domingo, 6 de março de 2011

Obras de Siza Monumentos Nacionais

Casa de Chá da Boa Nova (1958/63) - Leça da Palmeira

Piscina das Marés (1961/66) - Leça da Palmeira





















Duas obras de Álvaro Siza à distância de um olhar - a Casa de Chá da Boa Nova (concluída em 1963) e a Piscina das Marés (concluída em 1966), ambas em Leça da Palmeira, Matosinhos - são, desde a semana passada, Monumentos Nacionais. O que é bom e por diversas razões:

  • porque são obras de Arquitectura Contemporânea - o que traduz uma abordagem culta do conceito de monumento;
  • porque garante que as exigências de manutenção e preservação das obras serão cumpridas, possibilitando assim a sua fruição, tempos fora, em condições dignas;
  • porque é sempre muito agradável ver que duas das excelentes obras de um amigo que admiro e por quem tenho profundo respeito pessoal e profissional possam ser consideradas Monumentos Nacionais - traduzindo, para além do mais, demonstração de respeito cultural das suas próprias gentes. O que é significativo.
Fico muito contente.
Créditos Fotográficos: Wikipédia

quinta-feira, 3 de março de 2011

Uma Visão Poética


Vi há dias a curta-metragem de Manuel Oliveira – “Painéis de S. Vicente de Fora, Uma visão poética”. Infelizmente numa cópia em muito mau estado – questões de falta de maquinaria no MNAA – que só permitia ter um visãozita da coisa formal para quem tivesse memória das cores reais da pintura. Percebi a maestria do tratamento – tenho curiosidade para ver uma cópia decente – e também a interpretação que propõe a visão poética. Filmado com câmara fixa e em campo e contracampo, os figurantes são chamados ao lado de cá por S. Vicente e, revendo-se no retrato, ouvem-lhe a explicação textual. O encontro de católicos, judeus e mouros a que se junta, á fidalguia presente, a figura do pobre (designação para a figura do painel da relíquia) representam a capacidade portuguesa do encontro a quem a mão do santo impõe o final da guerra numa visão humanista e pacificadora. 
Não sendo aquilo que penso representarem os painéis é uma interpretação – uma visão como lhe prefere o autor – com a qual, mesmo que possa sobrepor desejo à realidade, se pode conviver.
Uns dias depois voltei ao Museu para ouvir a conferência de António Valdemar sobre "Os Painéis: Polémica, Tragédia, Comédia". Estórias divertidas do quase ao murro na Brasileira ao diz-que-disse carregado de mistério, história e os nomes dos que foram dando à excelente pintura todo o mistério que carrega, passaram durante o tempo da conferência. Interessante também a interpretação do conferencista das razões das interpretações sobre o significado do políptico: há, propõe, uma relação directa de cada interpretação, de cada forma de ver e de adjectivar, com os acontecimentos da História do Portugal contemporâneo. À República em 1910, a Sidónio em 1917, ao início da Ditadura em 1925, à exposição do Mundo Português em 1940, ao fim da guerra em 45, à candidatura de Delgado em 58, às Comemorações do Infante D. Henrique de 60, ao 25 de Abril de 74, correspondem propostas e interpretações diversas e adequadas a cada momento histórico.
No final a pedra de choque atirada pelo conferencista sobre o longo mistério da mais excelente pintura do património português: Decorridos 100 anos… o que ficou?
Mistério, dir-se-á.

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Todo o cuidado é pouco

Pilrito de areia
Calidris Alba
Costa algarvia

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Um nojo!

O futebol estava desinteressante, fartei-me do jogo e passeei na televisão, parei na SIC – alguma palavra me terá chamado a atenção... fiquei no programa “ Abuso Sexual de Menores”. Fiquei enojado! revoltado!

Como é possível?! A justiça superior de Portugal – o último reduto da liberdade, da decência, da responsabilidade – mete nojo! e os doutos, na satisfação abusadora dos seus poderes, falam de cátedra e lançam teses. Sem vergonha. Sem coisicima nenhuma que não o luxo da própria importância. Quem é que se lembra de considerar que 9 anos de tortura possam ser considerados atenuantes para o torturador?

O problema dos poderes mais que poder é que nunca detectam a estupidez que atingem. O potencial de uma pessoa estúpida, diz Cipolla, deriva da posição de poder e autoridade que ocupa na sociedade e, sabe-se pela 5ª lei fundamental, que o estúpido é o tipo de pessoa mais perigoso que existe. E é, por isso, muito perigoso deixar que as coisas da justiça continuem como estão. Que sejam um poder mais que poder…

O abuso sexual de crianças é um acto ignóbil. Mais do que um abuso é um crime. De uma cobardia extrema que não merece perdão. Estou indignado! nunca julguei que, quase quarenta anos depois do encontro da cidadania responsável, fosse possível, no meu país, esta farsa de justiça. Não sei como podemos andar na rua de cabeça levantada… porque quando os tribunais diminuem responsabilidades e admitem rebuscar factores de justificação é o Estado que o está a permitir. O meu Estado! E isto é brutal abuso do poder pela estupidez humana. Porque o abuso sexual de crianças é um crime e o meu Estado não pode ser o seu cúmplice.

Estou indignado com a indignação que me fazem viver – e gostei muito pouco de muita da desculpabilização que ouvi.

O que se passa nas questões da justiça relacionadas com o abuso sexual de menores é uma vergonha sem nome. De vómitos! Um nojo!

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Assassinos de baleias postos a andar

Os Sea Shepherd mandaram os assassinos de baleias japoneses para casa.


Contra as 1004 baleias assassinadas no ano anterior (608 na Antártida), esta época só conseguiram liquidar 170. Para justificar a mortandade servem-se dum hipócrita fins científicos - conceito que não difere do utilizado por muitos pulhas da humanidade na tentativa de justificar as suas atrocidades.











É uma boa vitória mas não permite distrações - desta vez foram-se embora ( a Greenpeace pensa porque os armazéns japoneses estão atolhados de carne de baleia) mas vão voltar na próxima campanha.

A comunidade internacional não pode continuar a enterrar a cabeça na areia. Nós também não.

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Alto Alentejo

Flor da Rosa
Portalegre

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Moniz Pereira

Moniz Pereira faz 90 anos. Foi com ele que descobrimos que portugueses podiam ser campeões olímpicos - Carlos Lopes - ou recordistas mundiais - Fernando Mamede. E tudo porque insistiu que a questão estava no treino, porque insistiu que o treino teria que ser trabalho, porque insistiu que os portugueses seriam campeões se tivessem as mesmas disponibilidades horárias que os outros. Porque sabia.
Diz - contando a A Bola - que comunicou ao reitor, a quem chateara dias a fio, que tinha - na sua primeira prova de atletismo a sério - ficado em 5º lugar, ouvindo de imediato:
"o menino deu-me trabalho para ir fazer uma porcaria dessas?!"
Que foi nesse instante, recorda, que percebeu a importância de ganhar e que, "só se poderia ganhar com muito trabalho, com muito sacrifício..." 

A lição ficou estudada para o resto da vida. Um abraço

Comer ao anoitecer

Os meus gatos, que se irritam com a abstracção das regras dos relógios que marcam o que querem e se desligam do anoitecer, exigiram - com enorme entusiasmo, mesmo com palmas - que citasse neste blogue o seu novo herói, o presidente russo, Dmitri Medvedev. Aqui fica a citação em honra destes dois amigalhaços:
"As pobres vacas, e outros animais domésticos, nada sabem sobre a mudança da hora e não compreendem por que é que tratam deles a uma hora diferente."

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Sobre o Tejo (iii)

Ponte 25 de Abril
Foto de telemóvel

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Sobre o Tejo (ii)

Outra Margem, Pragal

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Sobre o Tejo (i)

foto de telemóvel

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Público não se mede privado

“Uma secretária é um sítio perigoso para analisar o mundo”
John Le Carré
foto de telemóvel



Nada mais fácil do que afirmar, na pompa e circunstância dos acólitos, o fecho das áreas do sector público que, afirma-se, têm prejuízos crónicos. Parecem sempre bem estes aleluias ao sector privado e dão ar de preocupação pelo povo que, dobrado pela obrigação, alimenta esses prejuízos permanentes. Mas nem sempre aquilo que parece é: as actividades do sector público medem-se por outros conceitos que não o proveito e o custo – medem-se pelo serviço que prestam, pelo valor do serviço que prestam e pela qualidade que lhe transmitem. Cito Henry Mintzberg* cuja obra responde pelo peso das suas ideias e que já, no ”Managing Government, Governing Management” publicado na Harvard Business Review de Maio-Junho de 1996, avisava:
“Muitas actividades estão no sector público precisamente por problemas de medição: se tudo fosse assim tão cristalino e cada benefício tão facilmente atribuível, essas actividades há muito que estariam no sector privado.”
E deixo, ainda de Mintzberg, o desafio:

“O que se deve medir na Administração Pública: a eficiência da missão.”
E isto nada tem a ver com a redução da medição a lucros e prejuízos. Exige outro nível de visão e percepção.
* Setembro 1939, Montreal, professor universitário, diversos artigos e livros publicados.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Saber ajuda

Nem tudo o que se sabe é retirado dos manuais de gestão. E ele sabe.
" Os adeptos são tratados como clientes e consumidores e não como irmãos de sangue [...]."

"Por vezes o mal está onde não se vê."
José Eduardo, segundo A Bola, na apresentação do seu plano para o futebol leonino

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Primitivos Portugueses

A exposição do Museu de Arte Antiga, Os Primitivos Portugueses, é imperdível. Exposição da pintura portuguesa da segunda metade do século XV e da primeira de XVI, tem um interesse óbvio: a possibilidade de ver, comparando, obras dispersas; de voltar atrás e à frente e permitir pequenas e interessantes descobertas. Por exemplo: descobrir que os óculos do circuncizador do Circuncisão (1535-1540) de autor desconhecido se repetem – embora com alteração de escala e importância - no rosto de um figurante num outro quadro. Depois é o passeio entre o mais simplório e o complexo, pela passagem por pormenores de ingenuidade temerosa ou divertida, perceber janelas que contam outro quadro, numa visão que nos permite, no meio da enorme maioria de temas religiosos, o encontro, raro, com o notável Homem do Copo de Vinho que - por aquilo que me parecem óbvios motivos da altura – foi atribuído -  tal como qualquer pintura que nos fizesse olhar duas vezes, a quem mais poderia ser? - a Nuno Gonçalves. E ver também o retrato da Princesa Santa Joana, filha de D. Afonso V, de autor agora definido como desconhecido, elegante mas mais pobre na planura com que se interpreta. Notáveis na qualidade da sua expressão – quase apenas testemunhal – são os dois rostos – que servem aliás o catálogo da exposição – dos dois observadores da Deposição no Túmulo (1521-1530) de Cristóvão Figueiredo.
Mas a exposição tem uma vantagem maior: realizada logo após a Invenção da Glória onde se podiam ver também os Painéis de S. Vicente (1470) atribuídos a Nuno Gonçalves, esta exposição, de subtítulo “O Século de Nuno Gonçalves”, vem aumentar as interrogações sobre aquela que é a mais notável obra pictórica desta exposição. Vistos e revistos vezes sem conta não deixam de surpreender continuamente – abrindo novas e constantes possibilidades interpretativas.
Ir ao MNAA é obrigação. Porque é interessante, divertido e proveitoso. Excelente!

sábado, 29 de janeiro de 2011

É só ganância

Continua o fartar-vilanagem. O que era previsível para quem está minimamente atento a estas coisas. A crise foi montada e continuada para proveito próprio. Ganham os que já têm (muito), perdem os que vivem do trabalho que sustenta a si e aos seus. Tudo porque aqueles em quem votámos – em Portugal, na Europa, nos Estados Unidos, no Mundo – se deixaram engolir pela modernice do “é a economia, estúpido!” e esqueceram o primado da política e do serviço público. Deixaram-se apanhar na teia do charme e glamour dos sabichões da alta finança, é o que é. E perderam – se alguma vez o tivessem tido – o modo das coisas. E criaram, ao riso do fartote, uma massa desmesurada de paganinis – aqueles que pagam obrigatória e obviamente.
Para se perceber como tudo se está a passar – e não cair na armadilha das piedosas queixinhas das injustiças da praxe (os exemplos propagam-se como nos mostra a vitimização do nosso sr. Oliveira e Costa) – por esse mundo financeiro, recomendo a leitura do editorial do Jornal de Negócios de 28 de Janeiro p.p. escrito pelo seu director Pedro Santos Guerreiro.
Como introdução cito da última página do mesmo jornal – Sexta Coluna - e a propósito do relatório, chumbado pelos comissários republicanos (diga-se para que se perceba), da Comissão de Inquérito à Crise Financeira nos EUA:

“É caso para dizer: relatórios leva-os o vento. Os lucros, esses, estão de volta. E acompanhados do direito à indignação.”
Eu acompanho a indignação e pergunto: a diferença entre a esquerda e a direita é coisa do passado?

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Eusébio

Vi-o jogar dezenas de vezes. Desde há 50 anos, na velha Luz. No Benfica. Deixou-me memórias impagáveis – que agradeço do coração e que ainda hoje são alegrias: a geometria de uma corrida de bola colada ao pé, a geometria dos remates a cada ângulo. E os golos! de levantar estádios antes de o serem. A Luz gritava golo! quando havia derrubes próximos da área a adivinhar a geometria do tronco paralelo ao chão a preparar o desenho da perna a caminho das estrelas e bola no fundo da baliza.
Eusébio foi – Cruz chamava-lhe o abono de família – a nossa alegria. Nos dois golos simétricos - iguaizinhos, um pela esquerda, outro pela direita a deixar Betancourt sem fala - num 5-1 contra o Real de Madrid, no 5-3 em Amsterdam – o meu Pai esteve lá e numa gaveta cá de casa (espero…) ainda haverá o bilhete – no 5-3 da Coreia em 66, nos golos do Benfica – saltei e gritei com golos inesquecíveis dos mil e não-sei-quantos marcados. Na festa que criava em cada movimento. Na alegria que nos transmitia. No rasto de beleza que deixava campos fora. Na facilidade deslumbrante como cuidava da bola. No impacto colectivo que as suas acções traduziam. Um atleta de genial talento, uma força da natureza: o Pantera Negra.
Tive a sorte de poder, mais do que uma vez, conversar com ele sobre os momentos inesquecíveis que me proporcionou – descrevia-me as jogadas e desenhava-as com o brilho dos olhos: voltávamos os dois ao momento de cada momento.
Eusébio é um dos maiores – e tive a possibilidade de ver ao vivo alguns dos maiores – futebolistas de sempre. Uma referência, uma marca, do Benfica, de Portugal, do Mundo do Futebol. Um exemplo de atleta e desportista e uma sorte para quem o pôde ver ao vivo. Na Luz.
Parabéns! muitos e felizes anos.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Dia seguinte

" Se tu queres..."
dito de um velho dos marretas ao pedido de palmas e abanares de uma cantora pimba
Festas da Senhora da Saúde, Asseca, Tavira 

domingo, 23 de janeiro de 2011

O Pico dos Açores

de S.Jorge
ainda de S.Jorge
 
do Pico
de novo de S.Jorge
de volta ao Pico



sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Manuel Alegre a Presidente

Como há 5 anos estou de novo com Manuel Alegre para a sua eleição como Presidente da República. Hoje como então, faço parte da sua Comissão de Honra – anteriormente fiz parte da mesma Comissão de Mário Soares e de Jorge Sampaio.


Pelo que penso, pelo que defendo, pelos princípios e valores com que me faço cidadão, estar com Manuel Alegre ou votar em Manuel Alegre, de quem sou amigo e a quem admiro e respeito, faz parte da minha natureza. Mas serão estas minhas razões suficientes para que outros votem em Manuel Alegre? Obviamente que não, mas há razões de ordem política geral que permitem pensar que eleger Manuel Alegre para Presidente da República representa a melhor solução para Portugal e para os problemas graves que o país enfrenta. Que claramente não passam pelo domínio de qualquer sebenta de economia.

A resposta à crise passa pela defesa de valores, por um entendimento superior de Justeza Social, pela relação entre Democracia e Direitos Fundamentais, pelo respeito, pela exigência do primado da Política, pela clara noção da absoluta necessidade de prestação de Serviços Públicos qualificados, pela plena Igualdade entre homens e mulheres. Por tudo aquilo que formata o desenvolvimento social da aproximação, do cuidar das pessoas e da distribuição decente e equilibrada dos rendimentos.

Em época de crise surgem diversas oportunidades. Mais do que as que conhecemos de épocas normais. Oportunidades que, não havendo adequada regulação, privilegiarão quem pode, os mais ricos e poderosos. Que manterão a crise até conseguirem as vantagens pretendidas e abrirão um maior fosso entre uns e outros, os desprotegidos, os mais pobres. Aumentando desemprego e dificultando o acesso ao bem-estar social.

Sem regulação adequada o fartar vilanagem instala-se como direito de cidadania. Diz a experiência da História. Diz a experiência da vida.

O perfil de Manuel Alegre garante que não será complacente com a direita dos interesses. Manuel Alegre como Presidente da República garante-me o traçado da linha que constituirá a fronteira que limita o abuso e que integrará o Estado Social dos Serviços Públicos de Saúde e Educação. Da Solidariedade e da Justiça. E garante-me a intransponibilidade dessa fronteira. O que representa uma segurança e um estímulo.

Manuel Alegre como Presidente da República de uma nação de oito séculos garante ainda a audição da voz de Portugal no concerto das Nações, pugnando por uma Europa de iguais, mais solidária e mais coesa.

Manuel Alegre como Presidente da República, longe do preconceito da regência contabilística, garante uma visão diferente para o futuro de Portugal: uma visão solidária, socialmente justa e equitativa.

Com cinco netas e um neto quero ter como Presidente da República alguém que, garantindo a defesa da Democracia do Estado Social, me garanta também o apoio influente à construção do futuro mais desenvolvido, mais justo e com melhor bem-estar. Sem resignações.

Manuel Alegre garante-me isso: por isso voto nele.

Gostaria que muitos outros percebessem que Manuel Alegre é o Presidente da República que Portugal precisa. Que nós precisamos! Gostaria que muitos outros portugueses votassem Manuel Alegre com a consciência de que estão a servir Portugal.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Herzog na Aula Magna

Herzog na Aula Magna
(foto telemóvel)
Assisti à conferência de Herzog na Aula Magna. Interessante. Bastante interessante.

Interessante por alguns conceitos desenvolvidos e por algumas obras mostradas. Pela possibilidade de percepção visual do método e procedimentos utilizados no desenvolvimento dos projectos. E também pela insistência no conceito, resultante da sua base ideológica democrática, da necessidade de compreensão da mentalidade dos diversos e diferentes habitantes e do seu interesse em espaços públicos e abertos que garantam a possibilidade do encontro.

Considerando a Arquitectura Portuguesa – sem simpatia, frisou – como de grande qualidade afirmou ainda e em relação á apreciação da qualidade arquitectónica que “não é possível fazer batota na arquitectura. A arquitectura continua a ser uma actividade muito honesta, mesmo vivendo nós no século XXI.”

O que, para profissionais do ofício, é agradável de ouvir. Mesmo se é o corporativismo profissional a deixar-se embalar. Porque, como diz uma amiga minha, mais importante é que seja na vida. Porque, direi eu, na arquitectura como na vida, não falta batota e jogo de interesses. Mas é bom que se pense e se transmita que pode (deve) haver uma perspectiva de honestidade na expressão profissional de que fazemos parte. É bom que alguém lembre que há princípios e valores. Herzog lembrou.


S. Paulo - Complexo Cultural da Luz (inserção urbana simulada)

S.Paulo - Complexo Cultural da Luz, maqueta (foto telemóvel)
E também foi muito interessante para mim ver as imagens da maqueta do projecto que Herzog & De Meuron estão a fazer em S. Paulo (Brasil) e onde o meu filho Raul é consultor para os projectos térmico e AVAC do complexo. Nunca tinha tido a possibilidade de perceber a real dimensão do projecto. É obra.


Comentar da Direita para a Esquerda

Acho sempre graça que os comentadores que se afirmam da direita venham a terreiro levantar fantasmas que, mantendo uma visão académica do espectro, julgam atribuíveis à esquerda. E não deixa de ser curioso os avisos que lançam, com o ar de grandes defensores da coisa pública, sobre os malefícios disto e daquilo. Tão pouco se coibem de chamar a atenção - pretendendo tomar ares de cuidadosos - sobre os perigos que representará, neste tempo que decorre da escolha do próximo Presidente da República, a não eleição do seu protegido.
E são notáveis no faz-de-conta, fazendo de conta que o que defendem se baseia em princípios universais e não na defesa dos privilégios que garante o status quo.
Não me revendo também em algumas tretas de natureza pseudosocial - se eu lá estiver vamos todos ter emprego - detesto que façam de mim parvo. E há evidências irrecusáveis... e não explicadas.
E para que se veja que no mundo a divisão esquerda/direita existe lembro o que se passa nos Estados Unidos: depois do forró iniciado com Reagan do absolutismo do mercado livre e travado com Obama com a implementação da regulação conhecida por Dodd/Frank, como justificar o ataque cerrado da maioria republicana do Congresso para o retorno à situação anterior de interesse dos poderosos de Wall Street? A resposta justificativa salta à evidência: porque o desenvolvimento permitido pelo absolutismo do mercado irá permitir o reforço dos mais poderosos, dos mais ricos, e irá terminar num novo crash que, como hoje ressalta, permitirá novas concentrações, num ciclo vicioso de vantagens para os mais poderosos. Á custa dos mais desfavorecidos e mais desprotegidos.
Não há portanto nenhum interesse particular em garantir que não haverá mudança... 

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Inside Job

O filme Inside Job deve ser visto. Trata-se de um documentário onde se explicam os diversos momentos da construção da actual crise. E os seus começos: da estratégia de criação do retorno fácil em dinheiro fresco para manter a bolha a girar aos seus testas-de-ferro. Começando, percebe-se, de Regan a Busch e por todos aqueles utilitários que durante anos – como Greenspan – se opuseram a qualquer regulação. Num vivó mercado e a sua auto-regulação, o golpe, pensado e estudado, montou-se com facilidade: vendia-se aquilo que se sabia não ser comprável e seguravam-se as perdas. Seguríssimo! Nesta vigarice de dimensões brutais houve lugar – até em Portugal se conhecem exemplos – para tudo: dos louvados CEO das grandes companhias até à comprada aldrabice de economistas e universitários de renome. Um fartar vilanagem até romper.
O filme permite perceber que se trata de uma verdadeira conspiração dos mais ricos a que se seguiu a sofreguidão de todos os que se puderam aproveitar. Ganância e sofreguidão num jogo financeiro de contornos indecentes.
E neste desconcerto de subversão da Lei 20/80 de Pareto para um muito mais lucrativo 1/99, o resultado foi o do costume: os ricos ficaram mais ricos e os pobres mais pobres. Os bancos maiores eliminaram a concorrência e ficaram ainda maiores; os gestores golpistas saíram das empresas com indemnizações supermilionárias; os ingénuos, os crentes, feitos alimentadores, viram-se na miséria, sem eira nem beira. O dinheiro – esse bolo global – garantiu uma pequena fatia para milhões e todas as fatias para meia-dúzia. Vantagens do mercado livre…
Como choque final o facto de suas excelências os notáveis anti-regulação se mostrarem no retrato dos lugares da administração Obama. Com a importância das aparências. Como se os mercados tivessem vida própria sem o puxar de cordelinhos…
O filme deve ser visto: evita-se engolir conversas da treta.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

O cavaleiro branco

"Nada é tão admirável em política quanto uma memória curta."
John Kenneth Galbraith
“Quando gastámos mais do que temos, há sempre um dia que chega a factura” ensina-nos em intervenção grandiloquente, paternal e moralista o candidato Cavaco Silva. Grande novidade, principalmente quando vem da boca de um experiente – e que pretende dar-nos essa experiência como garantia de excelência para o posto de Presidente. Ficamos assim agradecidos que a experiência nos avise do óbvio.
E que experiência é essa?
É a experiência de Ministro das Finanças e do Plano (1980/81), de Presidente do Conselho Nacional do Plano (1981/84), de Primeiro-Ministro de dois Governos (1985/1995), de Presidente da República desde 2006. Excelente experiência portanto de fazer e não fazer – de quem não tem nada a ver com a actual situação, que não tem qualquer responsabilidade no estado actual das coisas, que em nada contribuiu para as actuais dificuldades. Porque tudo o que decidiu – graças ao corte epistemológico de serviço - não tem quaisquer implicações nos dias de hoje.
Percebo: quem tem a responsabilidade do desastre actual sou eu.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Meninas universitárias

Duas meninas universitárias no seu momento zen de câmaras de TV responderam com ar de mete nojo e como se falassem duma tontaria: “Votar?! Não, não vou votar.”.

As jovens – raio de conceito – com aquele ar certinho de estudantada responsável – mas totalmente ignorantes do mundo e do país - acham despiciendo o voto. E depois, em qualquer altura e do alto de uma emproada sabedoria empinada de direitos, queixam-se a mandar vir... não se percebe é porquê.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Ofensa de diversão

Ponto prévio: Sou republicano e, portanto, em relação a um Presidente da República apenas falo de questões políticas. Como democrata falo em relação a um candidato de acordo com o seu comportamento, escolhas e propostas.

Aprende-se na escola primária que não se podem misturar quantidades de espécies diferentes. Mais tarde, já com a dureza de alguma secura, aprende-se o mesmo de outra maneira: não se misturam alhos com bugalhos.

E é de alhos e bugalhos que se fala quando se pretende misturar o caso das acções de Cavaco com o texto literário de Alegre. Porque não são, não tratam e não implicam a mesma espécie.

Os factos conhecem-se: acções compradas a preço de saldo e vendidas com ganho de 140%. Um negocião, uma sorte, dirão os ingénuos. Crime? Ilegalidade? Não! Favorecimento? Sim! Porque, claramente, não foi o bom golpe de vista, a boa visão dos mercados, a excelência do economista que previu este rendimento próximo das vantagens do Euromilhões. Porque sem qualquer risco.

E não vale a pena fazer a parte de enorme ofensa como se não houvesse direito a perguntas. Porque não chega - fins não justificam meios - afirmar o direito (ou o interesse) da máxima rendibilidade sobre as poupanças, há respostas necessárias que um candidato, que pretende merecer o nosso respeito, tem de dar. Explicando-se.
E a questão é simples: como é que um titulado economista, que nunca tem dúvidas e raramente se engana não percebe que não há negócios sérios que rendam a brutalidade de 140%?



terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Nigger

A última edição americana do excelente Huckleberry Finn de Mark Twain, numa condenável manifestação de censura, substitui, por 219 vezes, a palavra nigger – racista, ofensiva e depreciativa - pela mais suave e reconhecida slave. Assim, ao que justificam, o livro poderá escapar à prevenção escolar – essa forma moralista de também censura.

A atitude de substituição é estúpida, as razões da sua substituição são estúpidas mas o resultado tende à vigarice – retira-se o benefício de saber como se enquadravam os negros no sul americano mas vende-se mais. Cipolla tem sempre os quadrantes cheios…

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Vítor Alves (1935/2011)

Conheci o Vítor Alves, “capitão de Abril” e homem fundamental na implantação da Liberdade e da Democracia em Portugal, algum tempo depois do 25 de Abril. Sempre nos demos bem – nada difícil com ele. E, volta não volta, num encontro ou outro trocávamos impressões sobre o andar das coisas. Um dia, no meio da rua, cruzámo-nos e parámos à conversa. Disse-me que ia para a última reunião do Conselho da Revolução. Lembrei-lhe então se não haveria forma de acabarem com a obrigatoriedade da “licença militar” – essa forma de dependência absurda – para saídas ao estrangeiro. “Ainda bem que lembras”, disse “de facto isso anda esquecido. Vou falar nele.”. Dias depois, no Procópio julgo, diz-me: “Já está! Assunto arrumado!”. Um abraço Vítor.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

10 anos!

Para atingir a excelência é necessário tempo. O conhecimento especializado necessita de ser vivido e aprendido, surge com a prática, escreve Matthew Syed em Bounce: que 10 mil horas de prática, trabalho ou treino é o necessário para aplicar ao domínio de qualquer tarefa complexa. Ou seja: “são necessários, no mínimo, dez anos para se alcançar um estatuto de nível mundial em qualquer tarefa complexa. […] Por outras palavras, é a prática, e não o talento, que detém a chave do sucesso.”. Tratando da obtenção da mesma excelência, a pesquisa de Maxwell Gladwell traduzida em Outliers chega também à mesma conclusão: 10.000 horas – ou 10 anos – de prática é o tempo mínimo – demonstrado por diversos exemplos de sucesso - para atingir o patamar da excelência.

Na área do Desporto e no seu Long Term Athlete Development, Istvan Balyi afirma a mesma conclusão da necessidade de um período de trabalho ou treino de dez anos para atingir o nível máximo das capacidades próprias num dado desporto ou modalidade.

Dez anos de prática, trabalho ou treino orientado ou propositado é, portanto, o marco no domínio da excelência na especialidade.

No Público dos Reis leio em título - e com chamada à primeira página - “Presidente do grupo de fiscalização das contas públicas certificou contas irregulares do BPP“ e a continuar na entrada, “António Pinto Barbosa presidiu durante 10 anos ao conselho fiscal do banco insolvente liderado por João Rendeiro. Validou as contas até ao último relatório”. Percebo.

Percebo a nomeação porque 10 anos de prática o transformam num especialista. Eventualmente e a somar, porque a insolvência do banco lhe garantirá um superior treino para analisar as contas públicas. Percebo.

Mas a quem o indicou – a notícia refere o PSD – numa acção de prejuízo a si próprio e a todos nós pelo descrédito institucional conseguido, Cipolla não resistiria a qualificar no quadrante Estúpidos.

Neste quadro espero que Pinto Barbosa consiga ter uma acção digna de integração no quadrante Ingénuos: mesmo com eventual prejuízo próprio mas dando-nos o benefício da sua indisponibilidade para o cargo. Era até Inteligente: ganhávamos todos!

BPN

Acho graça a esta malta relacionada com o BPN. De acordo com as definições de Cipolla cabem todos no quadrante “Bandidos” – bandidos mais-que-perfeitos, diria - mas, ao dedo, reagem como virgens ofendidas: para além do aboletamento, ainda nos prejudicam com o abuso. Acho graça ao descaramento… mas incomóda-me o alinhamento dos Ingénuos quarenta-e-cinco graus e arrecuas.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

As Leis Fundamentais da Estupidez Humana

As Leis Fundamentais da Estupidez Humana” foram escritas, num ensaio com o mesmo nome, pelo italiano – historiador económico e professor universitário - Carlo M. Cipolla (1922-2000). De acordo com o autor, são cinco:

Primeira Lei Fundamental:
Sempre e inevitavelmente, cada um de nós subestima o número de indivíduos estúpidos em circulação.

Segunda Lei Fundamental:
A probabilidade de que certa pessoa seja estúpida é independente de qualquer outra característica da mesma pessoa.

Terceira Lei Fundamental (Regra de Ouro):
Uma pessoa estúpida é aquela que causa um dano a outra pessoa ou grupo de pessoas, sem retirar qualquer vantagem para si, podendo até sofrer um prejuízo com isso.

Quarta Lei Fundamental:
As pessoas não estúpidas desvalorizam sempre o potencial nocivo das pessoas estúpidas. Em particular, os não estúpidos esquecem-se constantemente de que, em qualquer momento e lugar, e em quaisquer circunstâncias, tratar ou associar-se com indivíduos estúpidos traz infalivelmente consequências que se pagam muito caro.

Quinta Lei Fundamental:
O estúpido é o tipo de pessoa mais perigoso que existe.
Corolário: O estúpido é mais perigoso que o bandido.

Do estudo se conclui que, pelo facto das pessoas estúpidos causarem prejuízos a outras pessoas sem obterem quaisquer vantagens para si próprias toda a sociedade empobrece. E também se infere – de acordo com o autor, pela aplicação das Leis Fundamentais e da análise de casos históricos da idade clássica, medieval, moderna ou contemporânea - que numa sociedade em declínio, embora com idêntica percentagem de pessoas estúpidas de uma sociedade em ascensão, se nota “especialmente entre os indivíduos que se encontram no poder, uma alarmante proliferação de bandidos com uma alta percentagem de estupidez e, entre os que não estão no poder, um aumento igualmente alarmante do número de ingénuos. Uma tal mudança na composição da população dos não estúpidos reforça inevitavelmente o poder destrutivo da fracção dos estúpidos e leva o País à ruína.”.

No quadro seguinte – adaptação minha das propostas de Cipolla – podemos avaliar e enquadrar as pessoas ou grupos que lançam as acções que nos rodeiam. Classificando-as.

Ingénuo é aquele que, ao realizar uma acção, possibilita ganhos a outros e se prejudica a si próprio.
Estúpido, como se viu na Regra de Ouro, é aquele que, causando danos a outros, não retira
qualquer vantagem para si - podendo até prejudicar-se e mostrar-se Superestúpido.
Bandido é aquele que, procurando benefícios próprios, prejudica sempre os outros.
Quando acrescenta um "mais" igual ao "menos" que retirou da sua vítima,
trata-se de um Bandido Perfeito.
Inteligente é aquele cujas acções permitem que ambas as partes ganhem. 

sábado, 1 de janeiro de 2011

Dilma Presidenta

O Brasil mudou muito com Lula da Silva. A sustentabilidade dessa mudança mostra-se com a eleição de Dilma Rousseff.

E o Brasil vai mudar mais com a Presidenta... o corpo de segurança feminino escolhido para as cerimónias de investidura é muito mais do que um sinal simbólico: é uma marca!

Bom Ano Presidenta!

A Democracia

Já conhecíamos a célebre frase de Winston Churchill:
"A democracia é a pior forma de governo salvo todas as outras formas que têm sido experimentadas de tempos em tempos." Câmara dos Comuns, 11 de Novembro de 1947

Agora - foi o António Macedo (esse mesmo, o da Rádio) que me enviou em mensagem de Bom Ano - temos a perspectiva Woody Allen:
"O melhor regime político é a Democracia, mas o nosso, enfim, também não é mau."

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

BOM ANO!

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Natal 2010

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Tomada de posse na Ordem dos Arquitectos

Tomada de posse dos eleitos nacionais para a Ordem dos Arquitectos para o triénio 2011/2013. Tomei posse do meu lugar de membro do Conselho Nacional de Delegados e fizeram-me uma fotografia.

domingo, 19 de dezembro de 2010

Jantar da Mesa Dois

O jantar da Mesa Dois do Procópio - habitual na época do Natal - realizou-se hoje (18) no restaurante da Ordem dos Engenheiros (nada mau, bem servido e com boa vista sobre o Eduardo VII). Momento especial de encontro de amigos de longa data. Risos, altas teorias, notícias, perspectivas, assim vai o mundo e etc. e tal. Do melhor como sempre e mantendo a tradição de tratar do mundo - já que de nós parece cada vez mais difícil. Na mesa onde fiquei - ao lado da dos senhores embaixadores e senhoras (ainda sobravam embaixadores espalhados pela sala...) - lembrei-me, a propósito de qualquer coisa, dum enorme e belíssimo verso da poesia portuguesa, o resignado "tão fora de esperar bem" de Joam Roiz de Castelo Blanco. O João Paulo Guerra, porque o disse há anos (muitos) numa récita organizada pela Natália Correia, lembrava-se mais ao menos de todo o poema. Conseguimos, em esforço de toda a mesa, (re)compô-lo integralmente. É de uma beleza extraordinária: na métrica, no jogo de palavras, nas imagens que permite. Assim:


CANTIGA, PARTINDO-SE

Senhora partem tam tristes
meus olhos por vós, meu bem,
que nunca tam tristes vistes
outros nenhuns por ninguém.

Tam tristes, tam saudosos,
tam doentes da partida,
tam cansados, tam chorosos
da morte mais desejosos
cem mil vezes que da vida.

Partem tam tristes os tristes
tam fora d'esperar bem,
que nunca tam tristes vistes
outros nenhuns por ninguém

Joam Roiz de Castelo Branco
Segunda metade do sec. XV
Contador de D.Afonso V


sábado, 11 de dezembro de 2010

PPP a favor de quem?

Nunca fui adepto das Parcerias Público-Privadas. Nunca compreendi as vantagens de misturar dois conceitos não miscíveis: a prestação obrigatória de um serviço aos cidadãos com a necessidade da obtenção de lucros para responder aos interesses dos accionistas. Aliás sempre pensei que este conjunto, pela lógica do lucro, tende muito mais à redução da qualidade do serviço do que ás vantagens da mítica eficiência privada. Parece-me evidente: as PPP traduzirão mais lucros e não necessariamente melhor serviço.

Há anos, depois de ter participado nas negociações em Bruxelas para a obtenção de verbas para aplicar nas infra-estruturas desportivas – que de zero passaram a 80 milhões – tive que me confrontar, em reuniões para aprovação de regulamentos, com a imposição dos enviados de Bruxelas – um deles português, irritante e cheio de prosápia do centro da civilização contra os pré-históricos da periferia – para aceitação das PPP. Fiz o que pude: disse que não concordava, que me parecia prejudicial aos interesses dos dinheiros públicos, que no Desporto já havia uma espécie, embora mitigada, de PPP, na relação Estado/ Federações de Utilidade Pública Desportiva. Enfim, para que as parcerias fossem aceitáveis seria necessário uma monitorização e controlo tais que garantissem a defesa sem lacunas do interesse público dos projectos. Não serviu para nada: os meus cerca de trinta companheiros alinhavam no modismo PPP, achavam até interessante dar cobertura ao mito de gerir a administração pública como empresas privadas ou acreditavam, com aquele entendimento pio que caracteriza o imobilismo, estar a alinhar Governo e interesse público. Ninguém esteve para se maçar. Na imagem de troglodita fiquei sozinho.

Curioso, hoje tudo é contra as PPP. Nomeadamente a direita que já se esqueceu da defesa que lhes fez. Mas são-no também ex-membros do Tribunal de Contas, ex-ministros, ex-isto e aquilo e até actuais liberais como Luis Campos e Cunha que defende “que há que separar as águas do Estado do sector privado. A mancebia entre o Estado e os negócios conduz a que o Estado fique ao serviço dos interesses económicos.”

Como é que caíram na esparrela?

domingo, 5 de dezembro de 2010

E nós?

E nós, os vizinhos do Jardim das Amoreiras, não temos direito a um subsídio que nos compense os cortes determinados pelo Governo?

É que também queríamos…

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Ordem dos Arquitectos

A lista A – Arquitectura para todos: enfrentar a crise, construir o futuro - presidida pelo João Rodeia ganhou as eleições para os Órgãos Nacionais do Triénio 2011-2013 da Ordem dos Arquitectos. E ganhou bem porque, representando a continuação de um bom trabalho realizado ao longo dos últimos 30 meses – direito à arquitectura (Revogação do 73/73); sustentabilidade e credibilidade da Ordem – prepara a continuação da intervenção por melhores condições do exercício da profissão, acompanhando o reconhecimento internacional, regulando melhor a admissão e o exercício profissional, promovendo a melhoria de benefícios profissionais e sociais, a criação de nova Tabela de Honorários para Projectos de Arquitectura, bem como a sustentabilidade financeira e orgânica da Ordem. Num período nada fácil, a nova direcção da Ordem propõe-se também – e por isso reuniu diferentes sectores e sensibilidades numa “única equipa” – conjugar esforços para encontrar as respostas acertadas e adequadas para a construção do futuro da profissão. O que em época de crise não é desafio menor ou inútil.

Integrando esta lista fui eleito – já o tinha sido, mas por outra lista, no mandato anterior - para o Conselho Nacional de Delegados. E sei que vamos conseguir cumprir o que nos propusemos.

No que me parece ser uma óbvia vantagem para os arquitectos e para o seu futuro exercício profissional, apenas uma preocupação: o baixo número de votantes. Será que a maioria dos arquitectos apenas pretende – não lhe encontrando mais potencialidades – que a sua Ordem não seja mais do que uma caixa receptora de quotas e emissora de credenciais? Não há, ou haverá, outras ideias colectivas para o exercício profissional?

A dimensão da crise vai exigir que a Ordem se disponibilize para outras respostas, exigindo a atenção e o empenho de muitos mais do que aqueles que quiseram votar.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Austeridade

Mark Blyth, professor de ciências políticas na Brown University
youtube.com
O bolo é o mesmo e as mesmas são as pessoas. O que significa que não há retórica que altere esta realidade:
se poucos ficarem com muito, sobrará pouco para muitos

e por isso resulta que:
aqueles que mais sofrerão são os que menos podem.
E não há retórica neo-liberal que o inverta.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Três secos

Há duas características, também essenciais, nos campeões:
- capacidade de aprender com os próprios erros;
- capacidade para não cometer duas vezes o mesmo erro.

Por falta evidente destas capacidades o Benfica saiu da Champions e está com 10 pontos de atraso em relação ao primeiro do campeonato interno.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

IMPROVISO

Não há improvisos – nós gostámos, achamos que é uma nossa qualidade particular que nos caracteriza e distingue, mas não passa de uma forma de preguiça, de deixar o tempo correr, de falta de previsão e de incapacidade de antecipação.
Os Óscares – o espectáculo do melhor cinema na visão americana - já nos tinham mostrado que cada um diz o que deve – pensado, escrito, antes. Ensaiado. E com muitas preparações que nunca verão a luz da ribalta.

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, ao deixar a sua marca no Livro de Honra do Palácio de Belém, copiou a meia-dúzia de linhas da sua mensagem dum cartão que tirou do bolso e que guardou posteriormente. Sem improviso. Pensado e reflectido.

O improviso é para situações imprevisíveis. Deixar que seja o improviso a resolver o previsível representa perca de tempo, de qualidade e abre espaço ao risco desnecessário. Mas o improviso, para que não seja uma imprevisível apanhadela na curva, prepara-se e antecipa-se: como bem sabem desportistas de rendimento ou músicos de jazz.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Eu vi!

Ganhar quatro a zero aos campeões do Mundo (e da Europa) é obra. E a jogar bem. Pena é que só metade do estádio o visse – a malta não gosta de bola, só do clube é o que é! Campeões do Mundo, os tipos que nos enchem as medidas no tiki-taka e do outro uma data de portugas que jogam lá fora. Dos melhores do Mundo. E a malta a ignorar. Abençoados dos que viram. Um golo do Ronaldo em brincadeira de treino com o companheiro Casillas com a bola a dar as voltas precisas que a ganância do Nani tirou - se houvesse campainhas nas traves da baliza a bola já lá estava e o golo alinhava no youtube para o mundo ver: golaço! A malta não gosta de bola, só do clube é o que é!

Um petardo do Carlos Martins que a Luz chorará sempre que fizer falta ao Benfica, golo dobrado do Postiga, outro do Hugo Almeida a fechar. Quatro e os espanhóis da bancada a puxar e a malta a rir-se, a achincalhar com olés. Uma festa dos abençoados que lá foram. A malta não gosta de bola, só do clube é o que é!

Jogamos bem, subidos, a pressionar, sem medos, com os fantasmas do medo desinstalados do banco e atirados para as calendas da má-memória.

O mito foi-se e o Paulo Bento impôs-se com a primeira faceta que capacita um treinador: comunicar com os jogadores de maneira que possam comunicar uns com os outros. O estádio meio vazio: a malta não gosta de bola, só do clube é o que é!

Lembrei-me do António Oliveira: quem viu, viu; quem não viu, visse! Eu vi!

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Siza honoris causa


11 de Novembro de 2010 -f oto de telemóvel
 A Universidade Técnica de Lisboa atribuiu, na Faculdade de Arquitectura de Lisboa, o título de Doutor Honoris Causa a Álvaro Siza.

Lisboa, depois de o ver resolver o Chiado, os Terraços de Bragança, a estação de Metro Baixa/Chiado e o deslumbrante pano de tenda que articula a passagem dos deuses com a porta dos humanos do Pavilhão de Portugal, assegurou Siza como um dos seus. Da sua comunidade académica, científica, artística. Do seu quotidiano.

A arquitectura de Siza é um enorme caderno cultural – da cidade de onde vem, do país a que pertence, dos caminhos que percorre. Passear pelas suas obras exige uma predisposição – um fascínio até – para se deixar surpreender: num pormenor do desenho, num pormenor construtivo, na junção de dois materiais, num alinhamento que abre diferentes perspectivas à interpretação da envolvente, à visão de integração urbana ou na abertura de novas vistas até então insignificantes. A arquitectura de Siza junta-nos num complexo de momentos inesquecíveis que aceleram o passado - da história e das muitas estórias do lugar - com o futuro que nos propõe.

Esperança foi a palavra que fechou a sua alocução.


Museu Fundação Iberê Camargo, Porto Alegre, Brasil; 1998/2008

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

A Frase

"O Benfica é como eu: vai ao Porto para não fazer nada e comer bem"
                                  
Miguel Esteves Cardoso aos 72' do Porto,5-Benfica,0 em http://static.publico.pt/sites/storify/

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Salto

Golfinho
Açores, canal entre as ilhas de S. Jorge e Pico

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Uma pérola

Mais ou menos inocentes, mais ou menos bem-pensantes, eles andam aí!
"A democracia é um obstáculo à felicidade colectiva e persistir nessa teimosia obsoleta conduz-nos ao abismo." João Pinto e Castro in Jornal de Negócios
Vale, em contraposição de peso, lembrar Winston Churchill:
"A democracia é a pior forma de governo salvo todas as outras formas que têm sido experimentadas de tempos em tempos." Câmara dos Comuns, 11 de Novewmbro de 1947
... nomeadamente uma qualquer iluminada ditadura.

                                                                        "Democracy is the worst form of government except from all those other forms that have been tried from time to time"

terça-feira, 2 de novembro de 2010

De então para cá

Conhecer a História tem a enorme vantagem de se poder saber como chegámos até aqui, até hoje e que caminho percorremos para o conseguir.

E assim também nos permite conhecer erros cometidos, as suas causas e consequências – fornecendo-nos dados, ferramentas, armas, capacidades, controlos, e mais tudo aquilo que a inteligência e a cultura possam retirar dessas lições para que saibamos não repetir os mesmos erros.

Em 1926, depois de ter liderado o pronunciamento militar de 28 de Maio, o golpista e general Gomes da Costa, lançou:

“O meu propósito é ir contra a ação nefasta de todos os políticos e dos partidos e de pôr fim a uma ditadura de políticos irresponsáveis”
Sabemos, apesar do pronunciador-chefe ter sido em pouco tempo exilado para os Açores, o que se seguiu: 48 anos de repressão e de atraso de que só o 25 de Abril nos libertou.

Nestas alturas em que aqueles a quem entregamos a responsabilidade têm como única preocupação o tacticismo do seu próprio interesse, seria bom que conhecessem e reflectissem sobre a nossa História recente. Para evitarem – como é seu dever – que a História se repita – não na forma, mas nas consequências.

No seu blogue “duas ou três coisas”, Francisco Seixas da Costa – embaixador, antigo governante e meu amigo – avisa e propõe:

“Os tempos estão tensos, as pessoas tendem a radicalizar posições, os antagonismos podem aumentar. É nestas alturas que temos de ser mais vigilantes sobre nós mesmos, em que devemos parar para pensar, para decidir, para optar. É nos tempos difíceis que se mede a serenidade de um país, a sua maturidade como nação. Temos quase nove séculos, passámos por crises muito mais graves e, com esforço, fomos capazes de as superar. Este é talvez um dos momentos em que se pode aplicar a frase de John Kennedy: "não perguntes o que o teu país pode fazer por ti, pergunta o que tu podes fazer pelo teu país".”
É obrigação de quem foi eleito para qualquer poder – deputados, autarcas, Presidente da República – ou responsabilidade, garantir que a situação não se transforma em puro e simples abuso dos mais fracos, dos excluídos ou desprotegidos.

Hoje, a forma usada por Gomes da Costa para derrubar o poder democrático não será tão directa como então. Contudo e embora mais sofisticada, menos visível e mais insidiosa, não deixará de pôr em causa a nossa Liberdade, o nosso Estado social, o nosso direito comum, a nossa cidadania.

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