terça-feira, 6 de julho de 2010

Retorno dos ais e dos quase

Ponto prévio: pese embora a tese da minha filha nunca estive muito convencido que a nossa selecção fosse capaz de chegar muito longe. Faltava-lhe liderança e talento para construir um colectivo capaz de ultrapassar os obstáculos de um Campeonato do Mundo. Portanto a minha decepção foi muito reduzida: era o esperado. Mas não deixo de ficar espantado com aqueles que julgam que temos uma das melhores equipas do mundo (dessas, só a de 66 que a TV deixa recordar) .

Desde que vi, no pior vivo que me lembre, o desperdício que representou a derrota contra a Grécia na final do Euro 2004 - era um povo inteiro a empurrar para a vitória - que não tenho grandes ilusões sobre a capacidade futebolística da selecção nacional. Há sempre muita vaidade, muito antes de o serem já o eram, muito convencimento e pouca exigência.

Desta vez a minha ilusão também não era grande. Ainda não tínhamos ganho nada e já eramos campeões. E assim fomos aos saltos, passando pelo play-off, até à África do Sul. Sem grande glória e com o entusiasmo de um 3º lugar no ranking que não consigo entender (no Rugby os pontos do ranking só contam com resultados contra equipas do mesmo nível ou superior, nunca contra os mais fracos).

Como se este estado de espírito - traduzível em atitudes passivas, mais de espera que de procura - não bastasse, a continuidade da entrega da braçadeira de capitão a Cristiano Ronaldo foi um claro e previsível erro de casting. Que contribuiu ainda mais para uma atitude errada e incapaz de transformar um grupo num conjunto superior à soma das suas partes.

Com a visita de Piennar - o grande capitão do XV Springbok que venceu o Mundial de Rugby em 95 e que foi capaz de liderar uma equipa de fracos resultados até então e transformá-la em campeã, sabendo sempre encontrar a palavra justa para puxar os seus companheiros do fundo do poço dos momentos críticos - ainda pensei que alguma coisa se iria alterar. Mas o que disse, a experiência que contou, os aspectos que focou, ou não foram percebidos ou foram dados como menores. A oportunidade perdeu-se, tudo ficou na mesma e o resultado, foi-se.

Como se sabe (ou deveria saber), as palavras não vencem jogos; a atitude, sim.

                                   Em tempo: escrevi este texto depois do jogo contra a Espanha; a sua publicação hoje permitiu condensá-lo e torná-lo de leitura mais simples. 

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Se fosse Rugby...

Se fosse Rugby, não era possível. Nunca num Mundial ou em qualquer outro jogo importante que seja tevisto por milhões de pessoas. O primeiro golo da Argentina contra o México, em claro fora-de-jogo, teria sido anulado; o golo invisível da Inglaterra teria sido golo mesmo e o jogo teria sido outro. Ver-se-ia na televisão e em poucos segundos – como todos vimos nas repetições.

Há uma regra que norteia a vida dos campeões: cometem-se sempre erros, nunca se repetem os erros. O golo com a mão que permitiu a vergonha francesa neste mundial deveria ser o erro a não repetir. Não foi. Porquê? Apenas porque do alto da sua arrogância os senhores futeboleiros não estão para isso? Ora, ora…

A pergunta é óbvia: como é possível não recorrer às simples tecnologias que evitam estes erros? A resposta é quase sempre idiota e dada com ar enfadado: os erros são normais e fazem parte da festa futebol.
Esta estupidez, sendo demasiada – embora Cipolla, na sua Primeira Lei Fundamental da Estupidez Humana, nos avise que há muito mais estúpidos do que possamos imaginar – terá a sua razão num qualquer interesse. Só pode.

Pode parecer demasiado duro mas, face ao comportamento das altas instâncias fifaenses, a interpretação não pode ser diferente – e são eles mesmos, os responsáveis que a permitem: o futebol é assim porque dá jeito que assim seja. Cujo corolário será: assim, a corrupção pode ajustar-se aos interesses que se jogam.
E se não gostam de ser vistos assim, têm remédio fácil: não permitam, mudem as coisas e tornem o futebol mais limpo. Seguindo regras que garantam a credibilidade das decisões.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Basílica da Estrela




Lisboa

Tese da minha filha

Está descansado, pai. Nós vamos longe: somos bons no meio - só somos maus no início e no fim.
Se ela tiver razão, a final está garantida...

terça-feira, 22 de junho de 2010

Lido em A BOLA

Filha de Saramago agradeceu luto A selecção de Portugal apresentou-se com fumos negros em homenagem a José Saramago durante a audição do hino nacional antes do jogo com a Coreia do Norte. Bonito.

Um Vazio de 18 títulos
Aviso aos jovens de Paulo Russo, 38 anos, campeão nacional de pólo aquático por dezoito vezes, internacional: “Que eu sirva de exemplo. Pensem bem nas suas vidas, não tomem opções às cegas. É tudo muito bonito, mas o meu futuro não deixa de ser uma interrogação.”
Para que não se repitam situações idênticas, é necessário garantir que a prática desportiva de acesso ao alto rendimento não impeça a formação escolar em tempo útil – encontrando formas adequadas que permitam a conciliação entre estudos e obrigações desportivas. É uma obrigação da Escola. Sem falsos moralismos.

Ensino do Desporto
Reflexões de Sidónio Serpa, professor catedrático da Faculdade de Motricidade Humana: ”Corre-se o risco de que, no futuro, as Universidades [portuguesas] estejam cheias de docentes com um curriculum repleto de publicações mas com alunos insatisfeitos com as prestações pedagógicas dos seus professores. No que respeita às instituições dedicadas às ciências do desporto, talvez o domínio dos modelos científicos não venha a corresponder à capacidade prática de intervenção. Será que se dará razão a Edgar Cardoso, engenheiro mundialmente conhecido pelas suas pontes, quando dizia que quem sabe de engenharia está nas obras e quem não sabe ensina nas universidades?...”
Pois é e como se sabe ou se deveria saber: na prática, a teoria é outra.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Portugal ganha por 7

Até que enfim! 7-0! Foi bom. Mesmo tratando-se de um adversário de fraco nível, a velocidade que os jogadores imprimiram e que lhes permitiu o número de golos marcados também permite pensar que no jogo contra o Brasil há a obrigação de entrar para ganhar!

José Saramago

O José Saramago morreu. Como diz a Ana, o nosso círculo de amizades e afectos está a ficar cada vez mais reduzido. A memória viva das pessoas, das coisas e dos momentos começa a deixar traços de profunda tristeza. Coisas da idade, claro.
Conhecíamo-nos há tempo suficiente – de muitos jantares, ainda com a Isabel da Nóbrega, na Varina da Madragoa do António Oliveira. Estivemos juntos na campanha à Câmara de Lisboa do Jorge Sampaio quando se candidatou à presidência da Assembleia Municipal. Foi em nossa casa – à Ana, à Maria do Céu e Manuel Alberto Valente e a mim – que nos apresentou com paixão evidente a Pilar del Rio. Conhece-mo-la então em vídeo, vendo uma entrevista. Percebemos a sequência.

Agora ficam-nos os livros e a lembrança de algumas graças como a do “isqueiro da Belimunda” – transparente a mostrar uma flor lá dentro. Um abraço, José.
(A fotografia utilizada - boa e significativa - foi retirada do blogue Virtuália - O Manifesto Global. Com os devidos cumprimentos e em atenção às circunstâncias)

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Diferenças

Os candidatos, ganham. Os outros... dizem.

Regra d'ouro

Há uma regra de ouro no desporto: não se apresentam queixumes sobre o adversário quando não se conseguiu ganhar! Soa a desculpas de mau pagador. É feio e de mau carácter.

terça-feira, 15 de junho de 2010

O Feeling

A bola vai começar a rolar para nós. Por mim quero a vitória, quero as vitórias, o passar a fase de grupos o ir à meia-final. O ir à final. O ganhar o Mundial.
Arrasar é o lema da minha emoção.

Mas como treinador sei que as coisas não vão lá só com o meu querer. Para chegar longe, para além de jogar acertadamente, é preciso sorte: que as nossas bolas não batam nos postes, que as bolas deles encontrem sempre a trave. E é preciso uma enorme vontade de vencer, uma capacidade invulgar de alterar as coisas que correm mal. Para o que é necessário que o triângulo da equipa – definição de propósitos, alinhamento de perspectivas e sincronização de movimentos – tenha sido, naquilo que é importantíssima tarefa do treinador, capazmente preparado.

Às vezes, há casos.

Lembro-me de ver Figo – no Portugal-Inglaterra do Euro 2000 – a revoltar-se e a impor uma vontade de conquista aos seus companheiros: com um olhar, com dois ou três gestos, com um golo monumental. E o jogo virou-se com a vitória final de 3-2. O líder dentro do campo transformou uma equipa e conseguiu transformar o momento do grupo num espaço colectivo de equipa de soma superior ás suas partes.

Lembro também – e revi-o há dias – o Portugal-Coreia do Norte de 66 com a extraordinária reviravolta na façanha goleadora de Eusébio mas com a liderança do enorme Coluna e a vontade de olho clínico do Alexandre Baptista. Dentro do campo a vontade dos homens e a auto-confiança que transportavam (salvé Otto Glória e Manuel da Luz Afonso!) transformaram a derrota surpreendente numa vitória memorável.

Que marquemos primeiro! Que nunca soframos um golo antes de marcarmos.

Se for assim, poderemos avançar. Se assim não for, morreremos numa praia qualquer próxima ou longe da Boa Esperança. Porquê? Porque nos falta liderança dentro do campo que permita mudar as circunstâncias. Porque não vejo quem transmita a vontade indomável de alterar a contrariedade. Repito-me: que haja a audácia de ir sempre à frente.

domingo, 13 de junho de 2010

Conselhos

“…conselhos que não são pedidos podem ser considerados gestos hostis.”
Michael Douglas
Pública

De Mao a Piao

Parece um fado. Antigo e sem mudança de letra. Repetitivo.

A solução que os enormes pensantes propõem para a saída da crise do país – dando provavelmente milhões e ficando barata aos neurónios – é fácil: cortar nos salários!

Bravo! Assim, com salários mais baixos a nossa competitividade aumentará, afirmam. Claro! É a cultura de Loja dos Trezentos no seu melhor expoente.

Sorte a nossa, poderemos ser como a China – “dona” da dívida externa dos Estados Unidos e de vida interna cheia de graça e qualidade. Ámen para eles. E para os notáveis pensantes, também - gosto desta malta cheia de soluções e que, pelo que fizeram e não fizeram, têm enormes responsabilidades no estado actual de Portugal. E lembro-me de Andy Wharol e dos seus quinze minutos de fama... é hora de aproveitar.

A música é a mesma e a letra também. Disco riscado? Vira o disco e toca o mesmo? Alguém me lembrou o célebre conceito: a economia é um assunto demasiado séria para ser deixado aos economistas – principalmente dos acertadores da taluda já vencida, acrescento.

Não haverá caminho diferente, mais acertado e mais eficaz, do que de Mao a Piao?

sábado, 12 de junho de 2010

Torre Sineira

  
foto de telemóvel
Igreja de Santa Maria do Castelo
Tavira

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Neste barco?!...

...e o sonho de um fim-de-semana inesquecível, foi-se...
Escaroupim

ABAIXO AS VUVUZELAS! (e quem as apoiar)

Haverá pior do que comprar bilhete de avião, marcar e pagar quartos de hotel, comprar os bilhetes para os jogos, gastar uma pipa de massa para gozar um Mundial de futebol e ficar sentado à frente dum apitador de vuvuzuelas? Só mesmo o azar dos Távoras.
Gosto de ir ao futebol, de aplaudir jogadas, de dar um grito por outro, de me levantar no lugar, mas odeio todos os tipos (e tipas!) que levam buzinas de ar comprimido para os jogos – tenho enorme dificuldade de perceber o gozo de tocar na borrachinha e sair ronco. Palmas, cantares, dizeres, apoios, tudo bem…mas estas inventonas do marquetingue são insuportáveis.


Vuvuzelas, um achado de quem detesta e para quem detesta futebol – como é que se pode gozar o jogo a soprar naquilo?


O que parecia poder resolver-se olhando a televisão sem qualquer som, foi estragado com uma palermice de campanha de marquetingue da responsabilidade da GALP – agora qualquer criança tem o direito, apoiada no olhar embevecido dos paizinhos, de bufar alarvemente o estupor da corneta. E vão chegar-se às janelas para comemorar isto aquilo e mais uma ou outra coisa qualquer…Temo o pior deste Mundial.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Ponte Rainha D. Amélia

Ponte rodoviária Rainha D. Amélia sobre o Tejo
Porto de Muge

terça-feira, 1 de junho de 2010

Puxadores e batentes

Lisboa

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Prémio Secil Unversidades de Arquitectura 2009

Por convite da Ordem dos Arquitectos e com aceitação da Secil, fui presidente do júri do Prémio Secil Universidades de Arquitectura 2009. A cerimónia de entrega dos prémios foi no Teatro D. Maria II – que a administração da Secil (no caso Mário Valadas) teve a feliz ideia de abrilhantar com a orquestra do Hot Clube, que já não ouvia (do verbo ouver, claro) há muito tempo e está que em excelente forma. Recomendando-se, naturalmente.

O Pedro Queiroz Pereira – presidente do Conselho de Administração da Secil – depois de agradecer aos jurados e presidentes de júri, resolveu lembrar a nossa amizade que vem dos tempos de alunos do Colégio Militar e transmitiu a toda a gente que, no meio, eu era mais conhecido pelo “200”. Quando chegou o tempo da minha intervenção, agradeci a lembrança que tinha feito da excelente casa que era o nosso Colégio Militar e aproveitei para lembrar que o Presidente da República, ali presente, era aluno honorário. Que, para espanto do Pedro, lhe dizia: E tenho número! Claro que tem número, é o “695”. A seguir disse o que tinha preparado e que não anda longe do texto que anteriormente escrevi para o catálogo dos premiados. Assim:

“Senhor Presidente da República.
Senhoras e Senhoras, Membros do Júri,
Premiados, Participantes

O Prémio Secil Universidades de Arquitectura, mostrando as preocupações e contexto em que as Escolas de Arquitectura se movem, constitui também um passo importante da articulação que se pretende constante entre as Universidades e a Sociedade a que pertencem e a que devem responder. E esta aproximação marca a importância deste prémio. Daí que não possa deixar de agradecer à Secil a iniciativa e o incentivo.

Como já escrevi a este propósito, sei que não é fácil o acesso à profissão Arquitecto nos dias que correm. Na crise que vivemos, o acesso e o exercício profissional estão ainda mais difíceis – o que atribui aos prémios uma dimensão superior de importância. Ganhar hoje um prémio, é uma vantagem não desprezável.

Espero que aqueles que têm o poder da responsabilidade sejam capazes de encontrar as soluções que permitam criar as oportunidades necessárias à realização do trabalho destes futuros arquitectos. Mas se tudo - na visão pessimista que nos rodeia - pode parecer inultrapassável, lembro uma outra oportunidade que se vos abre: a Arquitectura Portuguesa cresceu e tem um prestigiado reconhecimento internacional. Pelo mundo fora há inúmeras assinaturas da Arquitectura Portuguesa que possibilitam acessos a novos mercados. Que possam aproveitar a abertura desse caminho – difícil mas profissionalmente recompensador – são os meus votos para os que, quase Arquitectos, são os premiados e participantes neste prémio.

Hoje a Arquitectura exige-nos uma atenção e cuidados particulares. O mundo, a Terra em que vivemos, impõe-nos o desenho sustentável. E é a nós arquitectos que cabe a principal responsabilidade para o conseguir através do bom desenho da componente passiva dos edifícios. A vocês, futuros actores da Arquitectura Portuguesa, caberá desenvolver este caminho, abrindo por esta via da sustentabilidade e da dimensão pluridisciplinar do trabalho colectivo, novos espaços à expressão do conteúdo humanista do desenho arquitectónico.

À Ordem dos Arquitectos agradeço o convite para a presidência do Júri e à Secil a sua aceitação.

Por fim quero ainda agradecer aos meus companheiros, membros do júri, o excelente apoio que proporcionaram nas tarefas que nos competiam – e aqui gostaria de lembrar e agradecer, de uma forma particular, o trabalho da drª Cristina Menezes.

Parabéns aos premiados. Muito obrigado.
(João Paulo Bessa, Presidente do Júri)
foto com telemóvel

sexta-feira, 21 de maio de 2010

O logro percentual

1% é igual a 1%. Mas 1% de 20 é diferente de 1% de 80 - e o 1% sobre ordenados baixos e muito baixos é diferente do 1% sobre ordenados altos e muito altos. Por uma razão simples: para os últimos, as necessidades básicas estão altamente superadas; para os primeiros, a quem sobra sempre mês, as necessidades básicas estão diminuídas. Por isso, falar na repartição por todos, é injusto - mesmo considerando que estão isentas de tributo cerca de um milhão de famílias. Porque se o 1% é igual, o resultado é diferente. Como se sabe facilmente do futebol: marcar golos em 30% de três remates diz-se eficácia; marcá-los em 30% de nove remates diz-se desperdício. O que significa uma enorme diferença.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Snowball


Coruja do Mato
juvenil
strix aluco
Apanharam-no no chão – abandonado pelos pais, diz quem conhece – e entregaram-no a um Vigilante da Natureza. Há cerca de mês e meio. Era uma bola de pêlo branco quando chegou, por isso o nome. Hoje, parecendo ser macho e voando já o seu espaço, está a aprender a comer ratos para, dentro de pouco tempo, aprender a caçar e tornar-se independente. Tomado por inapto para sobreviver – se o abandono for verdade – está a um passo de experimentar a sua liberdade. Graças ao Paulo Encarnação que tem cuidado dele.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Éticas

O senhor Presidente da República usou a ideia que “a ética da responsabilidade tem de ser colocada acima das convicções pessoais de cada um” para justificar a promulgação da lei que aprova o casamento de pessoas do mesmo sexo. Na aparência pareceu bem. Falso.

Primeiro, porque, articulando como articulou, considerou que a decisão apenas se deve à força da actual crise – ou seja: a ideia, em si, nada vale nem nada representa em matéria de não discriminação ou de Direitos Humanos e, não sendo a crise, nunca a aprovaria. Por outro lado, a chamada da “ética de responsabilidade” à justificação, não ultrapassando a fórmula do politicamente correcto, ignora que a exigência do exercício do cargo de Presidente da República se norteia por outra ética, a ética republicana que obriga ao cumprimento e respeito dos procedimentos que definem a República, independentemente do que possamos pensar sobre eles. Ética esta que teria permitido, em vez de um discurso moralista, um afirmação de Estado: é assim porque assim foi decidido por quem de direito, ponto.

Há anos, Édouard Balladur, francês, primeiro-ministro (1993/95), católico, de direita e candidato à Presidência da República (1995), explicava, nos ecrãs da televisão e durante a campanha presidencial, ao ser perguntado por eventual oposição sobre a questão do aborto que “ser católico é uma decisão do foro pessoal. E como Presidente da República a minha obrigação é a de cumprir e fazer cumprir as Leis da República.” Culturas diferentes na mesma responsabilidade?

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Corvos marinhos

Corvos marinhos de faces brancas
Phalacrocorax carbo
Baía do Seixal

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Flamingos

A Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves(SPEA) - de que sou membro - confirmou a nidificação de flamingos na Lagoa dos Salgados no Algarve - dois ninhos para um tempo de incubação de cerca de 30 dias. Se tudo correr bem será a primeira vez que haverá reprodução da espécie em Portugal, sendo também uma importante ajuda para a já necessária protecção e classificação da lagoa. Haja esperança...



Flamingos
Phoenicopterus roseus
Salinas de Castro Marim

Nota a 19-05-2010: Parece que as possíveis crias da Lagoa dos Salgados não serão afinal a primeira reprodução de flamingos em Portugal. Segundo o portal avesdeportugal.info, existe registo anterior datado de 5 de Agosto de 1987: nessa data, um ornitólogo holandês observou, na reserva de Castro Marim, alguns ninhos de flamingos, juntamente com duas crias pequenas.

Bento XVI

A passagem de Bento XVI por Portugal teve, pelo que podem significar, duas afirmações a reter:

  • Primeira ou a falência da soberba:
    "[...] a maior perseguição à Igreja não vem dos inimigos no exterior mas do pecado da Igreja."

  • Segunda ou a abertura à consciência cívica:
    "O perdão não substitui a justiça."

fontes: comunicação social diária

terça-feira, 11 de maio de 2010

Benfica campeão!

Há cinco anos no Bessa, agora na Luz.
Campeões! Nós só q'remos o Benfica campeão!

O ciclo mudou: os campeões já preparam o próximo

A Vitória Seara Cardoso

O Marquês e a maré benfiquista

A frase que melhor se ouviu na noite foi de David Luiz: Eu vou ficar! ... a defesa sossegou e o ataque aventurou-se
fotos de telemóvel


sábado, 1 de maio de 2010

1º de Maio

Lisboa, Alameda (1977?)

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Gruta das Torres

Inês Vieira da Silva /Miguel Vieira, arquitectos
Gruta das Torres, Pico, Açores

Desperdício

“É pura perda de tempo fazer bem feito o que não serve para nada.”
Do senso comum da experiência
“Qual é a vantagem que se tem em fazer as coisas erradas bem feitas?”
Thomas A Stewart
“ Não há nada mais inútil do que fazer eficientemente aquilo que nunca deveria ter sido feito”
Peter Drucker

terça-feira, 27 de abril de 2010

O corpo e o terramoto


“As mulheres que não se vestem com modéstia desviam os rapazes do bom caminho, quebram a sua castidade e espalham o adultério na sociedade, o que faz aumentar os terramotos.”

Kojatolesman Kazem Sedighi, clérigo muçulmano iraniano, culpando as
mulheres pelo grande número de tremores de terra à volta do globo.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Cumprir o 25 de Abril

"Portugal não conseguiu cumprir o que o 25 de Abril, a todos, prometeu. Por leviandade de uns, por egoísmo de outros, por incompetência de muitos"
Vítor Serpa, A Bola

domingo, 25 de abril de 2010

25 de Abril

(Terreiro do Paço, Lisboa, 1978)

sábado, 24 de abril de 2010

Arquitectura anos cinquenta

Avenida Infante Santo, Lisboa
Alberto Pessoa, Hernâni Gandra, João Abel Manta, arquitectos

Qualidade da Democracia

"Não estou nada satisfeito com a qualidade da democracia. Temos que a requalificar, a começar pela renovação das estruturas partidárias"
Jorge Sampaio, Presidente da República (1996-2006)

sábado, 17 de abril de 2010

Paulo Gouveia, arquitecto, 1939-2009

Museu dos Baleeiros (1986-1989/?-2009)
Lages do Pico, Açores



In Memoriam


sexta-feira, 16 de abril de 2010

Treino de inverno

"[...] vai à frente dos do Algés e Dafundo, que têm piscina de Inverno e treinam todo o ano, o míudo que nadava no rio e representa agora a Associação Académica de Coimbra sabe que a ausência de preparação no Inverno significa menos dez metros de fôlego em relação aos de Lisboa, dez metros,[...]"
Manuel Alegre, O MIÚDO QUE PREGAVA PREGOS NUMA TÁBUA, D.Quixote, Lisboa, 2010

Montemor-o-Velho, um caso

Montemor-o-Velho via passar o Mondego. Alguém se lembrou de tentar um desvio que possibilitasse uma pista desportiva de remo. No princípio, o costume: desperdício, para o que se haviam de lembrar, como é que vou pagar isto?

Até que um dia, guiado pelo Miguel Figueira*, olhou para o canal de outra maneira e percebeu: e se transformar isto numa oportunidade?
Num repente, tudo mudou. Entendido como oportunidade, o canal transformou o pensamento. O bocado de água passou a mais valia, procuraram-se vontades, procuraram-se mais investimentos. De um bocado de água destinada a pouca coisa que não a vista, surge um conceito: agarrar a oportunidade, modernizar a vila, transformar a vida. Nascia um Centro de Alto Rendimento Desportivo apoiado em parcerias da Secretaria de Estado da Juventude e Desporto, do Instituto do Desporto de Portugal, I.P., das Federações de Remo, da Canoagem, do Triatlo e da Natação.

Hoje, quase acabados os canais necessárias a uma pista desportiva de remo - prepara-se a recepção a um Campeonato Europeu de Remo em Setembro próximo - e onde também marcará vez a Canoagem com Europeus em 2011 e 2013. O Triatlo já tem residentes - jovens atletas - numa casa do meio da vila. A Canoagem, noutra casa, também. A Natação de Águas Abertas - a pensar em novos apuramentos olímpicos - fará companhia nos treinos dos triatlistas. E estrangeiros estão já de olho em cima - para treinar em inverno ameno.
A vila muda a fisionomia: escadas rolantes de exterior permitem o acesso fácil entre a baixa e a alta junto ao castelo. A população residente ganha mobilidade e confronta-se com a novidade, abrindo-se a novas ideias e a novos costumes. O comércio, mais cedo que tarde, vai aproximar-se dos grandes centros.
Uma oportunidade e muito muda, ganha-se nova esperança num tempo de crise. Abrem-se novas perspectivas: o novo espaço criado - água, pistas, espaços naturais - permitirá atrair empresas que aqui encontrarão o melhor dos sítios para os seus team buildings. Os serviços virão atrás. A cidade transforma-se, os montemorenses abrem-se perspectivas.
Montemor-o-Velho é um caso de estudo: como agarrar uma oportunidade para transformar uma cidade. Vale o exemplo.

* Miguel Figueira, arquitecto, GEP.CMMV, autor do projecto de arquitectura

sábado, 10 de abril de 2010

Chaminés

Lisboa, Avenida 24 de Julho

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Prémio Secil Universidades Arquitectura 2009

A Ordem dos Arquitectos e a SECIL convidaram-me para presidir ao Júri do Prémio Secil Universidades Arquitectura 2009. Ontem, quinta-feira, fizemos a reunião principal num espaço de velho armazém - simpatia da NavalRocha SA - soberbamente colocado à borda do Tejo numa tirada da cartola da Cristina Menezes (funcionária da Ordem dos Arquitectos) que ainda foi capaz de nos facilitar a vida numa construção logística exemplar, criando um óptimo ambiente - almoçamos no Museu de Arte Antiga - que correu toda a sessão. No final , digo eu, só me faltou um gin e a esplanada para, mesmo com a falta do Pico mas de Arrábida ao longe, substituir no sabor da memória o Peter’s do Faial.

Foram analisados 56 trabalhos da mais diversa variedade e das mais diferentes escolas, seleccionados vinte e premiados, no final, cinco conforme propõe o Regulamento. O Júri esteve satisfeito, conversou sobre coisas várias da arquitectura e do seu ensino, sobre as relações das escolas com o prémio, sobre eventuais alterações regulamentares a considerar e saímos satisfeitos e agradados com a missão que cumprimos. Para além do mais, gostamos de alguns trabalhos que os estudantes apresentaram. Para mim, para além de honrado pelo convite, foi uma experiência muito gratificante.


Para lembrança, os nomes dos membros do Júri pela ordem da fotografia (da esquerda para a direita): Alexandre Alves Costa, António Ferreira de Carvalho, António Poças, Patrícia Diogo, Pedro Costa, Rui Correia, António Barreiros Ferreira, Pedro Reis (de pé), José Manuel Pedreirinho, Miguel Vieira (de pé), Cristina Salvador (encoberta), Cristina Menezes. Falta ao enquadramento de Tejo ao fundo, a Andreia Galvão.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Ser português

"Ser português significa interessarmo-nos por uma questão que não interessa nada a mais ninguém."
Miguel Esteves Cardoso in JA237 (Jornal Arquitectos), Outubro-Dezembro 2009

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Persistência

"Há nos confins da Ibéria um povo que nem se governa nem se deixa governar", percebeu Caio Júlio César (100 a.C. – 44 a.C.), general romano.
Vinte séculos mais tarde – mas no mesmo espaço da P2 do Público - Eduardo Lourenço concluía de modo semelhante: "Portugal sempre foi um país difícil. […] Portugal não é um país fácil de governar."
Mesmo com vinte séculos de intervalo…
persistência?!

sábado, 3 de abril de 2010

Páscoa 2010




quarta-feira, 31 de março de 2010

Eu não me resigno, eu não me conformo

"[...]
Uma nação é os seus cidadãos e cidadãs que têm direito a ser tratados sem preconceitos nem qualquer forma de discriminação.
E também os imigrantes que a escolheram para trabalhar e viver e têm direito à inclusão, não apenas para ganhar medalhas olímpicas ou vestir a camisola da selecção nacional de futebol, mas para participar também na nossa vida cívica.
Uma nação é as suas pessoas, e também a sua História, a sua cultura, a sua língua, a sua identidade. É essa a razão de ser da minha candidatura.
[…]
O Presidente da República tem o poder de convocatória. A responsabilidade do Presidente é ser uma referência e um referenciador. Cabe-lhe convocar o país para as reflexões sobre indecisões e contradições. Cabe-lhe promover os debates que ultrapassem as questões de contingência e as questões de circunstância. O país é uma comunidade formada por diversos compromissos e composto por interesses em regra diversos e divergentes. Cabe ao Presidente a convocatória, a interpelação e a mobilização.
Portugal tem um défice de reflexão e de estratégia, um défice de comunidade e, sobretudo, um défice de confiança.
Ser Presidente da República não é só ser o guardião: não é ser somente o titular de deveres e poderes. É também ser o intérprete, o promotor e o mobilizador.
Inspirar e animar a construção colectiva de um caminho em que os direitos sociais sejam respeitados e em que a ética republicana prevaleça.
[…]
Eu não me resigno, eu não me conformo.
[…]”
Manuel Alegre em Beja a 26/Março/2010

segunda-feira, 29 de março de 2010

Desporto inclusivo

Para além da convicção que tenho de que se as pessoas soubessem mais de Desporto e das suas componentes, seríamos muito mais eficazes na resolução dos mais diversos problemas do país, tenho também a profunda convicção que, através do Desporto e da sua prática, é possível - e constitui até um extraordinário e exemplar caminho - atingir elevados níveis de eficácia na integração social.

Assisti recentemente, na freguesia da Apelação, à assinatura dos protocolos de adesão ao Contrato Local de Segurança de Loures, entre o Município de Loures, o Governo Civil de Lisboa e diversas entidades parceiras de também diversas áreas culturais, religiosas, sociais e desportivas. Este programa – que tem como áreas de intervenção prioritária a prevenção da delinquência juvenil, da pequena criminalidade, da violência doméstica, dos comportamentos anti-sociais e dos fenómenos de insegurança - é impressionante, pleno de acções e com uma dimensão extraordinária de parcerias e a sua implementação sustentável trará, aos cerca de 53.000 habitantes das freguesias da Apelação, Camarate e Sacavém, o início das condições de cidadania a que têm direito independentemente da sua condição social.

Do lado do Desporto, espaço do meu contentamento e razão da minha presença, tornaram-se parceiros do programa “Desperta no Desporto” integrado neste Contrato Local, o Comité Olímpico de Portugal, a Federação Portuguesa de Esgrima, a Associação de Rugby do Sul, a Associação de Andebol, o CDUL-Rugby, o Sporting Clube de Portugal e o Estádio Universitário de Lisboa. E as acções já começaram: a esgrima já atira, o judo já projecta e o rugby já tem adeptos. Abre-se um novo mundo nas vidas dos miúdos das freguesias da Apelação, Camarate e Sacavém. A oportunidade da cidadania, também.

Fiquei impressionado com a aposta. Espero que daqui de Loures – vale a pena estudar o caso - resulte a percepção generalizada das enormes possibilidades e potencialidades que o campo desportivo oferece para a inclusão social e cidadania.

Caneta para a História?

Na Ordem dos Arquitectos tomou posse a Comissão Instaladora do Colégio de Especialidade de Património Arquitectónico, constituída por Vítor Mestre, Walter Rossa, Sérgio Fernandez e Gonçalo Byrne. Pretende-se, como disse João Rodeia – presidente da Ordem – que o Colégio seja um think tank das questões que dizem respeito ao Património Arquitectónico e não um espaço profissionalmente reservado. Sérgio Fernandez, em palavras de ocasião de empossado, afirmou não gostar muito do conceito Especializado, percebendo-se preferir um espaço de encontro e discussão sobre as questões que se colocam nesta área.
Para quem, como eu, que tem defendido no Conselho Nacional de Delegados a que pertenço, que os Colégios de Especialidade não podem ser uma corporação de interesses dentro da Ordem, fico satisfeito com os princípios declarados.
Tratando-se de uma área de enorme importância para a cultura e história portuguesa e pela qual tenho carinho e interesse, mais satisfeito ainda fico com o facto de as assinaturas – momento histórico? - terem sido feitas com a minha caneta – uma neta actual da lapiseira Fixpencil 2 da Caran d’Ache que integra a selecção dos 1000 Objectos de Culto de Design da Phaidon Design Classics. A foto (de qualidade de velho telemóvel) aqui fica como testemunho e para o caso do momento se tornar histórico – espero-o bem pois que, se assim for, uma das minhas netas poderá contar com algum valor interessante de herança.

sábado, 27 de março de 2010

Estúpida falta de memória

[...] "o Sp. de Braga foi alvo de uma campanha vergonhosa levada a cabo pela CD da Liga (...) ao melhor estilo inquisitório, que faria a PIDE parecer meninos de coro"*. A estupidez da comparação é óbvia e insultuosa. E representa enorme falta de respeito para com todos aqueles que sofreram as torturas pidescas, viram a sua vida e das suas famílias arruinadas ou perderam a vida por mera discordância de opinião.
A comparação, ignorando a memória, não é mais do que uma revisão da história portuguesa. A existência da PIDE em Portugal não é uma ficção ou invenção. E não foi um mero organismo que se limitava a interpretar regulamentos: foi uma polícia política de cariz secreto que usou e abusou dos seus poderes contra cidadãos portugueses.

Tenham juízo!
*Comunicado da SAD do Sporting de Braga acerca da decisão do Conselho de Justiça da Federação Portuguesa de Futebol

sexta-feira, 26 de março de 2010

O jogo dos interesses

Os stewards não são intervenientes do jogo, diz o Conselho de Justiça da Federação de futebol. Talvez não. Talvez sejam apenas elementos essenciais da organização do jogo.
Mas certeza, certeza, é que não são espectadores. Porque eu, espectador, não tenho que cumprir - para além do direito de entrada - com mais coisa nenhuma para ir a um jogo de futebol. E um steward tem! Tem que cumprir o legalmente estabelecido para o poder ser.

Os steward em Portugal nasceram com o Europeu de 2004. Por imposição da UEFA que quis, por razões de segurança, desmilitarizar os estádios procurando assim evitar a visibilidade policial, lida muita vezes como provocatória (no Euro 2000 vi forças policiais preparadas para intervir em caso de necessidade mas situadas a distâncias anti-provocação e dentro dos estádios, não se viam polícias).
Tinham aprendido com o futebol inglês que se socorreu dos stewards quando percebeu que as sessões contínuas da violência holligan se deviam também ao mútuo acicate de claques e polícias - uns e outros a chamarem a adrenalina num jogo de insultos e provocações. Com os stewards com uma missão precisa enquanto parte de um longo plano - os líderes dos gangs viram terminados os seus direitos de entrada em estádios - a Inglaterra transformou os espaços de espectáculo futebolístico em lugares de frequência familiar. E os estádios estão cheios...

Não bastando uma visão distorcida da razão dos stewards, tínhamos ainda que nos confrontar com outra particularidade do futebol português: o facto de ser mais barato dar um enxerto de porrada num espectador - o lorpa pagante alimentador do espectáculo - do que em qualquer outro interveniente do jogo. A proporção é de 1 para 6!
Em Inglaterra, não! Há quinze anos quando Cantona agrediu um espectador que, reconhecidamente, o tinha insultado, foi - sem qualquer outra preocupação que não a defesa da qualidade ética do espectáculo - castigado com 8 meses de suspensão. E será também por isso que no futebol inglês se pode ir aos estádios, sem que os espectadores se sintam punching-balls a preço de saldo. Por cá, pelo contrário, justifica-se tudo numa amálgama de teses peregrinas - em pérolas como esta: quem incumpre é que deve ser castigado e multado, mas nunca ao ponto de deixar de exercer a sua profissão - que justificam o injustificável.

Se admitirmos que a estupidez não é para aqui chamada, então a ignorância nesta matéria dos portugueses influentes no futebol caseiro só pode ser vista como mera cortina de fumo para camuflar o verdadeiro móbil: uma razão de interesse! Até que o futebol se torne insuportável e não haja clubite ou propaganda que o mantenha.

quarta-feira, 24 de março de 2010

As claques correm sozinhas?

Há alguns anos li um estudo sobre claques futebolísticas realizado pela Universidade de Lovaina (Bélgica). Aí estabeleciam-se, de forma clara e depois das necessárias investigações, as ligações entre grupos da extrema-direita e as claques de futebol, denunciando as intromissões, articulações e liderança das acções violentas.

Nas últimas semanas, em Portugal, houve constantes confrontos entre membros de claques a propósito da disputa de jogos de futebol. Na crise em que vivemos, no elevado desemprego em que nos encontramos, na imensa nebulosa com que o futuro se nos apresenta, temos montado o palco conforme às actividades de convulsão social pretendidas pela extrema-direita. Estão as autoridades portuguesas capazes de garantir que a mãozinha de uma qualquer Internacional Negra está fora de questão?

Incidente de vulto

Segundo o Público, a GNR faz um balanço positivo do que aconteceu no Algarve, no Benfica-Porto, por, dizem, não se terem "registado incidentes de vulto no jogo de maior risco do ano". Estão a brincar? O incidente de vulto é agora indicador para aferir da possibilidade de ir assistir a um jogo de futebol? Que raio de ideia é esta de medir o acesso a um espectáculo de futebol pela regra de batalhas campais?

Ao que se pode ler, a GNR tem por Missão a manutenção da ordem pública, assegurando o exercício dos direitos, liberdades e garantias. O que inclui manter a segurança dos cidadãos. Estes serão os indicadores pelos quais se pode medir a qualidade da sua intervenção. Que, pelo que vi, foi de má qualidade: na prevenção e na acção.

Incidentes de vulto!? Só falta esta visão para nos colocar ao mesmo nível de percepção dos elementos dos gangs chamados claques clubísticas.

PEC ou Plano de Austeridade?

A lógica deste PEC tem um problema: contradiz o pacto essencial de uma sociedade democrática - o de criar justiça social.
Fernanda Câncio in Diário de Notícias de 19/03/2010

terça-feira, 23 de março de 2010

Dormir sobre o assunto

Trabalhar em excesso, embora seja admirável, levanta questões sérias e pode pôr em causa o desempenho.
Relatório final da Comissão sobre o desastre do Challenger, 1986

Ou seja, mais vale dormir do que ser admirado... para segurança de todos.

segunda-feira, 22 de março de 2010

Ainda a Madeira

Do rio que tudo arrasta se diz que é violento.
Mas ninguém diz violentas as margens
que o comprimem.
Bertolt Brecht (1898/1956)

Cultura

Ter cultura é ter a capacidade de relacionar coisas, factos, meios, aparentemente distintos. O resto é memória.

domingo, 21 de março de 2010

Continuação da estupidez das claques

A coberto do futebol, as cenas de pancadaria entre claques continuam. Para garantir a “segurança” desses bandos sem lei, cerca de 1000 agentes foram mobilizados. A pergunta precisa de resposta urgente: O que é que clubes, Liga e Federação fazem tensões de fazer para – de uma vez por todas – acabar com esta alarvice anti-social?

sexta-feira, 19 de março de 2010

A brutal desproporção

Tenho uma enorme dificuldade em entender os tiros do polícia que levaram à morte de Nuno Rodrigues (o rapper Mc Snake). Não entendo mesmo esta estúpida desproporção entre uma fuga automobilística a uma Operação Stop e os disparos que levaram à morte do condutor. Será preciso recorrer a tiros para fazer justiça sobre um condutor desobediente? Não chegará saber o tipo de carro e a própria matrícula para actuar? Em que raio de filme ou série televisiva se julgava o atirador?

Que raio passou pela cabeça do atirador-polícia para considerar que a fuga o colocava – a ele ou a terceiros - em situação de alta perigosidade. Que raio de treino é este? Sei o suficiente sobre tiro de pistola para saber que só pessoas bem treinadas podem utilizar 7,65 ou 9mm de maneira eficaz e com os cuidados necessários. E uma de duas: ou as polícias têm o treino necessário para saber quando e como usar armas ou… devem andar sem elas.

Pedrada em Alvalade

E ontem, em Alvalade? Bonito espectáculo de bandos de arruaceiros – com essa coisa pretensamente chamada “calçada à portuguesa” (são apenas cubos de vidraço) a servir de arma de arremesso. Pode continuar-se a ir ao futebol?

segunda-feira, 15 de março de 2010

O jogo das claques

Cada vez que vejo claques futeboleiras acompanhadas por aparatos policiais de dezenas de agentes, não consigo deixar de pensar: porque tratamos energúmenos como gente decente, deixando que se comportem acima de qualquer regra?
Percebo que os membros das claques gostem daquilo. No fundo, a polícia protege-os e assim podem insultar toda a gente, provocar e incomodar a seu bel-prazer. A polícia é portanto parte essencial desta aberração de gostar de futebol. Sem a sua protecção, as claques já teriam perdido o carácter de gang. E os membros adivinham-no e por isso aceitam estes passeios concentracionários. Por sobrevivência.

Sendo tudo isto tão obviamente estúpido – para além do enorme custo que representa – a questão permanece cada vez mais brutal: porque é que não acaba? Em Inglaterra, acabaram…

Há dias participei num seminário onde se falou destas coisas: violência nos estádios, segurança, meios, etc. etc. Lá se foi percebendo o que já se sabe: aos clubes de futebol as claques dão jeito, dão votos e é melhor tê-las com do que contra. Portanto, a não mudar a mentalidade, não serão aliados da transformação dentro da lógica de mais valer poder do que espectadores.

Mas, curiosamente e à medida que o tempo corria, dei comigo a pensar numa outra perspectiva: estas acções também interessam à polícia – razão porque não acabam!

Por umas acções sem custos físicos sérios – não há baixas – passam-se uns dias - uma, duas semanas - a preparar uma guerra particular com o estendal habitual das salas de operações, recorrendo a informações e à sua procura, traduzindo em mapas e notas operativas os elementos estratégicos, operacionais e tácticos, num gozo pleno de adrenalinas. De pica e à borla. Sem riscos.

E se é verdadeira a regra fundamental dos bombeiros – um fogo não se combate, evita-se – só uma especial aliança de convergência de interesses permite que se deixe correr este fogo lento.
Até que as idas ao futebol se tornem uma impossibilidade.

quarta-feira, 10 de março de 2010

A Alice de Lewis Carrol

A quem ainda não leu a Alice de Lewis Carrol, aliás Charles Lutwidge Dodgson (1832/1898), proponho que o faça quanto antes. A quem já leu, que volte a ler. Principalmente antes de ver o filme que agora se estreou. Porquê? Porque “As Aventuras de Alice no País das Maravilhas” e “Alice do Outro Lado do Espelho” são livros excelentes, muito interessantes e divertidos. E muito inteligentes.

Conhecer o original antes de ver o filme de Tim Burton - que faz da estória ponto de partida e de memória permanente - permitirá um gozo maior de ambos. E a recente edição do Expresso – graficamente excelente e desafiadora, com ilustrações de Diogo Muñoz (de quem uso, com cumprimentos, uma reprodução) de uma Alice tirada das Meninas de Velásquez que se passeia em cenários de referência como a Guernica de Picasso (Andy Wharol e tantos outros também são para aqui chamados) – é uma excelente oportunidade para, lendo com a lentidão dos grandes momentos, se deliciar.

Lendo-os poderá reconhecer que Lewis Carrol também sabia da moral de “quem sai aos seus não degenera” ou perceber como o diálogo de Alice com o Gato Cheshire permitiu a Henry Kissinger*, notoriamente com a importância de uma outra pompa e claramente noutra circunstância, aconselhar que “se não sabe para onde vai, todos os caminhos o levarão a lugar nenhum” ou, ainda, aprender que numa Corrida Eleitoral se começa a correr quando se quer, se desiste também quando se quer e que, no final, todos são vencedores com direito a prémio, para já não falar no retrato esquizofrénico do mundo actual dado, em aviso elementar de Rainha, com um “aqui, como vês, é preciso corrermos o mais depressa possível para ficarmos sempre no mesmo lugar. Se quiseres chegar a outro sítio, tens de correr pelo menos ao dobro desta velocidade.” Ou também reconhecer, com Alice e numa pergunta de absoluta pertinência: “Mas como é que se pode falar com alguém que diz sempre a mesma coisa?”. A Alice de Lewis Carrol é uma maravilha.

*Ex-Secretário de Estado dos EUA

segunda-feira, 8 de março de 2010

A FIFA quer um jogo humano

A FIFA, através da sua International Board, decidiu não recorrer a ajudas tecnológicas. Apresentando uma razão fundamental: para preservar o futebol como jogo humano.

Melhor não conseguiria imaginar. Nem mais tonto.

Mas, pensando bem: sendo o erro, o engano, o roubo, a aldrabice tão humanos como o certo, o verdadeiro, a decência e outras coisas mais, o futebol limitou-se a manter a enorme abertura que o caracteriza - com excepção, claro, dos estádios onde a segregação social é total (aqui há direito a álcool, ali, nem pensar! etc., etc.)

Podemos ficar descansados. O perfume da dúvida, mantém-se. Iremos continuar a ver as mãos de Maradona, de Vata, de Henry a eliminar adversários; a saber de golos que, cheirando a linha, umas vezes são, outras não; a ver foras-de-jogo quilométricos - pela distância que nos permite abrir o ângulo de visão - que bandeirinhas nunca - a ciência avisa-o - poderiam ver. Enfim, o erro continuará a fazer parte da coisa - e os que pretendem evitá-lo (rugby, ténis, futebol americano, entre outros) não passam de senis humanóides...


Só me faz espécie que, sendo uma decisão notavelmente estúpida e sem sentido, não se queira ver o interesse que a promove. Duvido que seja para nos garantir, a nós espectadores, momentos de alívio da tensão, berrando contra o quarteto de arbitragem, jogadores e adeptos contrários. Quer dizer, que seja a função social do alívio...

Será então porque a dúvida, ao alimentar uma indústria envolvente do jogo e constituída por televisão, jornais, revistas, vídeos, sites e sei lá mais o quê, transforma o futebol num negócio que não se importa de viver paredes meias com a negligência? Será?

terça-feira, 2 de março de 2010

A Região Norte e o QCA III

A Região Norte teve um excelente desempenho no seu Programa Operacional do QCA IIIagora formalmente encerrado. A tal ponto que teve direito a um prémio de eficiência de 135 milhões de euros.

O relatório final do Programa Operacional reflecte essa qualidade de desempenho com as Medidas a superar as metas que lhes estavam atribuídas – a Medida Desporto Regionalmente Desconcentrada que coordenei, tem aí excelentes referências, sendo até considerada como Estudo de Caso pela inovação dos instrumentos introduzidos para a sua realização. O que representa também admirável reconhecimento por entidade externa para a qualidade da equipa que comigo colaborou e para a excelência do seu trabalho. Pena que alguns – em enorme manifestação de absoluto desperdício de experiência, competência e capacidades – continuem no desemprego ou, para um deles, em lugar de total desaproveitamento.

No seu discurso de encerramento no portuense Palácio da Bolsa, Carlos Lage – presidente da CCDR Norte – expressou o seu sentimento de ambivalência perante os resultados conseguidos. De facto à qualidade de desempenho do Programa Operacional opõe-se a regressão económica da Região. Ou seja e como ressalta à vista desarmada: atinge-se a excelência no desenvolvimento do Programa Operacional e a Região fica em pior situação.

No que parece, sendo assim, um enorme desalinhamento entre o programa que se desenvolveu e as reais necessidades regionais. Porquê? Por inépcias várias que vão desde o alheamento para seguir caminhos que estudos e pesquisas definiram em trabalhos muito participados pelas forças e estruturas regionais até ao velho estilo de deixar imperar interesses ou o eterno receio de ferir susceptibilidades. Ou ainda, que as decisões - iniciais, de objectivos, de possíveis articulações - das diversas partes de programas regionais ou nacionais, tenham sido tomadas naquilo que Le Carré designa pelo sítio mais perigoso para analisar o mundo: a secretária.

A Região Norte quando começou, em 1988, a planear o III Quadro e até 2001 vivia em crescimento – mesmo acima da média europeia – e, praticamente, em pleno emprego. A partir de 2002 a recessão ou a anemia para só em 2007 ter de novo crescimento. Sol de pouca dura com nova recessão e o desemprego a subir em flecha. Que é o quadro actual.

A sensação é de que se acertou ao lado em relação às necessidades regionais. E uma das razões porque assim é - remate ao lado - diz respeito à forma como estes programas são olhados pela Comissão Europeia – uma visão burocrática e economicista mais preocupada com o cumprimento dos objectivos teóricos do que em fornecer respostas às necessidades. Porque cada alteração é uma impossibilidade, ou assim o têm entendido os responsáveis. A inflexibilidade de uns e outros, a pouca elasticidade e falta de adaptação aos avisos, resultam nesta sorte de contradição de termos. E se ainda juntarmos a artificialidade das fronteiras entre fundos nacionais e regionais, limitando a integração e a articulação, ou a permanente ignorância dos diagnósticos, temos o espartilho instalado que terá impedido uma maior e melhor intervenção do PO Regional na competitividade da Região. Mesmo que seja obviamente verdade que muito do que foi feito, foi bem feito.

Sabe-se que hoje o Norte está a aumentar a sua produtividade. À custa - não é preciso ser-se harvardiano – do aumento do desemprego. O que significa – e também não é preciso ser-se sábio - que os apoios devem centrar-se no aumento de emprego, ajudando à criação de novas e sustentáveis empresas e abrindo novos e inovadores caminhos empresariais. Apoios que têm que ser estrategicamente definidos para que não vão ter às mãos das maiores e mais poderosas empresas, levando as PME a situações piores do que as actuais e contribuindo, pela maior precariedade de emprego, para um superior aumento do desemprego. Porquê? Porque não havendo qualquer regulação, as PME continuarão, na permanente sujeição a elevados níveis de subcontratação, numa concorrência desenfreada que as fará – na procura da sobrevivência – propor preços menores que os custos. Numa espiral que utilizará dinheiros públicos para que o resultado seja o contrário do pretendido: mais desemprego, menos sustentabilidade.

Mas tendo o novo quadro comunitário, o QREN, sido desenhado ANTES da crise pergunta-se elementarmente: que margem de manobra se construiu para permitir mudanças no desenho, possibilitando alterações e adaptações? Ou vai tudo continuar na mesma, perdendo dos dois lados - nos investimentos que não resultam e nos desempregados que aumentam?
Pobretes mas alegretes? Eternamente?

sábado, 27 de fevereiro de 2010

Dia Internacional da Mulher, 8 de Março

A Ana*, com quem sou casado, está pior que estragada com o anúncio das T-shirts com citações de poemas escritos por homens para comemorar o Dia Internacional da Mulher. De facto percebo mal a ideia. Como criatividade é curto. Como comemoração é coxo.
No fundo, pura falta de senso.
O Dia Internacional da Mulher serve para comemorar uma história de lutas pela dignificação, igualdade e afirmação, não faltando heroínas para celebrar. E para lembrar e despertar memórias.
E mesmo sabendo-se que houve sempre homens que foram aliados objectivos dessas lutas, teria sido mais inteligente encontrar uma expressão feminina para comemorar o dia.
*Ana Coucello, antiga presidente da AFEM - Association des Femmes de l'Europe Méridionale - e ex-Vice -Presidente do Lobby Europeu de Mulheres

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Outra vez os Estádios

Os Estádios do Euro voltaram à baila: que têm – alguns deles – despesas de exploração ou manutenção incomportáveis e que os municípios não conseguem aguentar a despesa. Como se fosse coisa que não se soubesse ou tivesse sido difícil de prever. Bastaria consultar o número de espectadores presentes nos anos anteriores em cada jogo dos clubes utilizadores dos novos estádios para perceber que a lotação estaria sempre muito longe dos 30.000 lugares.

O curioso é que quando se pretendeu lutar contra o preconceito de que todos os lugares teriam que ser permanentes – o cumprimento do caderno de encargos da UEFA só exigia, naturalmente, a totalidade da lotação para os jogos do Europeu, o que abria a possibilidade de bancadas amovíveis como aconteceu no Euro 2000 – as vozes de apoio foram inexistentes. Hoje, quando a habilidade é de pouca monta e só é preciso saber contar para garantir a evidência, tão pouco surgem ideias interessantes que viabilizem a sua utilização.

Há dias, o Governo informou a Federação Portuguesa de Futebol que não estaria disponível para apoiar obras nos estádios para o Mundial de 2018. E fez muito bem. O que significa que, a realizar-se em Portugal, o Mundial será disputado nos estádios da Luz, Alvalade e Dragão. O que chega e sobra e corresponde às cidades equipadas para receber adeptos e jornalistas estrangeiros sem imposição de despesas que nunca serão investimentos.

Mas existe outra mensagem subjacente nesta atitude governamental: que, para os outros estádios, devem procurar-se soluções e não aumentar os problemas. Que seriam a realidade se houvesse a tentação de fugir em frente atrás de ampliações para aumentar estádios sem públicos.

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Manuel Alegre, candidato (II)

No mesmo dia em que o valor AMI era deitado fora com a água do bebé, Manuel Alegre apresentava em Coimbra – frente a uma assistência significativamente diversa (onde vi também o Manel da Quinta) – um conjunto de valores e princípios com os quais me identifico e que apoio. Disse assim:

"Não serei candidato para renegar os meus valores, a minha vida e as minhas convicções. Quem quiser apoiar-me terá de apoiar-me tal como sou.
Sou um republicano para quem a ética republicana não se funda apenas na lei, mas na consciência e no comportamento.
Sou um socialista para quem o socialismo, antes de ser uma ideologia e um projecto de poder, é uma ética e um humanismo.
Sou um democrata para quem a democracia deve ser uma vivência transparente e não um jogo obscuro de poder pelo poder.
Sou um patriota para quem Portugal não é um sítio, mas uma história, uma língua, uma cultura, uma identidade.
Não me candidato para promover a queda de governos, nem para governar por interposta pessoa, mas para inspirar o cumprimento do projecto que está inscrito na Constituição : democracia política, democracia económica, democracia social. Mas também uma cidadania moderna alargada à multiplicidade de identidades, à inclusão, ao reconhecimento da participação política aos não nacionais, à não discriminação das pessoas com incapacidades, à protecção das pessoas em situação de dependência, aos novos direitos surgidos dos avanços científicos e tecnológicos, aos novos direitos emergentes, como o direito à segurança vital (água potável, energia, alimentação), bem como o direito à protecção do ambiente, à diversidade de orientação sexual e ao desenvolvimento pessoal.
[…]
"Nós não nos enganamos de combate.
Nós não nos enganamos de adversário.
Nós não estamos aqui por azedume nem por interesse pessoal.
Estamos aqui por um ideal democrático, estamos aqui pela esquerda dos valores, estamos aqui por fidelidade ao combate de toda a vida.
A todos nós exige-se bom senso, espírito construtivo e um grande sentido da responsabilidade.
Para superarmos as nossas diferenças em nome do que é essencial.
Para construirmos a unidade que é o primeiro passo para a vitória.
Eu acredito que é possível e é por isso que estou aqui.
Tal como sou, com uma independência que não tem preço e com princípios que não são negociáveis.
Como um homem livre apoiado por homens e mulheres livres, determinado a lutar e a vencer, com todos vós, por uma nova esperança para a República e para Portugal."


Para Presidente da República quero – como quis nos outros que apoiei e que ocuparam o cargo – cidadãos capazes de traçar uma linha do direito democrático e republicano inultrapassável. Manuel Alegre dá-me essa garantia.

Ainda a Liberdade de Expressão

“Lembro-me bem de como era viver sem democracia, sem imprensa livre nem tribunais independentes, sem oposição e com a economia reduzida a meia dúzia de grupos económicos enfeudados a um só homem. Só quem não viveu esses tempos – ou não sabe o que foram esses tempos – pode afirmar que hoje não há liberdade de expressão em Portugal. Há liberdade, felizmente há liberdade.” , Manuel Alegre, 19/02/2010

“Só os que têm medo de perder lugares ou mordomias podem queixar-se da falta de liberdade – mas a cobardia nunca foi uma medida de aferição de liberdade.”, Inês Pedrosa, Revista Única, 20/02/2010


Há obviamente liberdade. Tanta liberdade que até há liberdade para a degradante figura profissional a que assisti, via TV, dos senhores jornalistas na Comissão de Ética da Assembleia da República. Os 15 minutos warholianos de fama pregaram partidas à vaidade e os garantes do domínio dos factos, deixaram-se enrolar de contentamento no acho que. Vidas…

Madeira

O que se viu da Madeira significa uma situação catastrófica que exige a solidariedade activa de todos nós. Mas também exige pensar – de uma vez por todas – em Ordenamento e Organização do Território de acordo com as condições e características específicas de cada sítio. E agir em conformidade, respeitando princípios técnicos e científicos e não cedendo ao domínio dos interesses.
Não é fácil aceitar falar ou que se fale sobre estas coisas num momento dominado pelo enorme ssentimento de perda - principalmente humana - e de injustiça, mas a natureza não terá sido a única responsável pela tragédia. A ganância teve também a sua quota parte. E é nossa obrigação perceber os erros e não os cometer - ou deixar cometer - de novo.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Boas soluções

“Aprendi há muito tempo que só se encontram boas soluções quando os problemas são bem formulados. Com lucidez, espírito crítico e um quadro de referência informado e inteligente.”
Ana Benavente, “Cinco teses para o futuro do PS e do país”, Público, 17/2/2010

domingo, 14 de fevereiro de 2010

Liberdade de expressão ameaçada?

Diz Miguel Sousa Tavares no Expresso (13/02/10): “Para começo de conversa: a liberdade de imprensa não está em perigo em Portugal. Obviamente. Quem o diz, quem organiza petições online e manifs, nunca antes, quando o perigo real existiu, se fez ouvir.”

Diz Ricardo Costa também no mesmo Expresso: “[…] em Portugal a liberdade de expressão e de opinião não está em causa.”


Ainda no mesmo Expresso, Nicolau Santos: " Dizer que a liberdade de expressão está em causa em Portugal é um insulto para milhares de pessoas que, durante quarenta anos, pagaram com falta de liberdade as suas opiniões."

Haverá dúvidas?

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Manuela Moura Guedes

A srª Manuela Moura Guedes acha que existe censura em Portugal. Não a sabia tão jovem.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Ouvido ou lido

Ao que li Carlos Queirós andou ao murro com Jorge Baptista. Cena igual a tantas outras que se devem passar em dezenas de sítios de Portugal. Ou do mundo. A que não lhe viria nenhum mal especial se não fossem quem são e no sítio onde foi: no lounge vip do aeroporto lisboeta logo pelo pequeno-almoço. Notável a explicação: factos normais entre pessoas que se conhecem há vinte anos.
Olha se tinham sido apresentados ontem…

Num meio qualquer de comunicação escrita – vulgo jornal ou revista – li que alguém (o papel da nota desapareceu) surgiu com uma nova teoria para as questões urbanístico-territoriais da capital: o Tejo é o centro da metrópole! Foram dadas algumas parangonas ao assunto como se houvesse pólvora na dissertação. Inovação como agora se diz e procura.
Curioso. Há mais de vinte anos que o Vasco Massapina disse (e publicou) o mesmo, propondo uma nova visão para a integração e relação da área metropolitana. Ninguém lhe passou cartão. Nem estes que agora o seguem.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Por Desporto

Nós portugueses, temos uma enorme dificuldade em perceber o significado do conceito Desporto. De tal maneira que usamos a palavra para referir actividades de conteúdos muito diversos. Iliteracia apenas ou resquícios da culturização britânica mal assimilada? Ou ambos?
Há tempos li, num jornal de referência desportiva e a propósito de um torneio de ténis realizado em Portugal, uma legenda de fotografia que rezava assim: "umas mais à séria, outras só por desporto, todas as apanha-bolas do evento jogam ténis". O desporto portanto como mera ocupação de tempos livres, na boa, iá, podes crer.

O hábito, não fazendo o monge, cria enormes confusões que tendem a repetir-se. Com espanto li agora afirmações públicas de uma nadadora de Alto Rendimento - 17º lugar nos Jogos Olímpicos de Pequim - que, justificando a suspensão da sua carreira mas procurando mostrar que não tinha parado, disse: "entretanto continuo a nadar, embora sem grandes preocupações, apenas na desportiva."

Maneiras de falar, dir-se-á. Mas fica-me a dúvida: que nome se dará ao que fazia anteriormente a atleta nos seus programas de excelência? Actividade física? Lazer?

Utilizámos o conceito na desportiva ou por desporto para referir comportamentos sem responsabilidade e sem objectivos. Curiosamente o contrário daquilo que exige a prática desportiva que, segundo Istvan Balyi - iniciador do conceito programático de Long Term Athlete Development e na senda do psicólogo, prémio Nobel, Herbert Simon - exige, para atingir o nível do maior desenvolvimento das capacidades de cada um, 10.000 horas ou 10 anos de trabalho. Maneiras de falar, dir-se-á.

Salvou o desalento uma aluna da Escola Secundária de Amarante. Que depois de uma corrida de atletismo, disse para a televisão:"Gosto de correr mas não sou federada... é mais por lazer." Maneira de falar,dir-se-á. Pode ser, mas com uma enorme diferença de entendimento das coisas. Ou não?

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Haiti

Ouvi o que disse a jornalista Cândida Pinto recente regressada do Haiti. É de verdadeira calamidade que se trata. Sem saída a curto prazo. Que perspectivas? Que estratégia internacional para além da solidária ajuda actual?
No Haiti a vida não será fácil nos próximos anos

Excelência

“Quem nunca viu a excelência, não reconhecerá a excelência”, disse-o, há dias, um treinador de futebol americano ouvido no canal ESPN.
Dito de outra maneira para dizer o mesmo: "A gente só enxerga o que está preparado para ver", Bernardo Carvalho, escritor brasileiro, in P2, Público.

E se a escola percebesse que é para esse reconhecimento, para essa forma de ver, que serve o ensino e a educação. Não andaria tudo melhor? A saber mais?

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