Gyps fulvus
Portas do Rodão
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Casa de Chá da Boa Nova (1958/63) - Leça da Palmeira |
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Piscina das Marés (1961/66) - Leça da Palmeira |
Fico muito contente.
- porque são obras de Arquitectura Contemporânea - o que traduz uma abordagem culta do conceito de monumento;
- porque garante que as exigências de manutenção e preservação das obras serão cumpridas, possibilitando assim a sua fruição, tempos fora, em condições dignas;
- porque é sempre muito agradável ver que duas das excelentes obras de um amigo que admiro e por quem tenho profundo respeito pessoal e profissional possam ser consideradas Monumentos Nacionais - traduzindo, para além do mais, demonstração de respeito cultural das suas próprias gentes. O que é significativo.
Moniz Pereira faz 90 anos. Foi com ele que descobrimos que portugueses podiam ser campeões olímpicos - Carlos Lopes - ou recordistas mundiais - Fernando Mamede. E tudo porque insistiu que a questão estava no treino, porque insistiu que o treino teria que ser trabalho, porque insistiu que os portugueses seriam campeões se tivessem as mesmas disponibilidades horárias que os outros. Porque sabia."o menino deu-me trabalho para ir fazer uma porcaria dessas?!"Que foi nesse instante, recorda, que percebeu a importância de ganhar e que, "só se poderia ganhar com muito trabalho, com muito sacrifício..."
"As pobres vacas, e outros animais domésticos, nada sabem sobre a mudança da hora e não compreendem por que é que tratam deles a uma hora diferente."
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| “Uma secretária é um sítio perigoso para analisar o mundo” John Le Carré foto de telemóvel |
E deixo, ainda de Mintzberg, o desafio:“Muitas actividades estão no sector público precisamente por problemas de medição: se tudo fosse assim tão cristalino e cada benefício tão facilmente atribuível, essas actividades há muito que estariam no sector privado.”
“O que se deve medir na Administração Pública: a eficiência da missão.”
" Os adeptos são tratados como clientes e consumidores e não como irmãos de sangue [...]."
"Por vezes o mal está onde não se vê."
A exposição do Museu de Arte Antiga, Os Primitivos Portugueses, é imperdível. Exposição da pintura portuguesa da segunda metade do século XV e da primeira de XVI, tem um interesse óbvio: a possibilidade de ver, comparando, obras dispersas; de voltar atrás e à frente e permitir pequenas e interessantes descobertas. Por exemplo: descobrir que os óculos do circuncizador do Circuncisão (1535-1540) de autor desconhecido se repetem – embora com alteração de escala e importância - no rosto de um figurante num outro quadro. Depois é o passeio entre o mais simplório e o complexo, pela passagem por pormenores de ingenuidade temerosa ou divertida, perceber janelas que contam outro quadro, numa visão que nos permite, no meio da enorme maioria de temas religiosos, o encontro, raro, com o notável Homem do Copo de Vinho que - por aquilo que me parecem óbvios motivos da altura – foi atribuído - tal como qualquer pintura que nos fizesse olhar duas vezes, a quem mais poderia ser? - a Nuno Gonçalves. E ver também o retrato da Princesa Santa Joana, filha de D. Afonso V, de autor agora definido como desconhecido, elegante mas mais pobre na planura com que se interpreta. Notáveis na qualidade da sua expressão – quase apenas testemunhal – são os dois rostos – que servem aliás o catálogo da exposição – dos dois observadores da Deposição no Túmulo (1521-1530) de Cristóvão Figueiredo.
Continua o fartar-vilanagem. O que era previsível para quem está minimamente atento a estas coisas. A crise foi montada e continuada para proveito próprio. Ganham os que já têm (muito), perdem os que vivem do trabalho que sustenta a si e aos seus. Tudo porque aqueles em quem votámos – em Portugal, na Europa, nos Estados Unidos, no Mundo – se deixaram engolir pela modernice do “é a economia, estúpido!” e esqueceram o primado da política e do serviço público. Deixaram-se apanhar na teia do charme e glamour dos sabichões da alta finança, é o que é. E perderam – se alguma vez o tivessem tido – o modo das coisas. E criaram, ao riso do fartote, uma massa desmesurada de paganinis – aqueles que pagam obrigatória e obviamente.“É caso para dizer: relatórios leva-os o vento. Os lucros, esses, estão de volta. E acompanhados do direito à indignação.”
Vi-o jogar dezenas de vezes. Desde há 50 anos, na velha Luz. No Benfica. Deixou-me memórias impagáveis – que agradeço do coração e que ainda hoje são alegrias: a geometria de uma corrida de bola colada ao pé, a geometria dos remates a cada ângulo. E os golos! de levantar estádios antes de o serem. A Luz gritava golo! quando havia derrubes próximos da área a adivinhar a geometria do tronco paralelo ao chão a preparar o desenho da perna a caminho das estrelas e bola no fundo da baliza. ![]() |
Herzog na Aula Magna (foto telemóvel) |
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S. Paulo - Complexo Cultural da Luz (inserção urbana simulada) |
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S.Paulo - Complexo Cultural da Luz, maqueta (foto telemóvel) |
O filme Inside Job deve ser visto. Trata-se de um documentário onde se explicam os diversos momentos da construção da actual crise. E os seus começos: da estratégia de criação do retorno fácil em dinheiro fresco para manter a bolha a girar aos seus testas-de-ferro. Começando, percebe-se, de Regan a Busch e por todos aqueles utilitários que durante anos – como Greenspan – se opuseram a qualquer regulação. Num vivó mercado e a sua auto-regulação, o golpe, pensado e estudado, montou-se com facilidade: vendia-se aquilo que se sabia não ser comprável e seguravam-se as perdas. Seguríssimo! Nesta vigarice de dimensões brutais houve lugar – até em Portugal se conhecem exemplos – para tudo: dos louvados CEO das grandes companhias até à comprada aldrabice de economistas e universitários de renome. Um fartar vilanagem até romper. "Nada é tão admirável em política quanto uma memória curta."John Kenneth Galbraith
Ponto prévio: Sou republicano e, portanto, em relação a um Presidente da República apenas falo de questões políticas. Como democrata falo em relação a um candidato de acordo com o seu comportamento, escolhas e propostas.
A última edição americana do excelente Huckleberry Finn de Mark Twain, numa condenável manifestação de censura, substitui, por 219 vezes, a palavra nigger – racista, ofensiva e depreciativa - pela mais suave e reconhecida slave. Assim, ao que justificam, o livro poderá escapar à prevenção escolar – essa forma moralista de também censura.
E o Brasil vai mudar mais com a Presidenta... o corpo de segurança feminino escolhido para as cerimónias de investidura é muito mais do que um sinal simbólico: é uma marca!"A democracia é a pior forma de governo salvo todas as outras formas que têm sido experimentadas de tempos em tempos." Câmara dos Comuns, 11 de Novembro de 1947
"O melhor regime político é a Democracia, mas o nosso, enfim, também não é mau."