sexta-feira, 23 de julho de 2010

Indicadores de Ambiente

Pernilongos (Himantopus himantopus), Herdade da Abegoeira, Mourão
"As aves são indicadoras do estado do ambiente. Se estiverem em dificuldades, então saberemos que também nós em breve o estaremos"
                                         Roger Tory Peterson, ornitólogo americano (1908-1996) in Público
Colhereiros (Platalea  leucorodia), Finca da Tapadinha, Mourão

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Nabuco de Verdi

foto de telemóvel

No mesmo dia que o antigo Prince cantava na Praia do Meco - excelente concerto, garantiram-me os meus filhos - safei-me do caótico engarrafamento (como é que se pode levar uma multidão para aquele sítio?) e, com a Ana, fui para o Largo de S. Carlos ouvir Verdi. Excelente concerto - só possível por se tratar de uma Instituição Pública, lembro, e que proporcionou a muitos que nunca entraram no Teatro o acesso ( e talvez o vício) a um espectáculo musical diferente (palco composto, de vestimenta elegante, comando de uma maestrina, com diferentes rituais e uma explicação cuidada a contextualizar).

Terminou o espectáculo - e terminou muito bem - com o Nabuco. Não foi a vez mais impressiva que o ouvi. A audição mais impressionante a que assiste foi em Viena... no Prater - um estádio de futebol em Maio de 1990.

Preparava-se o Milan-Benfica para a final da Taça dos Campeões - do lado italiano jogavam as tulipas holandesas: Gullit, Van Basten e Rikjaard. A Cidade de Lisboa, por decisão do Jorge Sampaio, tinha ido em peso para Viena - cozinha com Michel, fados com Luz Sá da Bandeira, musica com Olga Prats e Heróis do Mar, José Mário Branco para surpreender a mulher do 1º Ministro austríaco que tinha vivido em casa dele refugiada da guerra, mais isto e mais aquilo, aproveitando o futebol para mostrar a austríacos que existíamos. Viena admirava-se - como é que vocês têm esta música? - com o que ignorava  e nós, benfiquistas e lisboetas, enchíamos o peito de fezada. Nas bancadas do estádio, lançamo-nos... cantou-se o cheira bem, cheira a Lisboa. Contentes aplaudimo-nos a aquecer para a certeza de um fartote de golos encarnados.

A resposta veio de imediato. Muitos mais do que nós - quase o triplo - responderam com  o Nabuco de Verdi, essa espécie de hino italiano.

O momento foi inesquecível.... e também a certeza que o jogo se começara aí a perder.

domingo, 18 de julho de 2010

Se o Mundial de Futebol fosse de Rugby...

… o Gana teria ido à meia-final do Mundial e o Uruguai teria ido para casa mais cedo. Se fosse rugby também não haveria assembleias de mandar vir a envolver o árbitro cada vez que fosse marcada uma falta com paragem do jogo. Se fosse rugby tão pouco se ganharia alguma coisa com as ditas faltas inteligentes feitas a meio-campo para cortar a vantagem do adversário. Se fosse rugby qualquer agressão não detectada pelo árbitro levaria ao castigo do prevaricador pelas entidades que superintendem à modalidade. Se fosse rugby, as bolas entradas na baliza seriam golos e o aproveitamento do fora-de-jogo deixaria de ser possível.
O Gana teria passado porque, se fosse rugby, a falta do uruguaio Suarez – defendendo sobre a linha de golo com as mãos – daria um golo de penalidade; não haveria assembleias porque, a cada mandar vir, o local da falta avançaria 10 metros no terreno; nada se ganharia com faltas inteligentes porque iria haver cartão amarelo com saída do faltoso por 10 minutos, marcação de falta com conquista de terreno e de novo direito á posse da bola; os golos eram golos e os fora-de-jogo seriam fora-de-jogo porque haveria recurso imediato às novas tecnologias que informariam árbitros e espectadores da realidade dos factos.

Ou seja: existe uma enorme diferença entre o entendimento do jogo de rugby e o jogo de futebol. No primeiro, toda a construção do sistema de leis do jogo tem por objectivo jogar de acordo com a lei, dando oportunidades idênticas a ambas as equipas; no segundo, a construção do sistema de leis do jogo permite o recurso constante à sua subversão e – pode-se mesmo dizê-lo – incentiva-o, permitindo vantagens ao dissimulador.

Se fosse rugby, o futebol era um jogo mais interessante com menos fanatismo e dando maior protagonismo aos melhores jogadores.

Se fosse rugby não seria possível pensar-se – como alguém anda por aí a pensar – que o jogador expulso deve ser substituído. Porquê? Porque diminuiria a violência, dizem. Com certeza. Principalmente porque seria possível montar uma equipa com o objectivo de baixar o pau sobre o mais perigoso adversário…

Se fosse rugby, os golos entrados seriam golos e os golos marcados em fora-de-jogo seriam anulados.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

24

Terminou o 24 de Jack Bauer. Durante anos segui os episódios que pude e gostei sempre daquele esquema simplesmente dramático: defesa patriótica de vale tudo, Presidentes abaixo do nível crítico, tensão torturante, tiro, faca, tecnologias, espionagem, toque e fuga e da fidelíssima O’Brian. O esquema era muito simples e o grande gozo era perceber quando iria entrar em acção a Lei de Murphy* para levar qualquer momento de vantagem à pior das situações. O truque era quase elementar mas suficientemente elaborado para funcionar sempre – mesmo nos últimos episódios de cada série em que o herói se tinha que safar. Série de culto diz-se.

                                       * Lei de Murphy numa das suas expressões: “Se alguma coisa pode correr mal, correrá e da pior maneira possível no pior momento possível.”

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Espanha campeã mundial

A Espanha ganhou o Mundial de futebol e confesso que gostei. Para além da afinidade ibérica, aquele futebol agrada-me - embora goste mais da acutilância da sua forma na expressão do Barcelona. A equipa espanhola jogou mais, foi melhor e mereceu ganhar o jogo - até porque a Holanda, sendo embora uma também boa equipa, recorreu com demasiada intensidade - para resistir e disfarçar fraquezas - ao baixar de pau.

Curioso é que o grande vencedor futebolístico deste Mundial é Johan Cruyfft, o holandês genial que encorporava a representação da laranja mecânica e que, como treinador, deu ao Barcelona - de que é Presidente Honorário - os princípios da dimensão futebolística que tem hoje.

Sempre gostei de Cruyfft - foi um prazer vê-lo jogar e quando o vi como treinador passei a ter em atenção o seu trabalho. Aprendi bastante com ele: conceitos e métodos. Não o conhecendo pessoalmente de lado algum tenho, enquanto treinador, afinidades comuns - para além de termos nascido no mesmo dia...

A vizinha Espanha ganhou o Campeonato do Mundo sem vedetas, apostando no colectivo, no espírito de equipa, na capacidade do todo se superiorizar à soma das partes - não seria altura de aprendermos alguma coisa com eles? Afinal, estão aqui mesmo ao lado...

(ET: e a vitória espanhola dará uma outra dimensão à candidatura mista ao Mundial de 2018)
(ET2: esta vitória da Espanha aumentou-me o amargo de boca que me ficou do EURO 2004)

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Lições do Mundial

A principal lição que o Mundial da África do Sul nos dá é simples: o colectivo é o mais de uma equipa. Pouco importa o número de vedetas, pouco importam as frases do cheios de vontade, estamos determinados, do queremos vencer etc. e tal. Importante, importante é a capacidade colectiva – a tal que transforma um todo numa soma superior à soma das suas partes. Por uma razão simples e mais do que conhecida – mas muito esquecida: não basta querer, é preciso poder. E poder, nos desportos colectivos, significa, no mínimo, ser capaz de ultrapassar os protagonismos individuais e alinhar um conjunto de normas que se traduzam num espírito de equipa capaz de fazer face aos momentos de pressão e às contrariedades inerentes ao jogo.

Os quatro semi-finalistas do Mundial são equipas que baseiam o seu jogo – as suas capacidades – no colectivo. A Espanha, agora finalista, mostrou-se exemplo maior desse espírito – o golo de Puyol só veio premiar um dos seus mais coerentes seguidores – dando uma enorme lição daquilo que pode hoje ser o Football Association. No Barcelona sempre me admirou a capacidade – claramente aprendida nas suas escolas – do movimento dos jogadores, libertando novas linhas de passe, e da exposição do conceito de que o movimento não termina no momento do passe. E esta Espanha mostra disso – naturalmente – grandes influências. Um gozo para a vista de quem gosta de futebol – e se bem percebi o que me explicaram há anos, um futebol que Mestre Cândido Oliveira não desdenharia.

terça-feira, 6 de julho de 2010

Paul Krugman sobre a actualidade económica

"Apregoam a necessidade de apertar o cinto, quando o problema real é a despesa inadequada. [...]

[...] Diante deste quadro sombrio, podíamos esperar que os decisores políticos percebessem que ainda não fizeram o suficiente para promover a recuperação. Mas não: ao longo dos últimos meses tem havido um ressurgimento impressionante da defesa da moeda forte e da ortodoxia do equilíbrio orçamental. [... ]

[...] O que está em causa é a vitória de uma ortodoxia que tem pouco a ver com análise racional, e cuja principal doutrina reside em impor sofrimento aos outros como forma de mostrar liderança em tempos difíceis.

E quem vai pagar o preço deste triunfo da ortodoxia? A resposta é: dezenas de milhões de trabalhadores desempregados, dos quais muitos ficarão anos sem trabalho e alguns nunca conseguirão voltar a trabalhar."

Paul Krugman (Nobel Economia 2008), A terceira depressão, New York Times, Junho 2010

Retorno dos ais e dos quase

Ponto prévio: pese embora a tese da minha filha nunca estive muito convencido que a nossa selecção fosse capaz de chegar muito longe. Faltava-lhe liderança e talento para construir um colectivo capaz de ultrapassar os obstáculos de um Campeonato do Mundo. Portanto a minha decepção foi muito reduzida: era o esperado. Mas não deixo de ficar espantado com aqueles que julgam que temos uma das melhores equipas do mundo (dessas, só a de 66 que a TV deixa recordar) .

Desde que vi, no pior vivo que me lembre, o desperdício que representou a derrota contra a Grécia na final do Euro 2004 - era um povo inteiro a empurrar para a vitória - que não tenho grandes ilusões sobre a capacidade futebolística da selecção nacional. Há sempre muita vaidade, muito antes de o serem já o eram, muito convencimento e pouca exigência.

Desta vez a minha ilusão também não era grande. Ainda não tínhamos ganho nada e já eramos campeões. E assim fomos aos saltos, passando pelo play-off, até à África do Sul. Sem grande glória e com o entusiasmo de um 3º lugar no ranking que não consigo entender (no Rugby os pontos do ranking só contam com resultados contra equipas do mesmo nível ou superior, nunca contra os mais fracos).

Como se este estado de espírito - traduzível em atitudes passivas, mais de espera que de procura - não bastasse, a continuidade da entrega da braçadeira de capitão a Cristiano Ronaldo foi um claro e previsível erro de casting. Que contribuiu ainda mais para uma atitude errada e incapaz de transformar um grupo num conjunto superior à soma das suas partes.

Com a visita de Piennar - o grande capitão do XV Springbok que venceu o Mundial de Rugby em 95 e que foi capaz de liderar uma equipa de fracos resultados até então e transformá-la em campeã, sabendo sempre encontrar a palavra justa para puxar os seus companheiros do fundo do poço dos momentos críticos - ainda pensei que alguma coisa se iria alterar. Mas o que disse, a experiência que contou, os aspectos que focou, ou não foram percebidos ou foram dados como menores. A oportunidade perdeu-se, tudo ficou na mesma e o resultado, foi-se.

Como se sabe (ou deveria saber), as palavras não vencem jogos; a atitude, sim.

                                   Em tempo: escrevi este texto depois do jogo contra a Espanha; a sua publicação hoje permitiu condensá-lo e torná-lo de leitura mais simples. 

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Se fosse Rugby...

Se fosse Rugby, não era possível. Nunca num Mundial ou em qualquer outro jogo importante que seja tevisto por milhões de pessoas. O primeiro golo da Argentina contra o México, em claro fora-de-jogo, teria sido anulado; o golo invisível da Inglaterra teria sido golo mesmo e o jogo teria sido outro. Ver-se-ia na televisão e em poucos segundos – como todos vimos nas repetições.

Há uma regra que norteia a vida dos campeões: cometem-se sempre erros, nunca se repetem os erros. O golo com a mão que permitiu a vergonha francesa neste mundial deveria ser o erro a não repetir. Não foi. Porquê? Apenas porque do alto da sua arrogância os senhores futeboleiros não estão para isso? Ora, ora…

A pergunta é óbvia: como é possível não recorrer às simples tecnologias que evitam estes erros? A resposta é quase sempre idiota e dada com ar enfadado: os erros são normais e fazem parte da festa futebol.
Esta estupidez, sendo demasiada – embora Cipolla, na sua Primeira Lei Fundamental da Estupidez Humana, nos avise que há muito mais estúpidos do que possamos imaginar – terá a sua razão num qualquer interesse. Só pode.

Pode parecer demasiado duro mas, face ao comportamento das altas instâncias fifaenses, a interpretação não pode ser diferente – e são eles mesmos, os responsáveis que a permitem: o futebol é assim porque dá jeito que assim seja. Cujo corolário será: assim, a corrupção pode ajustar-se aos interesses que se jogam.
E se não gostam de ser vistos assim, têm remédio fácil: não permitam, mudem as coisas e tornem o futebol mais limpo. Seguindo regras que garantam a credibilidade das decisões.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Basílica da Estrela




Lisboa

Tese da minha filha

Está descansado, pai. Nós vamos longe: somos bons no meio - só somos maus no início e no fim.
Se ela tiver razão, a final está garantida...

terça-feira, 22 de junho de 2010

Lido em A BOLA

Filha de Saramago agradeceu luto A selecção de Portugal apresentou-se com fumos negros em homenagem a José Saramago durante a audição do hino nacional antes do jogo com a Coreia do Norte. Bonito.

Um Vazio de 18 títulos
Aviso aos jovens de Paulo Russo, 38 anos, campeão nacional de pólo aquático por dezoito vezes, internacional: “Que eu sirva de exemplo. Pensem bem nas suas vidas, não tomem opções às cegas. É tudo muito bonito, mas o meu futuro não deixa de ser uma interrogação.”
Para que não se repitam situações idênticas, é necessário garantir que a prática desportiva de acesso ao alto rendimento não impeça a formação escolar em tempo útil – encontrando formas adequadas que permitam a conciliação entre estudos e obrigações desportivas. É uma obrigação da Escola. Sem falsos moralismos.

Ensino do Desporto
Reflexões de Sidónio Serpa, professor catedrático da Faculdade de Motricidade Humana: ”Corre-se o risco de que, no futuro, as Universidades [portuguesas] estejam cheias de docentes com um curriculum repleto de publicações mas com alunos insatisfeitos com as prestações pedagógicas dos seus professores. No que respeita às instituições dedicadas às ciências do desporto, talvez o domínio dos modelos científicos não venha a corresponder à capacidade prática de intervenção. Será que se dará razão a Edgar Cardoso, engenheiro mundialmente conhecido pelas suas pontes, quando dizia que quem sabe de engenharia está nas obras e quem não sabe ensina nas universidades?...”
Pois é e como se sabe ou se deveria saber: na prática, a teoria é outra.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Portugal ganha por 7

Até que enfim! 7-0! Foi bom. Mesmo tratando-se de um adversário de fraco nível, a velocidade que os jogadores imprimiram e que lhes permitiu o número de golos marcados também permite pensar que no jogo contra o Brasil há a obrigação de entrar para ganhar!

José Saramago

O José Saramago morreu. Como diz a Ana, o nosso círculo de amizades e afectos está a ficar cada vez mais reduzido. A memória viva das pessoas, das coisas e dos momentos começa a deixar traços de profunda tristeza. Coisas da idade, claro.
Conhecíamo-nos há tempo suficiente – de muitos jantares, ainda com a Isabel da Nóbrega, na Varina da Madragoa do António Oliveira. Estivemos juntos na campanha à Câmara de Lisboa do Jorge Sampaio quando se candidatou à presidência da Assembleia Municipal. Foi em nossa casa – à Ana, à Maria do Céu e Manuel Alberto Valente e a mim – que nos apresentou com paixão evidente a Pilar del Rio. Conhece-mo-la então em vídeo, vendo uma entrevista. Percebemos a sequência.

Agora ficam-nos os livros e a lembrança de algumas graças como a do “isqueiro da Belimunda” – transparente a mostrar uma flor lá dentro. Um abraço, José.
(A fotografia utilizada - boa e significativa - foi retirada do blogue Virtuália - O Manifesto Global. Com os devidos cumprimentos e em atenção às circunstâncias)

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Diferenças

Os candidatos, ganham. Os outros... dizem.

Regra d'ouro

Há uma regra de ouro no desporto: não se apresentam queixumes sobre o adversário quando não se conseguiu ganhar! Soa a desculpas de mau pagador. É feio e de mau carácter.

terça-feira, 15 de junho de 2010

O Feeling

A bola vai começar a rolar para nós. Por mim quero a vitória, quero as vitórias, o passar a fase de grupos o ir à meia-final. O ir à final. O ganhar o Mundial.
Arrasar é o lema da minha emoção.

Mas como treinador sei que as coisas não vão lá só com o meu querer. Para chegar longe, para além de jogar acertadamente, é preciso sorte: que as nossas bolas não batam nos postes, que as bolas deles encontrem sempre a trave. E é preciso uma enorme vontade de vencer, uma capacidade invulgar de alterar as coisas que correm mal. Para o que é necessário que o triângulo da equipa – definição de propósitos, alinhamento de perspectivas e sincronização de movimentos – tenha sido, naquilo que é importantíssima tarefa do treinador, capazmente preparado.

Às vezes, há casos.

Lembro-me de ver Figo – no Portugal-Inglaterra do Euro 2000 – a revoltar-se e a impor uma vontade de conquista aos seus companheiros: com um olhar, com dois ou três gestos, com um golo monumental. E o jogo virou-se com a vitória final de 3-2. O líder dentro do campo transformou uma equipa e conseguiu transformar o momento do grupo num espaço colectivo de equipa de soma superior ás suas partes.

Lembro também – e revi-o há dias – o Portugal-Coreia do Norte de 66 com a extraordinária reviravolta na façanha goleadora de Eusébio mas com a liderança do enorme Coluna e a vontade de olho clínico do Alexandre Baptista. Dentro do campo a vontade dos homens e a auto-confiança que transportavam (salvé Otto Glória e Manuel da Luz Afonso!) transformaram a derrota surpreendente numa vitória memorável.

Que marquemos primeiro! Que nunca soframos um golo antes de marcarmos.

Se for assim, poderemos avançar. Se assim não for, morreremos numa praia qualquer próxima ou longe da Boa Esperança. Porquê? Porque nos falta liderança dentro do campo que permita mudar as circunstâncias. Porque não vejo quem transmita a vontade indomável de alterar a contrariedade. Repito-me: que haja a audácia de ir sempre à frente.

domingo, 13 de junho de 2010

Conselhos

“…conselhos que não são pedidos podem ser considerados gestos hostis.”
Michael Douglas
Pública

De Mao a Piao

Parece um fado. Antigo e sem mudança de letra. Repetitivo.

A solução que os enormes pensantes propõem para a saída da crise do país – dando provavelmente milhões e ficando barata aos neurónios – é fácil: cortar nos salários!

Bravo! Assim, com salários mais baixos a nossa competitividade aumentará, afirmam. Claro! É a cultura de Loja dos Trezentos no seu melhor expoente.

Sorte a nossa, poderemos ser como a China – “dona” da dívida externa dos Estados Unidos e de vida interna cheia de graça e qualidade. Ámen para eles. E para os notáveis pensantes, também - gosto desta malta cheia de soluções e que, pelo que fizeram e não fizeram, têm enormes responsabilidades no estado actual de Portugal. E lembro-me de Andy Wharol e dos seus quinze minutos de fama... é hora de aproveitar.

A música é a mesma e a letra também. Disco riscado? Vira o disco e toca o mesmo? Alguém me lembrou o célebre conceito: a economia é um assunto demasiado séria para ser deixado aos economistas – principalmente dos acertadores da taluda já vencida, acrescento.

Não haverá caminho diferente, mais acertado e mais eficaz, do que de Mao a Piao?

sábado, 12 de junho de 2010

Torre Sineira

  
foto de telemóvel
Igreja de Santa Maria do Castelo
Tavira

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Neste barco?!...

...e o sonho de um fim-de-semana inesquecível, foi-se...
Escaroupim

ABAIXO AS VUVUZELAS! (e quem as apoiar)

Haverá pior do que comprar bilhete de avião, marcar e pagar quartos de hotel, comprar os bilhetes para os jogos, gastar uma pipa de massa para gozar um Mundial de futebol e ficar sentado à frente dum apitador de vuvuzuelas? Só mesmo o azar dos Távoras.
Gosto de ir ao futebol, de aplaudir jogadas, de dar um grito por outro, de me levantar no lugar, mas odeio todos os tipos (e tipas!) que levam buzinas de ar comprimido para os jogos – tenho enorme dificuldade de perceber o gozo de tocar na borrachinha e sair ronco. Palmas, cantares, dizeres, apoios, tudo bem…mas estas inventonas do marquetingue são insuportáveis.


Vuvuzelas, um achado de quem detesta e para quem detesta futebol – como é que se pode gozar o jogo a soprar naquilo?


O que parecia poder resolver-se olhando a televisão sem qualquer som, foi estragado com uma palermice de campanha de marquetingue da responsabilidade da GALP – agora qualquer criança tem o direito, apoiada no olhar embevecido dos paizinhos, de bufar alarvemente o estupor da corneta. E vão chegar-se às janelas para comemorar isto aquilo e mais uma ou outra coisa qualquer…Temo o pior deste Mundial.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Ponte Rainha D. Amélia

Ponte rodoviária Rainha D. Amélia sobre o Tejo
Porto de Muge

terça-feira, 1 de junho de 2010

Puxadores e batentes

Lisboa

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Prémio Secil Unversidades de Arquitectura 2009

Por convite da Ordem dos Arquitectos e com aceitação da Secil, fui presidente do júri do Prémio Secil Universidades de Arquitectura 2009. A cerimónia de entrega dos prémios foi no Teatro D. Maria II – que a administração da Secil (no caso Mário Valadas) teve a feliz ideia de abrilhantar com a orquestra do Hot Clube, que já não ouvia (do verbo ouver, claro) há muito tempo e está que em excelente forma. Recomendando-se, naturalmente.

O Pedro Queiroz Pereira – presidente do Conselho de Administração da Secil – depois de agradecer aos jurados e presidentes de júri, resolveu lembrar a nossa amizade que vem dos tempos de alunos do Colégio Militar e transmitiu a toda a gente que, no meio, eu era mais conhecido pelo “200”. Quando chegou o tempo da minha intervenção, agradeci a lembrança que tinha feito da excelente casa que era o nosso Colégio Militar e aproveitei para lembrar que o Presidente da República, ali presente, era aluno honorário. Que, para espanto do Pedro, lhe dizia: E tenho número! Claro que tem número, é o “695”. A seguir disse o que tinha preparado e que não anda longe do texto que anteriormente escrevi para o catálogo dos premiados. Assim:

“Senhor Presidente da República.
Senhoras e Senhoras, Membros do Júri,
Premiados, Participantes

O Prémio Secil Universidades de Arquitectura, mostrando as preocupações e contexto em que as Escolas de Arquitectura se movem, constitui também um passo importante da articulação que se pretende constante entre as Universidades e a Sociedade a que pertencem e a que devem responder. E esta aproximação marca a importância deste prémio. Daí que não possa deixar de agradecer à Secil a iniciativa e o incentivo.

Como já escrevi a este propósito, sei que não é fácil o acesso à profissão Arquitecto nos dias que correm. Na crise que vivemos, o acesso e o exercício profissional estão ainda mais difíceis – o que atribui aos prémios uma dimensão superior de importância. Ganhar hoje um prémio, é uma vantagem não desprezável.

Espero que aqueles que têm o poder da responsabilidade sejam capazes de encontrar as soluções que permitam criar as oportunidades necessárias à realização do trabalho destes futuros arquitectos. Mas se tudo - na visão pessimista que nos rodeia - pode parecer inultrapassável, lembro uma outra oportunidade que se vos abre: a Arquitectura Portuguesa cresceu e tem um prestigiado reconhecimento internacional. Pelo mundo fora há inúmeras assinaturas da Arquitectura Portuguesa que possibilitam acessos a novos mercados. Que possam aproveitar a abertura desse caminho – difícil mas profissionalmente recompensador – são os meus votos para os que, quase Arquitectos, são os premiados e participantes neste prémio.

Hoje a Arquitectura exige-nos uma atenção e cuidados particulares. O mundo, a Terra em que vivemos, impõe-nos o desenho sustentável. E é a nós arquitectos que cabe a principal responsabilidade para o conseguir através do bom desenho da componente passiva dos edifícios. A vocês, futuros actores da Arquitectura Portuguesa, caberá desenvolver este caminho, abrindo por esta via da sustentabilidade e da dimensão pluridisciplinar do trabalho colectivo, novos espaços à expressão do conteúdo humanista do desenho arquitectónico.

À Ordem dos Arquitectos agradeço o convite para a presidência do Júri e à Secil a sua aceitação.

Por fim quero ainda agradecer aos meus companheiros, membros do júri, o excelente apoio que proporcionaram nas tarefas que nos competiam – e aqui gostaria de lembrar e agradecer, de uma forma particular, o trabalho da drª Cristina Menezes.

Parabéns aos premiados. Muito obrigado.
(João Paulo Bessa, Presidente do Júri)
foto com telemóvel

sexta-feira, 21 de maio de 2010

O logro percentual

1% é igual a 1%. Mas 1% de 20 é diferente de 1% de 80 - e o 1% sobre ordenados baixos e muito baixos é diferente do 1% sobre ordenados altos e muito altos. Por uma razão simples: para os últimos, as necessidades básicas estão altamente superadas; para os primeiros, a quem sobra sempre mês, as necessidades básicas estão diminuídas. Por isso, falar na repartição por todos, é injusto - mesmo considerando que estão isentas de tributo cerca de um milhão de famílias. Porque se o 1% é igual, o resultado é diferente. Como se sabe facilmente do futebol: marcar golos em 30% de três remates diz-se eficácia; marcá-los em 30% de nove remates diz-se desperdício. O que significa uma enorme diferença.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Snowball


Coruja do Mato
juvenil
strix aluco
Apanharam-no no chão – abandonado pelos pais, diz quem conhece – e entregaram-no a um Vigilante da Natureza. Há cerca de mês e meio. Era uma bola de pêlo branco quando chegou, por isso o nome. Hoje, parecendo ser macho e voando já o seu espaço, está a aprender a comer ratos para, dentro de pouco tempo, aprender a caçar e tornar-se independente. Tomado por inapto para sobreviver – se o abandono for verdade – está a um passo de experimentar a sua liberdade. Graças ao Paulo Encarnação que tem cuidado dele.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Éticas

O senhor Presidente da República usou a ideia que “a ética da responsabilidade tem de ser colocada acima das convicções pessoais de cada um” para justificar a promulgação da lei que aprova o casamento de pessoas do mesmo sexo. Na aparência pareceu bem. Falso.

Primeiro, porque, articulando como articulou, considerou que a decisão apenas se deve à força da actual crise – ou seja: a ideia, em si, nada vale nem nada representa em matéria de não discriminação ou de Direitos Humanos e, não sendo a crise, nunca a aprovaria. Por outro lado, a chamada da “ética de responsabilidade” à justificação, não ultrapassando a fórmula do politicamente correcto, ignora que a exigência do exercício do cargo de Presidente da República se norteia por outra ética, a ética republicana que obriga ao cumprimento e respeito dos procedimentos que definem a República, independentemente do que possamos pensar sobre eles. Ética esta que teria permitido, em vez de um discurso moralista, um afirmação de Estado: é assim porque assim foi decidido por quem de direito, ponto.

Há anos, Édouard Balladur, francês, primeiro-ministro (1993/95), católico, de direita e candidato à Presidência da República (1995), explicava, nos ecrãs da televisão e durante a campanha presidencial, ao ser perguntado por eventual oposição sobre a questão do aborto que “ser católico é uma decisão do foro pessoal. E como Presidente da República a minha obrigação é a de cumprir e fazer cumprir as Leis da República.” Culturas diferentes na mesma responsabilidade?

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Corvos marinhos

Corvos marinhos de faces brancas
Phalacrocorax carbo
Baía do Seixal

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Flamingos

A Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves(SPEA) - de que sou membro - confirmou a nidificação de flamingos na Lagoa dos Salgados no Algarve - dois ninhos para um tempo de incubação de cerca de 30 dias. Se tudo correr bem será a primeira vez que haverá reprodução da espécie em Portugal, sendo também uma importante ajuda para a já necessária protecção e classificação da lagoa. Haja esperança...



Flamingos
Phoenicopterus roseus
Salinas de Castro Marim

Nota a 19-05-2010: Parece que as possíveis crias da Lagoa dos Salgados não serão afinal a primeira reprodução de flamingos em Portugal. Segundo o portal avesdeportugal.info, existe registo anterior datado de 5 de Agosto de 1987: nessa data, um ornitólogo holandês observou, na reserva de Castro Marim, alguns ninhos de flamingos, juntamente com duas crias pequenas.

Bento XVI

A passagem de Bento XVI por Portugal teve, pelo que podem significar, duas afirmações a reter:

  • Primeira ou a falência da soberba:
    "[...] a maior perseguição à Igreja não vem dos inimigos no exterior mas do pecado da Igreja."

  • Segunda ou a abertura à consciência cívica:
    "O perdão não substitui a justiça."

fontes: comunicação social diária

terça-feira, 11 de maio de 2010

Benfica campeão!

Há cinco anos no Bessa, agora na Luz.
Campeões! Nós só q'remos o Benfica campeão!

O ciclo mudou: os campeões já preparam o próximo

A Vitória Seara Cardoso

O Marquês e a maré benfiquista

A frase que melhor se ouviu na noite foi de David Luiz: Eu vou ficar! ... a defesa sossegou e o ataque aventurou-se
fotos de telemóvel


sábado, 1 de maio de 2010

1º de Maio

Lisboa, Alameda (1977?)

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Gruta das Torres

Inês Vieira da Silva /Miguel Vieira, arquitectos
Gruta das Torres, Pico, Açores

Desperdício

“É pura perda de tempo fazer bem feito o que não serve para nada.”
Do senso comum da experiência
“Qual é a vantagem que se tem em fazer as coisas erradas bem feitas?”
Thomas A Stewart
“ Não há nada mais inútil do que fazer eficientemente aquilo que nunca deveria ter sido feito”
Peter Drucker

terça-feira, 27 de abril de 2010

O corpo e o terramoto


“As mulheres que não se vestem com modéstia desviam os rapazes do bom caminho, quebram a sua castidade e espalham o adultério na sociedade, o que faz aumentar os terramotos.”

Kojatolesman Kazem Sedighi, clérigo muçulmano iraniano, culpando as
mulheres pelo grande número de tremores de terra à volta do globo.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Cumprir o 25 de Abril

"Portugal não conseguiu cumprir o que o 25 de Abril, a todos, prometeu. Por leviandade de uns, por egoísmo de outros, por incompetência de muitos"
Vítor Serpa, A Bola

domingo, 25 de abril de 2010

25 de Abril

(Terreiro do Paço, Lisboa, 1978)

sábado, 24 de abril de 2010

Arquitectura anos cinquenta

Avenida Infante Santo, Lisboa
Alberto Pessoa, Hernâni Gandra, João Abel Manta, arquitectos

Qualidade da Democracia

"Não estou nada satisfeito com a qualidade da democracia. Temos que a requalificar, a começar pela renovação das estruturas partidárias"
Jorge Sampaio, Presidente da República (1996-2006)

sábado, 17 de abril de 2010

Paulo Gouveia, arquitecto, 1939-2009

Museu dos Baleeiros (1986-1989/?-2009)
Lages do Pico, Açores



In Memoriam


sexta-feira, 16 de abril de 2010

Treino de inverno

"[...] vai à frente dos do Algés e Dafundo, que têm piscina de Inverno e treinam todo o ano, o míudo que nadava no rio e representa agora a Associação Académica de Coimbra sabe que a ausência de preparação no Inverno significa menos dez metros de fôlego em relação aos de Lisboa, dez metros,[...]"
Manuel Alegre, O MIÚDO QUE PREGAVA PREGOS NUMA TÁBUA, D.Quixote, Lisboa, 2010

Montemor-o-Velho, um caso

Montemor-o-Velho via passar o Mondego. Alguém se lembrou de tentar um desvio que possibilitasse uma pista desportiva de remo. No princípio, o costume: desperdício, para o que se haviam de lembrar, como é que vou pagar isto?

Até que um dia, guiado pelo Miguel Figueira*, olhou para o canal de outra maneira e percebeu: e se transformar isto numa oportunidade?
Num repente, tudo mudou. Entendido como oportunidade, o canal transformou o pensamento. O bocado de água passou a mais valia, procuraram-se vontades, procuraram-se mais investimentos. De um bocado de água destinada a pouca coisa que não a vista, surge um conceito: agarrar a oportunidade, modernizar a vila, transformar a vida. Nascia um Centro de Alto Rendimento Desportivo apoiado em parcerias da Secretaria de Estado da Juventude e Desporto, do Instituto do Desporto de Portugal, I.P., das Federações de Remo, da Canoagem, do Triatlo e da Natação.

Hoje, quase acabados os canais necessárias a uma pista desportiva de remo - prepara-se a recepção a um Campeonato Europeu de Remo em Setembro próximo - e onde também marcará vez a Canoagem com Europeus em 2011 e 2013. O Triatlo já tem residentes - jovens atletas - numa casa do meio da vila. A Canoagem, noutra casa, também. A Natação de Águas Abertas - a pensar em novos apuramentos olímpicos - fará companhia nos treinos dos triatlistas. E estrangeiros estão já de olho em cima - para treinar em inverno ameno.
A vila muda a fisionomia: escadas rolantes de exterior permitem o acesso fácil entre a baixa e a alta junto ao castelo. A população residente ganha mobilidade e confronta-se com a novidade, abrindo-se a novas ideias e a novos costumes. O comércio, mais cedo que tarde, vai aproximar-se dos grandes centros.
Uma oportunidade e muito muda, ganha-se nova esperança num tempo de crise. Abrem-se novas perspectivas: o novo espaço criado - água, pistas, espaços naturais - permitirá atrair empresas que aqui encontrarão o melhor dos sítios para os seus team buildings. Os serviços virão atrás. A cidade transforma-se, os montemorenses abrem-se perspectivas.
Montemor-o-Velho é um caso de estudo: como agarrar uma oportunidade para transformar uma cidade. Vale o exemplo.

* Miguel Figueira, arquitecto, GEP.CMMV, autor do projecto de arquitectura

sábado, 10 de abril de 2010

Chaminés

Lisboa, Avenida 24 de Julho

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Prémio Secil Universidades Arquitectura 2009

A Ordem dos Arquitectos e a SECIL convidaram-me para presidir ao Júri do Prémio Secil Universidades Arquitectura 2009. Ontem, quinta-feira, fizemos a reunião principal num espaço de velho armazém - simpatia da NavalRocha SA - soberbamente colocado à borda do Tejo numa tirada da cartola da Cristina Menezes (funcionária da Ordem dos Arquitectos) que ainda foi capaz de nos facilitar a vida numa construção logística exemplar, criando um óptimo ambiente - almoçamos no Museu de Arte Antiga - que correu toda a sessão. No final , digo eu, só me faltou um gin e a esplanada para, mesmo com a falta do Pico mas de Arrábida ao longe, substituir no sabor da memória o Peter’s do Faial.

Foram analisados 56 trabalhos da mais diversa variedade e das mais diferentes escolas, seleccionados vinte e premiados, no final, cinco conforme propõe o Regulamento. O Júri esteve satisfeito, conversou sobre coisas várias da arquitectura e do seu ensino, sobre as relações das escolas com o prémio, sobre eventuais alterações regulamentares a considerar e saímos satisfeitos e agradados com a missão que cumprimos. Para além do mais, gostamos de alguns trabalhos que os estudantes apresentaram. Para mim, para além de honrado pelo convite, foi uma experiência muito gratificante.


Para lembrança, os nomes dos membros do Júri pela ordem da fotografia (da esquerda para a direita): Alexandre Alves Costa, António Ferreira de Carvalho, António Poças, Patrícia Diogo, Pedro Costa, Rui Correia, António Barreiros Ferreira, Pedro Reis (de pé), José Manuel Pedreirinho, Miguel Vieira (de pé), Cristina Salvador (encoberta), Cristina Menezes. Falta ao enquadramento de Tejo ao fundo, a Andreia Galvão.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Ser português

"Ser português significa interessarmo-nos por uma questão que não interessa nada a mais ninguém."
Miguel Esteves Cardoso in JA237 (Jornal Arquitectos), Outubro-Dezembro 2009

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Persistência

"Há nos confins da Ibéria um povo que nem se governa nem se deixa governar", percebeu Caio Júlio César (100 a.C. – 44 a.C.), general romano.
Vinte séculos mais tarde – mas no mesmo espaço da P2 do Público - Eduardo Lourenço concluía de modo semelhante: "Portugal sempre foi um país difícil. […] Portugal não é um país fácil de governar."
Mesmo com vinte séculos de intervalo…
persistência?!

sábado, 3 de abril de 2010

Páscoa 2010




quarta-feira, 31 de março de 2010

Eu não me resigno, eu não me conformo

"[...]
Uma nação é os seus cidadãos e cidadãs que têm direito a ser tratados sem preconceitos nem qualquer forma de discriminação.
E também os imigrantes que a escolheram para trabalhar e viver e têm direito à inclusão, não apenas para ganhar medalhas olímpicas ou vestir a camisola da selecção nacional de futebol, mas para participar também na nossa vida cívica.
Uma nação é as suas pessoas, e também a sua História, a sua cultura, a sua língua, a sua identidade. É essa a razão de ser da minha candidatura.
[…]
O Presidente da República tem o poder de convocatória. A responsabilidade do Presidente é ser uma referência e um referenciador. Cabe-lhe convocar o país para as reflexões sobre indecisões e contradições. Cabe-lhe promover os debates que ultrapassem as questões de contingência e as questões de circunstância. O país é uma comunidade formada por diversos compromissos e composto por interesses em regra diversos e divergentes. Cabe ao Presidente a convocatória, a interpelação e a mobilização.
Portugal tem um défice de reflexão e de estratégia, um défice de comunidade e, sobretudo, um défice de confiança.
Ser Presidente da República não é só ser o guardião: não é ser somente o titular de deveres e poderes. É também ser o intérprete, o promotor e o mobilizador.
Inspirar e animar a construção colectiva de um caminho em que os direitos sociais sejam respeitados e em que a ética republicana prevaleça.
[…]
Eu não me resigno, eu não me conformo.
[…]”
Manuel Alegre em Beja a 26/Março/2010

segunda-feira, 29 de março de 2010

Desporto inclusivo

Para além da convicção que tenho de que se as pessoas soubessem mais de Desporto e das suas componentes, seríamos muito mais eficazes na resolução dos mais diversos problemas do país, tenho também a profunda convicção que, através do Desporto e da sua prática, é possível - e constitui até um extraordinário e exemplar caminho - atingir elevados níveis de eficácia na integração social.

Assisti recentemente, na freguesia da Apelação, à assinatura dos protocolos de adesão ao Contrato Local de Segurança de Loures, entre o Município de Loures, o Governo Civil de Lisboa e diversas entidades parceiras de também diversas áreas culturais, religiosas, sociais e desportivas. Este programa – que tem como áreas de intervenção prioritária a prevenção da delinquência juvenil, da pequena criminalidade, da violência doméstica, dos comportamentos anti-sociais e dos fenómenos de insegurança - é impressionante, pleno de acções e com uma dimensão extraordinária de parcerias e a sua implementação sustentável trará, aos cerca de 53.000 habitantes das freguesias da Apelação, Camarate e Sacavém, o início das condições de cidadania a que têm direito independentemente da sua condição social.

Do lado do Desporto, espaço do meu contentamento e razão da minha presença, tornaram-se parceiros do programa “Desperta no Desporto” integrado neste Contrato Local, o Comité Olímpico de Portugal, a Federação Portuguesa de Esgrima, a Associação de Rugby do Sul, a Associação de Andebol, o CDUL-Rugby, o Sporting Clube de Portugal e o Estádio Universitário de Lisboa. E as acções já começaram: a esgrima já atira, o judo já projecta e o rugby já tem adeptos. Abre-se um novo mundo nas vidas dos miúdos das freguesias da Apelação, Camarate e Sacavém. A oportunidade da cidadania, também.

Fiquei impressionado com a aposta. Espero que daqui de Loures – vale a pena estudar o caso - resulte a percepção generalizada das enormes possibilidades e potencialidades que o campo desportivo oferece para a inclusão social e cidadania.

Caneta para a História?

Na Ordem dos Arquitectos tomou posse a Comissão Instaladora do Colégio de Especialidade de Património Arquitectónico, constituída por Vítor Mestre, Walter Rossa, Sérgio Fernandez e Gonçalo Byrne. Pretende-se, como disse João Rodeia – presidente da Ordem – que o Colégio seja um think tank das questões que dizem respeito ao Património Arquitectónico e não um espaço profissionalmente reservado. Sérgio Fernandez, em palavras de ocasião de empossado, afirmou não gostar muito do conceito Especializado, percebendo-se preferir um espaço de encontro e discussão sobre as questões que se colocam nesta área.
Para quem, como eu, que tem defendido no Conselho Nacional de Delegados a que pertenço, que os Colégios de Especialidade não podem ser uma corporação de interesses dentro da Ordem, fico satisfeito com os princípios declarados.
Tratando-se de uma área de enorme importância para a cultura e história portuguesa e pela qual tenho carinho e interesse, mais satisfeito ainda fico com o facto de as assinaturas – momento histórico? - terem sido feitas com a minha caneta – uma neta actual da lapiseira Fixpencil 2 da Caran d’Ache que integra a selecção dos 1000 Objectos de Culto de Design da Phaidon Design Classics. A foto (de qualidade de velho telemóvel) aqui fica como testemunho e para o caso do momento se tornar histórico – espero-o bem pois que, se assim for, uma das minhas netas poderá contar com algum valor interessante de herança.

sábado, 27 de março de 2010

Estúpida falta de memória

[...] "o Sp. de Braga foi alvo de uma campanha vergonhosa levada a cabo pela CD da Liga (...) ao melhor estilo inquisitório, que faria a PIDE parecer meninos de coro"*. A estupidez da comparação é óbvia e insultuosa. E representa enorme falta de respeito para com todos aqueles que sofreram as torturas pidescas, viram a sua vida e das suas famílias arruinadas ou perderam a vida por mera discordância de opinião.
A comparação, ignorando a memória, não é mais do que uma revisão da história portuguesa. A existência da PIDE em Portugal não é uma ficção ou invenção. E não foi um mero organismo que se limitava a interpretar regulamentos: foi uma polícia política de cariz secreto que usou e abusou dos seus poderes contra cidadãos portugueses.

Tenham juízo!
*Comunicado da SAD do Sporting de Braga acerca da decisão do Conselho de Justiça da Federação Portuguesa de Futebol

sexta-feira, 26 de março de 2010

O jogo dos interesses

Os stewards não são intervenientes do jogo, diz o Conselho de Justiça da Federação de futebol. Talvez não. Talvez sejam apenas elementos essenciais da organização do jogo.
Mas certeza, certeza, é que não são espectadores. Porque eu, espectador, não tenho que cumprir - para além do direito de entrada - com mais coisa nenhuma para ir a um jogo de futebol. E um steward tem! Tem que cumprir o legalmente estabelecido para o poder ser.

Os steward em Portugal nasceram com o Europeu de 2004. Por imposição da UEFA que quis, por razões de segurança, desmilitarizar os estádios procurando assim evitar a visibilidade policial, lida muita vezes como provocatória (no Euro 2000 vi forças policiais preparadas para intervir em caso de necessidade mas situadas a distâncias anti-provocação e dentro dos estádios, não se viam polícias).
Tinham aprendido com o futebol inglês que se socorreu dos stewards quando percebeu que as sessões contínuas da violência holligan se deviam também ao mútuo acicate de claques e polícias - uns e outros a chamarem a adrenalina num jogo de insultos e provocações. Com os stewards com uma missão precisa enquanto parte de um longo plano - os líderes dos gangs viram terminados os seus direitos de entrada em estádios - a Inglaterra transformou os espaços de espectáculo futebolístico em lugares de frequência familiar. E os estádios estão cheios...

Não bastando uma visão distorcida da razão dos stewards, tínhamos ainda que nos confrontar com outra particularidade do futebol português: o facto de ser mais barato dar um enxerto de porrada num espectador - o lorpa pagante alimentador do espectáculo - do que em qualquer outro interveniente do jogo. A proporção é de 1 para 6!
Em Inglaterra, não! Há quinze anos quando Cantona agrediu um espectador que, reconhecidamente, o tinha insultado, foi - sem qualquer outra preocupação que não a defesa da qualidade ética do espectáculo - castigado com 8 meses de suspensão. E será também por isso que no futebol inglês se pode ir aos estádios, sem que os espectadores se sintam punching-balls a preço de saldo. Por cá, pelo contrário, justifica-se tudo numa amálgama de teses peregrinas - em pérolas como esta: quem incumpre é que deve ser castigado e multado, mas nunca ao ponto de deixar de exercer a sua profissão - que justificam o injustificável.

Se admitirmos que a estupidez não é para aqui chamada, então a ignorância nesta matéria dos portugueses influentes no futebol caseiro só pode ser vista como mera cortina de fumo para camuflar o verdadeiro móbil: uma razão de interesse! Até que o futebol se torne insuportável e não haja clubite ou propaganda que o mantenha.

quarta-feira, 24 de março de 2010

As claques correm sozinhas?

Há alguns anos li um estudo sobre claques futebolísticas realizado pela Universidade de Lovaina (Bélgica). Aí estabeleciam-se, de forma clara e depois das necessárias investigações, as ligações entre grupos da extrema-direita e as claques de futebol, denunciando as intromissões, articulações e liderança das acções violentas.

Nas últimas semanas, em Portugal, houve constantes confrontos entre membros de claques a propósito da disputa de jogos de futebol. Na crise em que vivemos, no elevado desemprego em que nos encontramos, na imensa nebulosa com que o futuro se nos apresenta, temos montado o palco conforme às actividades de convulsão social pretendidas pela extrema-direita. Estão as autoridades portuguesas capazes de garantir que a mãozinha de uma qualquer Internacional Negra está fora de questão?

Incidente de vulto

Segundo o Público, a GNR faz um balanço positivo do que aconteceu no Algarve, no Benfica-Porto, por, dizem, não se terem "registado incidentes de vulto no jogo de maior risco do ano". Estão a brincar? O incidente de vulto é agora indicador para aferir da possibilidade de ir assistir a um jogo de futebol? Que raio de ideia é esta de medir o acesso a um espectáculo de futebol pela regra de batalhas campais?

Ao que se pode ler, a GNR tem por Missão a manutenção da ordem pública, assegurando o exercício dos direitos, liberdades e garantias. O que inclui manter a segurança dos cidadãos. Estes serão os indicadores pelos quais se pode medir a qualidade da sua intervenção. Que, pelo que vi, foi de má qualidade: na prevenção e na acção.

Incidentes de vulto!? Só falta esta visão para nos colocar ao mesmo nível de percepção dos elementos dos gangs chamados claques clubísticas.

PEC ou Plano de Austeridade?

A lógica deste PEC tem um problema: contradiz o pacto essencial de uma sociedade democrática - o de criar justiça social.
Fernanda Câncio in Diário de Notícias de 19/03/2010

terça-feira, 23 de março de 2010

Dormir sobre o assunto

Trabalhar em excesso, embora seja admirável, levanta questões sérias e pode pôr em causa o desempenho.
Relatório final da Comissão sobre o desastre do Challenger, 1986

Ou seja, mais vale dormir do que ser admirado... para segurança de todos.

segunda-feira, 22 de março de 2010

Ainda a Madeira

Do rio que tudo arrasta se diz que é violento.
Mas ninguém diz violentas as margens
que o comprimem.
Bertolt Brecht (1898/1956)

Cultura

Ter cultura é ter a capacidade de relacionar coisas, factos, meios, aparentemente distintos. O resto é memória.

domingo, 21 de março de 2010

Continuação da estupidez das claques

A coberto do futebol, as cenas de pancadaria entre claques continuam. Para garantir a “segurança” desses bandos sem lei, cerca de 1000 agentes foram mobilizados. A pergunta precisa de resposta urgente: O que é que clubes, Liga e Federação fazem tensões de fazer para – de uma vez por todas – acabar com esta alarvice anti-social?

sexta-feira, 19 de março de 2010

A brutal desproporção

Tenho uma enorme dificuldade em entender os tiros do polícia que levaram à morte de Nuno Rodrigues (o rapper Mc Snake). Não entendo mesmo esta estúpida desproporção entre uma fuga automobilística a uma Operação Stop e os disparos que levaram à morte do condutor. Será preciso recorrer a tiros para fazer justiça sobre um condutor desobediente? Não chegará saber o tipo de carro e a própria matrícula para actuar? Em que raio de filme ou série televisiva se julgava o atirador?

Que raio passou pela cabeça do atirador-polícia para considerar que a fuga o colocava – a ele ou a terceiros - em situação de alta perigosidade. Que raio de treino é este? Sei o suficiente sobre tiro de pistola para saber que só pessoas bem treinadas podem utilizar 7,65 ou 9mm de maneira eficaz e com os cuidados necessários. E uma de duas: ou as polícias têm o treino necessário para saber quando e como usar armas ou… devem andar sem elas.

Pedrada em Alvalade

E ontem, em Alvalade? Bonito espectáculo de bandos de arruaceiros – com essa coisa pretensamente chamada “calçada à portuguesa” (são apenas cubos de vidraço) a servir de arma de arremesso. Pode continuar-se a ir ao futebol?

segunda-feira, 15 de março de 2010

O jogo das claques

Cada vez que vejo claques futeboleiras acompanhadas por aparatos policiais de dezenas de agentes, não consigo deixar de pensar: porque tratamos energúmenos como gente decente, deixando que se comportem acima de qualquer regra?
Percebo que os membros das claques gostem daquilo. No fundo, a polícia protege-os e assim podem insultar toda a gente, provocar e incomodar a seu bel-prazer. A polícia é portanto parte essencial desta aberração de gostar de futebol. Sem a sua protecção, as claques já teriam perdido o carácter de gang. E os membros adivinham-no e por isso aceitam estes passeios concentracionários. Por sobrevivência.

Sendo tudo isto tão obviamente estúpido – para além do enorme custo que representa – a questão permanece cada vez mais brutal: porque é que não acaba? Em Inglaterra, acabaram…

Há dias participei num seminário onde se falou destas coisas: violência nos estádios, segurança, meios, etc. etc. Lá se foi percebendo o que já se sabe: aos clubes de futebol as claques dão jeito, dão votos e é melhor tê-las com do que contra. Portanto, a não mudar a mentalidade, não serão aliados da transformação dentro da lógica de mais valer poder do que espectadores.

Mas, curiosamente e à medida que o tempo corria, dei comigo a pensar numa outra perspectiva: estas acções também interessam à polícia – razão porque não acabam!

Por umas acções sem custos físicos sérios – não há baixas – passam-se uns dias - uma, duas semanas - a preparar uma guerra particular com o estendal habitual das salas de operações, recorrendo a informações e à sua procura, traduzindo em mapas e notas operativas os elementos estratégicos, operacionais e tácticos, num gozo pleno de adrenalinas. De pica e à borla. Sem riscos.

E se é verdadeira a regra fundamental dos bombeiros – um fogo não se combate, evita-se – só uma especial aliança de convergência de interesses permite que se deixe correr este fogo lento.
Até que as idas ao futebol se tornem uma impossibilidade.

quarta-feira, 10 de março de 2010

A Alice de Lewis Carrol

A quem ainda não leu a Alice de Lewis Carrol, aliás Charles Lutwidge Dodgson (1832/1898), proponho que o faça quanto antes. A quem já leu, que volte a ler. Principalmente antes de ver o filme que agora se estreou. Porquê? Porque “As Aventuras de Alice no País das Maravilhas” e “Alice do Outro Lado do Espelho” são livros excelentes, muito interessantes e divertidos. E muito inteligentes.

Conhecer o original antes de ver o filme de Tim Burton - que faz da estória ponto de partida e de memória permanente - permitirá um gozo maior de ambos. E a recente edição do Expresso – graficamente excelente e desafiadora, com ilustrações de Diogo Muñoz (de quem uso, com cumprimentos, uma reprodução) de uma Alice tirada das Meninas de Velásquez que se passeia em cenários de referência como a Guernica de Picasso (Andy Wharol e tantos outros também são para aqui chamados) – é uma excelente oportunidade para, lendo com a lentidão dos grandes momentos, se deliciar.

Lendo-os poderá reconhecer que Lewis Carrol também sabia da moral de “quem sai aos seus não degenera” ou perceber como o diálogo de Alice com o Gato Cheshire permitiu a Henry Kissinger*, notoriamente com a importância de uma outra pompa e claramente noutra circunstância, aconselhar que “se não sabe para onde vai, todos os caminhos o levarão a lugar nenhum” ou, ainda, aprender que numa Corrida Eleitoral se começa a correr quando se quer, se desiste também quando se quer e que, no final, todos são vencedores com direito a prémio, para já não falar no retrato esquizofrénico do mundo actual dado, em aviso elementar de Rainha, com um “aqui, como vês, é preciso corrermos o mais depressa possível para ficarmos sempre no mesmo lugar. Se quiseres chegar a outro sítio, tens de correr pelo menos ao dobro desta velocidade.” Ou também reconhecer, com Alice e numa pergunta de absoluta pertinência: “Mas como é que se pode falar com alguém que diz sempre a mesma coisa?”. A Alice de Lewis Carrol é uma maravilha.

*Ex-Secretário de Estado dos EUA

segunda-feira, 8 de março de 2010

A FIFA quer um jogo humano

A FIFA, através da sua International Board, decidiu não recorrer a ajudas tecnológicas. Apresentando uma razão fundamental: para preservar o futebol como jogo humano.

Melhor não conseguiria imaginar. Nem mais tonto.

Mas, pensando bem: sendo o erro, o engano, o roubo, a aldrabice tão humanos como o certo, o verdadeiro, a decência e outras coisas mais, o futebol limitou-se a manter a enorme abertura que o caracteriza - com excepção, claro, dos estádios onde a segregação social é total (aqui há direito a álcool, ali, nem pensar! etc., etc.)

Podemos ficar descansados. O perfume da dúvida, mantém-se. Iremos continuar a ver as mãos de Maradona, de Vata, de Henry a eliminar adversários; a saber de golos que, cheirando a linha, umas vezes são, outras não; a ver foras-de-jogo quilométricos - pela distância que nos permite abrir o ângulo de visão - que bandeirinhas nunca - a ciência avisa-o - poderiam ver. Enfim, o erro continuará a fazer parte da coisa - e os que pretendem evitá-lo (rugby, ténis, futebol americano, entre outros) não passam de senis humanóides...


Só me faz espécie que, sendo uma decisão notavelmente estúpida e sem sentido, não se queira ver o interesse que a promove. Duvido que seja para nos garantir, a nós espectadores, momentos de alívio da tensão, berrando contra o quarteto de arbitragem, jogadores e adeptos contrários. Quer dizer, que seja a função social do alívio...

Será então porque a dúvida, ao alimentar uma indústria envolvente do jogo e constituída por televisão, jornais, revistas, vídeos, sites e sei lá mais o quê, transforma o futebol num negócio que não se importa de viver paredes meias com a negligência? Será?

terça-feira, 2 de março de 2010

A Região Norte e o QCA III

A Região Norte teve um excelente desempenho no seu Programa Operacional do QCA IIIagora formalmente encerrado. A tal ponto que teve direito a um prémio de eficiência de 135 milhões de euros.

O relatório final do Programa Operacional reflecte essa qualidade de desempenho com as Medidas a superar as metas que lhes estavam atribuídas – a Medida Desporto Regionalmente Desconcentrada que coordenei, tem aí excelentes referências, sendo até considerada como Estudo de Caso pela inovação dos instrumentos introduzidos para a sua realização. O que representa também admirável reconhecimento por entidade externa para a qualidade da equipa que comigo colaborou e para a excelência do seu trabalho. Pena que alguns – em enorme manifestação de absoluto desperdício de experiência, competência e capacidades – continuem no desemprego ou, para um deles, em lugar de total desaproveitamento.

No seu discurso de encerramento no portuense Palácio da Bolsa, Carlos Lage – presidente da CCDR Norte – expressou o seu sentimento de ambivalência perante os resultados conseguidos. De facto à qualidade de desempenho do Programa Operacional opõe-se a regressão económica da Região. Ou seja e como ressalta à vista desarmada: atinge-se a excelência no desenvolvimento do Programa Operacional e a Região fica em pior situação.

No que parece, sendo assim, um enorme desalinhamento entre o programa que se desenvolveu e as reais necessidades regionais. Porquê? Por inépcias várias que vão desde o alheamento para seguir caminhos que estudos e pesquisas definiram em trabalhos muito participados pelas forças e estruturas regionais até ao velho estilo de deixar imperar interesses ou o eterno receio de ferir susceptibilidades. Ou ainda, que as decisões - iniciais, de objectivos, de possíveis articulações - das diversas partes de programas regionais ou nacionais, tenham sido tomadas naquilo que Le Carré designa pelo sítio mais perigoso para analisar o mundo: a secretária.

A Região Norte quando começou, em 1988, a planear o III Quadro e até 2001 vivia em crescimento – mesmo acima da média europeia – e, praticamente, em pleno emprego. A partir de 2002 a recessão ou a anemia para só em 2007 ter de novo crescimento. Sol de pouca dura com nova recessão e o desemprego a subir em flecha. Que é o quadro actual.

A sensação é de que se acertou ao lado em relação às necessidades regionais. E uma das razões porque assim é - remate ao lado - diz respeito à forma como estes programas são olhados pela Comissão Europeia – uma visão burocrática e economicista mais preocupada com o cumprimento dos objectivos teóricos do que em fornecer respostas às necessidades. Porque cada alteração é uma impossibilidade, ou assim o têm entendido os responsáveis. A inflexibilidade de uns e outros, a pouca elasticidade e falta de adaptação aos avisos, resultam nesta sorte de contradição de termos. E se ainda juntarmos a artificialidade das fronteiras entre fundos nacionais e regionais, limitando a integração e a articulação, ou a permanente ignorância dos diagnósticos, temos o espartilho instalado que terá impedido uma maior e melhor intervenção do PO Regional na competitividade da Região. Mesmo que seja obviamente verdade que muito do que foi feito, foi bem feito.

Sabe-se que hoje o Norte está a aumentar a sua produtividade. À custa - não é preciso ser-se harvardiano – do aumento do desemprego. O que significa – e também não é preciso ser-se sábio - que os apoios devem centrar-se no aumento de emprego, ajudando à criação de novas e sustentáveis empresas e abrindo novos e inovadores caminhos empresariais. Apoios que têm que ser estrategicamente definidos para que não vão ter às mãos das maiores e mais poderosas empresas, levando as PME a situações piores do que as actuais e contribuindo, pela maior precariedade de emprego, para um superior aumento do desemprego. Porquê? Porque não havendo qualquer regulação, as PME continuarão, na permanente sujeição a elevados níveis de subcontratação, numa concorrência desenfreada que as fará – na procura da sobrevivência – propor preços menores que os custos. Numa espiral que utilizará dinheiros públicos para que o resultado seja o contrário do pretendido: mais desemprego, menos sustentabilidade.

Mas tendo o novo quadro comunitário, o QREN, sido desenhado ANTES da crise pergunta-se elementarmente: que margem de manobra se construiu para permitir mudanças no desenho, possibilitando alterações e adaptações? Ou vai tudo continuar na mesma, perdendo dos dois lados - nos investimentos que não resultam e nos desempregados que aumentam?
Pobretes mas alegretes? Eternamente?

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