segunda-feira, 7 de maio de 2012

É justo? Tem futuro?




O meu Pai ensinou-nos - e o meu filho lembra-o muitas vezes - que se é preciso mudar alguma coisa, o momento da mudança é agora!

Encontrei o mesmo conceito no lema da campanha do novo Presidente francês, François Hollande: Le changement c'est maintenant . A que juntou dois princípios - da justiça e da juventude - que enquadrarão a sua política: é justo? tem futuro?

A política da França vai mudar, a política da Europa vai mudar, a vida dos europeus vai melhorar!

Merkozy acabou. A esperança numa condição de vida decente ganha espaço. Hoje, 6 de Maio, é o primeiro dia da mudança.

domingo, 6 de maio de 2012

Ventos do Interesse

O irritante - no sentido indignante - da corrente explosiva que mistura - para se dar ares de pés no tempo - conservadorismo com neoliberalismo é a prepotência com que nos retiram da história e do percurso que reconhecemos das coisas. Como nos entendem por ignorantes apresentam-se, emproados, como descobridores do caminho que a nossa estupidez e ganância colectivas se mostraram incapazes, tão pouco, de vislumbrar. Salvadores da pátria, de nós e do mundo não hesitam em impôr os seus interesses como a regra civilizacional mais salvatícia.

Ouvi em directo a maratona presidencial francesa e pude assistir ao manual mais actualizado dos truques do neoliberalismo que nos é imposto. Cuja primeira regra se cumpre na pomposidade da chamada à colação de conceitos que ninguém rejeita. Conceito com o seu quê de universalidade e que, sem definição do contexto de aplicação, não passa de treta demagógica. Mas que serve, qual receita-milagre, para fazer passar a ideia que assim são obrigatoriamente as coisas, que assim deverão ser e que qualquer outra formulação é estúpida, disparatada e, obviamente, atentória do bem-estar colectivo.

Bem enquadrado nos interesses dos mais poderosos o sr. Sarkozy, em close-up de olhar cúmplice, proclama a universalidade: "temos que aligeirar os custos do trabalho!" Claro! mas alguém tem dúvidas sobre essa necessidade? E para esse aligeirar maioritária e preocupadamente aceite, que propõe o sr. Sarkozy? Mais inovação, maior criatividade nas relações da cadeia de valor, melhores circuitos de distribuição, menos margens e menores desperdícios nas etapas de produção, melhor estrutura da composição de custos, etc.etc.? Não! O sr. Sarkozy com a pesporrência de um iluminado que maravilha a nossa vida, informa a solução: "sempre que houver acordo entre empresário e seus trabalhadores, esse acordo sobrepor-se-á à lei geral existente."

Pronto! na maestria do golpe o sr. Sarkozy torpedeia o Estado de Direito, ignora a história civilizacional da construção das relações dos direitos de trabalho, marimba-se para o desequilíbrio das imposições e dá mãos largas a uma brutal autorização do abuso da condição de necessidade. Um fartote ... no melhor interesse das normalidades neoliberais.

sábado, 5 de maio de 2012

Muito agradecidos



foto telemóvel c/flash
fachada de supermercado, Lisboa

terça-feira, 1 de maio de 2012

Dia do Trabalhador

O 1º de Maio é o Dia do Trabalhador.



1º Maio 1976
Os portugueses estão preocupados, naturalmente e cada vez mais, com o número de desempregados que todos os dias parece aumentar para números insustentáveis. E temem, neste contínuo de desesperança, que a sua vez esteja para breve.

A inversão da situação é o desafio essencial que se coloca ao país - sem que haja quem possa esconder-se atrás da situação ou por achar que faz o melhor que pode. Na actual situação o melhor que é possível, não basta!

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Sobreposições



JPBessa
Foto de telemóvel
Lisboa, Campolide
 A aleatoriedade, funcionalidade e dimensão dos volumes apaga o historicismo pacóvio e cria uma marca urbana relevante no percurso automóvel que a aproxima.

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Miguel Portas (1958-2012)

Lembro Miguel Portas, os valores de esquerda, o combate, a lucidez e a enorme coragem com que enfrentou o destino. Trabalhei juntamente com ele ao tempo de Jorge Sampaio na CM de Lisboa - e desse tempo lembro, para além dos trabalhos do programa da candidatura, o pormenor de ter sido ele o maior responsável por se ter realizado o primeiro grande concerto musical em Portugal: Rolling Stones em Alvalade, 1990. E de ter jogado futebol com ele à baliza num reconciliador Lisboa-Porto municipal.

À família, ao Pai - enorme e muito sentido abraço meu caro Nuno - à Mãe - que tem a simpatia de visitar este Finisterra - ao irmão Paulo, as minhas profundas condolências.

quarta-feira, 25 de abril de 2012

25 de Abril sempre!





segunda-feira, 23 de abril de 2012

Dario Fernandes (1935-2012)

Jacinto Luís
Faleceu o Dario Fernandes. Professor excelente da área da Educação Física, era pessoa de princípios e valores, determinado a fazer de cada um de nós um Cidadão exemplar. Era um Homem de Excelência. De Carácter. Tão excelente que lhe foi atribuído o grau honorífico de ex-aluno. Mas mais do que isso: era considerado (e não é nada fácil sê-lo...) por todos nós, seus antigos alunos, como um dos nossos - um genuíno Menino da Luz. Durante a sua vida colegial de muitos anos passada entre os claustros e o ginásio do Colégio Militar foi sempre um companheiro atento e solidário. Capaz de ouvir e ajudar. E de, na altura devida, nos transmitir a confiança necessária. E como voámos então...

Sob o seu comando e orientação fiz parte de uma Classe Especial de Ginástica. De excelência, claro! E da qual guardo - sempre que nos encontramos uns com os outros, recordá-mo-lo - excelentes memórias.

Até sempre, Dario! Zacatrás!

sábado, 21 de abril de 2012

Sabedorias aplicáveis

Do Público de ontem:
"O juiz não é nomeado para fazer favores com a justiça, mas para julgar segundo as leis."
Platão (-427/-347), filósofo grego


De Sonia Sotomayor (1954/--), primeira mulher juiza do Supremo Tribunal dos Estados Unidos e nomeada pelo Presidente Obama:
"A tarefa de um juiz não é fazer a lei, é aplicar a lei."

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Adaptações

"L'architettura é una macchina fotografica della cultura: é in parte scienza e in parte senzo della vitta.",
Francisco de Assis Cabrero, 1972


JPBessa
foto de telemóvel
Lisboa, Lapa
 
O telhado duplo trazido por Mardel* talhado a corte de naifa em adaptação portuguesa.

  *Carlos Mardel (Pozsony, Hungria, 1696 - Lisboa, 1763) foi um dos principais projectistas da reconstrução pombalina após o Terramoto de 1755

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Tempos que ficam



"[...] e o primo Dinis que andava no Colégio Militar. Nunca largava a farda e mostrava-se por toda a parte como um princípe antigo. Não entrava em brincadeiras e ninguém sabia se lhe agradava alguma coisa neste mundo."

Agustina Bessa-Luís, Dentes de Rato, 1987

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Missão terminada





O Instituto do Desporto de Portugal, I. P. desapareceu. Fundido com o Instituto Português da Juventude passou as suas competências tradicionais para o novo organismo, o IPDJ, I.P. - Instituto Português do Desporto e da Juventude.

Com esta fusão, a minha missão de Vice-Presidente do IDP terminou.

Ficarei com boas memórias - de pessoas, de profissionais capazes, de excelentes trabalhos em situações nada fáceis, de capacidades de superação de inúmeras dificuldades. Mais, muitas vezes, do que se possa pensar.

Gostaria assim que, apesar da alteração, não se viesse a perder - como acontece em muitas mudanças - o profundo saber, experiência e conhecimento construídos ao longo de muitos anos que existe no "6º andar" - Departamento de Instalações Desportivas - da Infante Santo e do qual tenho directo conhecimento.

Embora nem sempre reconhecido e bem utilizado em trabalhos de responsabilidade interna nos últimos anos, muito do saber deste Departamento é fundamental para que as instalações desportivas sejam adequadamente dimensionadas, tenham os equipamentos necessários, sirvam as modalidades desportivas com segurança e conforto para os atletas e tenham custos de construção e utilização aceitáveis. O trabalho invisível de apoio a promotores e projectistas tem permitido que as instalações desportivas espalhadas pelo país tenham melhorado substancialmente e garantido uma importante melhoria na relação custo/benefício de diferentes instalações construídas. Trabalho que constitui um valor que não pode ser desperdiçado e cuja utilização os tempos correntes exigem - na construção, na recuperação e reabilitação ou na adaptação. Os tempos não estão para desperdícios e são profissionalmente exigentes. O "6º andar" tem as qualidades necessárias.

sexta-feira, 30 de março de 2012

Experiência...

Almanaque Bertrand, 1908

quarta-feira, 21 de março de 2012

A lição de Siza



Álvaro Siza por Bottelho (Carlos Botelho, Chaves,1964)

"O tempo é o arquitecto maior. E quem corta a voz do tempo só faz obra menor."

in Conferências Construtores do Mundo, EPUL, Lisboa, Teatro S.Luís, 20/3/2012


domingo, 18 de março de 2012

António Leitão (1960/2012)

Faleceu o António Leitão. Foi um grande atleta - medalha de bronze nos 5.000 metros dos Jogos Olímpicos de 1984, Los Angeles - e era um bom amigo. A última vez que estive com ele mostrava como sempre o optimismo e a persistência dos fundistas vencedores na luta que travava. Até sempre, António!

Notícias da Nina

foto telemóvel Ana Coucello
A Nina da Ria Formosa está - mesmo se ainda sujeita a alguma vigilância médica - óptima. Em casa, como se vê, sobe por tudo quanto é lado, em acrobacias notáveis. E sempre que pode desafia os gatos mais velhos para lutas e correrias. Não para.

quarta-feira, 14 de março de 2012

Mais férias, mais buracos

A senhora suiça a dizer para a televisão:
Não quero aumentar as semanas de férias porque se aumentámos as férias vão diminuir os empregos e nós não queremos isso.
Abençoada... está preocupada com o desemprego. Mais férias, mais buracos e uma adivinha: :mais ou menos queijo?

terça-feira, 6 de março de 2012

Gatos



Quando regressar, ele vai ver,
ele vai ver quando chegar.
Vai ficar a saber
que isto não é coisa que se faça a um gato.
Caminhar-se-á em direcção a ele
como que contrariado,
devagarinho,
com patas amuadas.
E nada de saltos ou mios. Pelo menos ao princípio.
Gato num apartamento vazio
Wislawa Szymborska
(Tradução de Manuel António Pina)

Os gatos cá de casa são piores. Viram as costas, afastam-se, mostram-se autosuficientes e não nos falam durante dias. Ignoram-nos. Como se a casa continuasse vazia. São uns pontos.

quinta-feira, 1 de março de 2012

Frankfurt




Foto de telemóvel - Raul Bessa
 Aeroporto de Frankfurt preparado para responder às consequências da greve dos controladores aéreos.

Pendurado na crise?





Linha de Cascais - foto de telemóvel tirada do interior do carro


domingo, 26 de fevereiro de 2012

Único de passo certo

Qual é o meu filho?! Aquele único que vai com o passo certo!, apontou em resposta a vaidosa mamã, tão orgulhosa da individualidade única do seu menino - o único que ia de passo certo no meio de um batalhão de incapazes.

Lembro-me sempre disto cada vez que ouço notícias sobre a crise - a sensação com que fico é a de que vamos todos de passo desacertado e uns rapazes, cheios de razões, é que sabem da rota certa.

Fica-me apenas a dúvida e para a qual não encontro (tenho uma, claro!) resposta: quem ganha com isto?

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Porque gosto de Futre

Contou, mais ou menos assim, Rui Costa no Futrebol: no intervalo de um jogo contra a Suiça, Carlos Queirós discursava a táctica, Paulo Futre levantou-se e disse: dêem-me a bola e eu arraso com eles!

Assim se desequilibram desportos colectivos e se enchem as medidas da bancada. Foi bom tê-lo visto jogar.


segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Sinais de cultura






domingo, 19 de fevereiro de 2012

Sete






Sete vidas têm os meus gatos
Sete anos faz a Maria
Fiz assim este desenho
Para comemorar o teu dia

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Deriva moralista

"Na verdade, já nos distantes anos 30, Max Weber denunciava, na classe política do seu tempo, os perigos de uma ética da convicção, cega ás consequências dos seus fins."

André Barata, professor da Universidade da Beira Interior

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Espacialidade

"Não sei porque é que não há um treinador de futebol arquitecto! Há uma questão de espacialidade no futebol; uma questão de táctica."   Tiago Mota Saraiva, arquitecto in J.A. 243
E treinador de rugby arquitecto? Serve?!

sábado, 28 de janeiro de 2012

Em preparação...










domingo, 22 de janeiro de 2012

Estupidez à solta





Numa sentença de Tribunal sobre julgamento de um caso de violação escreveu-se assim:

"agarrar a cabeça (ou os cabelos) de uma mulher, obrigando-a a fazer sexo oral, e empurrá-la contra um sofá para realizar a cópula não constituiram actos susceptíveis de serem enquadrados como violentos" in Semanada de Manuel Falcão no W do Jornal de Negócios, 20/JAN/2012

A pérola e o particular conceito de violência pertence à assinatura de uma juíza-desembargadora, Eduarda Lobo.

Se o enquadramento não é de violência será - pergunto, embora, por mero temor reverencial, sem levantar sequer o dedo - enquadrável numa sofisticada submissão involuntária? Ou só em coisa nenhuma?

Que escola frequentaram? Que livros leram? Que vida percorreram?

Atento estava Cipolla  quando avisava que "o estúpido é o tipo de pessoa mais perigosa que existe". Porque pode surgir onde menos se espera e causa danos arbitrariamente...

Questão de caracter

A joelhada seguida de pisão que o português "merengue" Pepe aplicou a Messi, não tendo qualquer justificação e violando as normas éticas desportivas, lembrou-me um conceito de Heywood Broun (1888-1939), jornalista americano que hoje dá nome a um prémio jornalístico* destinado a reportagens que tenham alterado injustiças. Dizia assim:
"O desporto não constrói o carácter. Revela-o"
O gesto de Pepe revelou o seu carácter - as desculpas que apresentou confirmaram o exposto. A repetição não ajuda e a fotografia ficou péssima.
*Heywood Brown Award patrocinado pelo The Newspaper Guild

sábado, 21 de janeiro de 2012

Acordo para o cair do pano






O fio por cima da estátua do Camões já lá está e só encontro uma explicação: fazer cair o pano sobre a língua portuguesa.

Que outra coisa poderia ser em tempos de imposição do Acordo Ortográfico?

Acordo?! que vantagens temos na sua utilização? O que ganhamos - para além da confusão - com o assunto? Qual é o interesse? Entendermo-nos pior?

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Melhor Entusiasmo 2011






Entusiasmados com a própria importância, a bifelândia do Londres 2012 estendeu-se ao comprido.

Tudo tão formidável, tudo tão sustentável, tudo tão... que até julgaram ter esticado os lugares disponíveis e dobraram um estádio, multiplicando por dois - de dez mil para vinte mil - a venda dos bilhetes para algumas sessões da Natação Sincronizada.

Grande Festa!

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Melhor Profecia 2011


Charters de chineses!

Paulo Futre - enorme jogador de futebol - foi o profeta do ano. Avisou da chegada de charters de chineses.

Acertou de tal maneira que hoje já comandam a Electricidade (ex) de Portugal.

[lembro sempre, no gabinete de um dos seus fundadores e segundo presidente - meu Pai - de dois mapas que mostravam a diferença entre a cobertura eléctrica de Portugal, antes e depois. Antes, da responsabilidade dos privados; depois, da responsabilidade da empresa nacionalizada - num uns risquitos, noutro uma mancha, a marcar a diferença entre o interesse e o direito. Sei que, porque a enorme aposta era a de garantir electricidade a todos, não iria gostar deste pretendido - dos muitos prestados - último serviço à República.]

Inteligente, vivo, com excelente sentido de humor, Futre marca golos, agora de graça - passe a suposição da factura de algumas...

Futre a continuar assim, continuará também a encher-nos com a alegria que os adeptos tinham no estádio de tanto jogo... e os charters de chineses continuarão a vir com vistas para a Europa. Enorme profecia!

Melhor Musical 2011

Álvaro Siza canta Beatles


Siza sings from últimas reportagens on Vimeo.

Film by Fernando Guerra

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Melhor prémio 2011

Se houve prémio bem atribuído no ano de 2011 esse foi o Prémio Pessoa a Eduardo Lourenço.

Erudito de grande cultura – enorme capacidade para articular coisas aparentemente distintas – humanista, conhecedor como ninguém de Portugal – dos seus mitos, das suas profundezas – Eduardo Lourenço é ainda a nossa maior referência para quem quer conhecer Pessoa e a sua obra.

Melhor decisão não poderia haver: Pessoa a quem é de Pessoa!

Para além de tudo o mais, Eduardo Lourenço tem um notável sentido de humor. O que faz dele um intelectual próximo de qualquer humano. Juntos, podemos sempre rir, aliviando as tensões que a proximidade com a sabedoria sempre cria.

Há anos, dias antes do Mundial de Itália em futebol, encontrámo-nos num congresso em Nápoles. Em dia mais maçador propôs-me : e se fossemos apanhar um barco até Capri e dessemos uma volta pela ilha? Melhor acordo não poderia ter e lá fomos a caminho da travessia.

O mar estava picadito, o barco bamboleava e viemos para o convés para apanhar ar. Já enjoado como uma pescada, encostado à amurada, chamando pelo gregório, olha-me e, pesaroso, lança-me: e sou eu filho de um país de marinheiros …

[como também gosto de lembrar - para que haja uma noção mais clara da amplitude da dimensão da formação colegial – Eduardo Lourenço é, como eu, antigo aluno do Colégio Militar.]

Disse equidade?

Um mal nunca vem só - sendo Portugal o país mais desigual da Europa é também* o país europeu, entre os mais afectados pela crise, onde as políticas aplicadas de 2009 a 2011 mais prejuízos criaram aos mais pobres. Na ordem da perda de 9% do seu rendimento disponível contra os meros 3% de perda dos mais ricos. Somos formidáveis...a equidade é uma treta e os pobres que paguem a crise.
*The distributional efects of austerity measures: a comparasion of six EU countries, Comisão Europeia

domingo, 1 de janeiro de 2012

2012: Boas Entradas




desenho iPad
  

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Cartaz resistente

Há dias um amigo meu ésseémiéssizou-me assim: "Estou no Hot. O teu cartaz resistiu ao incêndio. Incrível!"

Respondi-lhe que é para isso que se desenha, para resistir a desventuras.

(não sei se foi a sorte dos deuses ou se, pura e simplesmente, alguém tinha outro exemplar de um cartaz feito há bons trinta anos...)

Para memória - não vá o diabo tecê-las - aqui deixo a imagem do cartaz.

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Senhor da Pedra ao entardecer


Senhor da Pedra, Miramar, foto telemóvel

domingo, 25 de dezembro de 2011

Dias de Inverno

Miramar (41º4'1"N, 8º39'25"O). Na praia a 25 de Dezembro

sábado, 24 de dezembro de 2011

NATAL 2011

Foto de telemóvel
Mesmo que seja desfocado, mesmo que a visão não seja a mais apetecível, BOM NATAL!

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Prémio Secil Arquitectura 2010: da realidade à poesia

[razões que só as nuvens electrónicas conhecem atiraram este texto para sítios improváveis – é o terceiro e daí a razão do fora de tempo mas o dito merece este tempo.]

Começou assim a entrega dos Prémio Secil de Arquitectura 2010:

“As dificuldades que sentimos têm uma explicação primeira numa situação que só raramente conseguimos superar: os bens e serviços que todos produzimos, para vender aos portugueses e no estrangeiro, têm um valor médio muito baixo em comparação com os países nossos potenciais clientes e fornecedores.


É isso o que realmente significa a afirmação, incessantemente repetida, de que temos uma produtividade muito baixa. Não quer dizer que trabalhemos pouco, mas que o valor da nossa produção não é considerado suficientemente competitivo por parte de milhões dos seus potenciais consumidores.”
Pedro Queiroz Pereira, Presidente da Secil

Solução? exigência de qualidade e de inovação – razão, aliás, principal do prémio como nos disse.

Depois Miguel Figueira – o traço, a inteligência e a cultura do novo Montemor-o-Velho e presidente do Júri do Prémio Secil Universidades Arquitectura - preocupou-se com a nossa necessária aprendizagem de voar na maior dificuldade de o fazermos sem asas, lembrando apenas que “será a necessidade que vos vai ensinar!”



 Chegada a vez do vencedor deste 2010, Eduardo Souto de Moura, chegaram também os poetas.

Escolhido pela pintora Paula Rego para a sua Casa das Histórias de Cascais, Eduardo Souto de Moura lembrou a poesia dos livros de cabeceira ao falar da métrica e do rigor enquanto traço comum da arquitectura e poesia. E citou:
“Só a palavra exacta tem utilidade pública” de Eugénio de Andrade para justificar o rigor de cada traço.

Acrescentando Oscar Wilde sobre o esforço do tempo ponderado e reflectido exigido pelo trabalho: “O que fiz de manhã? Coloquei uma vírgula. À tarde? Retirarei a vírgula”
Tudo dito em duas frases correspondendo ao tudo escrito no desenho das duas chaminés que simbolizam o lugar das estórias.

[porque houve atraso deu para ler, a propósito do tema lançado por Queiroz Pereira, o embaixador da Argentina, Jorge Faurie, que assim disse marcado pela experiência recente: “Não há produtos com valor acrescentado tal que seja imprescindível comprar a Portugal. Fora do Mercado em euros Portugal tornou-se caro, sobretudo quando é possível encontrar mais barato com qualidade semelhante ou até superior.”]

A arquitectura portuguesa do Prémio Secil marcou a noite: definindo qualidade e mostrando inovação. E assim vive no Mundo.
fotos de telemóvel

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Desigualdade


Time, Agosto 2011
Os dados agora divulgados pela OCDE sobre a desigualdade onde Portugal faz uma péssima figura só são surpresa para os desatentos. Ao lê-los, lembrei-me de duas coisas: uma, de um livro de António Barreto publicado antes do 25 de Abril que então li e que caracterizava Portugal como um país dual, tal a diferença entre ricos e pobres - diferença que, aliás, se mantém com as mesmas características (20% dos mais ricos ganham seis vezes mais do que 20% dos mais pobres); outra, a de um recorte mais recente datado de Agosto que guardei e que traduzia os trabalhos preliminares deste relatório onde Portugal já era apresentado com o pior lugar europeu com valores do índice de Gini (0,353) próximos dos agora apresentados. E de pouco valerá, para quem pertence ao mundo de baixo, o facto de Portugal contrariar a tendência de aumento de fosso - ele é tão grande que levará vidas na aproximação...

Sabe-se: a diferença de rendimentos, a desigualdade entre os que têm muito e os que têm (terão?) muito pouco, é responsável pela falta de qualidade de vida como o demonstra o vídeo que deixo. Mas é tão evidente a sua responsabilidade na diferença dos resultados da vida que, num documento de trabalho intitulado "Endividamento e Desigualdades" realizado em Dezembro do ano passado e a pedido do Fundo Monetário Mundial (FMI), Michael Kumhof e Roman Rancière escreveram: 
"Restabelecer a igualdade redistribuindo os rendimentos dos ricos pelos pobres, não agradaria só aos Robin dos Bosques do mundo inteiro; poderia também poupar à economia mundial uma nova crise de grandes proporções"
Nos quinze minutos da TEDTalks, Richard Wilkinson - o investigador britânico co-autor, com Kate Pickett, de "O Espirito da Igualdade" - dá uma maior dimensão a esta ideia.


Desigualdade, o verdadeiro inimigo.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Falar Claro

"Public information should be made public. This public means presenting, designing and structuring this information so that it is acessible, available, understandable and free." Richard Saul Wurman in Understanding USA
Falar e escrever em português claro e entendível é uma obrigação de quem tem a função de comunicar com os outros portugueses. Como sejam todos aqueles que devem ser publicamente compreendidos.

Percebendo os portugueses que devem - por ser um seu direito - exigir compreender. Exigindo que a linguagem técnico-especializada seja apenas para técnicos especialistas e que a linguagem destinada às cidadãs e cidadãos tenha a cidadania da compreensão.

Neste campo da comunicação a proposta da Sandra Fisher-Martins, uma militante do falar claro que pode ser vista no vídeo, é um bom princípio: falar e escrever como se fosse para a própria avó. Iniciando pelo mais importante, com frases curtas e palavras simples.

Para que não haja dúvidas - nem receios - sobre as vantagens da simplicidade e clareza, Sandra Fisher-Martins cita Einstein: "se não o consegues explicar de forma simples é porque não o compreendes suficientemente."

Pois é: o pretenciosismo de falar com palavras de libra desnecessárias, do uso também desnecessário de expressões estrangeiras não passa de um disfarce de ignorância. Dando-se ares.

Falar claro torna a vida mais fácil, alarga o acesso a oportunidades, permite compreensões e decisões mais adequadas, estabelece uma relação social menos estratificada. Enfim, alarga o direito de cidadania à visão republicana da sobreposição do direito ao privilégio.

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

A História com memória

O rebuscar displicente do sr. João Duque do salazarento "A Bem da Nação", incomodou-me. Menos talvez do que a votação idiota de melhor português, mas incomodou. Pior, irritou-me o ar doutoral da ignorância da História transformada em brejeira e descontextualizada provocação. E reciei, como ainda receio, a sequência no desplante de "tudo pela Nação, nada contra a Nação."

Valeu-me, no mesmo sítio - SIC - e logo de seguida a tê-lo visto, ligeiro, a analisar as dificuldades dos outros neste país de fossos abissais entre uns e outros, ter assistido à entrevista de Mário Soares. Um filme da história, uma lição de convicções, um cofre de memórias. Uma lição de republicanismo, de democracia, de valores humanistas e de direito democrático. De socialismo democrático. Aqui sim, a História na sua grandeza: republicana, laica e socialista.

Com a entrevista por fundo revisitei momentos inesquecíveis da participação que tive no MASP da sua primeira campanha presidencial e que o tornou no primeiro Presidente da Républica civil depois do 25 de Abril. Lembro-me, no dia da sua tomada de posse e ao vê-lo, das escadas de S.Bento, despreocupado do "passo certo" enquanto passava revista às tropas, de ter pensado: nunca mais teremos um Presidente militar. Era o princípio de uma outra República.

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Diferença que distingue

Gosto de Futebol e, por sorte, já vi grandes jogos em grandes estádios europeus e segui muitos mais. Um deles, com muita pena, que não vi - guardo, para não esquecer a vitória e numa qualquer gaveta cá de casa, o bilhete do meu pai - foi o Benfica-Real Madrid de Amsterdam da final da Taça dos Campeões Europeus.

Mas não fui ao Benfica-Sporting. Porque não gosto do estúpido clima de guerra que destrói um jogo e tenho dificuldade em participar na jiga-joga de escoltas, demoras, incómodos. E conivência. Apesar de gostar que a minha equipa ganhe, pertenço ao mundo do rugby que se viu no último Mundial - camisolas diferentes a admirar a qualidade de uns e outros.

Sobre esta matéria, dos desacatos, das claques, da falta de cultura cívica, poderia falar, até do que penso sobre os mais diversos aspectos que mantêm o estado das coisas inalterável. Por razões que me parecem óbvias não farei os comentários que me apeteceriam. Mas deixo nota.

O Desporto tem a particularidade de exigir a suspensão - durante um período de tempo previamente conhecido - das regras que nos regem o quotidiano para as substituir por outras prévia e comummente acordadas e reconhecidas. Ou seja: aqueles que se encontram no espaço do campo desportivo tem como regimento um outro corpo de regras e comportamentos sem que isso envolva considerações cívicas negativas ou reprováveis.

Mas tudo isto termina no espaço limitado pelas linhas do campo desportivo e no tempo pré-determinado. Para os espectadores, claques ou não, a suspensão que o jogo desportivo exige não existe. Continuam sujeitos às regras, aos direitos e deveres. Às leis que regem o país democrático que somos.

E esta diferença - que parece ser muito difícil de perceber - faz a diferença.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Encontros Imaginários

Há dias fui a A Barraca ver um dos Encontros Imaginários do Helder Costa. Juntava á volta da sua mesa o Zé do Telhado - peça para a qual, há anos, desenhei o cartaz que deixo aqui - o Swift que inventou o Gulliver e o Maomé que acabou por ser dado como inventor destas estórias de ódio religioso.

Os diálogos são notáveis, a articulação - os pontos comuns encontrados pelo Helder - entre diferentes personagens de tempos distantes da História é inteligentemente contada. Vale a pena ir ao bar de A Barraca no Cinearte de Santos na primeira e terceira segundas-feiras e cada mês.

Com a nota que o Hélder me deixou não podia deixar de estar presente. E o Zé do Telhado, reconhecendo-me - em tempos teve que posar para mim a entrar pela janela - veio, simpaticamente, dar-me um colar de ouro. Roubado a uma Viscondessa, pareceu-me ouvi-lo dizer.

No Encontro tudo se passa com o á-vontade de quem parece conhecer-se há muito tempo - como se a pertença à História lhes desse um espaço comum que partilham há séculos.

De Helder Costa já conhecíamos o interesse sobre a História - aqueles "diálogos históricos" na televisão foram a demonstração pública desse interesse. Mas estes Encontros são melhores. Mais inteligentes, mais interessantes, mais dinâmicos. E com uma demonstração de cultura superior. Muito bom. A exigir presença e que, embora a dimensão esteja adequada à situação ao vivo, os diversos Encontros possam ser mostrados de novo com outra dimensão - a da televisão.  

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Só agora?

Li nos jornais: Angela Merkel vê perigos na crise para a Alemanha (in Público).

A sério?! a srª Merkel está preocupada com a crise que atravessa a Europa?! lembrou-se agora que é a malta dos preguiçosos, incapazes e etc. que lhes compra a maquinaria, os automóveis e os etc.?

Quer dizer: a srª Merkel ignora agora a superioridadezinha a que gosta de se dar ares, percebendo a relação entre as coisas que faz por entender como distintas? Ou está só a teatralizar a reposição de velha peça, fazendo de conta que não tem nada para contar, pagar ou justificar?!

Será que o fogo está a pegar-lhe na barra da saia?

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Há caminho nos caminhos?

Dois documentos diferentes - um painel colocado numa rua em qualquer parte da Alemanha e uma entrevista televisiva de Gerard Celenta, director do Instituto Trend - apresentam um ponto comum: ambos mostram preocupações com os bancos.

Três pontos a reter: a preocupação Merkel/Sarkozi pelo salvamento da pele dos seus bancos e a definição de facismo ou a desmistificação do crescimento motu continuo de Celenta .


E nós por cá? De que lado estamos? Do lado da preocupação bancária? do lado das pessoas? Temos estratégia ou navegamos ao sabor da costa? Temos perspectiva ou os sacrifícios que fazemos não servirão para coisa alguma?

Pé de página
 [Os líderes europeus aceitam o estado das coisas como, nos anos 30, aceitaram o nazismo(...). Com as democracias confiscadas por Berlim, ele aí está, outra vez, à solta.]
Inês Sá Lopes, i

As últimas da Nina

Terminado o Campeonato do Mundo de Rugby - ganhou a Nova Zelândia - o mundo deixou de andar de pernas para o ar e os horários voltaram à normalidade. Sem as doses maciças de jogos a desoras - um jogo em directo vê-se por paixão, um jogo em diferido vê-se como ciência.

Levou algum tempo a recuperar hábitos mas agora a vida caseira parece a normal de sempre.

Normal é uma maneira de dizer porque com a total recuperação da resiliente Nina agora é a casa que anda de pernas para o ar. Estupenda depois da notável luta pela sobrevivência a Nina não pára. Mete-se com o Percy e o Knight como se eles fossem irmãos de ninhada - passa por eles, provoca-os, salta-lhes por cima, dá-lhes ligeiras palmadas, mordidelas, desafia-os para corridas. Enfim, brinca, luta, salta, rouba-lhes comida. E eles com uma paciência de santo vão-na deixando...com um ou outro bufo para garantir o respeito.

A Nina é uma agitada permanente - se os apanha a dormir não descansa sem que os acorde - e tem uma agilidade extraordinária - consegue, em saltos consecutivos e com enorme facilidade, agarrar com as duas mãos as pontas dos fios dos estores que pairam - medi, claro - a 94 cm do chão. E é também muito inteligente: nas lutas terríveis que faz com as palhinhas que transforma em inimigo preferido e sempre que escapam por baixo de qualquer porta sabe ir à volta para continuar a batalha. E está com um pelo lindo.

Quer um, quer outro - o Percy e o Knight - tiveram que desistir de alguns dos seus lugares preferidos porque a Nina não descansou enquanto não os ocupou. Mas curiosamente, agora!, raras vezes se zangam. Devem ter chegado à conclusão que a melhor táctica, para melhor sossego, era a de cederem terreno.

Parece evidente que a Nina vai ficar cá por casa - situação que se tornava cada vez mais clara à medida da luta pela sobrevivência que vivemos com ela... mas mantemos a esperança que ela desista das correrias madrugada fora.

sábado, 8 de outubro de 2011

Steve Jobs, 1955-2011


"Muitas vezes as pessoas não sabem aquilo que querem até lhes mostrarmos" 
a partir da criação de Jonathan Mak
 Com os i a minha vida, o meu dia-a-dia, ficou mais fácil. Os de muita gente ficaram mais fáceis. O Mundo ficou diferente - e todos acabámos por beneficiar da sua capacidade de inovar e integrar. Pessoalmente, agradeço-lhe o que me tem proporcionado. A sua memória fica connosco, a sua influência marcará o futuro de gerações.

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Conquistas da Nina


A cama que a Nina se arranjou 


















...deixa-se enrolar nas brincadeiras...
 Nina está cada vez melhor e já conquistou o Knight que, com uma paciência de irmão mais velho lhe atura todas as tropelias - que não são poucas...não pára, morde-o, salta por cima dele, dá-lhe patadas e ele na sua superioridade negra deixa enrolar nas brincadeiras, corre corredor fora, mostrando-lhe, volta-não-volta e sempre com uma calma desconcertante, que ele é mais velho e quer respeitinho.São muito engraçados juntos.

Uma acelerada, não tem travões, diz a Ana e quase pede desculpa ao Knight pelo abuso que é obrigá-lo a aturá-la.


...mais velho e quer respeitinho
Quem não acha grande graça a esta agitação é o Percy - o mais velho da casa que, com aquele ar calimério dos momentos graves de não vá o mundo cair-lhe cabeça abaixo, não está interessado em quaisquer negociações. Olha distante, mostra a sua capacidade de bufo, deixa-se ficar ou retira-se com ar de desprezo pelo pingente - e para mostrar o desagrado, grunhe à Ana para, se ela lhe fala carinhosamente, lhe piscar os olhos a seguir. E mostra ao Knight que ele é o principal da casa...

Os dois feitios diferentes do Percy e Knight mostram-se em cada passo da presença da Nina: curioso o Knight, mal ela se afasta, vai ver qual a nova aventura, qual o esconderijo onde ela lhe prepara o assalto; desconfiado e cuidadoso o Percy mostra pretender que não quer proximidades - que está bem mas à distância - nada de abusos...

Assim parece: a Nina está em grande, recuperou totalmente.

Agora é aturar-lhe as brincadeiras... e ouvir os ralhetes que a Ana lhe dá e os miados roucos do Knight a chama-lá.
[fotos da Ana e minhas de telemóvel]   

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

A resiliente ganhou

A Nina parece que recuperou totalmente - aumentou substancialmente de peso e tem uma actividade que roça o hiper. Foi de novo à veterinária que se mostrou muito optimista, achando que é possível começar a apresentá-la ao Percy ao Knight.

E aqui começa a agitação maior. Bufos a definir hierarquias, mostras de domínio territorial. Enfim, gestos a mostrar quem é quem, quem manda. E a Ana, com paciência de Job, vai-os apresentando, trás a Nina na transportadora até à sala e procura que se vejam, tentando sempre garantir que não haverá mal maior. Vai deixando objectos com cheiro dela para habituar. E fala com o Percy - que nem sempre lhe acha graça ao discurso, mostrando-se mesmo irritado - a explicar-lhe que não haverá perda de privilégios. O Knight, menos preocupado, deixa -se levar pela curiosidade e continua a a espreitar a novidade sempre que pode. Depois destas visitas a Nina é trazida de novo para os seus aposentos e o sossego nota-se: o cansaço da descida da adrenalina ganha e dorme num dos seus lugares favoritos - já criou alguns...

A Nina mostra-se cada vez mais viva e atrevida. E muito curiosa. Já se entretém com caçadas a tudo que lhe parece um terrível  inimigo.

Enfim, parece que com a sua notável resiliência, ultrapassou definitivamente o início de vida difícil que teve. Agora é assistir ao crescimento e divertir-mo-nos com as fases de criação de relações com o Percy e o Knight.

O capítulo da dúvida mostra-se encerrado.

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

De novo a Nina

O atento Knight
foto telemóvel jpb
Com o apoio - e o mimo - da Ana e a constante atenção do Knight, a Nina tem-se aguentado na sua recuperação estipulada para trinta dias a antibiótico. Nos dias de bem-estar vive alegremente, salta - e como saltam os gatos (esta minorca salta para cima de objectos com 4/5 vezes o tamanho dela...) - trepa pelo cilindro de cordas onde se equilibra esbracejando por comida.

Ás vezes tem recaídas - aparentes, porque se trata apenas de mudança de comida. Alterada a ração, come alarvemente, pede mais e depois - ao colo da Ana, claro! - arrota como um bébé. E corre, salta, finta, esconde-se... não pára!

Mas continua isolada numa sala e sem poder, até que se saibam mais resultados de análises (um parasita que as pulgas lhe terão deixado, diz-se...) contactar com os outros gatos.

O Percy e o Knight andam naturalmente perturbados - ambos já perceberam a existência da Nina - mas não percebem porque não têm direito aos movimentos de sempre. E a casa tem uma agitação que não é comum  - como se não bastassem as trasmissões directas a desoras do Mundial de Rugby - e que não garante o sossego habitual. O que aumenta preocupações...

Habilidades circenses
foto telemóvel Ana
O Percy mostrou a sua segurança - nada costume - e quando viu a Nina através do vidro, bufou-lhe, deu meia-volta e, de rabo no ar - ufano, mesmo - voltou para a sala, deitou-se e dormiu. O Knight, não - farta-se de aproveitar cada momento para ver a Nina através do vidro da porta e mostra-se muito interessado.

Começa a faltar-nos paciência para manter a quarentena da Nina mas temos que garantir um mínimo de regras de segurança em relação ao Percy e Knight.  Amanhã nova visita ao veterinário para ver o que dizem novas análises - tenho bastante curiosidade em saber a opinião veterinária sobre o seu aspecto. Aparentemente parece curada, aparentemente parece capaz de enfrentar a vida apenas com os nossos cuidados normais. Mas as aparências...

Mas que a meNINA é resiliente, é! E uma querida. E mostra-nos mais uma vez a excelência deste notáveis animais. Uns companheiros - umas vezes tão sossegados e dependentes como outras de uma independência invulgar, muito senhores dos seus bigodes e capazes das maiores e mais notáveis habilidades felinas. E sempre, sempre, alheios a qualquer ordem, mas dando sempre mostras de uma enorme confiança nos seus cuidadores.


Percy a garantir companhia
foto telemóvel jpb










[o Percy dorme todo esticado com parte do corpo em cima do computador onde escrevo - e se o tiro, volta.]  


domingo, 11 de setembro de 2011

Novas da Nina da Ria Formosa

Não tem sido fácil o princípio de vida da pequena Nina da Ria Formosa.

Já tínhamos percebido que a lesão no ombro, deslocado ou mesmo partido, não era mais do que o resultado da selvajaria de ter sido agarrada pela perna e lançada para longe. No dia seguinte à volta do refúgio de Olhão a Nina apareceu com um febrão de 40º - vírus eventualmente apanhado de gatos mais velhos, pensámos - e voltámos à veterinária Sarah. Mais antibiótico, mais injecções. Medicada dormiu aos cuidados da Ana mas de manhã ardia de novo em febre. Comia mal e bebia pouco e a drª Sarah propôs-se ficar com ela durante a noite para a colocar a soro e a monitorizar – ela e o namorado, gente boa, foram-se revezando na vigília. Pelo telefone íamos sabendo das reacções. e de manhã fomos informados que a febre tinha, finalmente, cedido e diminuído. Fomos buscá-la para, em carros diferentes do Percy e Knight, a trazermos para Lisboa.

Rearranjo das coisas cá em casa com a Nina num quarto isolada e as desconfianças dos outros dois que não percebiam a redução do espaço. No entanto a febre da Nina não baixava e continuava a comer pouco. O antibiótico, cuspia-o. Voltámos ao veterinário de quem somos clientes habituais. Mais antibiótico, mais injecções e a Nina, com todo o stress da cena, a cair redonda de sono na marquesa do consultório enquanto se anotavam os conselhos.

Nos momentos em que se sente melhor a Nina é um desassossego: salta, brinca, fala, sobe – com habilidade rara – ao tronco de corda para se equilibrar, em actividade circense, na diminuta plataforma. Aconchega-se no colo da Ana, trepa-a e olha curiosa para todo o lado. Esperta menina. Sempre de enorme simpatia e a mostrar-se agradecida, dá-nos esperança de que haverá de recuperar. Resiliente, a menina. Uma lutadora. Uma sobrevivente. Depois de tudo o que passou, não se abandona.

Nesses momentos a nossa esperança aumenta. Mas depois vem de novo o ciclo do aumento da febre e de não comer. A Ana, nas experiências que vai fazendo, lembrou-se de lhe fazer uma canja: como qualquer miúdo começou por comer a carne do frango e só depois o arroz. E comeu uma pratada. A coisa compunha-se, a Nina melhorava, a febre descia. Mas ainda não era altura para distracções.

Ontem, sábado, estava de novo caída, com o nariz seco, sem querer comer. Fomos ao Hospital Veterinário da Estefânia – durante a noite já tínhamos feito uma consulta telefónica – e passámos lá uma boa parte da tarde (só vi o último quarto-de-hora do Benfica…) – em análises, injecções, mais isto, mais aquilo. A Nina portou-se, apesar de alguns gritos de dor, como um heroína, aguentou com tudo. Ela é, aliás, muito lutadora, não está para desistências, reage sempre e sempre que pode dá nota da vontade de viver – não nos deixa desanimar.

Hoje o dia começou melhor. A Nina estava bem disposta – os remédios para o estômago fizeram o seu trabalho e a anemia detectada começou a diminuir – subia por onde podia e não tinha febre. Conforme combinado voltámos ao Hospital para controlo. Tudo parece estar no caminho da melhoria. A Ana vai-lhe dando todo o ânimo que pode e a pequeNINA gata parece compreender e mostra-se agradecida. É uma querida! E tremenda lutadora. Vai sobreviver.

[Acrescento]

11/9 – ainda hoje, apesar de dez anos depois e do distanciamento que as imagens televisivas permitem, não consigo deixar de ter uma profunda revolta de indignação perante o fanatismo gratuito que provocou a queda das torres e a morte de pessoas alheias às pretensas questões. Nada – religião, política, seja o que for – justifica a estupidez da decisão dos alqueidas.

[Cippolli tem toda a razão quando avisa que um estúpido é muito mais perigoso que um bandido.]

sábado, 3 de setembro de 2011

Aventuras da Nina da Ria Formosa

Nina da Ria Formosa

À saída da praia, no limite da Ria Formosa mais próximo de Manta Rota, ouvimos miados que traduziam uma enorme ansiedade senão mesmo desespero. No meio das plantas aquáticas próximas de um caneiro encontrámos um gatito de poucas semanas de vida. Miando sempre, deixou-se apanhar com facilidade. Esperámos, uma boa meia-hora, pela possibilidade de resposta da mãe enquanto os movimentos do gatinho traduziam uma demonstração evidente de fome.

De resposta, nada. Era óbvio: fora, de acordo com os costumes locais, abandonado – o Percy que trouxemos há anos cá para casa também tinha sido abandonado – mas em local de impossível sobrevivência (se é que não escapou a um afogamento colectivo…). Ele há gentes…etc. e tal é o primeiro pensamento de repúdio e revolta – fazendo-nos esquecer que em parte alguma, escola incluída, existe qualquer preocupação para ensinar os princípios básicos para lidar com os animais que, como cães e gatos, nos são mais próximos. Nomeadamente no que diz respeito a cuidados elementares e necessidades de esterilizações… e assim nascem aos magotes com os resultados que se conhecem de abandonos, mortes por afogamento, transmissão de doenças, etc., etc.
Com uma caixa improvisada com coisas que sempre há nas malas de um carro em tempo de férias, resolvemos trazê-lo connosco – com dois gatarrões em casa a sua colocação não iria ser fácil… mas haveríamos de encontrar solução.















Meia-dúzia de telefonemas depois, a Ana conseguiu estabelecer uma rede que nos levou até à presidente de uma associação de defesa dos direitos dos animais em Tavira que nos indicou um abrigo de Olhão pertencente à ADAPO e capaz de o receber. Achamos melhor consultar um veterinário e deram-nos o contacto de uma veterinária irlandesa – dr.ª Sarah – que vive na área do Vale da Asseca. Novo telefonema e apareceu, sem qualquer problema, de imediato: eram dez da noite.

E foi então que percebemos que o gatinho era uma gata!

A drª Sarah em acção














Depois de algumas injecções, de tentar perceber o que poderia impedi-la de mexer bem uma pata, conseguimos instalá-la. Estava morta de fome, comeu tudo o que lhe demos e foi alimentada de quatro em quatro horas.

Conforme o combinado fomos, no dia seguinte, levá-la à associação de Olhão onde ficaria até aparecer alguém que a adoptasse. A viagem correu bem e, percebi, a ligação com a Ana era cada vez maior. Não sem alguma tristeza, deixámo-la na associação, deixando também o seu nome: Nina da Ria Formosa. E a esperança que a sua resiliência lhe permitisse a adaptação necessária à sobrevivência no meio de uma trintena de gatos, todos eles, comparativamente, enormes.

A Ana estava inconformada. Apesar da boa vontade evidente – por tão pequenina a coordenadora do abrigo levou-a para sua casa nessa noite - da preocupação em garantir meios de sobrevivência aos gatos, o local estava sobrelotado para a dimensão das instalações. Passou o resto do dia a fazer telefonemas, procurando entre amigos e conhecidos quem poderia ficar com a Nina. Encontrada guarida, voltámos a Olhão para a buscar.

Na volta, novo encontro e nova consulta com a dr.ª Sarah – só fala inglês (por enquanto diz ela). Detectado um surto de febre, mais injecções e mais pastilhas, melhor conhecimento da lesão na pata e aí está a Nina, de novo instalada em melhores condições, à espera que a levemos para Lisboa enquanto que o Percy e o Knight se mostram desconfiados com algum esquecimento a que ficaram sujeitos nestes três dias.

Nota: Numa ironia sobre impossibilidades, Desmond Morris deu como exemplo a improvável (ou até ridícula) relação gatos/jogadores de rugby. Claramente Morris não sabe nada de rugby e não terá grandes conhecimentos sobre estes felinos da nossa proximidade.
fotos jpb de telemóvel




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