relacionada com as características colegiais, facilmente conseguiria.

Estúpida porque pretende resolver um problema criando um maior, no seguimento aliás do receituário que temos percebido como ás de trunfo governamental: recorrer ao mais fácil por total incapacidade de encontrar eficazes soluções para cada problema que surja. Para o Colégio Militar existem óbvias soluções, explicadas por mais do que uma vez aos senhores governantes e seus mandados - mas o preconceito e a pateta ideia da poupança aparente e propagandeável está, estupidamente, a levar a melhor sobre a inteligência do trabalho que soluções capazes e eficazes implicam. Mas que resolvem o problema. Como define Cippola (ver aqui), a estupidez é muito mais ampla e perigosa do que poderíamos supôr. E a decisão tomada é prejudicial e ninguém ganhará realmente com ela. Pelo contrário, prejudicará todos, incluindo o Exército que deixará de poder mostrar ao país que lhe presta um vantajoso serviço de elevado nível como o demonstrará qualquer análise ao passado colegial.

Irresponsável porque transforma aquilo que, com 210 anos de existência, se tem pautado por caminhos de excelência que a mera análise das médias de notas anuais não permitem compreender ou qualificar. Tão pouco o pretendido custo comparativo de contas mal feitas. Deitar pela sarjeta potencialidades - e já nem falo nas vantagens comparativas de uma especial relação com os PALOP - que um mínimo de inteligência e cultura permitiriam repôr, transformando um período menos bom num novo exemplo de excelência, é de uma irresponsabilidade inconcebível. Que não pode ser ignorada ou perdoada.

E tudo misturado, embora pretendendo disfarçar-se sob um diáfono mas pretencioso manto de boa governança - só contaram p'ra si... - configura um brutal desperdício do que levou gerações a construir. E neste sentimento englobo o centenário Instituto de Odivelas que desaparecerá do estado que lhe conhecemos.

Duzentos e dez anos é uma dimensão que este Governo não compreende nem, tão pouco, distingue do anteontem. Ao admitir esta solução o Governo, o Primeiro-Ministro e os seus outros membros, são cúmplices no disparate e no abuso. E enquanto destruidores de património relevante não merecem respeito e como tal devem ser tratados.

Tratantes!

sábado, 6 de abril de 2013

A cidade não esquece II

A realidade a ultrapassar a ficção (ver aqui)

Lisboa, Anónimo, Internet

quinta-feira, 28 de março de 2013

A Cidade move-se



Foto iPhone

quarta-feira, 27 de março de 2013

José Manuel Constantino novo Presidente do COP

Com a votação da totalidade dos 76 Membros do Comité Olímpico de Portugal a lista liderada por José Manuel Constantino venceu, com 92 votos, contra os 67 votos da lista opositora. Na votação das Federações Olímpicas a vitória foi também, 72 votos contra 44 correspondentes à votação de 18 e 11 federações respectivamente, da lista de José Manuel Constantino.

Encerra-se assim um ciclo de continuidade na actividade do COP e abre-se um caminho de mudança que trará boas vantagens ao desenvolvimento do Desporto português.

Pessoalmente tive, enquanto Mandatário da Candidatura, uma experiência muito interessante e muito rica no contacto que tive com diversas áreas e modos de ver o Desporto em Portugal. Nem tudo foi fácil mas foi sempre motivador: o trabalho com José Manuel Constantino é sempre uma motivação intelectual especial pela sua capacidade, conhecimento e domínio das matérias que produzem uma riqueza de pensamento atractiva e inteligente. O seu manifesto "Valorizar Socialmente o Desporto - Um Designio Nacional " e o programa de candidatura aí estão, bem como as diversas entrevistas que deu, para o demonstrar. O COP fica em boas mãos.

Foi uma excelente vitória. E o Desporto português sai a ganhar.

sábado, 23 de março de 2013

A Cidade expressa-se



quinta-feira, 21 de março de 2013

A Cidade não esquece

A cidade liberta - não sei se os alemães se lembrarão, mas o conceito nasceu na sua idade média. Sendo a cidade um local de liberdade é assim um local de troca de ideias, de informações, de conceitos, de tolerância - quantas vezes radical - e, plena de estímulos, um local privilegiado, como diz Arbasino, da cultura de tam-tam que passa de uns para os outros sem se dar por isso. Transformando-se assim num enorme espaço de criatividade e invenção. E de intervenção, pois claro. Mas é aqui, na cidade e pelo que ela representa e pelos acessos que permite, que vivem os cidadãos mais esclarecidos, mais atentos e menos dispostos aos abusos.

Por tudo isto: a Cidade não esquece nem vai esquecer. A Cidade tem memória que, todos os dias, deixa escrita nas suas paredes e nas palavras de ordem dos milhares que percorrem as suas ruas. A Cidade perdoa mal, a cidade sabe indignar-se.

segunda-feira, 18 de março de 2013

Aproximações



sexta-feira, 15 de março de 2013

Da experiência da História



quarta-feira, 13 de março de 2013

De Castro


Desenho a dedo em iPhone
Vista no restaurante De Castro (Bairro Azul)
Chefe Miguel Castro Silva (meu primo)

terça-feira, 12 de março de 2013

De que lado?!



Desenho a ponta de borracha em iPad

sexta-feira, 8 de março de 2013

Os idiotas



Desenho a ponta de borracha em iPad
Há idiotas úteis e idiotas pretenciosos - ambos rompem quotidianamente na nossa casa. Qualquer dos dois tipos serve o mesmo objectivo: dar cobertura a uma de duas, ou à estupidez de quem manda ou ao interesse de quem domina. Ou à ignorância de ambos.

terça-feira, 5 de março de 2013

Ginásio Dario Fernandes

Jacinto Luís
O velho Ginásio, o nosso velho Ginásio de mais de meio século, cheio das nossas memórias de saltos de plinto, de mini-tramp, de cama elástica, de corridas, de cambalhotas, de mortais e flic-flacs, de subidas à corda ou a espaldares ou equilíbrios de subidas à barra ou passeios na trave ou de jogos colectivos, em aprendizagens precisas de destrezas e domínios corporais, ganha hoje uma nova vida ao ver-lhe acrescentado o nome ilustre de um dos nossos: Professor Dario Fernandes. Ginásio Professor Dario Fernandes.

Quando Dario, em 1962, chegou ao Colégio eu já fazia parte, como alguns outros que aqui estão hoje presentes, da Classe Especial de Ginástica pela mão de Mestre Reis Pinto. Era uma excelente classe, trabalhada na técnica das posições, na disciplina da articulação de desenho exacto dos segmentos corporais a que a preocupação do Mestre pela flexibilidade, dava uma dimensão estética inultrapassável. Na passagem de mão, Dario Fernandes, a nada virando as costas da anterior formação e preparação, mas, pelo contrário, tirando dela todo o partido, deu-nos, abrindo-nos novas caixas de ferramentas, uma nova alma ao introduzir-nos no mundo da acrobacia gímnica, na parafernália de saltos e acrobacias que nos transportavam a um outro mundo – e como treinávamos… sempre com o sorriso e a mão de apoio, subtil, a safar qualquer erro. Crescemos assim como classe, como grupo, como grupo de amigos, solidário e empenhado numa partilha de confiança absoluta: "podes tentar que consegues", respondia às nossas preocupações de risco. Foi uma Classe Especial excelente que se mostrou em diversos saraus. E assim continuou anos a fio até à Classe de Gafanhotos com que em 1994 encerrou a sua prestação de professor.

Há anos atrás - tantos que o Refeitório dos Oficiais ainda era no velho edifício, hoje desaparecido, onde foi a minha 1ª Companhia - recebi um convite do então Director para assistir a uma exibição da Classe Especial da altura, seguida de almoço com ele próprio. Naturalmente, apresentei-me. Vi a Classe e encontrei, com alguma surpresa e já na mesa de refeitório do Director, o Dario. “Então, gostou?”, perguntou o Dito. ”Nem por isso”, respondi sem os grandes alardes que um convidado não pode ter. Pediu-me para explicar e eu disse: “Não é a nossa cultura gímnica! À habilidade faltou forma, ao destemor faltou disciplina senão técnica, à dimensão faltou estética. Pareceu-me que estaremos no limiar da acrobacia de saltimbanco.” Dario sorria, levemente, mas sorria. “Percebo…”, disse o Director e Dario sorriu mais.

Dario Fernandes tinha, sem nunca mo ter dito, arranjado aquele encontro. Desgostoso do caminho colegial que a sua Ginástica estava a levar, queria mostrar uma outra opinião. Leal como sempre, não influenciou. Mas, mais uma vez, Dario Fernandes mostrava-se o herdeiro cultural da forma como encarávamos o exercício da ginástica e a sua apresentação. Graças ao Dario a nossa cultura, a nossa tradição gímnica, o nosso Colégio, tinham ganho mais uma batalha. Destreza, desenrascanço, ousadia, destemor, com certeza, mas enquadrados pela excelência da técnica, do rigor e da disciplina. Pela estética mais do que pelo espanto. Ou seja: dentro do quadro do que somos, do que queremos ser, enquanto Colégio Militar. É por isso que Dario Fernandes é um dos nossos: porque construiu connosco, na partilha de cada dia, o desporto que constitui um dos factores distintivos e identitários do nosso Colégio. É dos nossos porque lutou, porque luta, connosco pelos mesmos valores! E por isso, em cada um dos três milhares de alunos que os seus 33 anos de serviço colegial permitiram, deixou a raridade de um amigo e de uma saudade.

Fico contente, por ti e por nós, meu velho Ginásio agora que rejuvenesces com o espírito aberto, cativante e alegre, carinhoso, leal, franco e solidário de um verdadeiro humanista que é o sempre presente espírito do Dario Fernandes que agora te amplia o nome. Guarda-o bem e lembra-te: quando as nossas memórias se apagarem e fores tu quem tenha de responder à dúvida do quem foi?, lembra-te que recordarás um Homem de Bem. Um dos nossos!
João Paulo Bessa (200/57)

[texto dito na cerimónia de colocação do nome do Professor Carlos Dario Fernandes no Ginásio do Colégio Militar a convite da Associação dos Antigos Alunos em 3 de Março de 2013]

sábado, 2 de março de 2013

Para alemães desmemoriados

Fez, a 27 de Fevereiro último, 60 anos o Acordo de Londres sobre as Dívidas Alemãs. Aos alemães, em 1953, foi-lhes perdoado 50% da dívida e realizado um reascalonamento do restante para 30 anos. Entre os que aceitaram perdoar a dívida estava a Espanha, a Grécia e a Irlanda.

Tal e qual como no velho conceito do cá se fazem, cá se pagam...

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

De Istambul

Gosto de flamengo, do cante, do cante jondo. Dos cantaores.

Um dia, final da tarde, estava em Istambul, nessa cidade desenhada para policiais da série B filmados a preto-e-branco, e começaram as rezas dos minaretes. Estava encostado a um e, de repente, pensei: isto é flamengo!

Contei a descoberta a amigos: que sim! que podia ser; que nem penses, porque não vem dali; que talvez e mais para aqui e ali. Mas fiquei sempre com a impressão: aquilo a sair dos minaretes era flamengo.

Hoje ouvi uma entrevista de El Cigala, cantaor, voz reconhecida do flamengo - o meu pai aparecia lá em casa com o Camarón - de la Isla, com certeza - ou com o Paco de Lucia, sempre vivi no meio desta música, deste ambiente. E mais à frente deu-me a enorme satisfação: um dia estava em Istambul e ouvi os canticos dos minaretes e disse, isto é flamengo!

Também acho.

domingo, 17 de fevereiro de 2013

Até americano...

"When workers are paid more, they tend to work harder, and quit less readily." in THE CASE FOR A HIGHER MINIMUM WAGE, John Cassidy, The New Yorker.

"For almost three years now, since the election of a Conservative-Liberal coalition, the British government has been slashing government programs and raising taxes, supposedly to reduce a big budget deficit. As I’ve written previously, the results have been pretty disastrous—both for ordinary Britons and for the public finances." in U.K. LESSONS: AUSTERITY LEADS TO MORE DEBT, John Cassidy, The New Yorker.

Até americano entende... e não traduzo para não lhe tirar o gosto da proveniência. Fica a pergunta: se até americano, essa gente que tem as costas largas para desculpar os abusos dos interesses, entende porque é que os governantes portugueses fazem de conta que não percebem.

sábado, 16 de fevereiro de 2013

Três Mandatos

"Três vezes, senhor aluno. Já lhe disse três vezes, senhor aluno.", avisava o Celestino, servente do Colégio Militar, de mão no ar a mostrar só dois dedos que o terceiro fora transformado em toco num salto de moto-serra.

Lembrei-me, cinquenta anos depois, do Celestino e dos seus dois dedos a indicar três, ao pensar na "lei dos três mandatos" camarários que afinal parecem ser só dois com o entendimento que pode ser sempre mais um.

Contas...

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Não há evidência

“não há experiência nenhuma que mostre que a austeridade resolve de facto alguma coisa”.
Richard Parker, economista norte-americano da Harvard Kennedy School,

Esta evidência que a história mostra só pode ser contrariada por teimosia, crença ou ignorância.

Sempre gostaria de saber por que livros estudaram os grandes seguidores das escolas da "água doce" para se contentarem assim com a irrealidade do mundo que recriam...

sábado, 2 de fevereiro de 2013

Como disse?

"Se os sem-abrigo aguentam, porque nós não aguentamos?"
Pergunta Fernando Ulrich, banqueiro (segundo o i)

E pergunto eu: porque que é que o sr. banqueiro não vai fazer pouco da tia?!

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Receitas extraordinárias?



A bota ou a venda? Montra de Lisboa, foto iPhone jpb

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Delícias de jardim do mar



segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

O brilho do homem



"destruir os fantasmas corrompidos pela história..."
Desenho a ponta de borracha em iPad

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

A quem possa interessar

Fui convidado e aceitei ser o mandatário do Candidato à Presidência do Comité Olímpico de Portugal, dr. José Manuel Constantino, nas eleições que se realizarão até ao final de Março próximo.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Haverá soluções milagrosas?

Há! Desde que se tenha o cuidado de as tornar reais.

sábado, 12 de janeiro de 2013

Não saber ou não querer?

Há quem veja
Escrito em iPad

Escrito em iPad

E há quem se limite a dar razão a quem pensa.
Segundo Carlo M. Cippola há uma diferença entre o estúpido - aquele que prejudica terceiros, prejudicando-se a si próprio - e o bandido - o que, prejudicando terceiros, ganha com isso.
Princípios donde, logicamente, ele deduz a QUINTA LEI DA ESTUPIDEZ HUMANA:
"Uma pessoa estúpida é a pessoa mais perigosa de todas."

E donde ressalta o corolário:
"Uma pessoa estúpida é mais perigosa do que um bandido."

O que não impedirá ter os devidos cuidados e desconfianças necessárias sobre ambos. O tempo, no pós-desastre, dirá a qualificação adequada a aplicar - mas pelo passar da carruagem não se livrarão de uma delas.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Lucidez, Estupidez e Decência

Lucidez


Estupidez


Leis Fundamentais da Estupidez Humana
Primeira Lei Fundamental
"Sempre e de forma inevitável subestimamos o número de indivíduos estúpidos em circulação."
Carlo M. Cippola

Decência
Ao contrário dos novos mandantes e seus aliados que lançaram a campanha de mais valer o fim para justificar o uso de quaisquer meios, diversos grupos - que não permitem o recurso à habitual acu sação de a soldo de interesses partidários - pediram a fiscalização sucessiva do orçamento aprovado e de que todos desconfiamos da legalidade. A isto chama-se exigência de vida dentro da lei. Decência, portanto. Porque decência num país democrático de direito é, quando se entende necessário, usar os meios democráticos estabelecidos para propor as alterações das leis. E não fazer tábua rasa, escamoteando os rumos, para melhor serviço dos interesses.

(nota: decência também não é ceder no voto com pungente contrição posterior. O voto conta, o ar apenas disfarça.)

sábado, 5 de janeiro de 2013

Prémio Barretina Desporto 2012

Texto que li na cerimónia em que recebi o Prémio Barretina - Associação Desporto - 2012 atribuído pela associação dos Antigos Alunos do Colégio Militar.

Foto iPhone

"Agradeço à Associação dos Antigos Alunos do nosso Colégio e à sua Direcção esta atribuição do Prémio Barretina do Desporto que muito me honra.

Os meus camaradas de curso, principalmente os "200 Bessas" das patrulhas que guardo no coração, saberão bem quanto significa para mim. E também saberão do seu significado alguns amigos oficiais de então - como o Nuno Cêpeda ou como o Pinto de Menezes, o querido Menau, que gostaria de o saber se cá estivesse connosco.

Agradeço também este prémio ao meu Pai que me introduziu o vírus do Desporto e que se tornou na água-forte que desenha toda a minha vida. Obrigado Pai.

E agradeço também a todos os treinadores, colaboradores, companheiros de equipa, dirigentes e a muitos adversários com quem fiz a minha carreira desportiva.
Desenhado em iPad
Miúdo ainda fui com a minha avó à costureira. Fiquei - claro! - a olhar para a janela e vi, lá ao fundo, uma curva e um bocado de recta de uma Pista de Atletismo. Fiquei fascinado. E aí terão começado os sonhos.

Tempos depois, ao lado do meu Pai e quando ia fazer os exames de aptidão ao, soube-o depois, Ginásio colegial, vi a nossa Pista de Atletismo e percebi, logo ali e acima de qualquer dúvida, que queria ficar no Colégio. Pelo ligeiro sorriso que guardo do meu Pai, sei que percebeu as minhas razões.

Com o que sei hoje de Desporto e dos seus sistemas - e sei bastante - não tenho nenhuma dúvida em o afirmar: frequentei uma das melhores escolas de formação desportiva do mundo da altura.

O que no Colégio então se fazia é comparável aos melhores sistemas de formação que hoje servem o desenvolvimento desportivo internacional.

À frente do método e do sistema de então lembro Pereira de Carvalho, o "Porco".

Dessa equipa faziam parte Mário Lemos, meu treinador de Atletismo e Voleibol; Reis Pinto na Ginástica e com quem aprendi oo inícios da Classe Especial; Nuno Vitória e Abranches de Sousa, meus treinadores de Andebol; Luís Sequeira, meu treinador de futebol e de quem fui "capitão de equipa". E lembro ainda com amizade o Chico das Bolas que nos garantia a qualidade das bolas e o Carranço que nos entregava equipamentos cuidados como para verdadeiros profissionais.

E lembro ainda, nos cavalos, o Manel Cerqueira que, no meio do volteio, me ensinou para a vida que "serviço é serviço, conhaque é conhaque!"; o Manuel Rodrigues, o "Manecas" e o Milho Ferro que eram responsáveis da Escolta a Cavalo a que pertenci.

Também não esqueço o Calisto da Esgrima e as tentativas que fazíamos para jogar Ténis no Ginásio com a impossibilidade de bater em bolas que deslizavam agarradas ao chão...

Por último e por mais próximo do coração lembro o enorme Dario Fernandes cuja Competência - transformou a nossa Classe Especial numa Classe de Excelência - Sentido Humano e Amizade me marcam as saudades para sempre.

Para com todos eles tenho uma dívida de gratidão.

Nós eramos atletas de Pentatlo Moderno sem sabermos que isso existia... e o método era tão bom que, sem que a modalidade nos fosse alguma vez ensinada, conseguimos formar uma Selecção Nacional de Rugby com ex-alunos que foram internacionais. Como também aí, no Rugby, me junto nos quatro seleccionadores nacionais ex-alunos. E como temos campeões noutras modalidades ou treinadores de grande sucesso. Todos ex-alunos do nosso Colégio.

A formação desportiva do nosso Colégio era, no meu tempo, formidável. E também graças a isso posso estar aqui a receber este Prémio Barretina.

E é por muito dever ao nosso Colégio que quero ainda dizer alguma coisa sobre o actual momento colegial.

"Todo o mundo é composto de mudança", avisou o poeta Camões e cantou-o o trovador José Mário Branco. O meu Colégio, o Colégio do nosso tempo, mudou! Já nada é como foi.

Aceito, naturalmente, a mudança. Mas gostaria que essa mudança - sendo composta como a vida mandar - me deixe as referências que permitam que a minha memória possa ter um espaço real de representação e encontro.

Por isso, para que isso seja possível, é que se dá importância ao património físico e cultural - para que a memória se mantenha viva nessa misteriosa e churchiliana "cadeia dourada" que dá sentido e continuidade às nossas gentes.

Já bastou a falta de cultura e inteligência que levou à destruição do Edifício das Ciências de notável escadaria. Já bastou a insensibilidade incapaz de integrar a incomparável luz do Pavilhão de Desenho numa nova função, numa nova forma.

O que espero, o que desejo, o que quero é que a inteligência, a capacidade da força da nossa resistência se for caso disso, nos garanta, seja qual for a mudança, o espaço de vivência dos zacatrazes da nossa memória.

Viva o nosso Colégio! Viva o Colégio Militar!
30 de Novembro de 2012"

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