quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Vistas de praia


desfocada no mar a olhar o mar/Nikon D300

com trapos a olhar o mar/Nikon D300

 com trapos quase no mara olhar o mar/Nikon D300

domingo, 2 de setembro de 2012

Bom de ouvir

Está por provar que o sector privado, ao contrário do que se diz tantas vezes, seja mais eficaz do que o sector público.”
Paula Teixeira da Cruz, actual ministra da Justiça in 1/09/2012, Universidade de Verão do PSD

Para quem tem trabalhado anos a fio ao serviço da administração pública e sabendo das suas capacidades e potencialidades se houvesse mais atenção e menos preconceito, é muito bom ouvir afirmar assim um membro do actual Governo.

A defesa do mito que se sabe interesseiro terá agora mais trabalho para encontrar outras justificações para se fazer politicamente correcto.

E, para reflexão, vale a pergunta: que seria do país sem a sua Administração Pública?
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O disparate paga dividendos?

Disse assim o sr. Platini, presidente da futebolística FIFA:
"Sempre me opus à utilização de tecnologias, não é aos 57 anos que vou mudar de opinião."

Portanto o sr. presidente parece ignorar que o futebol é o que é graças ás tecnologias: desde a televisão ao mundo dos computadores, passando pela bilhética.
A dúvida que gostaria de tirar: como se chega ao poder de presidente pensando assim?
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quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Golfistas a menos

Perguntado, num programa televisivo da modalidade, sobre se 80 campos de golfe não seriam demais para um país como Portugal, um responsável de campos algarvios – onde existem metade do total – respondeu: Acho que não. Acho é que há golfistas a menos. Bravo!...

… É como se alguém, perguntado sobre se a percentagem de desempregados não seria demasiado elevada, respondesse: Não… o que acho é que há empregados a menos!

… A malta é porreira…

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Mudar é agora*


O sistema está obsoleto.”, diz o presidente do Comité Olímpico de Portugal, Vicente Moura. Concordo. Está obsoleto porque é o modelo da iliteracia desportiva portuguesa aprendida na visão salazarista do “orgulhosamente sós” a que se juntou a pesporrente ideia de que “damos lições ao Mundo”. Assim, sozinhos e superiores, tratámos, ao longo de anos e anos, do nosso Desporto. Com os resultados visíveis.

Não temos, desde sempre, objectivos estratégicos claramente definidos para construir os caminhos do desenvolvimento qualitativo desportivo. Não sabemos como nos organizarmos eficazmente. Ignorámos o que se passa por outros lados do mundo e como se constroem as suas melhorias. Apesar de tudo isto e por pura (só pode ser) acumulação de ignorância, achámo-nos formidáveis. E não somos… como mostram os resultados.

Temos uma prática desportiva fracamente generalizada – basta saber o número total de atletas federados. Temos um Alto Rendimento de resultados baixos e fracos – notem-se as qualificações possíveis para Londres que se ficaram por meros 41% de modalidades presentes ou veja-se a incapacidade de aceder aos Jogos por parte das modalidades colectivas com bola ou compare-se o nível dos nossos recordes com os recordes internacionais. Dos fracos resultados internacionalmente comparados, a excepção surge de um ou outra sobredotados que, volta não volta, marcam diferenças que nos abrem o caminho do sonho. Mas são excepções ao sistema.

Insistimos em modelos competitivos desadequados e desadaptados à competição internacional. Deixámos que a visão paroquial e os seus interesses correlativos nos limitem as decisões. Por cada sucesso vemo-nos no domínio do mundo sem saber anotar as dificuldades e as circunstâncias do percurso ou as necessidades de construção futuras. Aprendemos pouco com os êxitos ou com os erros mas achámo-nos formidáveis. E não somos.

Sou, desportivamente, resultado de um ensino exemplar da prática desportiva múltipla – Colégio Militar – que fez de muitos de nós atletas de bom nível. Sei por experiência dos bons resultados do método – e sei por isso também que só teorias absurdas e realmente desinteressadas do Desporto podem impedir que um sistema escolar desportivo tenha uma iniciação e formação desportivas de qualidade e que possa promover hábitos desportivos de bom nível que se distribuam por dois caminhos: o da prática desportiva de lazer – a tão necessária actividade física ao longo da vida – e o do desporto de rendimento. Tudo de acordo com as capacidades e interesses de cada um.

O que exige – e não haverá orelhas moucas que fiquem inocentes - uma alteração urgente do actual sistema. Passando por modificar a Missão das Federações de Utilidade Pública Desportiva focando os objectivos estratégicos da sua actividade nos resultados internacionais, garantir programas de iniciação e formação desportivos múltiplos impedindo a formação unilateral, estabelecer um sistema organizativo adequado e capaz de articular a envolvente do atleta de acordo com os princípios da responsabilidade cívica e da educação e perceber - culturalmente perceber - que o Desporto é uma actividade que se organiza pelos seus próprios méritos e que se diferencia nos métodos das outras actividades por mais semelhanças que possam ou pretendam aparentar.

O Desporto possui corpo próprio de princípios e regras que não podem ser confundíveis com outros campos ou domínios e exige os seus próprios métodos de observação, de análise e de dedução, para o estabelecimento dos seus próprios indicadores na procura dos seus próprios resultados. Altius, Citius, Fortius, sendo o lema Olímpico, explica tudo: o Desporto é um espaço de superação comparada e com o ATLETA no seu centro nevrálgico. E é também disto que o desporto português necessita urgentemente: saber colocar o ATLETA no centro das suas atenções.

*Aprendi com meu Pai, Raul Bessa (1924-1991, um dos fundadores da EDP e seu presidente durante alguns anos, o conceito: se é preciso mudar, a melhor altura é agora!


terça-feira, 14 de agosto de 2012

LONDON 2012 não acaba aqui

Terminados os Jogos que fazer para além de lembrar os recordes mundiais dos 800m de David Rudisha ou dos 4x100m das meninas dos USA ou dos super-rápidos jamaicanos ou ainda as 22 medalhas de Phelps a juntar à enorme série dos extraordinários momentos e sonhar com outros novos espectáculos desportivos de excelência?  Mas sonhar de pés assentes: pensar no que fizemos, como chegámos lá e porque temos de mudar. E pensar essencialmente no que temos de mudar, sabendo para onde mudar.
Q1 - Comparação dos resultados de Portugal com outros países europeus
O que fez o Desporto de Portugal nos London 2012? O mesmo de sempre: nada de especial com a excepção de uns ou outros que, com a excepcionalidade que nos caracteriza, fizeram o realisticamente inesperado.

Portugal ficou de novo abaixo de muita gente - mais de sessenta países melhor qualificados - mas, pior, ficou atrás de países europeus comparáveis (v.Q1).

Este quadro mostra que nos limitámos a fazer melhor do que a Áustria e do que a Grécia, mas pior que todos os outros. Quanto aos PIGS - em foco face à crise actual e á pesporrência financeira- a Itália esteve bem, 8º mundial, e a Espanha, se não tão bem com o 21º lugar mundial, mostrou-se presente e forte nos desportos colectivos. O que demonstra construção do desenvolvimento e da expressão desportiva.
Q2 - Distribuição do número de Medalhas por Olimpíadas participadas
Comparativamente com outros Olimpíadas, Portugal, ao conseguir uma medalha - a somar às 22 que foi conseguindo em 22 presenças - terá feito os mínimos, embora ficando pior do que nas participações nos outros Londres de 48, Montreal, Los Angeles, Atlanta, Sidney, Atenas ou Pequim. Mas conseguiu, na distribuição de lugares entre medalhas e diplomas o mesmo número de pontos do que os obtidos em Pequim, Sidney ou Los Angeles(v.Q3). Ou seja, fracote mas normal. Num até melhor do que o normal. Mas comparativamente com os que nos rodeiam, fraco. À nossa real - e não à nossa pretensa - dimensão desportiva.
Q3 - Distribuição de pontos de Medalhas e Diplomas por Olimpíadas participadas
Os London 2102 foram, portanto e em termos de pontos de Medalhas e Diplomas, apenas piores do que Atenas e Atlanta. Significa que afinal foi bom? Não, significa que foram o que somos capazes e demonstrador - como os outros Jogos anteriores - das nossas incapacidades desportivas.

Da nossa participação - com a presença em apenas 41% das modalidades em competição - o comportamento das modalidades foi muito díspar (v. Q4). Indo da muito boa presença - o resultado de uma bem conseguida estratégia - da Canoagem à presença notada do Ténis de Mesa, do Remo, do Tiro e, em parte, da Vela, ao desapontamento - contrariando o nosso habitual optimismo - do Atletismo, à agradável presença  Equestre com especial relevo para o Cavalo Lusitano, até aos restantes de resultados despercebidos.
Q4 - Pontos de Portugal em Medalhas, Diplomas e Semifinais, distribuídos pelas modalidades presentes
Se o Atletismo não correspondeu ao pretendido - apenas um Diploma do 7º lugar de Jessica Augusto e um recorde nacional de Vera Barbosa nos 400m barreiras - não se pode dizer que a sua presença tenha sido um desastre: a presença de diversos atletas entre o 8º e 16º lugares permitiram atingir a maior pontuação das delegação portuguesa em termos absolutos - não esquecendo que ao Atletismo cabiam 31% dos atletas presentes. A segunda presença quantitativa pertenceu à Natação - 6 nadadores masculinos e 2 femininos - que, apesar do recorde nacional de Pedro Oliveira nos 200m costas, não conseguiu, bem pelo contrário, qualquer relevo nos seus resultados. O mesmo com as esperanças do Judo - ficaram-se nas brumas.
Q5 - Eficácia (Pontos/Nº Atletas) das modalidades que estiveram em competição
Eficácia, capacidade, bons resultados foram os da Canoagem (v.Q5). Seis atletas presentes, todos premiados - uma Medalha e três Diplomas. Os melhores resultados da presença portuguesa nos London 2012. A que se seguiram o Remo, o Ténis de Mesa, o Tiro e a Vela. Com os restantes a verem-se.

As estas análises outras mais pormenorizadas e mais finas podem ser feitas. Com o objectivo de perceber o que se passou - as causas reais dos nossos permanentes fracos resultados - para encontrar as soluções que nos permitam, no espaço futuro de duas Olimpíadas, ter alguma coisa a dizer.







segunda-feira, 13 de agosto de 2012

E depois dos Jogos?

Agora que terminaram os extraordinários Jogos Olímpicos do London 2012, o que é que podemos fazer para além das saudades?


Desenhado em iPhone, técnica mista: dedo e caneta
Relembrar o que vimos, ouvimos e lemos e preparar e sonhar com os próximos.

Uma nota: conheci Sebastian Coe há muitos anos, era ele ainda um atleta no apogeu do seu nível mundial. Eu era então treinador da Selecção Nacional de Juniores de Rugby, estagiávamos nas Açoteias, no Algarve, e treinávamos num campo relvado rodeado pela pista de 400m de perímetro e 4 corredores. O então campeão treinava à volta do nosso campo sem nunca se preocupar com barulho, bolas, saídas pela lateral, fosse o que fosse. Fazia o seu treino, reparava em nós, olhava, ia correndo e vendo e à noite, depois do jantar, mostrava-se sempre simpático e nada preocupado com que a nossa presença lhe pudesse estragar o treino. Percebia-se que se sabia adaptar às circunstâncias e que estava focado nos seus objectivos e não deixava que nada do que fizessemos o atrapalhasse - provavelmente essas características permitiram os excelentes Jogos que vimos sob o seu comando.

sábado, 11 de agosto de 2012

London 2012

Numa situação como a minha - eufemísticamente caracterizada por situação não remunerada de espera (desempregado é o que é!) - a única vantagem, o resto são prejuízos e, como alguém muito bem definiu, muito cansaço, tem sido a possibilidade de ver tudo o que é transmitido dos Jogos Olímpicos pelas televisões.

Tenho visto coisas extraordinárias - a começar por essa evocação notável, e até comovente na actual situação de domínio ideológico neoliberal, do britânico Serviço Nacional de Saúde na Cerimónia de Abertura - como, por exemplo, os 800m do notável queniano David Rudisha ou das meninas sprinters do 4x100 americano, ambos com recordes do mundo, as medalhas - 22 com 16 de ouro - de Phelps e os outros deslizamentos ou saltos espectaculares nas águas da piscinas, os momentos da Ginástica Artística, das várias disciplinas de Atletismo, jogos de voleibol de nível superior ou o notável domínio técnico-táctico do basquetebol dos USA de deixar saudades. Enfim, a memória guardará momentos notáveis e a minha memória de treinador acumulará conhecimentos para juntar à experiência.

Do que se vê das instalações fica-me a certeza do interesse que teria em tê-las visto antes da sua utilização e poder, daqui a uns meses, verificar as transformações e adaptações a outras utilizações dos diversos espaços.

E Portugal? Fez naturalmente e para quem sabe do que se fala, o esperado com alguns resultados interessantes. Com um momento notável protagonizada pela Clarisse Cruz - a nossa heroína que com queda, levantar e cerrar de dentes, tirou 10s ao seu melhor tempo e classificou-se para a final. Momentos que devem, para além da lembrança de exemplar atitude, merecer toda a reflexão sobre os objectivos e estratégias do desporto português. Porque se trata de uma expressão de autêntico desperdício; como é que esta campeã nunca foi verdadeiramente aproveitada? quem andou distraído a olhar por outros interesses? como treina e como compete? a que competências teve acesso? Como é possível não se reconhecer as qualidades demonstradas naqueles minutos de corrida? Anda tudo distraído? Clarisse Cruz é uma campeã a quem parece terem-se esquecido de dar uma oportunidade - e para a história futura o carinho que os portugueses justamente lhe dedicam, não lhe garantirá o que o desporto lhe poderia proporcionar.

Até ver e não estando ainda completa a participação portuguesa, o Tiro com João Costa, a Jessica Augusto na Maratona, o Ténis de Mesa - com Marcos Freitas, João Pedro Monteiro e Tiago Apolónia - o Remo com Pedro Fraga e Nuno Mendes, a Vela com Bernardo Freitas e Francisco Andrade nos 49ers e Álvaro Domingues e Miguel Nunes nos 470 estiveram muito bem pela conquista dos respectivos Diplomas Olímpicos (do 4º ao 8º lugares da geral). Bom, bom foi a Canoagem que conquistou uma medalha de prata com Emanuel Lima e Fernando Pimenta a que juntou três Diplomas Olímpicos conquistados - com direito a repetições - pelas meninas Joana Vasconcelos, Teresa Portela, Helena Rodrigues e Beatriz Gomes nos K4,500m, K2, 500m e K1, 200m. Uma extraordinária prestação elucidativa de excelente treino, programação e visão estratégica. Na certeza do bom caminho, diz assim - numa clara demonstração da diferença demonstrável nestes excelentes resultados - Mário Santos, presidente da Federação de Canoagem e Chefe da Missão portuguesa neste London 2012 em resposta à habitual e exasperante visão paroquial de entrevistadores:
"A nossa luta é para sermos melhores do que as federações de canoagem dos outros países e não para sermos os melhores das federações portuguesas."
Para quem como eu que defende a necessidade de redefinir a Missão das Federações de Utilidade Pública Desportiva - aquelas que recebem dinheiros públicos resultantes dos nossos impostos - para "criar as condições necessárias para que os seus federados possam competir em situação de igualdade de resultados no nível desportivo internacional" é muito bom ouvir uma mesma forma de ver o mesmo problema e, ainda, pela demonstração evidente dos resultados, que não é necessariamente mais dinheiro que possibilita as melhores soluções. Mas sim o alinhamento da visão estratégica pela Missão e pela focagem em resultados internacionais, o reconhecimento e utilização capaz das competências e dos recursos disponíveis e a capacidade de impedir desperdícios. O saber fazer, fazendo, para depois olhar e analisar e ter a certeza que se fez bem.

Vê-se e resulta na Federação Portuguesa de Canoagem. E a percepção da sua estratégia é de importância vital para o desenvolvimento qualitativo do desporto português. Que, ao contrário da expressão da constância das visões ignorantes, não produz resultados capazes nem tão pouco interessantes - e não é por sermos poucos (mito que já desmontei aqui) - como se pode ver no quadro que apresento.


Comparação de Portugal com países europeus

Países com população menor e com mais medalhas olímpicas que Portugal

terça-feira, 7 de agosto de 2012

O Arquitecto


O arquitecto é um especialista em não ser especialista
Álvaro Siza in JA245, Agosto de 2012
Está claro?
E para fazer Arquitectura são precisos necessariamente arquitectos - os não especialistas - e muitos outros que serão os especialistas. E é pelas dinâmicas criadas por este conjunto que a Arquitectura - a que nos surpreende - se torna possível.

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Explicações se fazem o favor

Não consigo entender.

O mesatenista João Monteiro acusou os árbitros olímpicos de o terem prejudicado porque, ao que li, "começaram a tirar-me pontos no meu serviço porque o meu dedo estava para dentro e devia estar para fora".

Percebo pouco de ténis-de-mesa, fiquei-me pelo ping-pong do Colégio, da Gândara e, mais tarde, do Jardim Cinema onde as regras eram fáceis: bola na mesa e contar até aos vinte-e-um.

Mas há raciocínios que sei fazer. E das duas, uma:
ou
- existe uma regra que impede a colocação do dedo na posição referida e, assim sendo, não se percebe como pode um atleta apresentar-se em Olimpíadas com um erro faltoso que, obviamente e logo à partida, lhe retira capacidades competitivas;

ou
- ter-se-à tratado de um abuso dos árbitros que, por intolerável, seria passível de protesto ou recurso junto dos responsáveis da competição - juíz-árbitro, comissão de recurso, etc. O que sabemos não ter sido feito embora também saibamos que a figura de protesto ou recurso existe (Japão na ginástica, Portugal no match racing da vela).

Em qualquer dos ous, a resolução do problema pertence à casa: ou ao jogador e sua equipa técnica ou a responsáveis da Missão portuguesa presentes no local das provas.

E seria bom que houvesse uma explicação clara: atleta ou árbitros? A que se deveria juntar uma outra explicação: em que condições e porque foi apurada para a nossa representação olímpica a velejadora Carolina Mendelblatt que decidiu não participar nas provas?




terça-feira, 31 de julho de 2012

Santos Manuel (1933-2012)

Eram tempos pós-brasa, no tempo em que uma enorme generosidade transformava Portugal e o fazia sair da escuridão cultural e cívica em que nos tinham obrigado a viver. O palco de A Barraca era ainda na Alexandre Herculano.

Muitas vezes, depois dos espectáculos públicos, actores, encenadores e amigos, juntávamo-nos na sala de espectáculos para serões até alta madrugada em que o teatro fazia sempre uma perninha - treinos, chamavam-lhe a gozarem comigo.

A farra consistia na ida para o palco de quem quisesse e que teria, a solo e de improviso, de entreter os outros. Valiam aplausos e apupos. Obrigatório, a gargalhada dos presentes. Grandes momentos de amizade em que os próprios apupos eram um gozo muito particular a fazer rir mais do que o esforço do actor.

Santos Manuel decidiu ir para o palco: levou uma tábua de passar-a-ferro, um ferro, uns trapos e meia-dúzia de pastilhas brancas e todas iguais. Tratava-se, percebia-se ao longo da representação, de uma charge a uma conhecida e amiga actriz (de uma outra companhia, diga-se) que andava naquela fase de desconfiança a precisar de pastilhas para tudo: para representar, para falar, para andar, para ouvir, para se lembrar das falas...para o que quer que fosse.

Nunca mais me esqueci. O Santos Manuel fez uma representação extraordinária. De alto nível e de grande cultura teatral. Ainda hoje a tenho na memória - foi um dos momentos mais marcantes que assisti em representações teatrais.




sexta-feira, 27 de julho de 2012

London 2012: lá estamos!

“The most important thing in the Olympic Games is not winning but taking part; the essential thing in life is not conquering but fighting well.”
Pierre de Coubertin, Father of the Modern Olympic Games, speaking at the London 1908 Closing Ceremony.


Tem mais de um século esta frase de Coubertin. Mesmo assim ainda tem larga citação - o importante é participar - como se os tempos não fossem outros, o desporto não tivesse atingido uma enorme dimensão e o seu entendimento não tivesse novas expressões.

Pessoalmente não sou nada adepto do conceito embora, se considerarmos que hoje falámos de rendimento e portanto de resultados, não tenha grande problema em admitir - no domínio do desporto e não necessariamente em todas as situações da vida - a expressão contida na segunda parte e de que resultará a fácil aceitação da derrota frente a adversários superiores e face a regras comuns. Penso claramente que a participação pertence ao domínio dos aniversários, casamentos, baptizados e quejandos e não ao desporto que tem como domínio principal, competir. Porque é isso que os atletas fazem, competir. E por isso as competições desportivas exigem mínimos, exigem determinado nível de resultados que possibilitam o posicionamento em lugares de rankings que permitem que a competição possa ser real, isto é, que seja tão equilibrada quanto o cumprimento da universalidade a que se deve sujeitar o permita.

A qualidade dos resultados desportivos é relativa. Dependendo tudo do ponto de partida e da superação conseguida. Nem todos têm ou terão possibilidades do resultado absoluto mas podem conseguir resultados considerados notáveis na sua relatividade. Por isso o desporto - e porque só existe competição entre iguais - se organiza em grupos, escalões ou divisões, que permitam o equilíbrio competitivo.

Sendo resultado, o desporto não tem a vitória absoluta como único objectivo.

O que devemos esperar, ou exigir, dos 77 atletas portugueses que se preparam - e se prepararam durante anos - para competir nos Jogos Olímpicos londrinos?

Medalhas? Hinos? Pódios?

Desportivamente Portugal é o que é. Somos o que somos, conseguindo alguns lugares e prémios excepcionais que se traduzem, nos Jogos Olímpicos, em 22 medalhas - 4 de ouro, 7 de prata e 11 de bronze - a que se acrescentam diversos diplomas. Ou seja, se bem analisados face ao número de atletas federados e às condições sociais que envolvem a prática desportiva em Portugal, os nossos resultados olímpicos são decentes.

Nos London 2012 com que podemos contar? Com o normal na prestação de atletas: competir pelos melhores resultados.

E isso significa?! Significa que os atletas, no melhor, se transcendam, ultrapassando os seus melhores resultados e, no pior, se aproximem deles. Ou seja: que na volta, a média dos resultados seja melhor do que à partida. E se no meio disto houver uma ou outra medalha - a Infostrada Sports e o Sports Illustrated prevêem uma medalha de prata para o Judo e Dan Johnson, professor americano da Universidade do Colorado, prevê três - será ouro sobre azul.

Mas a qualidade da participação portuguesa não se definirá unicamente pela conquista de medalhas, mas pelos resultados conseguidos. Que demonstrarão, ou não, que o treino e as condições proporcionadas foram adequadas e bem aproveitadas.E que souberam tirar o melhor partido da excelência da envolvente. Mostrando o melhor ou o pior acerto da área de ponta do desporto português e permitir a continuidade do seu desenvolvimento.

Ora tudo isto exige algum cuidado de análise e não deve ficar no imediatismo do primeiro impulso de pódio ou nada.

Estamos lá! Bons Jogos, bons resultados!








quarta-feira, 25 de julho de 2012

Nomes no Metro


Lisboa, Metro Aeroporto, Carlos Lopes por António
foto de iPhone

Foi dado a um historiador - tido como o mais ilustre historiador desportivo britânico - a tarefa de nomear os 361 heróis olímpicos que ir iam dar o seu nome às estações de metro londrinas durante os Jogos London 2012. O senhor escolheu os nomes, terá tido (diz-se) um ou outro esquecimento de palmatória e não viu lugar para qualquer atleta português. O que, desde logo, fez levantar atentas vozes da indignação patrioteira contra a ofensa.

Bem vistas as coisas, com as nossas 22 medalhas olímpicas - os USA ganharam, desde sempre, 2297 medalhas, a já inexistente URSS conquistou 1010 medalhas, o resultado somado das Alemanhas atinge 1360, a Grã-Bretanha soma 715, a China 385, a Itália 522, a Espanha tem 113 e a Holanda 246 - dificilmente caberíamos com algum nome na lista dos maiores de sempre.

Os duplamente medalhados Carlos Lopes, Rosa Mota ou Fernanda Ribeiro são as nossas jóias da coroa. Nossas porque consideramos que fizeram grandes feitos desportivos - e fizeram! - e que nos deram alegrias inesquecíveis, mas não o são necessariamente para outros, embora saibamos o respeito que o mundo desportivo tem por eles. Mas isso não altera a dimensão das nossas capacidades desportivas. Que é, como bem sabemos, reduzida. A tal ponto que os feitos da Rosa Mota e da Fernanda Ribeiro não foram considerados suficientes para as ver ombrear com Carlos Lopes na nova estação de Metro junto ao Aeroporto de Lisboa.

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Tour de France

"Tour de France 2012", Desenho a dedo em iPhone
O ciclismo é uma modalidade colectiva, ponto! Assim o disse alguém e eu alinho.

Vi dia-a-dia o Tour e tive a possibilidade de me deliciar com os movimentos das equipas, expondo as respostas tácticas que as estratégias anteriormente definidas iam exigindo a cada equipa e em cada momento. O vencedor, o britânico Wiggins, soube no fim elucidar que a sua vitória final ou as vitórias de Cavendish - um tratado de preparação colectiva - só faziam sentido neste comentário: "Afinal este foi um esforço de equipa!". Opinião não despicienda se nos lembrar-nos que Wiggins tem "só", em Jogos Olímpicos, 3 medalhas de ouro, uma de prata e duas de bronze para além de três títulos individuais e dois títulos por equipas de campeão do mundo de perseguição.

Curiosamente e de acordo com os diplomas legais o ciclismo é, em Portugal e oficialmente, uma modalidade individual. Confesso que só o acho divertido, muito divertido mesmo, quando o vejo na perspectiva colectiva. E neste sentido a transmissão televisiva e os sites da internet são instrumentos essenciais para o seguimento das etapas. Fica-se a saber tudo o que passa e muito melhor do que apenas vendo-os passar à beira da estrada - embora também tenha a sua graça e na adolescência fazíamos a nossa corrida de etapas anual, indo aos Carvalhos ver passar a Volta.

A transmissão televisiva tem a vantagem acrescida de nos mostrar as variadas paisagens que se percorrem. No caso do Tour, há uma preocupação evidente de mostrar as belezas da França profunda, tornando-a convidativa com recurso a imagens aéreas normalmente de rara beleza e com as indicações adequadas. Um divertimento a acrescentar ao gozo da competição desportiva. Colectiva, claro!

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Cores da Cidade

Lisboa, S.Mamede

quarta-feira, 18 de julho de 2012

A greve dos médicos

Foi a maior greve de sempre dos médicos. Eram tantos que fizeram do branco das batas a cor da rua.





domingo, 15 de julho de 2012

Pobre de mí...

...pobre de mí que se han acabado las fiestas de San Fermín.





Ver todas as manhãs os encierros pela TVE é poder, mesmo à distância, participar num espectáculo extraordinário: mozos en carreras notáveis (é preciso saber e os habituais - tão habituais que já os reconheço - sabem controlar o espaço, garantir os huecos, correr na frente do touro e olhando quer para a frente, quer para trás, garantir as distâncias para sair na altura exacta).

A organização e a logística são espantosas. Tão espantosas que os mais velhos (e mais românticos) dizem, com tristeza, que se terá perdido muito da anarquia que se vivia nas festas. Pode ser, mas há menos feridos, ou, pelo menos, menos feridos graves. Tudo parece preparado ao milimetro e há uma noção clara dos enormes riscos e que não se pode facilitar. E, claro, para não facilitar mesmo também se acredita muito que el capotico de S. Fermín dá a cobertura milagreira a muitos dos mozos. E basta ver para acreditar...que só por milagre.
Até para o ano!

Ya falta menos!

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Cores da Cidade


Lisboa, Jerónimos


terça-feira, 10 de julho de 2012

E há senso?


"There is no sense in conducting theoretical debates when the house is on fire." Martin Schulz, presidente do Parlamento Europeu, in Time de 16 de Julho 2012



segunda-feira, 9 de julho de 2012

Cores da Cidade

Lisboa, Do Chiado até ao Tejo ao fundo

domingo, 8 de julho de 2012

Más e boa nota

1ª má nota:

O problema da Lagoa do Salgados mantém-se. A SPEA - Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves - fez recentemente um Comunicado de Imprensa (ver aqui ) a denunciar a situação e a inércia e negligência das autoridades envolvidas. Ao que parece ao golfe não se pode atribuir, nas suas exigências de rega, a evidência do "tenho muita sede" mas um muito mais verdadeiro "tenho sempre muita sede".

2ª má nota

A Coreia do Sul também exige, como o Japão, a possibilidade de caçar com fins cientificos a baleia anã. Ou seja, a ciência serve, como em muitos outros casos - uns passados e outros actuais - para encobrir interesses. No caso a comercialização da carne da referida baleia transformada em pitéu que, diz-se, é muito apreciado e valorizado por aquelas bandas. E chamam-lhe ciência...


Boa nota

A área de protecção das estepárias - abetardas, peneireiros-das-torres (aves globalmente ameaçadas), grous, sisões, cortiçois-de-barriga-negra, tartaranhões-caçadores - no Alentejo próximo de Castro Verde foi aumentada em 18 hectares por iniciativa (e compra dos terrenos com 75%  de fundos comunitários no âmbito do Programa LIFE Estepárias) da Liga para a Protecção da Natureza (LPN) para juntar aos 150 hectares comprados em Fevereiro do ano passado e que com o conjunto dos terrenos das suas seis herdades constitui uma área capaz de garantir a necessária conservação destas aves. Boa notícia.

sexta-feira, 6 de julho de 2012

A Nina está bem!



Nina com gola isabelina
foto de telemóvel
 A resiliente Nina foi operada e já voltou para casa - está bem e com a importância de convalescente como se pode ver com a sua gola isabelina. O Percy é que não achou graça à pose aristogata e bufa-lhe sempre que ela se aproxima. O Knight teve as normais curiosidades mas já a admitiu de novo.

quarta-feira, 4 de julho de 2012

As baleias e os interesses

Açores, Pico
O Santuário de Baleias a criar no Atlântico Sul não vai existir tão cedo. A proposta do Brasil, Argentina, África do Sul e Uruguai foi derrotada - com 38 votos favoráveis e 21 contra - por não ter atingido o voto favorável de 75% dos membros presentes na reunião anual da Comissão Baleeira Internacional.

As razões da derrota? Hoje como ontem (ver aqui) explicam-se com as citações que retiro do Público de hoje:
"O Japão pratica caça à baleia com fins cientifícos",Shigehito Numata, um dos responsáveis de Agência de Pescas do Japão
"O Japão bloqueia o santuário com alguns países a quem compra os votos", Milko Schvartzman da Greenpeace
Portugal não esteve presente e não votou.

terça-feira, 3 de julho de 2012

O caminho não é único

A estupidez humana é sempre muito pretenciosa.
corolário possível de As Lei Fundamentais da Estupidez Humana de Carlo M. Cipolla

A diferença entre um conhecedor e um amador convencido - situação muito próxima ou idêntica mesmo da estupidez - é que o último contenta-se sempre com a solução mais fácil, mais imediata, sem perceber nem causas nem consequências nem saber articular estratégias com objectivos - resultando daí efeitos prejudiciais indiscriminados - enquanto que o conhecedor analisa, articula, testa, ouve e propõe soluções que se articulam com os valores sociais essenciais - propondo assim soluções mais justas - que permitam chegar ao mesmo necessário objectivo.

Ao contrário do que mostram pensar os precipitados primários não há apenas uma solução. Seja para o que for. Há sempre outros caminhos. Há sempre escolhas.

E é obrigatório garantir respeito nas decisões de interesse público.

A este propósito cito Anthony Atkinson publicado no jornal Público de 2 de Julho p.p.
"[...] já há movimentos a defender ideias novas que o tornam possível. Em parte, é reconhecer que se queremos baixar o nível da dívida nacional - porque é um fardo para os filhos e netos - ter-se-á de reconhecer que também não é bom para eles caso se corte em infra-estruturas públicas, hospitais, estradas, etc.. E que, se o fizerem, será muito gravoso para a educação. As crianças são quem mais vai sentir esse esforço. É desonesto reduzir a divída nacional para ajudar os nossos filhos e netos e, ao mesmo tempo, passar-lhes um país sem bons hospitais, escolas ou estradas e onde não lhes são dadas oportunidades para trabalhar. As suas vidas serão afectadas para sempre. Há que reconhecer que, se estamos a alterar as regras orçamentais, as despesas de capital não deveriam fazer parte do cálculo do défice orçamental.
[...]
Temos de encorajar as pessoas. Ter-se-á de desenhar um pacote de austeridade que ajude esse esforço, e não o inverso. Pode ser feito, por exemplo, com impostos na área ambiental. Ou com impostos sobre rendimentos mais elevados."

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Centímetros de ais

Terminou o Euro 2012 e felizmente ganhou o futebol. É possível jogar futebol e ganhar. Ficámos todos a ganhar. E ganhou a Espanha, muito bem: joga futebol. E o futebol bem jogado é bonito e bom de ver. Parabéns!




Já publiquei este desenho a-propósito de um outro

qualquer tempo de ais e quases... mas o hábito não muda


Agora verdadeiramente insuportável é este permanente queixume de ais e quases.

Foi quase, ai que foi só por um bocadinho. Um bocado em diminuitivo que é mais barato para lembrar O'Neill. Que foi por centímetros, que foi por isto e aquilo num queixume que apenas pretende impedir - haverá outra razão? - anotar erros e aprender com eles.

Quantos desportos existem em que a diferença entre a vitória e a derrota se cifra em centímetros, décimos de segundos, num ápice? quantos centímetros vale a vitória ou a derrota num campeonato de golfe? quantos aspectos tem de analisar um tenista para tomar uma decisão e bater na bola para devolver? e um defensor no vólei? e um guarda-redes no andebol? Quantos de nós - sem queixumes de ais ou quases - perdemos jogos por um nada? Que diabo, é de jogos desportivos que falámos!

E que tal se nos deixássemos de lamúrias. Perdemos com a Espanha porque eles marcaram mais penaltis do que nós, ponto! E não vale a pena continuar com a missa de cantoria geral - o resultado não volta atrás e a única coisa em que vale a pena reflectir é nos erros ou incapacidades demonstradas - para que não se voltem a repetir, para quer se possa fazer juz a um preceito dos campeões: cometem sempre erros mas nunca os mesmos.

Depois dos jogos realizados só isto conta. Reconhecer os erros, analisá-los, tratá-los e ultrapassá-los. Para que os próximos jogos sejam melhores. O resto é choradeira sobre o que já está molhado.

sexta-feira, 29 de junho de 2012

Coisas do Euro





quinta-feira, 28 de junho de 2012

Tristes mas sem remorsos

A caracterização da meia-final entre Portugal e Espanha pode colocar-se assim: cagaço - essa coisa parecida com o medo mas para muito pior. Cagaço de um e outro lado, de portugueses e espanhóis que levou a caldos de galinha que fizeram do jogo um tremendo jogo de passes e luta entre áreas sempre à espera de um último rasgo de passe fatal. Um cansaço.

A excitação do jogo esteve no lado do coração e retirou-se por cento e vinte minutos da emotividade do campo.

Batemo-nos bem, jogámos o que pudemos, não viramos a cara mas faltou-nos o killer instinct que faz os vencedores - a nossa maior vantagem sobre a Espanha era de ordem física, tivemos dois dias a mais de descanso, e não quisemos correr o risco de o explorar, nomeadamente no prolongamento. Num perdido por cem, perdido por mil, poderíamos, pelo menos à entrada do prolongamento, ter assaltado o campo espanhol - correndo o risco de algo nos correr mal nas costas, mas correndo-o. Ficámos nas grandes penalidades com todas as pequenas questões que resultam numa grande questão: a enorme lotaria de falhar ou marcar, de deixar o brilho ao guarda-redes, por isto ou aquilo - porque fez mais quilómetros que os outros por exemplo (Alonso e Moutinho foram os que mais (e bem) correram e não marcaram) - porque acertou no mau lado da trave ou no bom dos postes. Sortes e azares que fazem o jogo que o futebol é. Um jogo. Jogo que neste caso e pelo que vi, teve como vencedor a equipa que acabou por estar melhor: Espanha. Dentro das incidências de um jogo, tudo nomal, portanto. Sem queixumes mas tão só com o sentido de missão cumprida: fizemos o que pudemos.

Porque reconheço que é no arrecadar que está o ganho, não compreendi a colocação de Ronaldo na quinta posição de marcação de penalidades. Pessoalmente preferiria - neste jogo como em qualquer outro - a garantia do mais eficaz a iniciar para garantir que a candeia da frente iluminaria o caminho.

Penso que não devemos queixar-nos. Não temos qualquer necessidade, nem interesse. Fizemos, fizeram o que puderam e demonstraram que a selecção portuguesa foi uma equipa. Tão equipa que foi capaz de ultrapassar o que lhe reconhecíamos como limites.

Não vamos à final, paciência. Tristes, sim... mas sem remorsos.

Nota: o árbitro turco Cunet Çakir não teve qualquer influência no resultado e ainda bem - ou não foi pressionado por ninguém ou esteve-se nas tintas para as eventuais pressões. Mas isso não retira nada ao que escrevi em post anterior: a sua nomeação foi uma estupidez, foi indecente e desrespeitosa. Ponto.



quarta-feira, 27 de junho de 2012

Indecências


A profilaxia não se faz calado, Octávio, treinador de futebol

É irritante esta constante exposição do conceito e do seu contrário a que temos assistido ao longo deste Europeu futebolístico. Que não se pode dizer isto porque aquilo, que não se pode dizer aquilo porque isto. Como se o silêncio fosse o ouro que se procura na competição desportiva. E como se os valores porque devemos reger a nossa vida não se aplicassem ao desporto em geral e, no caso particular, ao futebol.

É uma evidência que aquilo que o sr. Platini expressou - a final apetecida Espanha-Alemanha - é uma manifestação de interesse inadmissível que a decência não autoriza e que, para além de um pedido formal e público de desculpas, deveria terminar - numa tentativa de demonstração de carácter e de se dar ao respeito - com o seu próprio pedido de demissão. Porque o senhor é só o presidente da UEFA, entidade responsável por este campeonato e o cargo não deve ser compatível com indecências.

Como se não bastasse, o organismo que comanda a arbitragem do Euro resolveu nomear um senhor turco, Cuneyt Çakir, para arbitrar a meia-final entre Portugal e Espanha. É grave?! É! Porque o presidente da arbitragem uefeira é espanhol e o seu vice-presidente é turco. Significa que permite a qualquer pessoa ter desconfianças ou suspeições sobre a isenção do árbitro que pode - e basta a possibilidade para que a inteligência imponha outra solução - que pode, repito, não resistir a eventuais pressões a que o queiram sujeitar. A nomeação de árbitro turco nesta situação é, no mínimo, uma indecente estupidez e, no pior, uma patifaria. E que demonstra desrespeito e a indecente certeza da impunidade.

E calar, como avisa Octávio, não resolve coisa nenhuma. Falar, pelo menos - digo eu - mostra que não somos nenhuns patetas, que não pactuamos com indecências e que exigimos o direito ao respeito.

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Preparar Caminhos

We should replace our running shoes frequently. Instead, we wash them.
Mohamed Hassan Mohamed, atleta da Somália em luta por um dos dois lugares do seu país nos Jogos Olímpicos de Londres, in Time, June 25, 2012
Lisboa, Da minha janela

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Os PIGS




Felizmente Ronaldo soube atacar a bola e rematar imparavelmente de cabeça sem haver Cech que valesse aos checos. Estamos nas meias-finais do EURO2012! Gostaria que aqueles que se vão juntar a Portugal fossem a Itália, Grécia e a eSpanha. Os PIGS. Para enxovalho dos pretenciosos da visão nortocentrica.

Amanhã serei grego! Seremos todos gregos.

Cores da Cidade



Lisboa, Castelo dos Restauradores
 

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Cores da Cidade




Lisboa, Rua do Carmo
  

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Interesses e negligências

A necessidade de água para a manutenção de um campo de golfe é, como se sabe ou deveria saber, uma enormidade. Existem até indicadores comparativos com as necessidades de populações urbanas que mostram, sejam quais forem os disfarces com que se mascaram os interesses, a enormidade do custo - directo ou indirecto - para a grande maioria das instalações. E tão maior quanto maior for o calor e menores os cuidados desde a escolha da localização, do tipo de vegetação, do tipo de relva ao sistema e gestão das regas.


A Lagoa dos Salgados, no Algarve, está seca, o campo de golfe que a envolve está lindo de verde. Diz-se que não há água suficiente - aqui os relvados golfistas são regados com os efluentes de uma ETAR - para as duas coisas. É isto preocupante? Não é só temporário? Não passa daqui a pouco?

Temporário ou não, é importante, muito importante! Porque a Lagoa dos Salgados tem espécies de aves aquáticas que têm ninhos que têm filhotes a nascer que, sem a água que lhes proporcionará alimento, vão morrer. Ou seja: HÁ AVES AQUÁTICAS QUE TÊM ANÚNCIO PRÉVIO DE MORTE PORQUE O SEU LOCAL DE NIDIFICAÇÃO FICOU SEM ÁGUA E PORTANTO SEM ALIMENTO. Água e alimento que existiam antes da prioridade dada à rega do golfe. Razão porque as aves procuraram, como sempre, o local para nidificar. Mas que, para sobreviver, irão embora, abandonando os ninhos de que resultará - anuncia-se - a morte das crias. Sabendo-se que assim será e nada sendo feito em tempo útil, estamos perante uma negligência grave.


Alfaiate, Recurvirostra Avocetta

Na Lagoa dos Salgados existem, entre outras variedades de aves aquáticas, caimões, garças-vermelhas, pernalongas, alfaiates, etc., e os seus filhotes, por falta de água e alimento, vão morrer. Sem reservas: deixa-se morrer a biodiversidade local - óbvio interesse público - em troca do interesse privado da manutenção das receitas de um campo de golfe. E as desculpas, saltando de repartição em repartição, esfarrapam-se em cada explicação.

O interesse sobrepõe-se à decência civilizacional. A negligência desculpa-se no economicismo reinante. De acordo com as notícias, a SPEA - Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves de que sou sócio - prepara-se para apresentar queixa sobre o facto à Comissão Europeia. Não havendo possibilidade de impôr medida mais rápida e útil na resolução do problema, faz muito bem!

terça-feira, 5 de junho de 2012

Estou de acordo

Diminuir salários não é uma política, é uma urgência.
António Borges, dos jornais
Estou de acordo. Absolutamente.

Tão absolutamente que proponho desde já a aplicação da Lei de Pareto e seus derivados para resolver a nova distribuição.



Não será difícil: os 20% dos excelentes vital few que ganham fortunas mensais passam a vencer salário igual ao Primeiro-Ministro, deixando, simpaticamente, em paz os 80% dos trivial many que tendo já uma vida inteira para se preocuparem, ficariam muito agradados e muito agradecidos com esta forma de ajuda solidária e desprendida.


_________________________________
Na margem e a propósito da Desigualdade
...the way we responded to the crisis, with the bottom going down and the top seemingly protected, inevitabily brought this issue [the inequality] to the fore.
Joseph Stiglitz, economista, Prémio Nobel in Time, June 11, 2012.

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Cores da Cidade





foto telemóvel
Lisboa, Cais do Sodré

sábado, 2 de junho de 2012

A vista desarmada





sábado, 26 de maio de 2012

O fotógrafo Jorge Barros

O Jorge Barros é fotografo. Excelente fotógrafo, aliás.

Há umas dezenas de anos estivemos juntos no projecto Resposta, revista cultural e desse tempo guardo ainda as belíssimas fotografias a preto-e-branco que publicamos e então me ofereceu. E continuo atento, aprendendo sempre, à sua forma de fotografar Portugal.

A antiga revista Atlantis da TAP e na altura da EXPO'98 publicou um texto meu, A Praça de Comércio, Uma Praça de Receber, a que a sua visão fotográfica do Terreiro do Paço deu uma chamada de atenção muito especial. Sortes! Foi mais notado do que seria habitual...


Na Sociedade Portuguesa de Autores - SPA - está agora uma sua exposição a que deu o nome de aproximações e que aproxima a visão do continente português das ilhas dos Açores. Para quem gostar de fotografia, paisagem - e há duas paisagens construídas, uma da beirã Piodão, outra da ilha do Corvo, que se aproximam particularmente na regra da ocupação volumétrica e de que gosto muito - ou retrato social, a visita é obrigatória.

Como ele, também gosto muito dos Açores e gosto também muito do seu último livro, As ilhas desconhecidas - capa aqui ilustrada - que, naturalmente, recomendo. Numa edição muito cuidada, o fotógrafo-autor, com o espírito, o espanto, o amor, a técnica, o gosto e a sua interpretação de hoje, ilustra a impressiva descrição que Raul Brandão faz das ilhas açoreanas e madeirenses. A ver e a ler.

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Cores da Cidade


Lisboa, Chiado


terça-feira, 15 de maio de 2012

Sobreposiçoes





Lisboa, S. Mamede


sábado, 12 de maio de 2012

Santa vidinha






Bernardo Sassetti (1970/2012)

Bernardo Sassetti, pianista e compositor, era um excelente músico - que coisa esta de ter que se utilizar o passado para um miúdo de quarenta e poucos anos... Não é justo, que tristeza!

Embora familiares - relacionava-nos a irmã do meu bisavô, Maria dos Prazeres, que foi casada com Sidónio Pais - conheci-o já nas coisas do jazz, provavelmente no Hot. Deve ter começado com os habituais avisos do Paulo Gil: "é pá, anda aí um puto pianista, o Bernardo Sassetti, bom pra diante (e abanava com certeza as mãos, com a cabeça já meia de esguela e os olhos a brilhar).Tens que ouvir." ...

E gostei de o ouvir, gostei do ar, do talento, do sentido de humor. E lembro-me de que gostei muito da música que soube compôr para o filme do Mário Barroso baseado no O Milagre segundo Salomé de José Rodrigues Miguéis.

Ao longo destes anos fui ouvindo a sua música, gostando mais de umas alturas e menos de outras. Mas reconhecendo-lhe sempre um talento notável.

Percebi das notícias que nos surpreenderam que caiu de uma arriba por causa de algum ângulo fotográfico que procurava - no silêncio que me prendeu ouvi a voz da Ana quase gritada no fundo da memória: tem cuidado, não te chegues mais ... ainda cais. A fotografia... o nosso mundo isolado - nada mais parece existir - no espaço limitado da objectiva

Que se pode fazer a uma perda irrecuperável? Ouvir-lhe a música e guardar-lhe respeito.

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Simpatia financeira







Cores da cidade





foto telemóvel
Lisboa, S. Mamede


terça-feira, 8 de maio de 2012

Cores da cidade


Foto telemóvel
Lisboa, Rato





Cores da cidade



Foto de telemóvel
Lisboa, S. Mamede


segunda-feira, 7 de maio de 2012

É justo? Tem futuro?




O meu Pai ensinou-nos - e o meu filho lembra-o muitas vezes - que se é preciso mudar alguma coisa, o momento da mudança é agora!

Encontrei o mesmo conceito no lema da campanha do novo Presidente francês, François Hollande: Le changement c'est maintenant . A que juntou dois princípios - da justiça e da juventude - que enquadrarão a sua política: é justo? tem futuro?

A política da França vai mudar, a política da Europa vai mudar, a vida dos europeus vai melhorar!

Merkozy acabou. A esperança numa condição de vida decente ganha espaço. Hoje, 6 de Maio, é o primeiro dia da mudança.

domingo, 6 de maio de 2012

Ventos do Interesse

O irritante - no sentido indignante - da corrente explosiva que mistura - para se dar ares de pés no tempo - conservadorismo com neoliberalismo é a prepotência com que nos retiram da história e do percurso que reconhecemos das coisas. Como nos entendem por ignorantes apresentam-se, emproados, como descobridores do caminho que a nossa estupidez e ganância colectivas se mostraram incapazes, tão pouco, de vislumbrar. Salvadores da pátria, de nós e do mundo não hesitam em impôr os seus interesses como a regra civilizacional mais salvatícia.

Ouvi em directo a maratona presidencial francesa e pude assistir ao manual mais actualizado dos truques do neoliberalismo que nos é imposto. Cuja primeira regra se cumpre na pomposidade da chamada à colação de conceitos que ninguém rejeita. Conceito com o seu quê de universalidade e que, sem definição do contexto de aplicação, não passa de treta demagógica. Mas que serve, qual receita-milagre, para fazer passar a ideia que assim são obrigatoriamente as coisas, que assim deverão ser e que qualquer outra formulação é estúpida, disparatada e, obviamente, atentória do bem-estar colectivo.

Bem enquadrado nos interesses dos mais poderosos o sr. Sarkozy, em close-up de olhar cúmplice, proclama a universalidade: "temos que aligeirar os custos do trabalho!" Claro! mas alguém tem dúvidas sobre essa necessidade? E para esse aligeirar maioritária e preocupadamente aceite, que propõe o sr. Sarkozy? Mais inovação, maior criatividade nas relações da cadeia de valor, melhores circuitos de distribuição, menos margens e menores desperdícios nas etapas de produção, melhor estrutura da composição de custos, etc.etc.? Não! O sr. Sarkozy com a pesporrência de um iluminado que maravilha a nossa vida, informa a solução: "sempre que houver acordo entre empresário e seus trabalhadores, esse acordo sobrepor-se-á à lei geral existente."

Pronto! na maestria do golpe o sr. Sarkozy torpedeia o Estado de Direito, ignora a história civilizacional da construção das relações dos direitos de trabalho, marimba-se para o desequilíbrio das imposições e dá mãos largas a uma brutal autorização do abuso da condição de necessidade. Um fartote ... no melhor interesse das normalidades neoliberais.

sábado, 5 de maio de 2012

Muito agradecidos



foto telemóvel c/flash
fachada de supermercado, Lisboa

terça-feira, 1 de maio de 2012

Dia do Trabalhador

O 1º de Maio é o Dia do Trabalhador.



1º Maio 1976
Os portugueses estão preocupados, naturalmente e cada vez mais, com o número de desempregados que todos os dias parece aumentar para números insustentáveis. E temem, neste contínuo de desesperança, que a sua vez esteja para breve.

A inversão da situação é o desafio essencial que se coloca ao país - sem que haja quem possa esconder-se atrás da situação ou por achar que faz o melhor que pode. Na actual situação o melhor que é possível, não basta!

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Sobreposições



JPBessa
Foto de telemóvel
Lisboa, Campolide
 A aleatoriedade, funcionalidade e dimensão dos volumes apaga o historicismo pacóvio e cria uma marca urbana relevante no percurso automóvel que a aproxima.

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Miguel Portas (1958-2012)

Lembro Miguel Portas, os valores de esquerda, o combate, a lucidez e a enorme coragem com que enfrentou o destino. Trabalhei juntamente com ele ao tempo de Jorge Sampaio na CM de Lisboa - e desse tempo lembro, para além dos trabalhos do programa da candidatura, o pormenor de ter sido ele o maior responsável por se ter realizado o primeiro grande concerto musical em Portugal: Rolling Stones em Alvalade, 1990. E de ter jogado futebol com ele à baliza num reconciliador Lisboa-Porto municipal.

À família, ao Pai - enorme e muito sentido abraço meu caro Nuno - à Mãe - que tem a simpatia de visitar este Finisterra - ao irmão Paulo, as minhas profundas condolências.

quarta-feira, 25 de abril de 2012

25 de Abril sempre!





segunda-feira, 23 de abril de 2012

Dario Fernandes (1935-2012)

Jacinto Luís
Faleceu o Dario Fernandes. Professor excelente da área da Educação Física, era pessoa de princípios e valores, determinado a fazer de cada um de nós um Cidadão exemplar. Era um Homem de Excelência. De Carácter. Tão excelente que lhe foi atribuído o grau honorífico de ex-aluno. Mas mais do que isso: era considerado (e não é nada fácil sê-lo...) por todos nós, seus antigos alunos, como um dos nossos - um genuíno Menino da Luz. Durante a sua vida colegial de muitos anos passada entre os claustros e o ginásio do Colégio Militar foi sempre um companheiro atento e solidário. Capaz de ouvir e ajudar. E de, na altura devida, nos transmitir a confiança necessária. E como voámos então...

Sob o seu comando e orientação fiz parte de uma Classe Especial de Ginástica. De excelência, claro! E da qual guardo - sempre que nos encontramos uns com os outros, recordá-mo-lo - excelentes memórias.

Até sempre, Dario! Zacatrás!

sábado, 21 de abril de 2012

Sabedorias aplicáveis

Do Público de ontem:
"O juiz não é nomeado para fazer favores com a justiça, mas para julgar segundo as leis."
Platão (-427/-347), filósofo grego


De Sonia Sotomayor (1954/--), primeira mulher juiza do Supremo Tribunal dos Estados Unidos e nomeada pelo Presidente Obama:
"A tarefa de um juiz não é fazer a lei, é aplicar a lei."

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Adaptações

"L'architettura é una macchina fotografica della cultura: é in parte scienza e in parte senzo della vitta.",
Francisco de Assis Cabrero, 1972


JPBessa
foto de telemóvel
Lisboa, Lapa
 
O telhado duplo trazido por Mardel* talhado a corte de naifa em adaptação portuguesa.

  *Carlos Mardel (Pozsony, Hungria, 1696 - Lisboa, 1763) foi um dos principais projectistas da reconstrução pombalina após o Terramoto de 1755

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Tempos que ficam



"[...] e o primo Dinis que andava no Colégio Militar. Nunca largava a farda e mostrava-se por toda a parte como um princípe antigo. Não entrava em brincadeiras e ninguém sabia se lhe agradava alguma coisa neste mundo."

Agustina Bessa-Luís, Dentes de Rato, 1987

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Missão terminada





O Instituto do Desporto de Portugal, I. P. desapareceu. Fundido com o Instituto Português da Juventude passou as suas competências tradicionais para o novo organismo, o IPDJ, I.P. - Instituto Português do Desporto e da Juventude.

Com esta fusão, a minha missão de Vice-Presidente do IDP terminou.

Ficarei com boas memórias - de pessoas, de profissionais capazes, de excelentes trabalhos em situações nada fáceis, de capacidades de superação de inúmeras dificuldades. Mais, muitas vezes, do que se possa pensar.

Gostaria assim que, apesar da alteração, não se viesse a perder - como acontece em muitas mudanças - o profundo saber, experiência e conhecimento construídos ao longo de muitos anos que existe no "6º andar" - Departamento de Instalações Desportivas - da Infante Santo e do qual tenho directo conhecimento.

Embora nem sempre reconhecido e bem utilizado em trabalhos de responsabilidade interna nos últimos anos, muito do saber deste Departamento é fundamental para que as instalações desportivas sejam adequadamente dimensionadas, tenham os equipamentos necessários, sirvam as modalidades desportivas com segurança e conforto para os atletas e tenham custos de construção e utilização aceitáveis. O trabalho invisível de apoio a promotores e projectistas tem permitido que as instalações desportivas espalhadas pelo país tenham melhorado substancialmente e garantido uma importante melhoria na relação custo/benefício de diferentes instalações construídas. Trabalho que constitui um valor que não pode ser desperdiçado e cuja utilização os tempos correntes exigem - na construção, na recuperação e reabilitação ou na adaptação. Os tempos não estão para desperdícios e são profissionalmente exigentes. O "6º andar" tem as qualidades necessárias.

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